Câmpus Florianópolis sedia capacitação nacional para uso de supercomputador focado em clima e ambiente

EVENTOS Data de Publicação: 26 mai 2026 12:53 Data de Atualização: 26 mai 2026 12:59

O Câmpus Florianópolis do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) sediou, entre os dias 20 e 22 de maio, um curso focado no uso remoto do supercomputador adquirido pelo Laboratório Multiusuário de Clima e Ambiente (LMCA), em 2025. O novo equipamento atraiu pesquisadores de diferentes regiões do Brasil. A iniciativa consolida o protagonismo da instituição na área meteorológica e amplia o acesso a uma infraestrutura de alto desempenho para o desenvolvimento de pesquisas climáticas no país.

A aquisição da máquina é fruto do projeto Multilab, viabilizado com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (FAPESC). Com o novo parque tecnológico, a intenção é convidar instituições parceiras para trabalharem em conjunto, criando um ambiente de pesquisa cooperativa e multiusuário. O coordenador do LMCA, professor Mário Francisco Leal de Quadro, ressalta que esse avanço aproxima a instituição dos grandes centros de previsão de médio e longo prazo. "Em termos de capacidade computacional, a gente pode dizer que nós somos a segunda ou terceira instituição do Brasil que trabalha com essa parte de clima e ambiente. Eu acho que o IFSC está dando um passo gigantesco para se tornar uma instituição de referência nessa área de climatologia", celebra o docente.

Para pesquisadores de outras regiões, o equipamento do IFSC representa a solução de gargalos técnicos enfrentados na rotina científica. O meteorologista Gabriel Bonow Munchow, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), participou do curso buscando alternativas para rodar o modelo de química e atmosfera WRF-Chem, que apresentava problemas de processamento na parte de dados de emissões. Ele pretende replicar os conhecimentos em Porto Alegre, mas destaca o ineditismo da estrutura catarinense. "De fato, no Brasil, são pouquíssimos lugares que a gente tem a possibilidade de rodar um modelo dessa proporção com essa potência computacional", pontua o especialista.

Prevenção de eventos extremos

A possibilidade de acesso remoto permite que a tecnologia seja aplicada diretamente em outras realidades brasileiras, auxiliando no desenvolvimento de sistemas de alerta para eventos climáticos extremos na região Norte, por exemplo. O foco dos pesquisadores de fora neste curso não foi aprender a fazer medições, mas sim utilizar a capacidade de processamento catarinense para calibrar e validar localmente modelos de curto prazo. "O estado de Santa Catarina investiu nesse equipamento de grande porte, que é multiusuário, ou seja, lá de Belém eu vou conseguir usar aqui, eu não preciso comprar um outro lá. E usando esse, primeiro estabelece a parceria, segundo leva a tecnologia para fora", detalha o professor Everaldo Souza, da Universidade Federal do Pará (UFPA).

O professor Everaldo pontua que o modelo a ser rodado no supercomputador irá ajudar a meteorologia local a ter previsões mais precisas de curto prazo. “Lá Belém a gente tem uma expertise muito mais em clima, ou seja, os prognósticos de três meses. Esse modelo já é mais de curto prazo, então também é importante, por exemplo, no desenvolvimento de sistema de alerta de evento extremo”, ressalta.

Próximas edições da capacitação

Esta primeira experiência do curso teve formato híbrido e foi voltada a um público de nível intermediário, visando apenas o ensino da operacionalização e acesso ao equipamento. Com o sucesso desta etapa piloto com pesquisadores externos, o LMCA já organiza a expansão do treinamento. Em um futuro breve, o IFSC oferecerá uma versão de nível básico para que os próprios alunos e servidores interessados aprendam a submeter rotinas e desenvolver aplicativos computacionais na nova máquina.
 

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