INSTITUCIONAL Data de Publicação: 26 jun 2025 19:11 Data de Atualização: 27 jun 2025 19:32
O Seminário de Ações Afirmativas do IFSC, realizado nos dias 25 e 26 de junho, no auditório da Reitoria, em Florianópolis, trouxe exemplos de inclusão e o debate sobre as ações inclusivas no IFSC, entre eles o sistema de cotas para ingresso instituição.
Na tarde de quarta-feira, 25 de junho, o Seminário de Ações Afirmativas do IFSC teve a realização da mesa-redonda “Ações afirmativas: experiências possíveis”, com depoimentos de um estudante do IFSC que é egresso de uma casa de acolhimento, de uma pesquisadora que é pessoa com deficiência (PCD) e de uma servidora da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) que trabalha com programas de atendimento a estrangeiros e a indígenas.
Estudante do curso superior de Sistemas de Energia do Câmpus Florianópolis, Nelson Matheus Hubner Frederico é egresso de uma casa de acolhimento e foi adotado quando tinha 17 anos e 11 meses de idade. Ele contou sobre sua trajetória e a de colegas da casa de acolhimento que não tiveram a mesma oportunidade que ele e hoje vivem pelas ruas ou em condições socioeconômicas precárias.
Nelson foi participante do programa Novos Caminhos - iniciativa do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Associação dos Magistrados Catarinenses e Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina para oferecer a adolescentes oportunidades de estudar e se capacitar para uma profissão. Já formado em Engenharia Elétrica, ele atualmente é professor de matemática em escolas públicas de Florianópolis e de São José. “Espero que esse dia de reflexão para nós nos ajude a construir uma política afirmativa para o IFSC, para atender esse público que está batendo à nossa porta”, disse.
As dificuldades encontradas pelas pessoas com deficiência para se inserir nos diferentes contextos da sociedade foram abordadas pela pesquisadora Thaís Becker Henriques Silveira, graduada em Direito e mestra em Direitos Humanos. Ela é integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa das Políticas Públicas para Inclusão Social da Universidade de São Paulo (USP) e do Núcleo de Estudos sobre Deficiência da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Para Thaís, que é tetraplégica, a sociedade “não foi pensada para determinados corpos”, “Todas as pessoas precisam de estruturas, para acomodar a forma como ela é”, ressaltou. “É importante também que a gente garanta a permanência [dos estudantes com deficiência]. É muito importante que as pessoas estejam, mas precisamos prover condições para elas também permanecerem, para que permanecer não seja sobreviver”, complementou.
Rosenei Cella, servidora da UFFS em Chapecó e atualmente coordenadora do Programa Pró-Imigrante daquela universidade, falou sobre essa iniciativa e também sobre o Programa de Acesso e Permanência dos Povo Indígenas (PIN), do qual esteve à frente quando diretora de Políticas de Graduação da UFFS (2019-2023). Ela relatou que, nas últimas duas décadas, Chapecó recebeu milhares de imigrantes, principalmente haitianos, num primeiro momento, e, mais recentemente, venezuelanos. “Hoje se você anda na rua em Chapecó, o segundo idioma é o espanhol”, disse.
Os imigrantes que chegam a Chapecó vão principalmente para trabalhar na agroindústria da região. Como muitos têm formação em nível médio ou superior, acabam procurando a universidade por ter interesse em estudar. A UFFS abre vagas específicas para imigrantes, oferece curso de português (inclusive fora do câmpus), monitoria específica para os estrangeiros e também oportunidades de estágios para esse público. Segundo Rosenei, a UFFS é a segunda universidade que mais abre vagas para imigrantes no Brasil, atrás apenas da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), criada com o objetivo de receber estudantes de outros países da América Latina.
Por meio do PIN, a UFFS reserva vagas - duas por curso - para indígenas. “São duas vagas porque a ideia é que [os estudantes indígenas] não ficassem sozinhos nos cursos”, explicou. Segundo os números que Rosenei apresentou, atualmente a UFFS tem 667 estudantes indígenas de todo o Brasil em seus seis câmpus espalhados por Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Desses, 145 entraram por meio dos processos seletivos específicos para indígenas. Os demais entram pelos processos com ampla concorrência, como o Enem, o que, na visão da servidora, derruba o argumento de que estão “roubando vagas” de outras pessoas por causa da reserva de vagas.
Pensando o Sistema de Cotas
No segundo dia do evento, o tema foi o sistema de cotas nos processos de ingresso do IFSC. servidores com experiência no tema fizeram contribuições teóricas e práticas, resultando em encaminhamentos para aperfeiçoamento das cotas, visando a facilitação do processo de ingresso e inclusão de outros públicos como cotistas.
Pela manhã, os participantes dividiram-se em grupos de trabalho Cota Escola Pública; Cota Renda; Cota Pretos, Pardos, Indígenas e Quilombolas (PPIQ), e Cota Pessoa com Deficiência (PcD). À tarde, foi realizada a plenária para apresentação dos resultados e encaminhamentos.
Entre os encaminhamentos, está a criação de um Fórum de Ações Afirmativas no IFSC, envolvendo a Reitoria e os câmpus. Também foi debatida a possibilidade de ampliação da oferta de cotas no IFSC para o atendimento de mais públicos.
A chefe do Departamento de Ingresso, Giselli Dandolini Bonassa, destaca que o trabalho dos GTs terá continuidade, para o aprimoramento e aprofundamento das propostas. “Acho que este Seminário reinicia um ciclo de debates nas ações afirmativas que estão há muito tempo paradas na instituição. Ele coroou o movimento que vem sendo feito, retomado desde o final do ano passado, que é repensar as ações afirmativas, especialmente neste momento as cotas de acesso”, completa.