INSTITUCIONAL Data de Publicação: 28 mai 2026 21:08 Data de Atualização: 28 mai 2026 22:56
Nesta quinta-feira (28), no Dia Internacional da Dignidade Menstrual, o Câmpus Florianópolis do IFSC inaugurou o programa Acolhimento Menstrual. Desenvolvido em parceria com a startup QR→Pix→Go, a Incubintech e o Laboratório de Cidadania Digital, a iniciativa combina autoatendimento inteligente e gestão preditiva de insumos para combater a pobreza menstrual e reduzir a evasão escolar.
Estudos nacionais apontam que cerca de 30% das estudantes brasileiras já faltaram às aulas por indisponibilidade de absorventes. O projeto transforma essa urgência em uma política de permanência estudantil, garantindo acesso gratuito, discreto e ágil a kits menstruais dentro do ambiente acadêmico. Jardel Godinho, aluno de Engenharia Mecatrônica e um dos idealizadores, explicou que a ideia surgiu da necessidade local. "Fomos provocados pelo Laboratório de Cidadania Digital a aplicar esse tipo de máquina para distribuição de absorventes, uma vez que trabalhamos com essas tecnologias de vending machine na empresa", explica.
Jornada Simplificada e Autônoma
O equipamento opera por meio de uma tela touch independente: a usuária não precisa de smartphone, aplicativo ou conexão pessoal à internet. No primeiro acesso, um cadastro rápido garante o consentimento explícito para uso do serviço, com governança de dados sob responsabilidade do Laboratório de Cidadania Digital (DPO). Nas retiradas seguintes, a identificação via CPF libera o kit em menos de 30 segundos. Segundo Godinho, a máquina fornece um kit com dois absorventes, possuindo um limite de retirada mensal de 10 pacotes.
Para Maria Eduarda Benites da Silva, aluna do curso técnico em Design, a nova modalidade traz mais agilidade no acesso aos itens básicos. "Eu acho muito importante, porque antes a gente tinha que se inscrever no programa e agora é só colocar os nossos dados e a gente já é aceita automaticamente. E é muito importante também, porque às vezes a pessoa não precisa de um pacote inteiro... é mais fácil de você vir aqui e buscar dois absorventes", conta.
Além da praticidade, o design e o posicionamento da máquina foram pensados para garantir conforto às alunas. "Eu acho uma ideia genial, porque você não precisa ter contato com ninguém. Se você tem vergonha, aqui você vem num cantinho, você pega, você seleciona o seu fluxo, que é muito importante... é algo que você se sente muito mais protegida", complementa a aluna do técnico em Design.
Inovação, Governança e Dados Sociais
O sistema possui monitoramento de estoque em tempo real. Como destacou Jardel Godinho, o projeto permitiu unir o desenvolvimento acadêmico a um propósito social. "Eu como discente do curso de mecatrônica, esse tipo de máquina vai ao encontro a tudo que a gente aprende no curso. Ela faz uma mistura tanto da parte mecânica, da eletrônica, quanto o desenvolvimento de sistema. A gente tem uma previsão do consumo de acordo com o hábito, a gente tem previsão de ruptura de estoque, então, o reabastecimento é feito antes de acontecer a ruptura", complementa.
Além de garantir o acesso imediato aos itens, o piloto atua como gerador de evidências. Métricas anonimizadas de consumo são analisadas para subsidiar o poder público e demonstrar "que existe essa demanda reprimida. E possa mostrar para entes públicos que é uma necessidade, principalmente no ambiente escolar, e que eles se motivem a fazer mais iniciativas como essas", ressaltou Jardel.
Parcerias
Os papéis no projeto se dividem entre a Incubintech, que fomenta o empreendedorismo da startup QR→Pix→Go (desenvolvedora da tecnologia), o Laboratório de Cidadania Digital (responsável por custear os insumos e atuar na governança dos dados) e o Câmpus Florianópolis, que cede a infraestrutura e o apoio institucional.
Maria Luisa Hilleshein de Souza, assessora da direção de Ensino do Câmpus Florianópolis, ressalta que ações educativas de dignidade menstrual ocorrem na instituição e são muito importantes para o acolhimento. "A pobreza menstrual está em todo lugar e é fundamental que a gente dê esse suporte também com foco na permanência dos estudantes aqui no câmpus. A ideia é de dar a possibilidade para que as pessoas venham para a aula e permaneçam na instituição também durante o ciclo menstrual", afirma a assessora.
O projeto Acolhimento Menstrual é considerado o primeiro passo para o estabelecimento de uma política pública permanente. A comunidade está convidada a divulgar a novidade marcando o @LaboratorioCidadaniaDigital nas redes sociais, com o intuito de engajar as instituições públicas na expansão do programa para outras unidades e cidades de Santa Catarina.