É possível aproveitar o verão de forma segura na pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 01 dec 2020 12:47 Data de Atualização: 01 dec 2020 17:41

O verão, tão esperado por aqueles que amam calor, festa e praia, neste ano terá que ser diferente. A pandemia de Covid-19 não está controlada, hospitais estão ficando lotados novamente e pessoas estão morrendo. Santa Catarina, por exemplo, está com recorde de casos ativos, com 13 regiões em estado gravíssimo e três em estado grave.

Mas depois de um ano tão difícil, é natural querer ir à praia ou se refrescar na piscina. Isso é possível, basta seguir as recomendações de sempre: distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos. Talvez você esteja se perguntando: e como fazer isso na areia da praia? Nós conversamos com três professoras do IFSC, das áreas de Enfermagem, Química e Têxtil, para trazer as orientações necessárias para as seguintes questões:

- Como aproveitar as férias de verão em segurança?
- Como se comportar na praia? E na piscina?
- O que levar e consumir nos passeios?

E como no verão as viroses são comuns, principalmente no litoral, e muitos sintomas são os mesmos da Covid-19, vamos abordar o seguinte:

- Se algum sintoma de virose aparecer, o que fazer? 

Com as temperaturas altas, também vamos voltar a falar das máscaras. Elas precisam ser utilizadas, mas vamos esclarecer:

- Que materiais e modelos são mais indicados para o verão?
- De quanto em quanto tempo devem ser trocadas? E se molhar? 

Diante do aumento de pessoas circulando principalmente no litoral, trazemos ainda algumas orientações para os estabelecimentos comerciais:

- Como garantir o distanciamento social?
- Qual orientação para ventilação e uso de ar-condicionado?

Seja responsável!

Antes de programar qualquer viagem ou passeio, lembre de se informar sobre a situação da pandemia na região que visitará. Em Santa Catarina, o site do governo traz o mapa das regiões de maior risco de transmissão. Também busque informações sobre as recomendações para uma viagem responsável.

-> Veja aqui como viajar e se hospedar em um hotel de forma segura. 

Informar-se é um dever de todos nós neste período de pandemia. Para aproveitar o verão em segurança esta é uma das orientações de Josiane Steil, enfermeira, professora do Curso de Graduação em Enfermagem do Câmpus Joinville e líder do grupo de pesquisa Lapebe - Laboratório de Práticas Baseadas em Evidências do IFSC. Isso porque muitas pessoas têm o hábito de ir sempre para a mesma praia, por exemplo. Se ela for muito procurada, neste verão você terá que mudar de ares.

"Faça um esforço e pesquise outros locais em que você e sua família poderão aproveitar o dia ao ar livre da mesma forma, se refrescar, sem ficar numa aglomeração. Temos a obrigação de sair do óbvio." Ela cita ainda que Santa Catarina tem muitas opções de rios e cachoeiras, que garantem um bom passeio e geralmente são locais mais vazios.

Outras dicas são ir em horários mais tranquilos, como início da manhã ou fim de tarde, e evitar finais de semana. "Quem puder, vá à praia em dias da semana. A gente sabe que isso não é uma realidade para a maioria. Mas se aquelas famílias que têm condições, que estarão de férias em janeiro e fevereiro, puderem se organizar desta forma, já contribuem, deixando os finais de semana para quem está trabalhando no verão e não teria outro dia para passear."

Mas lembre-se, cada cidade tem suas regras. Em Florianópolis, por exemplo, está proibido permanecer na praias. São permitidas apenas atividades físicas individuais e pesca -  e com uso de máscara.

O que tenho a dizer para essas pessoas que estão se aglomerando nas praias, indo a festas, é que vocês estão fazendo a manutenção da pandemia. Podem não estar doentes, mas estão mantendo a pandemia ativa. O vírus só precisa de um hospedeiro para sobreviver. Declaração da professora Josiane Steil, do curso de Enfermagem do Câmpus Joinville.

Como se preparar para um dia ao ar livre

Além da tradicional garrafinha de água, neste verão a mochila para passeios ao ar livre terá que ser um pouco maior. Josiane orienta a levar o próprio lanche de casa, para evitar entrar em restaurantes ou ter contato com vendedores ambulantes. 

Mas quem tem filhos sabe que evitar o carrinho do picolé pode ser uma tarefa difícil. "Os pais podem pedir para as crianças dizerem antes o sabor que querem e só um adulto vai até o carrinho para evitar aquele monte de criança em cima do vendedor. Depois tira o papel e dá para a criança aproveitar o picolé à vontade."

Também não é recomendável alugar guarda-sol ou cadeira de praia, nem compartilhar outros objetos com pessoas desconhecidas. E muita atenção à higiene das mãos. Elas devem ser lavadas com frequência. Por isso é importante levar o álcool em gel. "Quem tem condições financeiras existem lenços umedecidos de álcool, são mais práticos." Vale também levar uma garrafinha com água e um sabonete.

Se para você é muito complicado usar máscara no calor ou se seu filho não tem maturidade para usar, então não saia de casa. Precisamos de responsabilidade nesse momento. Declaração de Josiane Steil, professora de Enfermagem no Câmpus Joinville.

Máscara é para usar mesmo no calor

A máscara é uma questão de proteção sua e dos outros. "Essa consciência coletiva que a gente precisa criar", afirma Josiane. Por isso, na mochila para o passeio ela também orienta colocar pelo menos quatro máscaras por pessoa se ficarem o dia todo fora de casa. Com o suor elas ficam úmidas e precisam ser trocadas. No vídeo a seguir Josiane explica o porquê e também esclarece sobre a importância de passá-las a ferro:


Para os dias quentes, opte por máscaras em cores claras e tecidos mais leves. O algodão é o mais indicado por ser uma fibra natural e ter melhor respirabilidade. A professora do Curso Técnico em Têxtil do Câmpus Araranguá, Suelen Rizzi, explica que o mais indicado para o verão é o tricoline 100% algodão, que tem uma gramatura mais fina. Outra orientação é que a máscara tem que se moldar ao rosto, sem apertar demais nem ter o risco de ficar caindo. No vídeo a seguir Suelen mostra modelos e tecidos mais indicados, por exemplo as utilizadas para prática esportiva.


Mas atenção: não adianta usar a máscara e ficar toda hora ajustando. A sua mão pode estar contaminada e você mesmo levar o vírus até o nariz ou boca! Lave as mãos antes de manusear a máscara e a retire sempre pela alça. Lave a máscara com água e sabão ou deixe de molho em uma gotinha de água sanitária.

-> Este post fala sobre a importância de utilizar a máscara durante atividades físicas

A OMS também disponibiliza informações sobre o uso e confecção de máscaras.

Piscina é um local seguro?

A professora de Química do Câmpus Florianópolis Cláudia Lira esclarece que não existem evidências de que o Sars-CoV-2 seja transmitido por água contaminada. Ela afirma que o cloro é indicado pela Organização Mundial da Saúde como desinfetante que inativa o vírus. Os desinfetantes efetivos indicados pela OMS podem ser consultados neste documento.

Já em relação a outros sistemas para limpeza de piscinas, como os que utilizam ozônio ou sal, ela esclarece que ainda não há muitos estudos que comprovem sua eficácia na inativação do vírus. "A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), inclusive, publicou nota técnica em que afirma não existir evidências científicas sobre a eficácia desinfetante do ozônio contra o Sars-CoV-2." A nota técnica sobre uso do ozônio está disponível aqui.

Mas atenção! O maior cuidado em relação à piscina do prédio ou do clube não é com a água, mas com o ambiente e a proximidade entre as pessoas. A contaminação nesses locais ocorre da mesma forma que fora da água: principalmente a partir do contato direto com secreções respiratórias de pessoas infectadas, como as gotículas eliminadas na tosse, no espirro e na coriza. 

Por isso é importante seguir algumas recomendações nas piscinas para você ficar mais seguro:

- Mantenha a distância de pelo menos 1,5 metro de pessoas que não sejam da sua família ou convívio
- Higienize frequentemente superfícies como mesas e cadeiras
- Não compartilhe objetos de uso pessoal
- Evite utilizar os vestiários. Prefira tomar o banho em casa

Já os parques aquáticos e complexos de águas termais estão sujeitos a normas impostas pelos governos estaduais. Em Santa Catarina, a portaria 705 estabelece que "todos os visitantes e os trabalhadores ficam obrigados a utilizar máscaras durante todo o período, exceto quando estiverem dentro da água", além do distanciamento de 1,5 metro e o não-compartilhamento de comidas, bebidas e objetos.

A portaria estabelece ainda restrições de funcionamento destes estabelecimentos de acordo com o mapa de classificação de risco divulgado semanalmente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

- Risco gravíssimo (vermelho) - parques aquáticos e complexos de águas termais estão proibidos de funcionar
- Risco grave (laranja) - podem funcionar com 40% da capacidade
- Risco alto (amarelo) - podem funcionar com 50% da capacidade
- Risco moderado (azul) - podem funcionar com 100% da capacidade

Os níveis de risco - gravíssimo, grave, alto e moderado - são calculados a partir da combinação de fatores como transmissibilidade do vírus, leitos vagos e aumento de casos ativos de coronavírus em cada região.

Mais uma vez, é importante se informar antes de programar qualquer passeio a estes locais!

O secretário de Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, tem feito um apelo para que as pessoas parem de promover festas. “Nós temos que entender que se reunirmos 5 mil pessoas, por exemplo, há a possibilidade de 100 mil pessoas serem contaminadas na sequência dos dias. É esse o cálculo matemático. Eu entendo a dificuldade porque é muito tempo de enfrentamento à pandemia, mas as festas domiciliares com 30, 40 pessoas sem uso de máscara e distanciamento acabam proliferando o vírus”, alerta.

Como os estabelecimentos comerciais podem ajudar

No post sobre a segunda onda da pandemia pelo mundo, ficou evidente como as marcações nos pisos para distanciamento social são comuns em países da Europa, Ásia e Oriente Médio. 

A professora Josiane afirma que as marcações ajudam muito a reforçar a importância do distanciamento. "Mesmo porque sem uma referência muitas pessoas não têm a noção de quanto é 2 metros. Colocar as faixas é uma forma de conscientização."

Outra orientação para os estabelecimentos comerciais é manter os ambientes ventilados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) traz em sua página orientações sobre uso de ventiladores e ar-condicionado. Mesmo com o uso de ventiladores, é preciso deixar as janelas abertas para haver as trocas de ar externo. Os sistemas de ar-condicionado devem ser limpos e inspecionados regularmente. Já os sistemas que recirculam o ar de dentro do ambiente não devem ser usados.

E se a febre aparecer, o que fazer?

No litoral, é comum os postos de saúde ficarem lotados de pessoas com viroses ou sintomas de insolação durante a temporada de verão. A professora Josiane esclarece que em um primeiro momento não tem febre diferente para Covid. "É difícil perceber só por esse sintoma, precisa ver como a doença vai evoluir. A não ser que tenha como primeiros sintomas a perda de paladar e olfato, que são bem característicos."

Ela lembra ainda que este é mais um motivo para evitar alimentos de locais sem garantia de higiene. "Quando deixo de comer com ambulantes também deixa de ter confundidores num diagnóstico."

Em caso de dúvida sobre a doença, antes de procurar atendimento presencial, se for possível, a professora orienta a ligar nos telefones disponibilizados pelas secretarias de saúde durante a pandemia. "Por telefone a pessoa pode buscar orientação se vai a uma unidade de saúde convencional ou uma unidade Covid."

Em Florianópolis, tem o Alô Saúde Floripa, que oferece atendimento pré-clínico por meio de telefone e aplicativos.

Um resumo com as principais orientações para curtir o verão com segurança:

- Prefira passeios por ambientes externos e abertos, que têm menos probabilidade de espalhar o vírus do que locais fechados;
- Não vá a qualquer local se estiver com algum sintoma da doença. Fique em isolamento;
- Mesmo em locais abertos, como praias, mantenha o distanciamento de pelo menos 1,5 metro. Isso vale para quando estiver na água também;
- Use máscara;
- Não compartilhe alimentos, bebidas, equipamentos (como guarda-sol, cadeiras de praia), brinquedos com pessoas com quem não convive;
- Higienize as mãos com frequência. Leve ao passeio álcool gel, ou uma garrafa com água e um sabão.

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Quem teve Covid-19 pode ficar com sequelas?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 24 nov 2020 16:01 Data de Atualização: 30 nov 2020 15:04

A Covid-19 é uma doença aguda que, em cerca de 15% dos casos, pode evoluir para uma doença grave e até levar a óbito em casos mais críticos (dados da Organização Pan Americana de Saúde – Opas). A maioria dos infectados, porém, desenvolve a forma leve da doença, com sintomas semelhantes ao do resfriado comum.

Nos últimos meses, no entanto, a comunidade médica e científica tem observado que, mesmo entre pacientes com sintomas leves, a Covid-19 tem efeitos mais prolongados que um resfriado ou uma gripe causada por outros tipos de vírus. Fadiga, dor de cabeça, perda de olfato e paladar, entre outros sintomas, são alguns dos efeitos relatados por pacientes em várias partes do mundo, por semana ou até meses após a contaminação pelo vírus. 

Ouvimos um médico reumatologista e um otorrinolaringologista para saber se esses sintomas prolongados podem se tornar sequelas da doença ou mesmo se a Covid-19 pode se tornar uma doença crônica (doença ativa que precisa ser tratada pelo resto da vida, como por exemplo diabetes ou pressão alta). Segundo eles, ainda é cedo para afirmar isso, pois a doença foi descoberta há menos de um ano (o primeiro relato foi feito na província de Wuhan, na China, em dezembro de 2019) e ainda são necessárias pesquisas a longo prazo. O consenso entre os especialistas, no entanto, é de que esses sintomas não devem ser negligenciados.

No post de hoje, veja:

- Qual a diferença entre sintomas persistentes, recorrentes e sequelas?

- Quais são os sintomas persistentes mais comuns na Covid-19?

- Quem tem mais predisposição para desenvolver sintomas persistentes da Covid-19?

- Pessoas com sintomas persistentes continuam transmitindo o novo coronavírus?

- O novo coronavírus pode causar doenças autoimunes?

- Qual o tratamento para quem apresenta sintomas persistentes e/ou recorrentes?

- Podemos dizer que ainda temos muito a descobrir sobre essa doença?

Qual a diferença entre sintomas persistentes, recorrentes e sequelas?

O médico reumatologista Diego Vinicius de Magalhães explica que sequela é um defeito no funcionamento no organismo, ocasionado por uma doença. Por exemplo, o novo coronavírus, em sua forma grave, pode causar uma inflamação nos pulmões (pneumonia viral), que pode levar à fibrose e consequente perda da capacidade respiratória, causa da fadiga crônica relatada por muitos pacientes. Porém, alguns sintomas parecem ser persistentes, como a perda de olfato e paladar, que podem desaparecer em algumas semanas, ou recorrentes, isto é, retornam depois que os sintomas iniciais desapareceram. Isso pode acontecer mesmo quando a pessoa não tem mais carga viral, ou seja, não está mais transmitindo o vírus. “A gente tem 10 meses só de doença, e na Medicina, para dizer que algo é crônico, precisa de pelo menos um ano”, explica.

Veja no vídeo a explicação completa sobre o que são sintomas persistentes:

Quais são os sintomas persistentes mais comuns na Covid-19?

Ainda há poucas pesquisas científicas sobre os sintomas prolongados (persistentes, recorrentes e possíveis sequelas) da Covid-19. Os esforços da comunidade científica estão concentrados na descoberta da vacina e no tratamento mais eficaz para pacientes em estado crítico. No entanto, alguns estudos preliminares alertam que a Covid-19 pode trazer muito mais prejuízos que outros vírus respiratórios.

Um estudo preliminar realizado em um hospital da Itália e publicado no periódico científico JAMA Network (em inglês) avalia quais os principais sintomas persistentes após a fase aguda da Covid-19. Apenas 12,6% dos pacientes analisados relataram estarem livres dos sintomas em dois meses após a fase aguda. Outros 32% relataram um ou dois sintomas e outros 55% relataram três ou mais sintomas persistentes. Cerca de 44% relataram piora na qualidade de vida após a Covid-19. Os sintomas mais citados foram fadiga, dispneia (falta de ar), dores nas articulações e dores no peito.

Veja na figura abaixo o comparativo entre os sintomas na fase aguda e no período de acompanhamento:


Gráfico mostra os sintomas persistentes em pacientes depois da fase aguda da Covid-19

Fonte: JAMA Network

Outros fatores bastante recorrentes são os relacionados à perda de olfato e paladar. O médico otorrinolaringologista e cirurgião Guilherme Webster explica que “o Sars-Cov-2 é um vírus que tem uma predominância da parte respiratória e um tropismo por nervos. Esse tropismo afeta o nervo olfatório, levando esses pacientes a um quadro da perda súbita do olfato e de alterações do paladar”. 

As alterações mais comuns são a anosmia, que é a ausência do olfato; a parosmia, a alteração do olfato; a hiposmia, a diminuição do olfato; a fantosmia, quando o paciente passa a sentir odores pútridos onde eles não existem; e a disgeusia, que é a alteração no paladar. 

Segundo o médico, esses sintomas são comuns em resfriados, porém, nesses casos, os sintomas desaparecem em pouco tempo. Na Covid-19, essas alterações são mais persistentes. Observa também um número frequente de casos de pacientes com perda súbita da audição após a Covid-19, sintoma que demora mais tempo para desaparecer que os demais observados. O tema foi abordado em artigo (em inglês) na publicação Pubmed.gov.

Veja no vídeo a explicação completa sobre as alterações de olfato, paladar e audição:

Quem tem mais predisposição para desenvolver sintomas persistentes da Covid-19?

Apresentar fatores de risco para o desenvolvimento da forma grave da Covid-19 não necessariamente significa que a pessoa vá desenvolver sintomas persistentes, recorrentes ou sequelas. De acordo com o médico reumatologista Diego Vinicius de Magalhães, ainda não há estudos apontando essa relação. 

Um estudo da publicação MedRxiv (em inglês) aponta que não há relação entre a gravidade dos sintomas iniciais do novo coronavírus e casos de fadiga prolongada (cerca de 10 semanas). Foram analisados pacientes que estiveram em estado crítico (hospitalizados e/ou entubados) e pacientes com sintomas mais leves. O que se observou foram mais relatos de fadiga crônica em pacientes mulheres com histórico anterior de depressão e ansiedade. 

Segundo o médico otorrinolaringologista Guilherme Webster, “o que se observa é que mais mulheres do que homens apresentam sintomas prolongados, e em uma faixa etária entre 30 a 40 anos, aqui no Brasil. Em outros países, como a Itália, essa média é mais alta, também porque nos países europeus há maior prevalência de pessoas com idade avançada”.

Pessoas com sintomas persistentes continuam transmitindo o novo coronavírus?

Segundo os especialistas, não há evidências de que as pessoas com sintomas prolongados continuem transmitindo o vírus. O fator que determina a transmissão é a presença viral indicada nos exames de sangue. O indivíduo pode ter uma recorrência ou prolongamento dos sintomas devido à sequela deixada pelo vírus, mas não significa que esteja transmitindo a doença. “Você pode ter uma sequela após o vírus. Isso quer dizer que o vírus lesionou você e você ficou com essa consequência, não significa que você é transmissor”, explica Webster.

Ter sintomas recorrentes também não significa que a pessoa se reinfectou com o vírus, mas pode ser uma consequência do Sars-Cov-2. A reinfecção é outro ponto que está sendo investigado pela ciência. Segundo Webster, há casos em que o vírus não estimulou o sistema imunológico do paciente de forma suficiente para haver uma imunidade permanente. Por isso a importância de o paciente que teve o novo coronavírus continuar adotando medidas preventivas (distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos).

O novo coronavírus pode causar doenças autoimunes?

O médico reumatologista Diego Vinicius de Magalhães explica que existem vários gatilhos para o desenvolvimento de doenças autoimunes: um gatilho ambiental, um gatilho infeccioso, no caso o Sars-Cov-2, e uma questão genética. Assim, se uma pessoa tem uma predisposição genética para desenvolver doenças como artrite reumatoide ou lúpus, por exemplo, e entra em contato com um agente infeccioso, como o vírus da Covid-19, ela pode começar a desenvolver sintomas. “Em um dado momento da vida, ele (o paciente) é exposto a uma radiação solar, a um vírus, e passa a desenvolver uma resposta inflamatória. Ou seja, o sistema imunológico, que não estava bem modulado, com o vírus presente, a pessoa começa a apresentar sinais e sintomas de doenças autoimunes. Não é que o Sars-Cov-2 causa uma doença autoimune, ele propicia um desequilíbrio em uma pessoa que já está propensa”, explica. 

O médico alerta, no entanto, que as pesquisas nesse sentido ainda são inconclusivas. “Na reumatologia, que é a minha especialidade, a gente estuda doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide e elas não têm causas bem estabelecidas. Porém, sabe-se que os gatilhos ambientais, junto com a genética, são favoráveis. Então, infere-se que o vírus Sars-Cov-2 possa funcionar como gatilho de uma doença autoimune, mas isso ainda é incipiente”.

Qual o tratamento para quem apresenta sintomas persistentes e/ou recorrentes?

Não há uma medicação específica para tratar os sintomas persistentes e/ou recorrentes da Covid-19. Segundo Magalhães, são utilizadas medicações conforme os sintomas, como analgésicos comuns ou antidepressivos tricíclicos para dor de cabeça e anti-inflamatórios para sintomas de dor no corpo. 

Para os sintomas de perda de olfato e paladar, há estudos em reabilitação do olfato, que é fazer a pessoa sentir vários tipos de odores, uma espécie de treinamento olfativo. Porém, segundo Webster, não há estudos comprovando a eficácia. Corticoides nasais e orais são indicados para evitar sequelas por lesão ao nervo do olfato, mesmo procedimento adotado em resfriados e gripes comuns.

Para quem teve Covid-19, com sintomas prolongados ou não, o ideal é que continue realizando o acompanhamento médico. Essa é a melhor maneira, segundo o médico otorrinolaringologista, de se evitar sequelas graves. Esses dados também ajudam os médicos e pesquisadores a conhecer os padrões de evolução da doença e definir melhores formas de tratamento.

O Hospital Universitário da UFSC está desenvolvendo pesquisa com o objetivo de medir o impacto da Covid-19 no aparelho respiratório, a partir de acompanhamento de pacientes por um prazo de até dois anos.

Podemos dizer que ainda temos muito a descobrir sobre essa doença?

Segundo Magalhães, os coronavírus são vírus antigos, relatados desde a década de 50 ou 60. Em relação ao novo coronavírus, ainda há muita coisa a ser descoberta. “Não temos uma terapia padrão que comprove tratar Covid-19. O que mais queremos nesse momento é a melhor forma de prevenção que se tem, que é a vacinação”, destaca.

Segundo Webster, as descobertas acontecem muito rápido, há protocolos que mudam de uma semana para outra. Ele alerta, porém, que o consenso no momento é a prevenção, utilizar máscaras, higienizar as mãos e evitar o contato social.

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Como está a segunda onda de Covid-19 pelo mundo?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 16 nov 2020 20:42 Data de Atualização: 20 nov 2020 09:06

Enquanto no Brasil se flexibilizam as medidas de isolamento social e se percebe cada vez mais aglomerações em praias, por exemplo, e realizações de festas, algumas partes do mundo revivem o ápice da pandemia. Diante de uma segunda onda de Covid-19, vários países da Europa decretaram lockdowns e toques de recolher para tentar conter o avanço do vírus. Ruas estão novamente vazias e hospitais lotados. Nos Estados Unidos, algumas regiões também passaram a adotar medidas mais severas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o primeiro caso registrado na China em 1º de dezembro de 2019, já foram mais de 54 milhões de pessoas detectadas com o Sars-CoV-2 e 1 milhão e 317 mil mortes. E os números não param de crescer, levando a OMS a fazer alertas constantes para que os países não relaxem as medidas para contenção da doença. 

Para explicar a segunda onda, conversamos com a doutora em Saúde Coletiva Bárbara Oliveira. Ela foi professora do IFSC até 2018, foi para Europa no ano passado fazer pós-doutorado, passou por três países durante a pandemia e faz parte de grupos de pesquisas sobre a Covid-19. 

Também conversamos com professores e egressos da instituição que estão em diferentes partes do mundo. Eles contam como estão vivendo a pandemia e que medidas os governos adotaram.

Com isso, neste post buscamos responder:

- Que fatores levam a uma segunda onda?

- Ela é igual em todos os lugares?

- Aqui no Brasil, também vivemos uma segunda onda ou ainda nem saímos da primeira?

- É possível uma terceira ou quarta onda?

- O que tem dado resultado no combate à Covid-19 ao redor do mundo?

Outdoor em Braga, Portugal, com quatro homens com máscaras e a frase "Braga fecha a porta ao vírus."

Outdoor em Braga, Portugal.

Fatores que levaram à segunda onda na Europa

O verão na Europa - entre os meses de junho e setembro - é apontado como um dos fatores para o aumento de casos de Covid-19 no continente. Isso porque depois de um inverno com medidas severas para deslocamento, os europeus viram o número de casos despencar no mês de junho. A pesquisadora em Saúde Coletiva Bárbara Oliveira presenciou esse momento no Reino Unido: "Os europeus normalmente ficam ansiosos pela chegada do verão e esse ano mais ainda. Com a queda na curva de transmissão, medidas foram flexibilizadas e fronteiras foram abertas. Foi todo mundo pra praia."

Ela conta que várias regiões já registravam aumento de casos durante o verão, tanto que alguns governos contrataram pessoas que haviam perdido seus empregos durante a pandemia para fiscalizar os locais de veraneio, principalmente se o distanciamento social estava sendo respeitado. Algumas praias foram até interditadas. Mas o vírus já havia voltado a circular com força.

Outros fatores apontados pela epidemiologista para a segunda onda foram o retorno das aulas em escolas primárias e o relaxamento das medidas de restrição social. Bárbara afirma que principalmente os jovens voltaram a se reunir com frequência: "Um grupo em que é alto o índice de assintomáticos. Sem saberem que estão com o vírus, espalham ainda mais."

O resultado é que em vários países da Europa o número de casos diários do novo coronavírus entre o final de outubro e o mês de novembro tem sido até cinco vezes maior do que no ápice da primeira onda, como mostram as curvas de transmissão da Itália, Portugal e Reino Unido. Os gráficos foram gerados pelo professor do Câmpus Lages, Carlos Andrés Ferrero, que coordena o desenvolvimento de um aplicativo para acompanhar a expansão da pandemia pelo mundo com base em dados, por exemplo, do Centro de Pesquisa do Coronavírus da Johns Hopkins University. 

Com o pior cenário da pandemia de volta às cidades europeias, medidas para isolamento social estão novamente sendo exigidas. Até no Reino Unido, que foi um dos últimos países europeus a adotar medidas mais rígidas na primeira onda, decretou um novo lockdown no início de novembro que deve seguir, pelo menos, até dezembro.

A egressa do IFSC Kaká Nicacio está em Londres e conta como estão as medidas para conter o vírus, entre elas o distanciamento social e as multas pesadas para quem desrespeitá-las.

 

A professora do Câmpus Florianópolis-Continente Mariana Kilp está em Portugal para fazer o doutorado. Ela mora em Almada, na região de Lisboa, e conta que neste momento só é permitido sair de casa para ir ao supermercado, farmácia, médico, deslocamento para trabalho que não possa ser feito de casa e atividades físicas próximas à residência. 

Portugal decretou estado de emergência sanitária no dia 9 de novembro e a maior parte do país terá que respeitar um toque de recolher entre 23h e 5h de segunda a sexta-feira e a partir das 13h nos finais de semana. 

"A maioria tem respeitado e me sinto segura aqui com estas medidas", afirma Mariana, que conta ainda que só no último dia 6 de novembro passou a ser obrigatório o uso de máscaras nas ruas - um indicativo de que as regras estão ainda mais rigorosas.

O mesmo ocorreu em Roma, onde o uso de máscaras só passou a ser obrigatório nas ruas a partir de outubro, como afirma no vídeo o egresso do IFSC Cleber Angelo. Ele tem sofrido com a falta de trabalho em uma cidade em que o turismo é uma das principais forças da economia.

 

 

A relação das escolas com a segunda onda na Europa

O retorno das escolas também levou a uma maior testagem de crianças e adolescentes nos países europeus, o que ajuda a explicar, segundo Bárbara, o aumento no número de casos registrados. "A determinação por aqui é que em caso de qualquer sintoma os pais avisem a escola. A vigilância epidemiológica realiza um rastreamento muito intenso. Com isso muitas crianças e adolescentes fizeram o teste - um grupo que não foi testado no primeiro momento da pandemia."

Ela explica que as escolas de ensino fundamental são vistas pela comunidade europeia como essenciais para a retomada da economia, para que os pais possam voltar a seus trabalhos, principalmente os serviços essenciais. Por isso a opção por fechar bares, restaurantes, parques, mas deixar as escolas abertas, garantindo o rastreamento de casos com a realização de testes.

A professora do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC Daniela Carrelas está em Portugal, morando na cidade de Braga para fazer o doutorado. No áudio abaixo ela conta como foi a experiência de retorno das aulas com a filha Sofia, que teve diagnóstico positivo, apesar de assintomática.

 

Segunda onda é mais fraca que a primeira ou pode piorar?

Olhando as curvas de transmissão da doença nos países europeus é possível perceber que as curvas de letalidade na Itália e no Reino Unido, por exemplo, estão abaixo da registrada na primeira onda, ao contrário da curva de novos contaminados. Bárbara afirma que isso não significa que o vírus está mais "fraco". Comunidades científicas ainda pesquisam as mutações do vírus e os reflexos da circulação de novas cepas na população mundial. "Há muitos casos de reinfecção aqui, pessoas que foram infectadas novamente pelo Covid-19 mas outra cepa. Tem pessoas que têm manifestações mais brandas, mas outras que superaram a primeira infecção, às vezes nem apresentaram sintomas, e na segunda estão até morrendo.”

Ela explica que esses números têm relação com o fato de que nestes últimos meses muitas crianças e jovens foram testados, principalmente em função da reabertura das escolas. E este é um grupo em que os efeitos da doença geralmente não são tão severos e a taxa de letalidade é bem menor. E é neste aspecto que ela aponta um grande risco: nessa segunda onda os jovens "estão dando trabalho". Por isso muitos países europeus, afirma, estão ampliando o policiamento, aplicando multas, encerrando festas e até prendendo pessoas.

Bárbara afirma que, infelizmente, o prognóstico em relação à segunda onda na Europa é "terrível", com aumento no número de mortes. Ela afirma que, apesar do índice de letalidade em alguns países no começo da segunda onda ser menor, a partir do momento que esse jovem leva o vírus para sua família, para pessoas idosas, com comorbidades, o risco aumenta muito, principalmente em regiões com uma população muito idosa. Isso já ocorre em Portugal, onde as curvas de novos casos e de mortes estão bem próximas e bem mais acentuadas do que na primeira onda. "Já esperamos na Europa um pico de mortalidade em janeiro."

-> Veja aqui quais são os fatores de risco.

Na Itália, um dos países mais afetados pela Covid-19, o Instituto Superior de Saúde (ISS) alertou na primeira semana de novembro que o país caminha para uma "rápida piora" da pandemia e que a situação pode se tornar "incontrolável" em breve.

 

E no Brasil, estamos na primeira ou na segunda onda?

Tanto a pesquisadora Bárbara Oliveira como a professora de Enfermagem do Câmpus Joinville Josiane Steil afirmam que o Brasil nem passou da primeira onda. O que caracteriza o fim de um ciclo de transmissão do vírus é a queda consistente e acentuada no número de casos, o que não ocorreu no país como um todo. A curva, como mostra o gráfico abaixo, continua em um patamar alto, com uma média de 500 mortes por dia.

 

“Em Santa Catarina, por exemplo, não ocorreu uma queda expressiva, até houve uma diminuição, mas uma diminuição que não se manteve. A gente voltou a ter regiões com estado gravíssimo”, afirma Josiane.

Bárbara acrescenta que a Covid-19 é uma doença silenciosa, por conta do grande número de pessoas sem sintomas ou sintomas brandos e que não entram nas estatísticas. Ou seja, o número de casos não reflete a realidade de casos - é o que se chama de subnotificação, por isso apenas com a testagem em massa é possível identificar grupos e regiões onde há maior transmissão. Ela alerta ainda que o Brasil testa pouco e testa mal. "O PCR (da mucosa nasal) é o teste padrão ouro - o que mais se faz na Europa e o que menos se faz no Brasil, onde são realizados mais testes rápidos. O teste rápido não é considerado na Epidemiologia como teste diagnóstico", explica. 

O teste com a gotinha de sangue verifica se a pessoa tem o anticorpo imunoglobulina para o novo coronavírus. "O problema é que esse vírus é muito estranho. Acontece que muitas pessoas, principalmente as que não apresentam sintomas, não desenvolvem a imunoglobulina G, que é o anticorpo de longa duração. A pessoa faz o teste e dá negativo.”

-> Neste post explicamos os testes.

 

Segunda onda é igual em todos os lugares?

Aqui no Brasil recebemos muitas notícias sobre a segunda onda na Europa. Mas antes do avanço da doença por lá, já era registrado o aumento de casos em outros continentes. Na Austrália, por exemplo, começou em julho.

Entre os motivos apontados estão a abertura de fronteiras, a maior circulação de turistas e o desrespeito às medidas determinadas pelo governo. O egresso do IFSC Guilherme Wypyszynski Walter mora em Brisbane, na Austrália, e conta que as punições por lá estão sendo rigorosas para quem não respeitar o isolamento, inclusive com prisão para quem descumprir a quarentena ao chegar de determinados destinos. No vídeo, Guilherme mostra um pouco das medidas adotadas, como o rastreamento de infectados. 

 

 

A testagem em massa e o exemplo dos Emirados Árabes

O rastreamento de casos de Covid-19 é tido como central para conter a doença. Em março, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, já apelava a todos os países para que realizassem mais testes do novo coronavírus, dizendo que “não se pode conter esta pandemia sem saber quem está infectado" e repetiu muitas vezes: “testem, testem, testem.” 

Alguns países seguiram essa medida, como os Emirados Árabes. Foi um dos que mais testou no mundo. Veja abaixo o comparativo:

 

Testes para detectar a Covid-19 podem ser feitos até em shoppings dos Emirados Árabes, e de graça. E como revelam os números, muitas pessoas fizeram teste mais de uma vez. É o que conta a egressa do IFSC Brenda Salomé, que mora em Fujairah, desenvolvendo novos produtos gastronômicos. Ela afirma que o rastreamento por lá é intenso e as regras de distanciamento social são cumpridas à risca. Morando num país que é exemplo de combate ao vírus, ela diz que ficou preocupada com a situação no Brasil e há três meses levou a mãe para morar lá também.

No vídeo abaixo ela conta como está sendo viver no país árabe e mostra que é possível usar máscara no calor (lembrando que lá é deserto!) e fazer distanciamento. Aí vai um spoiler: no vídeo há imagens da inauguração da fonte de Dubai com centenas de pessoas distantes umas das outras. Confira:

 

 

Fazendo mais testes, o objetivo é isolar estas pessoas infectadas, protegendo principalmente os grupos de risco. E por fazer mais testes, mais casos da doença são registrados. Ao analisar o gráfico de transmissão da doença nos Emirados Árabes percebe-se a diferença acentuada entre as curvas de contaminados e de óbitos após a primeira onda de Covid-19. 

 

No vídeo, a Brenda comenta que a vacina já está sendo aplicada nos Emirados Árabes. É isso mesmo. Em setembro, o governo emitiu uma aprovação de emergência para a vacina experimental da empresa farmacêutica chinesa Sinopharm contra a Covid-19 para profissionais de saúde. E no dia 3 de novembro o primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Rashid Al-Maktoum, publicou foto em seu Twitter anunciando que também tomou a vacina experimental.

 

Terceira ou quarta onda podem acontecer?

O Irã por exemplo está enfrentando a terceira onda de Covid-19, desta vez ainda mais letal. Bárbara afirma que enquanto não houver uma vacinação em massa as ondas de transmissão acontecerão. Mas ela lembra que a vacina, quando for aprovada, vai primeiro para profissionais da saúde e grupos prioritários, provavelmente serão duas doses e depois ainda terá que se avaliar quais as cepas que estão circulando. "É como a Influenza, o vírus se adapta. Todo ano se vê qual a cepa que está circulando e produz a vacina específica. Com o Sars-CoV-2 será o mesmo. Isso vai levar muito tempo. A gente não sabe ainda quanto tempo a vacina deixará a gente imune."

Leia mais sobre isso no post Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?

Bárbara conta que na Europa há universidades trabalhando com a possibilidade de não voltar com aulas presenciais até 2022. "A própria OMS tem focado muito em outras medidas além do confinamento. A gente já sabe que a principal forma de infecção é o contato das mãos no rosto. Por isso o principal é mudança de comportamento. Precisamos aprender a lidar com o vírus, deixar de fazer muitas coisas que gostamos. O distanciamento social tem que ser um pacto coletivo, como as campanhas de vacinação", completa Bárbara.

 

Medidas são diferentes pelo mundo?

As especialistas ouvidas para esse post, assim como as professoras e os egressos, são unânimes em destacar como muito positivas as campanhas de prevenção nos diferentes países, com outdoors nas ruas, cartazes em shoppings e indicações até nas calçadas, com a distância recomendada e o sentido dos pedestres.

Bárbara afirma que na Europa o foco é conscientização: como usar máscara e como higienizar as mãos. "Por todo lado nas ruas tem dispenser de álcool gel". Outros pontos são o distanciamento social, o respeito às normas adotadas pelos países, a punição em caso de desrespeito e o rastreamento, com muitos testes, para assim isolar as pessoas infectadas.

A segunda onda reforça que não é hora de relaxar nas medidas para conter a disseminação do vírus.

 

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IFSC VERIFICA

É seguro comparecer às urnas no dia das eleições?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 10 nov 2020 14:05 Data de Atualização: 10 nov 2020 14:45

De dois em dois anos a dinâmica se repete: reunir documentos, dirigir-se ao local de votação e participar desse momento importante do regime democrático que é o voto direto. Para muita gente, o dia das eleições é também uma ocasião para encontrar a vizinhança, levar as crianças para acompanhar o processo eleitoral, bater aquele papo enquanto aguarda na fila da seção.

Este ano, com a pandemia de Covid-19, o cenário vai mudar um pouco.

Em função dos riscos de transmissão do novo coronavírus, a Justiça Eleitoral determinou uma série de medidas que serão tomadas nas Eleições Municipais de 2020. O objetivo é garantir a proteção da saúde tanto dos eleitores quanto dos mesários – que são as pessoas voluntárias ou convocadas que trabalham nos locais de votação, em contato direto com o público –, além de servidores públicos, fiscais e equipes de apoio que colaboram com a Justiça Eleitoral. 

Para elaborar este post, nós consultamos os materiais informativos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Tribunal Regional Eleitoral em Santa Catarina (TRE-SC) a respeito das medidas de segurança que valem para o pleito de 15 de novembro (e de 29 do mesmo mês, nas cidades em que houver segundo turno). Durante a leitura, você vai entender:

- Que medidas de segurança estão sendo adotadas durante os dias de eleição para evitar a propagação do novo coronavírus;
- O que muda no processo de votação em relação a pleitos anteriores à pandemia;
- Como devem proceder os eleitores que apresentem fatores de risco.

Como foram definidos os protocolos de segurança para as eleições 2020?

Em julho, a Emenda Constitucional nº 107 redesenhou todo o calendário eleitoral para as Eleições 2020, adequando-o à situação de pandemia, e autorizou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – instância jurídica máxima da Justiça Eleitoral no Brasil – a ajustar as normas necessárias para garantir a máxima segurança a todos que participam do processo eleitoral.

Foi constituída, então, a Consultoria Sanitária para a Segurança do Processo Eleitoral de 2020, formada por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e dos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês. A consultoria analisou os possíveis riscos à saúde pública no processo de votação e desenvolveu uma proposta de procedimentos e protocolos sanitários a serem adotados, todos detalhados no Plano de Segurança Sanitária, lançado pelo TSE no início de setembro.

O que vai mudar para os eleitores?

As salas onde está organizada a estrutura para votação são chamadas de seções eleitorais. Em cada seção, circulam cerca de 500 pessoas, e em contexto de pandemia isso pode representar risco de proliferação da doença.

Nas seções eleitorais serão, então, adotadas medidas rigorosas de prevenção ao contágio que não são diferentes daquelas já amplamente divulgadas pelas autoridades de saúde desde o início da pandemia, como uso de máscara por todas as pessoas, distanciamento físico e higienização constante das mãos com álcool gel.

Para evitar filas e aglomeração, excepcionalmente a votação será das 7h às 17h – houve o acréscimo de 1h no início da manhã. As três primeiras horas (das 7h às 10h) serão o horário preferencial para maiores de 60 anos, em função do fator de risco. Eleitores que não estejam nessa faixa etária mas queiram votar no período inicial deverão aguardar em fila, garantindo a prioridade dos idosos.

O distanciamento físico nas filas será orientado por marcadores posicionados no chão, garantindo que as pessoas que estiverem aguardando para entrar na seção eleitoral fiquem a no mínimo 1 metro uma da outra.

O eleitor deverá usar máscara facial durante toda sua permanência no local de votação. Antes de entrar na seção eleitoral, deve higienizar as mãos com álcool gel, que estará disponível para uso dos eleitores. Ao dirigir-se ao mesário para se identificar, o eleitor deve manter distância física e apenas mostrar o documento (e-Título ou documento de identidade com foto), sem entregá-lo ao mesário. Caso ache necessário, o mesário poderá solicitar que o eleitor remova rapidamente a máscara, para conferência da identidade. 

Feita a identificação, o eleitor deve assinar o caderno de votação – de preferência, com uma caneta que tenha levado de casa, para evitar compartilhamento do objeto – e guardar seu documento, higienizando novamente as mãos com álcool.

Caso necessite do comprovante de votação impresso, o eleitor deve solicitá-lo ao mesário. Neste ano, em função da pandemia, não será colhida a digital como forma de identificação, para evitar que muitas pessoas tenham que fazer contato manual com o equipamento.

Quando autorizado a votar, o eleitor deve dirigir-se à urna e digitar seus votos (para vereador e para prefeito, neste pleito – não esqueça de levar os números dos seus candidatos anotados num papel). Por questão de segurança do processo eleitoral, as urnas eletrônicas não serão higienizadas. Após sair da cabine de votação, a higienização das mãos será feita novamente e o eleitor poderá se retirar da seção.

Costumo levar meus filhos para acompanhar meu voto nas eleições. Algum problema?

Levar as crianças no dia da votação pode ser educativo e até divertido, mas, neste ano, a Justiça Eleitoral recomenda que elas fiquem em casa. O objetivo é que haja o mínimo de pessoas em circulação, em função da pandemia, e acompanhar os pais ou responsáveis no local de votação pode deixar as crianças suscetíveis ao contágio pelo vírus.

-> Entenda como a Covid-19 pode afetar crianças e adolescentes. 

Não estarei em meu domicílio eleitoral no dia das eleições. Devo ir até uma seção eleitoral pessoalmente para fazer a justificativa?

A ausência precisa ser justificada, mas este ano não haverá, em Santa Catarina, seções eleitorais destinadas à recepção das justificativas. No dia das eleições, esse procedimento deverá ser feito via aplicativo e-Título (ele pode ser baixado nas lojas de aplicativos dos sistemas Android ou IOS). Até 60 dias após o dia da votação, a ausência também poderá ser justificada pelo site da Justiça Eleitoral.

O que muda para os mesários e demais colaboradores?

Os mesários terão que usar máscaras faciais, trocando-as a cada quatro horas, e contarão com a proteção extra de face shields. Também deverão higienizar regularmente as mãos com álcool gel. Os materiais de proteção foram doados à Justiça Eleitoral por empresas privadas.

Consulte o material do TSE com dicas específicas para os mesários.

Além de orientar sobre os procedimentos que devem ser tomados durante o processo de votação, o treinamento dos mesários incluiu no conteúdo as medidas de prevenção. A Justiça Eleitoral usou recursos on-line para ministrar os treinamentos, evitando assim a necessidade de deslocamento dos convocados e voluntários para receber as informações.

Nos locais de votação não será permitido alimentar-se, beber água ou café ou realizar qualquer ação que exija a remoção da máscara facial pelos mesários. Haverá espaços destinados à alimentação, definidos pela organização de cada local. Sempre que retornar ao posto de trabalho, o mesário deverá higienizar as mãos, mesa e cadeira com álcool.

Quando o eleitor não levar sua própria caneta para assinatura do caderno de votação, ele poderá pegar uma emprestada com os mesários, que devem higienizá-la com álcool após o uso.

Eu ou alguém da minha casa teve sintomas de Covid-19. O que devemos fazer?

Isso vale para eleitores, mesários e demais colaboradores do processo eleitoral: se você está com febre ou outros sintomas da Covid-19 (sintomas gripais, dores de garganta ou de cabeça, ausência de olfato ou paladar, dificuldade respiratória), ou ainda se foi diagnosticado com a doença 14 dias anteriores à eleição, fique em casa, justificando sua ausência pelos canais on-line disponíveis. 

Números das Eleições 2020 em Santa Catarina (dados do TRE-SC)

5.205.931 eleitores em 295 municípios
99 zonas eleitorais
3.621 locais de votação
13.641 seções eleitorais (4 mesários em média para cada seção)
65.191 trabalhadores (magistrados, promotores, procuradores, servidores do TRE, estagiários, terceirizados, delegados/auxiliares de prédio e mesários)

Itens de segurança sanitária disponibilizados pela Justiça Eleitoral para Santa Catarina (dados atualizados pelo TRE-SC em 6/10/2020)

241.349 máscaras descartáveis
141.781 frascos de álcool gel (200, 400 e 500ml)
61.425 conjuntos de marcadores de chão
64.937 face shields

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IFSC VERIFICA

Já podemos relaxar as medidas de cuidado em relação ao novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 03 nov 2020 09:23 Data de Atualização: 03 nov 2020 10:47

Entramos no oitavo mês de pandemia no Brasil e de quando iniciaram as recomendações de distanciamento social com uma série de medidas de restrições que variaram por estados e municípios. O cansaço por ficar tanto tempo em casa tem feito muita gente afrouxar os cuidados em relação novo coronavírus. Mas será que já podemos relaxar?

No post de hoje, conversamos com a enfermeira epidemiologista e professora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC Vanessa Jardim e também com a psicóloga e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrea Valéria Steil, para abordar as seguintes questões:

- Já é seguro relaxar os cuidados em relação ao novo coronavírus?
- Quais atividades apresentam menos risco de contaminação?
- Por que as pessoas têm dificuldade em respeitar o distanciamento social?
- Como podemos tornar este momento menos difícil?

O pior já passou?

Para avaliar a situação em cada localidade, é preciso acompanhar a chamada curva da doença, ou seja, analisar se os casos de infectados estão crescendo ou não. Segundo a enfermeira epidemiologista Vanessa Jardim, focando apenas no pico da curva, pode-se dizer que o pior já passou. “Olhando a curva, ela apresenta queda, porém, o número de casos registrados por dia e consequentes óbitos tem se mantido em platô há algumas semanas”, explica. Os especialistas explicam o platô quando há uma estabilização nos números.

A professora do IFSC destaca a importância de as pessoas acompanharem o boletim epidemiológico do coronavírus do seu estado e do seu município, especialmente quem acha que a pandemia já acabou. “A pandemia já tem sido apontada por especialistas com o termo sindemia, porque sugere a sinergia de diversos fatores para determinar desfechos e os determinantes sociais - como as desigualdades e os fenômenos culturais - afetam em muito a situação do país e de Santa Catarina em relação à infecção pelo coronavírus”, informa.

Vanessa adverte ainda que a curva se comporta de acordo com a transmissão do vírus. “Se houver relaxamento de todas as medidas, a tendência dos números é voltar a subir”, alerta.

Embora cada município tenha suas medidas de combate ao coronavírus indicando o que pode ou não ser feito, a professora do IFSC destaca que, no Brasil, nunca houve clareza de quais medidas exatas deveriam ser tomadas pela população. “A gente não teve de fato uma estrutura de fechamento, de lockdown, de confinamento e continua muito divergente”, afirma Vanessa.

Para a professora, a progressiva abertura de ambientes em que não haja uma ventilação adequada pode trazer um previsível aumento dos casos da doença. “Seria importante que houvesse uma estratégia de comunicação federal que apresentasse razões pelas quais as pessoas deveriam manter os cuidados básicos do uso da máscara e de higiene pessoal, bem como a possibilidade de acesso aos insumos básicos para adesão às estratégias de prevenção não-farmacológicas”, defende.

É preciso pensar no outro

Sem clareza do poder público, as pessoas passaram a decidir sobre relaxar ou não as medidas de maneira individual. No entanto, segundo Vanessa, quando estamos em uma pandemia de uma doença infecto-contagiosa, não existe medida ou decisão individual. “Tudo aquilo que eu fizer afeta a sociedade, afeta os que estão a minha volta e, consequentemente, os que estão a volta deles”, explica. “Decisões individuais relacionadas a medidas de isolamento são sempre decisões sociais”, enfatiza.

Citação da professora do IFSC Vanessa Jardim: "Quando falamos de relaxar medidas de isolamento, jamais devemos pensar de modo individual."

Para a chefe do Departamento de Psicologia da UFSC, Andrea Steil, é preciso que as pessoas desenvolvam a empatia e compreendam que a qualidade de vida também depende do coletivo. “Quanto mais pessoas empáticas existirem, mais haverá pressão social para que todos sejam empáticos, criando um círculo virtuoso em direção ao distanciamento social e ao combate à pandemia”, afirma.

Ainda é arriscado flexibilizar as medidas de distanciamento social?

Enquanto houver a circulação do vírus e não houver imunidade, nenhuma ação é isenta de riscos. “É importante que a população siga as regras locais relacionadas ao distanciamento social e as medidas de higiene e de proteção, que já deveriam ser hábitos incorporados”, enfatiza a professora do IFSC.

O maior risco está na tendência de aproximação física entre as pessoas e de aglomeração. “Não há testes que garantam a ausência do vírus nos indivíduos assintomáticos ou pré-sintomáticos”, alerta Vanessa.

-> Entenda a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos

Sobre a necessidade ou não de higienizar as compras de supermercado ou lavar as roupas toda vez que se sai de casa, a epidemiologista compartilha da opinião do médico e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que, em um vídeo, comentou da importância de concentrar as energias em cuidados essenciais como o uso de máscara, a higienização das mãos e a distância mínima entre as pessoas. Assista aqui.

Fatores a serem considerados na hora de decidir flexibilizar ou não

A manutenção do distanciamento social não significa que não possamos ver familiares e amigos, mas precisamos respeitar os protocolos de segurança e considerar os riscos. Para a enfermeira epidemiologista do IFSC, estar consciente dos riscos é o primeiro passo para tomar a decisão do que fazer e de quanto fazer, uma vez que não há ausência de riscos. O que pode ser feito, segundo ela, é adotarmos medidas para minimizar esses riscos, como manter o distanciamento mínimo entre as pessoas que não moram na mesma casa, utilizar máscaras corretamente, fazer a higienização frequente das mãos e procurar manter-se em espaços bem ventilados, preferencialmente, ao ar livre. 

Outro ponto que precisa ser considerado são os fatores de risco para o agravamento da doença. Se você possui um desses fatores, mora ou convive com quem tenha, precisa levar isso em conta ao decidir sobre possíveis encontros e atividades.

-> Conheça os fatores de risco para a Covid-19

Quais atividades apresentam menos risco?

Para quem precisa de um momento de respiro, é possível pensar em saídas em que os riscos sejam menores. A opção de lazer mais viável são as atividades feitas ao ar livre, com poucas pessoas.

Com o verão chegando, a praia poderia ser um local seguro nos municípios que já permitem a permanência das pessoas nesses lugares. No entanto, o problema, segundo Vanessa, é a tendência à aglomeração. “A praia em si, é segura, porém, a tendência à aglomeração, consumo em bares e restaurantes, isso sim representa um risco de transmissão e contaminação”, alerta. 

Da mesma forma, piscinas também são ambientes seguros, uma vez que não há proliferação do vírus na água. A questão é manter o distanciamento e não haver reunião de grupos de pessoas fora do núcleo familiar (que não morem na mesma casa).

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Oxford e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, publicado no periódico de saúde The BMJ, elaborou uma tabela para ajudar a avaliar o risco de infecção cada vez que você vai a um evento social. Fatores como o uso de máscaras, o tempo de contato com outras pessoas, a ventilação do local, a quantidade de pessoas e até o que elas estão fazendo — falar, cantar, gritar ou permanecer em silêncio - fazem com que os riscos sejam maiores ou menores.

Conviver com quem já teve Covid-19 é menos arriscado?

Segundo Vanessa, analisando de forma lógica, é menos arriscado considerando que quem já teve a doença apresenta anticorpos que dão uma garantia de pelo menos 90 dias para que não se contamine novamente, podendo essa imunidade durar mais ou menos - ainda não há uma certeza. No entanto, a professora lembra que, do ponto de vista epidemiológico, quem já teve Covid-19 pode ainda ser transmissor indireto.

-> Assista neste vídeo a enfermeira e professora do curso técnico de Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC Ângela Kirchner explicando sobre a necessidade de haver preocupação mesmo no caso de quem já teve a Covid-19

E se eu me reunir sempre com as mesmas pessoas?

Alguns especialistas têm comentado sobre formar “contact clustering”, que seria conviver sempre com essas mesmas pessoas em um pequeno grupo, diminuindo os riscos. “A proposta é interessante e o conceito de cluster ou agrupamento de semelhantes é utilizado para estudo da transmissibilidade e comportamento das doenças infecciosas, porém, dificilmente há de se garantir o convívio único em um cluster”, comenta Vanessa. A dificuldade em restringir os membros desse grupo a um único contexto ocorre, pois algumas pessoas terão que sair para trabalhar e por outras razões - como ir ao supermercado ou a um médico, por exemplo.

Para a professora do IFSC, esta estratégia deve ser pensada como uma medida de proteção e não de afrouxamento. “O incentivo ao contact cluster se refere a, por exemplo, pessoas de serviços essenciais que convivem juntos ou profissionais da saúde de um mesmo setor que, neste caso, são incentivados a manter o contato intra grupo e distanciamento dos núcleos familiares”, exemplifica.

A política de redução de danos é um caminho?

Conforme já falamos no post da semana passada, o vírus não será extinto mesmo depois que tivermos uma vacina para proteger a população. Conviver com a doença será uma realidade sempre presente. No entanto, isso não significa ignorar as medidas de cuidados que podemos ter para evitar a proliferação do vírus.

A estratégia do Japão de conviver com o vírus não é uma unanimidade. Para a enfermeira epidemiologista do IFSC, neste caso, é preciso levar em consideração questões culturais, sociais e até geográficas. “Todos nós teremos que aprender a conviver com a pandemia nesse conceito de redução de danos, de diminuir os riscos de contaminação, mas, ainda assim, os danos num país como o Brasil serão sempre maiores por causa das desigualdades sociais que temos”, afirma Vanessa.

A dificuldade em manter o distanciamento social

Um estudo publicado na Revista de Administração Pública em agosto deste ano, feito por pesquisadores da UFSC e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), investigou os fatores que predizem a intenção da pessoa permanecer em distanciamento social no Brasil.  A coleta de dados foi feita de 31 de março a 6 de abril com pessoas com mais de 18 anos e que podiam escolher permanecer em distanciamento social.

Na época, em uma escala de 1 a 7, a média da intenção de permanecer em distanciamento social foi de 6,16 - o que sugere que a amostra concentrou participantes que se consideram altamente inclinados à adoção da medida. Entre os fatores que influenciaram na intenção de permanecer em distanciamento social, o preditor que mais impactou foi a pressão social exercida sobre as pessoas pelos seus pares. “Quanto mais a pessoa percebe que as pessoas importantes para ela pensam que ela deveria permanecer em distanciamento social, mais disposição esta pessoa apresentará para adotar e manter o distanciamento social durante a pandemia”, explica a chefe do Departamento de Psicologia da UFSC Andrea Valéria Steil, que foi uma das autoras do estudo.

Os resultados desta pesquisa são úteis para a elaboração de estratégias que promovam a permanência em distanciamento social. “Dado que sabemos o que as pessoas levam em consideração na sua decisão de se manter em distanciamento social, podemos desenvolver estratégias e comunicações persuasivas, com bases científicas, para este fim”, destaca Andrea.

As evidências desta pesquisa demonstram que é fundamental que se identifiquem quais são as pessoas influenciadoras para as pessoas como, por exemplo, líderes vinculados à ciência ou líderes religiosos, políticos, comunitários e digitais. “A partir desta identificação, seria importante garantir que todos esses líderes, em uníssono, disseminassem a necessidade de manutenção de distanciamento social e não apenas falassem sobre a importância do distanciamento, como também praticassem”, explica a professora da UFSC.

Como tornar o distanciamento social menos sofrido?

Segundo Andrea, as pessoas vinculam a necessidade de manutenção de uma rotina construída ao longo da vida com a sua saúde mental. Essa rotina envolve, em muitos casos, sair para trabalhar, ir à academia, encontrar os amigos em restaurantes ou bares com uma determinada frequência, levar as crianças para a escola, ir ao cinema, entre outras atividades. No entanto, no momento em que precisamos estar em distanciamento social, essa rotina precisa de fato mudar. “A questão é como mudamos a rotina e como organizamos o nosso pensamento com relação ao que a mudança de rotina significa para cada um de nós”, afirma.

A mudança na forma que percebemos o distanciamento social tem um impacto grande sobre nosso sentimento com relação a ele e sobre a nossa decisão de permanecer nessa situação. Como exemplo, a professora da UFSC sugere mudar o pensamento para “estou em casa segura” ao invés de “estou trancada em casa” ou “não vou abraçar minha família (que mora em outra residência e tem interações com outras pessoas) agora para poder abraçá-la depois” ao invés de “ninguém decide por mim se eu abraço ou não a minha família”.

Essa mudança de pensamento ajuda, pois a forma como cada pessoa enxerga os benefícios do distanciamento social determina a decisão sobre permanecer ou não em distanciamento. “Atualmente, desenvolver crenças positivas com relação ao distanciamento social é um sinal de cuidado pessoal e empatia para com as demais pessoas, especialmente com as mais vulneráveis”, destaca a professora.

É preciso continuar se cuidando

Embora o risco de contágio vá se tornando mais reduzido em alguns lugares, a convivência com o vírus é uma perspectiva a longo prazo. “O relaxamento das medidas pode iniciar um novo ciclo como temos visto na Europa”, destaca Vanessa.

Em uma live da Organização Mundial de Saúde (OMS) realizada no mês de outubro, o diretor de Emergências da entidade, Mike Ryan, enfatizou a necessidade de continuarmos com os cuidados para evitar a transmissão do vírus, uma vez que isso nos dá tempo para aprender mais sobre a doença e pode preservar a vida de quem tem mais chance de ter complicações caso contraia a Covid-19. “Se deixarmos todo mundo sair, vamos pagar um preço alto, teremos danos colaterais e eu não aceito que as pessoas mais velhas sejam sacrificadas desta forma porque isso não é correto e não é quem nós somos enquanto sociedade”, afirmou.

Para a professora Andrea, não há justificativa para o relaxamento do distanciamento social. “A vida é mais importante do que uma satisfação passageira”, afirma. Segundo ela, é possível restabelecer contato com pessoas importantes para nós sem relaxarmos as regras de distanciamento social e é possível manter o distanciamento físico e a conexão social e afetiva ao mesmo tempo. “A forma será diferente, exigirá adaptações, mas é possível”, conclui.

A professora da UFSC destaca ainda que manter o distanciamento social é uma questão de valorizar a nossa vida e a vida das demais pessoas, especialmente das mais vulneráveis. “Não há como combater a disseminação do vírus na população sem algum tipo de renúncia pessoal e coletiva”, afirma. “Isso inevitavelmente impactará em nossos sentimentos e emoções, mas o momento nos exige um pensamento empático e solidário”, enfatiza. 

Citação da professora da UFSC: "Ninguém é uma ilha. Precisamos pensar sistemicamente."

-> Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?

A epidemiologista do IFSC, por sua vez, ressalta que a vacina não deve ser considerada como a única solução, mas sim parte da estratégia nacional de enfrentamento à pandemia. “Independentemente do grau de proteção que a vacina irá conferir à população, certamente ainda serão necessárias medidas de proteção individual e coletiva”, conclui Vanessa.

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IFSC VERIFICA

Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 27 out 2020 13:45 Data de Atualização: 27 out 2020 17:41

A expectativa é grande e as perspectivas, promissoras: universidades, empresas, institutos de pesquisa e laboratórios farmacêuticos de todo o planeta concentram esforços em busca de um método eficiente de imunização contra o coronavírus Sars-Cov-2, patógeno responsável pela atual pandemia da nova doença chamada de Covid-19.

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizados em 19 de outubro mostram que há, no momento, 44 vacinas em testes clínicos. Destas, dez já estão na terceira fase dos testes, que é a última antes da aprovação para uso pelos sistemas de saúde.

Em função dos resultados já observados, a expectativa da OMS é que haja vacinas aprovadas para aplicação na população até o final deste ano. Considerado o tempo necessário para produção em escala, distribuição e organização dos sistemas de saúde, a previsão é que as aplicações comecem a ser feitas em meados de 2021.

Quer dizer, então, que dentro de alguns meses vai estar tudo resolvido com a vacina? Muita calma nessa hora, porque não é assim que a coisa funciona. Sucintamente, a existência da vacina não vai acabar com a existência do vírus.

Neste post, a gente vai explicar:

- Que perguntas ainda precisam ser respondidas em relação às maneiras como o sistema imunológico reage ao vírus, e o que isso tem a ver com o desenvolvimento da vacina;
- Por que a obtenção da vacina não significa, necessariamente, o fim da pandemia;
- Por que a vacinação é o melhor jeito de prevenir doenças graves.

Vacina contra a Covid-19: em que pé estamos?

Como já dissemos, existem atualmente 44 vacinas em estágios mais avançados de testes, e, entre estas, dez já estão na última etapa dos testes clínicos e são, portanto, as mais promissoras. Duas desse grupo têm testes sendo realizados no Brasil: uma chamada de Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e testada, aqui, pelo Instituto Butantan. A outra, da Universidade de Oxford com a empresa anglo-sueca Astra Zeneca, tem parceria no Brasil com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Já explicamos num post anterior que o primeiro passo para desenvolver uma vacina é conhecer bem o micro-organismo contra o qual se está buscando a proteção. E faz menos de um ano que a humanidade se deparou com o chamado Sars-Cov-2, que é parecido com outros coronavírus, mas tem suas especificidades – tanto é assim, que ele provoca uma doença totalmente nova.

Se levarmos em conta o tempo entre o surgimento do novo coronavírus e o estágio atual das pesquisas, é possível dizer que esse trabalho de desvendamento do coronavírus de olho na obtenção de uma vacina vem sendo desenvolvido de forma muito rápida, na opinião do infectologista Paulo Henrique Matayoshi Calixto, professor do Câmpus Lages do IFSC. “Todo o conhecimento que a gente tem sobre o novo coronavírus é de dez meses de pesquisas”, analisa. Ele reconhece que nesse tempo houve muitos avanços, como o sequenciamento do genoma do vírus, a identificação das proteínas de superfície que atuam como receptores, entre muitos outros aspectos que estão relacionados à forma como o vírus infecta as células humanas. “Mas, ao mesmo tempo, a gente ainda não conhece bem a interação desse vírus com o hospedeiro. Porque uma coisa é fazer testes in vitro, testes em laboratório utilizando células isoladas. Quando a gente traz essa análise para um organismo, a história muda bastante”, salienta. E isso impacta diretamente na obtenção de uma vacina eficaz.


Também docente no Câmpus Lages, onde atua na área da imunologia, a farmacêutica bioquímica Rosane Schenkel de Aquino considera que experiências anteriores com pesquisas sobre outros patógenos contribuem para o andamento das pesquisas com o Sars-Cov-2. “Não tenho como dizer que a gente sabe tudo sobre ele, mas eu diria que a gente teve um avanço muito grande, porque muitos pesquisadores estão voltados a ele”, afirma. Com isso, os avanços tecnológicos de outras pesquisas contribuem para a celeridade dos estudos com o novo vírus, assim como a experiência com outras vacinas também mostra caminhos para o desenvolvimento da nova.

Porém, algumas questões ainda precisam ser desvendadas para que se entenda, mais claramente, os efeitos que o novo coronavírus desencadeia na resposta imunológica do organismo. “É uma incógnita, porque a gente ainda não sabe como vai ser o grau de proteção. As vacinas que estão tendo testadas aqui no Brasil, tanto a chinesa quanto a de Oxford, são vacinas que têm um percentual de imunogenicidade muito grande, entre 95 e 98%. Elas geram os anticorpos. O que a gente não sabe é se esses anticorpos são suficientes para a eliminação do vírus”, explica o professor Paulo Calixto.

Sistema imunológico, o grande mistério

O principal nó que os cientistas do mundo inteiro estão tentando desatar envolve entender como o sistema imune das pessoas reage ao novo coronavírus. Já se sabe que os infectados desenvolvem resposta imune – ou seja, suas células de defesa entram em ação quando identificam o invasor e atuam para eliminá-lo. O problema é que não está claro o quão forte é essa resposta imunológica, assim como o tempo que ela perdura após a infecção. 

Neste vídeo (em inglês), dois diretores da área de epidemiologia da OMS reconhecem que a compreensão desse processo é importante para que se chegue na melhor vacina. De acordo com a líder técnica de resposta à Covid-19 na entidade, Maria Van Kehrhove, o tipo de resposta imunológica pode variar, dependendo de condições pré-existentes, do quadro do paciente, entre outros aspectos. Já se sabe, segundo ela, que o nível de imunidade diminui gradualmente após a cura da doença, mas não se tem clareza sobre o tempo em que isso ocorre – há diferentes estudos com resultados diversos. Sabe-se, porém, que a imunidade não perdura para sempre, da mesma forma como em outros coronavírus. “O que nós precisamos entender sobre esse coronavírus especificamente é quanto tempo a imunidade vai durar, e, se ela vai necessariamente diminuir, quando isso vai acontecer e o que isso significa”, sublinha.

Como a vacinação implica uma “simulação” de ataque do organismo pelo agente patógeno, entender como o sistema imunológico funciona numa infecção real é essencial para que se possa também chegar na melhor forma de imunização por meio da vacina. Se não está claro quanto tempo a imunidade do corpo permanece ativa após a infecção, não é possível saber com certeza quanto tempo a vacina irá durar. É por isso que os parâmetros de vacinação são diferentes entre várias doenças, como sarampo, febre amarela, gripe, entre tantas outras – algumas demandam imunização anual, outras, a cada cinco ou dez anos. E compreender como o sistema de defesa funciona envolve também a possibilidade de uma mesma pessoa contrair a doença mais de uma vez.

“Mesmo que você possa se infectar novamente, a questão é sobre a severidade dessa segunda infecção. Ou seja, sua primeira infecção pode dar alguma vantagem para a resposta do sistema imunológico, deixando a segunda menos severa, ou pode ser como a dengue, que é mais severa em casos de reinfecção. Com a Covid-19 isso ainda não está claro. Temos hoje muitos estudos que estão acompanhando pessoas que têm segunda infecção, para realmente determinar se ela é igual, pior ou mais branda”, explica o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Mike Ryan.

É importante reforçar a importância da vacinação como método de prevenção. Toda vacina que está no mercado é segura e a porcentagem de reação adversa costuma ser insignificante. Paulo Henrique Matayoshi Calixto, professor do Câmpus Lages.

Se ainda há muitas questões a responder, a vacina aguardada para os próximos meses vai funcionar?

Os professores Paulo Calixto e Rosane Aquino concordam que a vacinação deverá ser segura, já que os protocolos de segurança impedem a liberação de substâncias que representem algum risco. Porém, o tempo de desenvolvimento da vacina contra o Sars-Cov-2 será recorde. Até hoje, a vacina contra a caxumba foi a que envolveu menos tempo de pesquisas: quatro anos. “O tempo médio é de dez anos para que uma vacina chegue ao mercado. E estamos falando de 12 meses para colocar a vacina no mercado. Muito provavelmente, a gente vai vacinar uma parte da população, e essa vacinação em massa é que vai ser o teste de eficácia dessa vacina”, analisa Paulo.

Na análise de Rosane, a liberação da vacinação para a população não vai significar conclusão das pesquisas. Pelo contrário. Todas as informações sobre a duração da imunização serão obtidas com os dados epidemiológicos que serão coletados no acompanhamento à população imunizada. "Esse encurtamento do prazo [para o desenvolvimento da vacina] faz com que a própria campanha de vacinação sirva de dado epidemiológico. Mesmo chegando na vacina, ainda tem muita pesquisa pela frente”, antecipa a professora.

O vírus não vai deixar de existir, sumir. O nosso sistema imunológico vai estar pronto para combatê-lo, mas ele vai continuar circulando. Então a vacina vai nos proteger. Rosane Schenkel de Aquino, professora do Câmpus Lages

Além disso, os professores ressaltam que a capacidade de mutação do coronavírus pode significar necessidade de frequentes atualizações da vacina e necessidade de vacinações periódicas – como já é o caso da imunização contra a gripe, provocada pelo vírus influenza, que deve ser repetida anualmente. “A gente sabe que esse coronavírus é um vírus mutante, talvez não com a mesma velocidade do influenza, mas ele tem uma velocidade de mutação que é maior do que a de outros vírus”, diz Rosane. Ou seja, qualquer que seja a vacina disponível ainda em 2020 ou em 2021, ela certamente ainda precisará ser incrementada e adaptada às variações que o vírus poderá desenvolver.


Isso quer dizer, então, que a vacina não vai exterminar o novo coronavírus?

É preciso ficar claro: a vacinação poderá, sim, apaziguar a pandemia, na medida em que irá aumentar a imunidade das pessoas e, com isso, reduzir os índices de contágio. Mas a vacinação não vai extinguir o vírus. Tome-se o caso, por exemplo, de doenças que foram praticamente erradicadas com a vacinação em massa, como o sarampo. O fato de grande parte das pessoas estarem imunizadas não significa que o vírus desapareceu. Ele continuava em circulação, a ponto de encontrar espaço para provocar novos surtos da doença (como o que ocorreu no Brasil, em 2019) quando houve baixa nos índices de vacinação.

“O vírus não vai deixar de existir, sumir. O nosso sistema imunológico vai estar pronto para combatê-lo, mas ele vai continuar circulando. Uma vez circulando, a não ser que ele vá sofrendo mutação e vá perdendo essa capacidade de infectar os seres humanos, ele vai continuar por aí. Então a vacina vai nos proteger”, sintetiza a professora Rosane Aquino.

Se a vacina não significa acabar com o vírus, por que devo me vacinar?

Os vírus e outros agentes infecciosos não desaparecem, simplesmente. O que ocorre é que, com a imunização da população, eles encontram menos oportunidade para provocar infecções – e, em decorrência, surtos ou epidemias. De acordo com a OMS, a imunização por meio da vacinação evita, anualmente, entre 2 e 3 milhões de mortes por doenças infecciosas como difteria, sarampo, tétano, coqueluche, gripe e sarampo. 

No caso específico da aguardada vacina contra a Covid-19, os professores Paulo Calixto e Rosane Aquino sustentam que, mesmo com as questões ainda em aberto em relação ao tempo e grau de imunização, receber a vacina será a melhor forma de prevenção e controle da doença. “É importante reforçar a importância da vacinação como método de prevenção. Toda vacina que está no mercado é segura e a porcentagem de reação adversa costuma ser insignificante”, destaca Paulo. E imunizar-se pode ser visto, também, como uma responsabilidade social, como observa Rosane, já que pandemias como a atual provocam um impacto muito grande no sistema de saúde pública. “A gente tem uma tendência a pensar muito individual, mas é preciso considerar o ganho social que vem com a vacina”, sinaliza.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

-> Tire dúvidas sobre vacinas no site da Fiocruz
-> Conheça a página sobre vacinas e imunização da Organização Mundial da Saúde (em inglês)
-> Acompanhe informações atualizadas sobre o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 (em inglês)

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Câncer de mama e outras doenças: como manter a prevenção e tratamento durante a pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 20 out 2020 13:42 Data de Atualização: 20 out 2020 15:40

A pandemia de Covid-19  mobiliza o mundo inteiro para o combate a esta doença. Porém, profissionais da saúde alertam para a necessidade de se manter os cuidados com outros problemas de saúde que podem se agravar caso não recebam a atenção adequada. Como exemplo, vamos falar no post da semana sobre o câncer de mama, em destaque devido à campanha Outubro Rosa, de prevenção e detecção precoce desse tipo de neoplasia. 

A preocupação com a baixa procura por diagnóstico e tratamento já se reflete nas estatísticas: uma pesquisa do Ibope Inteligência, a pedido da farmacêutica Pfizer, entrevistou 1,4 mil mulheres com 20 anos ou mais, de 11 a 20 de setembro, e concluiu que 62% deixou de ir ao ginecologista ou mastologista durante a pandemia (desde março de 2020). Entre as mulheres com mais de 60 anos, 73% deixaram de fazer exames de rotina. Já nos primeiros sete meses de 2020, houve uma redução de 45% no número de mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na divulgação da Sociedade Brasileira de Mastologia.

A diminuição de consultas é preocupação do médico oncologista Leopoldo Back, que atua no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Florianópolis. “O fato de existir uma pandemia de Covid-19 não abole, não faz desaparecer as outras doenças. A percepção que a gente tem é que essas outras doenças podem ficar piores por falta de acompanhamento e tratamento”, alerta o médico.

O câncer de mama, especificamente, é o câncer mais prevalente em todas as regiões do Brasil, sem considerar o câncer de pele não melanoma. O Ministério da Saúde estima que 66.280 casos novos de câncer de mama para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres. Em Santa Catarina, a estimativa é maior que a média nacional, 75,24 casos para cada 100 mil habitantes por ano.

Para falar sobre prevenção e tratamento durante a pandemia, vamos abordar neste post:

- Por que é importante manter os exames de rotina
- Mamografia ou autoexame, qual a melhor opção?
- Exames de rastreamento para outros tipos mais comuns de câncer
- Estou com Covid-19. Devo interromper o tratamento contra o câncer?

Por que é importante manter os exames de rotina

O médico oncologista Leopoldo Back observa que o número de pessoas que comparecem a consultas médicas de oncologia tem caído sensivelmente durante a pandemia, por diversos motivos: um deles é o medo de comparecer a clínicas ou no ambiente hospitalar e contrair a Covid-19. 

Também observa que, no serviço público, onde atua, houve uma restrição ao número de consultas, para evitar a contaminação, o que fez alguns pacientes perderem consultas e precisarem remarcar. Além disso, o encaminhamento de pacientes oncológicos é feito pelo Sistema de Regulação da Secretaria de Estado da Saúde, que tem reduzido consideravelmente o encaminhamento de pacientes novos. 

Segundo o médico, deixar de ir às consultas e exames por medo de contrair o vírus Sars-Cov-2 não é a melhor conduta, tanto para quem já está em tratamento quanto por quem precisa fazer o rastreamento. “Isso é muito preocupante. O paciente está sem atendimento e o câncer não para, ele vai continuar crescendo. Com certeza esses pacientes vão chegar em um estado pior para a gente”, afirma. 

"O fato de existir uma pandemia de Covid-19 não abole, não faz desaparecer as outras doenças. A percepção que a gente tem é que essas outras doenças podem ficar piores por falta de acompanhamento e tratamento". Leopoldo Back, médico oncologista

Mamografia é mais eficaz que o autoexame

Sobre o câncer de mama, especificamente, Back lembra que, quando descoberto no início, a chance de cura é bastante alta (95%, segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – Femama), assim como evita a necessidade de realizar tratamentos mais agressivos. Sobre o autoexame das mamas, que pode ser realizado em casa, o médico faz um alerta: “o autoexame ajuda, mas o nódulo só é apalpado quando ele tem mais de um centímetro. Essa detecção é ainda mais prejudicada em mulheres com mama muito volumosa ou mulheres jovens, com a mama mais densa”. 

Por isso, é importante que as mulheres mantenham seus exames em dia, realizando mamografias anuais a partir dos 40 anos ou conforme indicação do seu médico, se houver histórico da doença na família ou outros fatores de risco.

Veja na campanha da Femama para o Outubro Rosa mais detalhes sobre como realizar os exames, direitos dos pacientes, fatores de risco, prevenção e tratamento.

Outros exames importantes

Alguns dos exames de detecção precoce de câncer mais indicados são: mama (mamografia), colo de útero (papanicolau), colorretal (colonoscopia) e pulmão (raio X do tórax para pacientes fumantes), que detectam alguns dos tipos de câncer mais prevalentes na população brasileira (veja quadro abaixo):

Tabela com estimativa de casos de câncer para o Brasil em 2020
Distribuição proporcional dos 10 tipos de câncer mais incidentes estimados para 2020 por sexo, exceto pele não melanoma. Fonte: Instituto Nacional do Câncer (Inca)

O médico oncologista Leopoldo Back lembra também que em Florianópolis é alta a incidência de mulheres com câncer de tireoide, por isso é recomendado o exame de ultrassom para quem tem histórico familiar da doença ou alteração prévia na tireoide. 

Sobre a alta incidência de câncer de pulmão na população catarinense, alerta que “essa é uma doença que é prevenível, basta não fumar. Quem é fumante deve se cuidar, realizar periodicamente uma radiografia de tórax e procurar o médico em caso de sintomas. O ideal mesmo é parar de fumar”.

Tabela com estimativa de casos de câncer para Santa Catarina em Florianópolis em 2020
Distribuição proporcional dos 10 tipos de câncer mais incidentes estimados para 2020 por sexo, exceto pele não melanoma. Fonte: Instituto Nacional do Câncer (Inca)

Back lembra que realizar esses exames não representa riscos de contrair o coronavírus, pois as clínicas e hospitais estão seguindo protocolos de segurança para realização de consultas e demais procedimentos. “O câncer tem que ser encarado com muita seriedade pelas pessoas, pois é a segunda doença com mais mortalidade no país, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares”, alerta.

Além dos exames de detecção de câncer, é importante manter uma rotina de cuidados com a saúde, principalmente para quem tem fatores de risco para adquirir a forma grave da Covid-19 (idade acima de 65 anos, problemas cardiovasculares, diabetes, entre outros). Para saber se você tem um ou mais fatores de risco e quais cuidados tomar, acesse o post do IFSC Verifica sobre o assunto.

"O câncer tem que ser encarado com muita seriedade pelas pessoas, pois é a segunda doença com mais mortalidade no país, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares". Leopoldo Back, médico oncologista

O que pacientes com câncer devem fazer se contraírem a Covid-19

Segundo o médico oncologista Leopoldo Back, uma pessoa que esteja enfrentando um tratamento de câncer, se for contaminada pelo Sars-Cov-2, precisa interromper o tratamento do câncer e curar a Covid-19 primeiro. Ele explica que a Covid-19 é uma doença aguda, de alto risco, por isso deve ser tratada como prioridade.

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Viajar e se hospedar em um hotel pode ser seguro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 13 out 2020 12:38 Data de Atualização: 14 out 2020 13:48

Com seis meses de restrições sociais, home office, crianças sem escola e tantas outras dificuldades deste ano, muita gente não vê a hora de viajar. Os amantes do turismo, então, estão saudosos por fazer as malas. Na Ásia tem até companhias aéreas ofertando voos de mentirinha, que nunca partem, ou que saem e voltam para o mesmo aeroporto, só para as pessoas matarem a saudade de viajar de avião. Pode?

Se o seu caso não é tão dramático, mas você está preocupado em melhorar a sua saúde mental sem deixar de lado os cuidados para não pegar a Covid-19, ou precisa viajar por conta de trabalho, este post é para você! O IFSC Verifica foi atrás dos principais protocolos para uma viagem mais segura e ouviu uma equipe de profissionais das áreas de Turismo e de Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, além de uma enfermeira epidemiologista que vai mostrar cuidados básicos principalmente no trajeto até o seu destino.

Mas é bom reforçar: o mais recomendável é ainda ficar em casa. Se você e sua família estão enfrentando bem o isolamento, esperem mais um pouco!

Veja o que vamos abordar no post desta semana:

- O que o turismo na pandemia tem de diferente?
- Quais as formas mais seguras de viajar?
- Quais cuidados tomar pensando em si e nos outros?
- O que são protocolos e selos do turismo?
- Como escolher um meio de hospedagem?
- Como verificar se o hotel segue boas práticas de higienização?

Antes de mais nada, seja um turista responsável

A principal regra em relação à pandemia do novo coronavírus vale também para o Turismo: se você apresenta algum sintoma da doença ou esteve com alguém com Covid-19 nos últimos 14 dias, deve adotar o isolamento social. Ou seja, nada de viajar! Ao tomar essa atitude, você está cuidando de si próprio, da sua família e se preocupando com as pessoas com quem teria contato durante a viagem. 

É o primeiro passo para um turismo responsável. No protocolo para turistas do Ministério do Turismo também não se recomenda a viagem se você apresenta algum fator de risco ou se mora com alguém que faça parte desses grupos. 

Veja aqui quais são os fatores de risco. 

O segundo passo é conhecer bem o destino que você escolheu: como está a proliferação da Covid-19 no local e quais medidas de segurança são adotadas. Alguns países ainda não estão aceitando turistas. 

E como a incerteza anda de mãos dadas com essa pandemia, seja flexível. Essa já é uma dica de turistas profissionais, mas que agora é ainda mais importante de ser seguida. Afinal, você não sabe como estará sua saúde no dia da viagem nem quais restrições o destino que você escolheu estará adotando. Talvez você não consiga ir ao museu que tanto quer ou nem possa ficar na praia. E ainda: uma segunda onda da Covid-19 é registrada em vários países e a exigência de quarentena para os viajantes que chegarem a esses locais não pode ser descartada.

Se mesmo assim você quer muito viajar, elaboramos 10 principais orientações para ser um turista responsável, com base nas Diretrizes Globais para a Retomada do Turismo, da Organização Mundial do Turismo, no protocolo para turistas do Ministério do Turismo, no "Guia do Viajante Responsável", produzido por 27 entidades do setor turístico e viajantes profissionais que compõem o Movimento Supera Turismo e no guia "Orientações aos Viajantes" da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). E, principalmente se for fazer uma viagem ao exterior, recomenda-se olhar com atenção as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Arte em fundo verde com mulher utilizando máscara e o título: 10 passos para um turista responsável: Para viajar, esteja bem de saúde e certifique-se que não teve contato com pessoas com Covid-19 nos últimos 14 dias Conheça as regras e protocolos por onde passará na viagem, desde o meio de transporte até a hospedagem Use máscara em locais públicos ou compartilhados Higienize as mãos com frequência Mantenha o distanciamento, sem cumprimentos nem abraços Priorize o check-in on-line Ao escolher a hospedagem, opte por hotéis que estão cumprindo protocolos, como os que têm selos de turismo responsável Não compartilhe equipamentos e objetos pessoais Evite qualquer tipo de aglomeração Prefira passeios ao ar livre

A enfermeira epidemiologista Vanessa Tuono Jardim, do Câmpus Florianópolis, esclarece que aglomeração durante a pandemia pode ser um pouco diferente do que você imagina: "Qualquer lugar em que você não consiga manter o distanciamento de 1,5 a 2 metros de outras pessoas é aglomeração!"

Se você passou no check-list, vamos agora entender como as empresas estão aderindo às novas regras de higienização e distanciamento no turismo. As mudanças vão desde a redução de passageiros em um ônibus ou de hóspedes em um hotel até novas orientações na limpeza dos ambientes.

Selos indicam locais e empresas que se comprometem a adotar protocolos de higienização

Em todo o mundo organizações civis, de classe e setores governamentais elaboraram uma série de protocolos para a retomada do turismo. São regras e manuais que indicam como prevenir a proliferação da Covid-19 e, assim, dar mais segurança a quem está viajando. Empresas e localidades que se comprometem a seguir esses protocolos podem ser certificadas com um selo, como explica a coordenadora do Curso Superior de Turismo do Câmpus Florianópolis-Continente, Fabiana Calçada Leite: "O diferencial de um destino, de um atrativo, de um equipamento, de um meio de hospedagem, passa também pela higiene ou sanitização. É mais um ponto que se tem que levar em consideração nas estrelinhas de qualificação. A questão da saúde é um diferencial."

Entre os selos reconhecidos pelo setor está o Safe Travels (Viagens Seguras), elaborado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (em inglês World Travel & Tourism Council - WTTC)  em parceria com governos, especialistas em saúde e outras associações do setor. O próprio WTTC reconhece que não há como garantir 100% de segurança, mas os protocolos são uma forma de buscar a retomada do setor - um dos mais prejudicados em todo o mundo. 

No Brasil, o Ministério do Turismo lançou em junho o selo Turismo Responsável, um programa que estabelece boas práticas de higienização para cada segmento do setor. No site http://www.turismo.gov.br/seloresponsavel/ estão disponíveis os protocolos por segmento - meios de hospedagem, agências de turismo, transportadoras turísticas, organizadoras de eventos, parques temáticos, acampamentos turísticos, restaurantes e bares, centro de convenções, turismo náutico e pesca esportiva, casas de espetáculos e prestadores de serviços para eventos.

Selo do Ministério do Turismo que indica que local está seguindo normas sanitárias

O selo deve ser colocado em local de fácil visualização e a partir de um QR Code o turista poderá consultar as medidas adotadas pelo empreendimento. Você também pode consultar quais empresas já aderiram ao programa - mais de 22 mil até o fim de setembro - antes de marcar sua viagem. 

E qual meio de transporte é mais seguro?

Com a pandemia, a expectativa é que as pessoas prefiram viagens mais curtas, em que possam se deslocar com veículo próprio. É o que aponta Fabiana Calçada Leite. Entre os motivos, está a flexibilidade em poder mudar a viagem e o controle maior dos riscos. 

Se você está com pessoas do seu convívio, não é necessário o uso da máscara dentro do carro, mas a enfermeira epidemiologista Vanessa Jardim alerta para alguns cuidados no trajeto, como ao utilizar serviços em postos de combustíveis ou pontos de alimentação: "Tem que ficar muito atento ao uso correto da máscara. Não tirar nem colocar em cima da mesa porque a mesa pode estar contaminada. Higienizar as mãos antes e depois das refeições e não compartilhar objetos pessoais como talheres e toalhas." Se for possível, prefira se alimentar em locais abertos ou com ventilação natural.

No caminho, se puder, evite usar banheiros públicos, mas se precisar, não encoste em portas, bancadas e outras superfícies e após o uso lave bem as mãos e utilize álcool 70% ao sair do local.

Caso você passe por postos de pedágio, outra dica é deixar o dinheiro exato da tarifa e depois do contato com a atendente, passe álcool gel nas mãos.

Já para quem vai viajar de ônibus ou de avião, deve seguir os protocolos desses meios de transporte, como distanciamento e uso de máscara durante todo o trajeto. No Brasil, a resolução 5893 traz as medidas a serem adotadas no transporte rodoviário interestadual e internacional. E a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) traz em seu site orientações para os passageiros. Além do uso da máscara em toda a viagem, recomenda-se o check-in pela internet e atenção especial ao embarque e o desembarque. "O desembarque geralmente é uma confusão. Tem que ficar muito atento ao distanciamento na fila", orienta Vanessa Jardim.

E caso algo dê errado nos seus planos e você não possa viajar, no Brasil foram adotadas medidas emergenciais e até 31 de dezembro deste ano, o passageiro que decidir adiar a sua viagem de avião ficará isento da cobrança de multa contratual, caso aceite deixar o valor pago na passagem como crédito para utilização futura, na mesma empresa aérea.

Tendência é o turismo regional

Diante das incertezas sobre em que estágio estará a pandemia nos próximos meses, o turismo regional é apontado como tendência por profissionais da área e recomendado por organizações internacionais, como a Organização Mundial do Turismo (OMT). Para a agência especializada das Nações Unidas, o turismo doméstico representa uma oportunidade para os países desenvolvidos e em desenvolvimento se recuperarem dos impactos sociais e econômicos da Covid-19.

Para Fabiana Calçada Leite, a tendência para a temporada de verão em Santa Catarina é que os turistas venham de carro a partir de cidades ou estados próximos.  E ela destaca nesse contexto a valorização da experiência, ao contrário do turismo de massa que estávamos acostumados, com muita gente visitando muitos lugares. Veja no vídeo abaixo:

A Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur) também tem a expectativa de atrair mais turistas estrangeiros depois que o estado conquistou o selo Safe Travels, criado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (World Travel & Tourism Council - WTTC) para que os turistas possam reconhecer localidades e empresas que adotam protocolos globais de saúde e higiene. Esta é uma forma de você fazer o seu roteiro de forma mais segura.

Para Fabiana, a higiene ou sanitização de um destino, atrativo, equipamento ou meio de hospedagem é hoje um dos grandes diferenciais na hora de programar uma viagem, o que também acaba diferenciando destinos e empresas. "Antes a gente tinha um perfil às vezes muito óbvio e repetitivo de destinos em destinos ou de hotéis em hotéis. Mas hoje está tudo muito específico. Então o protocolo de um destino pode ser diferente de outro. O protocolo de um atrativo pode ser diferente do outro, porque ele tem características específicas."

Como perceber se o hotel está seguindo os protocolos

Além dos selos do WTTC e do Ministério do Turismo, redes hoteleiras e governos estaduais e municipais também estão orientando os meios de hospedagem sobre os protocolos para boas práticas durante a pandemia, segundo a coordenadora do Curso Superior em Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, Fabíola Martins dos Santos. "Aqueles meios de hospedagem que já tinham protocolos operacionais padrão e seguiam esses protocolos, não tiveram muitas dificuldades em se adequar."

Segundo ela, a base que a hotelaria está utilizando hoje, com as devidas adaptações de acordo com cada realidade, é baseada nas orientações e encaminhamentos que a Anvisa coloca, principalmente com a questão higiênico-sanitária dos ambientes.

Alguns destes protocolos são bem perceptíveis pelos hóspedes e você pode verificá-los antes mesmo de reservar o hotel, pousada ou hostel. Se você se sentir mais seguro, ligue para o hotel e questione quais os protocolos estão sendo seguidos. 

A professora de Governança do Curso Superior em Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, Carla Lopes, acredita que a comunicação entre o meio de hospedagem e o hóspede (ou futuro hóspede) é um dos protocolos mais importantes para a retomada segura do setor. "No site da empresa, no momento do check-in e até em totens informativos pelo local, o meio de hospedagem precisa informar o hóspede quais protocolos estão sendo adotados. Precisa lembrá-los a todo momento da importância do uso da máscara e do distanciamento."

Carla também lembra que alguns protocolos orientam a retirada de objetos de espaços comuns e até deixar o frigobar vazio. 

"Hoje as camareiras precisam despender mais tempo na limpeza e arrumação da unidade habitacional. O que se fazia em 15 minutos agora se faz em meia hora, talvez mais tempo. Então se eu tenho um mini bar com três, quatro itens de comida mais uns quatro, cinco de bebida, ou eles vão estar todos embalados ou vou ter que higienizar todos a cada check-out porque esses itens podem ser veículos de contaminação. Como vou ter certeza que o hóspede não manuseou? Eu consideraria e recomendo para hotelaria deixar que o hóspede solicite."

Para Carla esse é mais um serviço que depende da comunicação com o hóspede, informando-o da prática no momento do check-in e que o serviço deve ser solicitado.

Essa nova prática se estende a demais objetos do quarto, como travesseiros e cobertores extras, ferro de passar, chaleira etc. Ou seja, os quartos estarão mais livres, como mostram as fotos da professora Carla.

Duas imagens com o mesmo quarto de hotel antes e depois da pandemia. Na primeira, em que está escrito "Antes", aparecem as camas cheias de travesseiros e cobre-leito. Na segunda, em que está escrito "Agora", cama aparece com menos itens.

Com base nos principais protocolos para a retomada dos serviços em meios de hospedagem e com suporte das professoras Fabíola e Carla resumimos as principais mudanças que podem ser percebidas pelos hóspedes nas áreas comuns, nos quartos e nos espaços de refeições:

Como perceber se o hotel está tomando os cuidados para evitar proliferação do novo coronavírus:

Nas áreas comuns:

- Medição de temperatura de todos que entram no hotel. 

- Limpeza e desinfecção das áreas comuns várias vezes ao dia.

- Álcool em gel 70% nas entradas e saídas das áreas comuns e de circulação, como próximo a escadas e elevadores.

- Lavatórios equipados com água, sabão e toalhas descartáveis.

- Lixeiras com acionamento sem uso das mãos.

- Hóspedes e funcionários do hotel com máscaras de proteção. 

- Comunicação visual com alertas sobre as medidas de proteção e recomendações. 

- Orientação para distância mínima recomendada de 1,5 a 2 metros entre os hóspedes nas áreas sociais. 

- Na recepção, podem ser instaladas barreiras de acrílico entre o recepcionista e o hóspede, ou distanciamento para atendimento demarcado.

- Menos sofás, mesas, cadeiras ou espreguiçadeiras.

- Mesas sem jornais, revistas e outros objetos, para evitar a contaminação indireta.

- As máquinas de débito e crédito devem estar envolvidas com filme plástico e serem higienizadas antes e após cada uso.

- Academias de ginástica somente poderão operar com agendamento de horário e devem considerar o espaçamento entre os equipamentos maior que o espaçamento previsto entre pessoas ou interditar de forma alternada os equipamentos, com limitação de acesso.

- Jacuzzis só poderão ser utilizadas mediante reserva individual (por família e por horário). Após o uso, deve-se despejar toda a água, seguido de lavagem e desinfeção e voltar a encher com água limpa e desinfetada com cloro na quantidade adequada, de acordo com o protocolo interno. 

- Saunas, solários e espaços de descanso somente poderão ser utilizados mediante agendamento. 

Nos quartos:

- É recomendável que o frigobar fique vazio. Conforme política de cada estabelecimento, o serviço pode ser oferecido no check-in para quem desejar. Assim, evita-se a presença diária de colaborador no quarto para reposição e limpeza dos produtos a cada check-out. 

- Também visando a facilidade para a limpeza do quarto, neste momento é importante que sejam removidos todos os itens que podem ser considerados supérfluos, como tapetes, almofadas, cabides em excesso, revistas, blocos de anotações, canetas e lápis.

- Itens como ferro de passar, tábua de passar roupa, travesseiros e cobertores extras, despertadores, cafeteira, chaleira etc. também devem ser removidos e fornecidos apenas quando solicitados. E quando disponibilizados ao hóspede devem estar limpos e embalados.

- Os controles remotos da TV, ar-condicionado e TV a cabo devem ser desinfetados e envolvidos em filme plástico ou colocados dentro de sacos plásticos, facilitando as próximas desinfecções.

- A limpeza do quarto não deve ocorrer com o hóspede na unidade. Evite ao máximo solicitar esse serviço. Quantos menos pessoas entrando no quarto, melhor!

Nos locais de refeições:

- Deve-se respeitar o distanciamento de 2 metros entre as mesas e 1,5 metro entre as cadeiras ocupadas.

- Serviços de buffet não são recomendados. Somente será possível se houver proteção de acrílico com colaborador para servir o hóspede e os alimentos devem estar protegidos.

- O café da manhã deve ser servido empratado e individualizado. Uma alternativa é oferecer o serviço no quarto.

- Para restaurantes com espaços reduzidos, deve-se considerar a reserva de horários pelos clientes.  

- Para locais com mesas fixas ou na impossibilidade de remoção, interditar as mesas de forma alternada, comunicando visualmente quais são as mesas livres e interditadas.

- Não é recomendada a formação de filas para solicitação e retirada do alimento pelo próprio hóspede em local de cocção. Este serviço pode existir desde que retirado pelos garçons e levado até as mesas. 

- Nas mesas, não se deve deixar as louças, copos, xícaras e talheres. Isso deve ser montado na chegada do cliente.

- Toalhas de mesa devem ser evitadas e, quando houver, utilizar o cobre manchas, que deve ser retirado logo após o uso. 

- Se tiver somente toalhas de tecido, elas devem ser trocadas a cada cliente. Em caso de jogo americano para mesa, se não for de tecido, eles devem ser desinfetados com álcool 70.

- Para o uso de guardanapos de tecido, o procedimento é o mesmo: após cada uso, devem ser retirados e encaminhados à lavanderia. 

- Quando o estabelecimento optar por guardanapos descartáveis, estes devem ser descartados imediatamente nas lixeiras em saco plástico. 

- Não é recomendável deixar utensílios em local único para retirada pelos hóspedes.

A professora Carla Lopes lembra ainda que, dependendo da estrutura do meio de hospedagem, outras medidas podem ser adotadas e que ajudam no maior controle da higiene, como toalhas embaladas em sacos plásticos, assim o item já vem protegido da lavanderia e menos pessoas acabam manuseando-o. Ela e a turismóloga especialista em operação hoteleira, Giovanna Boneli, falam sobre os protocolos no perfil "Governança Hoteleira" no Facebook e no Instagram.

E ainda, dependendo do estado ou do país, novos protocolos podem ser exigidos. E tem ainda muitas medidas que não são tão perceptíveis para os hóspedes mas estão sendo bastante valorizadas durante a pandemia, como práticas que eram adotadas pela hotelaria hospitalar e agora são utilizadas na hotelaria convencional. Veja no vídeo:

Atenção aos funcionários

Além dos protocolos que ficam bem perceptíveis para os hóspedes existem muitos outros relacionados à forma como a limpeza deve ser feita, como mostrado no vídeo acima. As professoras Fabíola e Carla reforçam ainda a importância dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os funcionários dos meios de hospedagem.

"Na recepção, por exemplo, além da máscara, recomenda-se o uso de viseiras nos setores de recepção e governança. E no decorrer da jornada de trabalho o colaborador deve trocar a máscara a cada 4 horas ou quando perceber que se encontra úmida", explica Fabíola. 

Carla comenta ainda que equipes de governança estão sendo orientadas a repassar aos funcionários a forma como retirar os EPIs para evitar contaminação, além das técnicas e equipamentos que são aconselháveis e os que não são.

Um deles é a vassoura: "Não é de hoje que os meios de hospedagem estão substituindo a vassoura nas operações de limpeza, especialmente em ambientes fechados. As partículas de poeira acabam ficando em suspensão e o vírus gruda na poeira, acaba pegando carona na poeira, e pode atingir as mucosas. Hoje a gente recomenda para as equipes de manutenção, limpeza e governança que façam a substituição da vassoura pelo rodo PVA ou MOP, que a gente vê muito em shopping e clínicas, em que você não varre, você conduz as sujidades", explica.

Aí está uma dica da hotelaria que você pode utilizar na sua casa! Veja outras mudanças na forma de limpar a cada no post sobre como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família.

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IFSC VERIFICA

Como a Covid-19 afeta crianças e adolescentes?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 06 out 2020 10:25 Data de Atualização: 06 out 2020 13:08

Sete meses já se passaram desde que a pandemia chegou ao Brasil. O Ministério da Saúde recebeu a primeira notificação de um caso confirmado de Covid-19 no país em 26 de fevereiro. As mortes pela doença já ultrapassaram a marca de 146 mil pessoas. O número de pessoas contaminadas se aproxima dos 5 milhões conforme dados do Governo Federal. Em 28 de setembro, o mundo atingiu a marca de 1 milhão de mortos por Covid-19.

Ao analisarmos os dados, um aspecto chama a atenção: crianças e adolescentes têm sido os menos afetados pelo coronavírus ao considerarmos os números de internação e óbitos em decorrência da doença. Segundo dados do mais recente Boletim Epidemiológico disponibilizado pelo governo federal até a publicação deste post (N33), a faixa etária de 0 a 19 anos corresponde a 2,5% das hospitalizações por Covid-19 e a 0,7% dos óbitos no Brasil.

Neste post vamos abordar o comportamento do vírus em relação a crianças e adolescentes e também as seguintes questões:

  • - Criança tem menos chance de ser infectada pelo coronavírus?
  • - Por que a maioria das crianças infectadas pelo Sars-CoV-2 são assintomáticas ou apresentam sintomas leves?
  • - Os sintomas nas crianças são os mesmos do que nos adultos?
  • - Quais os cuidados para prevenir a contaminação das crianças?
  • - O que é a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica?

Crianças e adolescentes podem ser considerados do mesmo grupo?

No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente considera criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos e adolescente aquela entre 12 e 18 anos de idade. No entanto, quando tratamos assuntos relacionados à Covid-19, podemos tratar as crianças e os adolescentes como parte de um só grupo. “Quando se fala de coronavírus, o que temos visto na literatura é englobar crianças e adolescentes”, explica a infectologista pediatra Sônia Maria de Faria, que também é professora dos cursos de medicina da UFSC e da Unisul e trabalha no Hospital Infantil Joana de Gusmão, referência no Estado para tratamento de casos de crianças com Covid-19.

Criança tem menos chance de pegar o coronavírus?

As chances de crianças e adolescentes serem infectados pelo vírus são as mesmas dos adultos. “O que eu diria é que elas têm menos chance de desenvolver a doença com manifestações mais graves como acontece com o adulto”, aponta Sônia.

Conforme a professora da UFSC, não é possível avaliar se a criança se infecta menos, uma vez que não está sendo feita uma testagem em massa em toda a população. “O que a gente pode deduzir é que, das crianças que apresentaram sintomas, mais de 90% apresentaram sintomas leves da infecção”, destaca.

Isso explica o fato de as internações nesta faixa etária serem menores quando comparadas aos adultos. Quando uma criança ou adolescente contrai o coronavírus, muitas vezes é assintomática ou possui sintomas leves.

-> Qual a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos?

Citação da professora Sandra Garcia do IFSC - "As infecções pela COVID-19 parecem afetar as crianças com menos frequência e menos gravidade do que em adultos"

Apesar disso, o Ministério da Saúde considera crianças com menos de 5 anos como um fator de risco para apresentar complicações, sendo que o maior risco de hospitalização é em menores de 2 anos, especialmente as menores de 6 meses com maior taxa de mortalidade. Segundo a infectologista pediatra, as crianças abaixo de 2 anos são consideradas imunologicamente imaturas, uma vez que seu sistema imunológico não está ainda totalmente desenvolvido. “Isso faz com que elas tenham um maior risco de apresentar complicações em qualquer infecção, não só com a Covid-19, já que essa imaturidade do sistema imunológico faz com que essas crianças respondam como se fossem imunodeficientes’, explica Sônia.

-> Você tem um ou mais fatores de risco para a Covid-19?

Quando o quadro da Covid-19 se agrava em crianças e adolescentes, essa manifestação ocorre, normalmente, por dificuldade respiratória como uma pneumonia associada. Mas a professora da UFSC chama a atenção para o fato de que a maior parte dos casos agudos que necessitam de internação é em crianças que já possuem algum fator predisponente. “Aí entram as doenças congênitas, as imunodeficiências, os asmáticos…”, destaca. “A obesidade também é um fator de risco que tem aparecido tanto para adulto quanto crianças”, complementa.

Por que a maioria das crianças infectadas por coronavírus são assintomáticas ou apresentam sintomas leves?

A enfermeira e professora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC Sandra Joseane Fernandes Garcia ressalta que os estudos científicos têm demonstrado que o sistema imunológico das crianças reage bem à Covid-19. “Pode ter casos graves? Pode, mas, na sua maioria, nesse momento é exceção”, afirma.

Para a professora da UFSC, o fato de o sistema imunológico da criança ser diferente do adulto é a principal hipótese até o momento para que essa faixa etária não esteja sendo tão afetada pela doença. “Como a criança tem com muita frequência infecções virais e ela desenvolve imunidade para outros vírus, é possível que ocorra imunidade cruzada com o coronavírus”, aponta Sônia.

Veja as explicações das professoras no vídeo abaixo: 

Criança transmite o vírus?

Sim. O que não se pode afirmar é se as crianças transmitem mais ou menos em relação aos adultos. “As crianças provavelmente não constituem um reservatório importante do vírus, mas, por outro lado, como são assintomáticas em sua maioria, podem contribuir para a circulação do vírus na comunidade”, alerta a professora do IFSC Sandra Garcia.

Em agosto, pesquisadores da universidade americana de Harvard publicaram um estudo no Journal of Pediatrics que revela que as crianças podem ser uma fonte potencial de contágio na pandemia, apesar de terem sintomas leves ou até de serem assintomáticas.

Outro estudo recente publicado em 25 de setembro no periódico JAMA Pediatrics avaliou a susceptibilidade de crianças à infecção por Sars-CoV-2 e o risco de elas transmitirem o vírus. Os pesquisadores concluíram que há evidências preliminares de que crianças e adolescentes têm menor suscetibilidade ao vírus, mas apontaram evidências fracas de que as crianças e os adolescentes desempenham um papel menor do que os adultos na transmissão do Sars-CoV-2 em nível populacional. “O estudo conclui que as crianças são menos susceptíveis à infecção, mas não dá para afirmar que transmitem menos”, destaca a professora Sônia.

Quais os sintomas da Covid-19 em crianças e adolescentes?

Nos casos em que as crianças e adolescentes têm apresentado sintomas, estes costumam ser semelhantes aos de um resfriado ou uma gripe como coriza, obstrução nasal, tosse e febre. O que tem sido mais frequente em crianças com Covid-19 do que em adultos são os sintomas gastrointestinais como a diarreia, vômito e dor abdominal.

Quando é o momento de procurar atendimento médico?

Conforme a infectologista pediatra, as orientações seguem as mesmas independentemente de estarmos em um pandemia. “Aquela criança que tenha febre alta, que continua com sintomas após 48 horas, que apresenta um quadro que nós chamamos de prostração, hipoativa, com uma recusa alimentar importante, a qualquer momento deve ser levada para avaliação médica”, alerta Sônia.

Como a maioria dos casos é assintomática ou com sintomas leves, muitas vezes é necessário apenas o cuidado em casa. Leia aqui o post que fizemos sobre como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família.

Cuidados de prevenção com as crianças e os adolescentes

A professora do curso técnico em Enfermagem do IFSC informa que o contato domiciliar foi a principal forma de transmissão para as crianças em 82% casos. “Isso quer dizer que um familiar que tinha sintomas ou não tinha sintomas, mas estava contaminado, acabou levando o vírus para essa criança”, explica.

Os cuidados para evitar que as crianças e adolescentes sejam contaminados pelo vírus são os mesmos orientados para os adultos, como uso de máscaras ao sair de casa, higienização frequente das mãos e distanciamento social de pessoas que não moram na mesma casa. No entanto, por tratarmos de crianças, alguns pontos precisam ser observados. “A compreensão da criança sobre o que é e para que serve o distanciamento social é limitada”, afirma Sandra.

O uso de máscara pelas crianças também não é tão simples. No final de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgaram recomendações sobre o uso de máscaras por crianças e adolescentes no contexto da Covid-19 diferentes das orientações que vinham sido dadas até então - que indicavam uso de máscara para crianças acima de 2 anos. Conforme o novo posicionamento das entidades, o uso de máscara em crianças de até 5 anos de idade não deve ser obrigatório. Veja aqui o que diz a OMS sobre a questão.

No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mantém as suas recomendações, que podem ser conferidas neste link. Crianças menores de 2 anos de idade não devem usar máscaras pelo risco de sufocamento, o que pode ocorrer pela salivação intensa. Entre os 2 e 5 anos, a máscara é recomendada, mas existe a necessidade de supervisão constante dos cuidadores. A entidade indica que se avalie individualmente a possibilidade do uso, conforme o grau de maturidade de cada criança. A partir de 6 anos, a criança já pode auxiliar no procedimento de uso.

A nota de alerta da SBP inclui orientações no caso de crianças e adolescentes que apresentam atrasos no desenvolvimento e condições específicas, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, transtornos do comportamento e que podem ter mais resistência ao uso da máscara.

A professora do curso de Enfermagem do IFSC destaca outros cuidados de higiene que devem ser tomados em relação às crianças e adolescentes para evitar o contágio:

- Lavar as mãos com frequência usando água e sabão em quantidade suficiente e de maneira adequada (entre os dedos, palma e dorso das mãos, esfregar as unhas, estendendo a lavação até os punhos) ou, caso não seja possível lavar as mãos em algumas situações, utilizar álcool gel 70%;
- Evitar contato com pessoas doentes;
- Limpar e desinfetar diariamente as superfícies de toque frequente nas áreas comuns da casa (por exemplo, mesas, cadeiras de encosto alto, maçanetas, interruptores de luz, controles remotos, banheiros, pias);
- Lavar objetos e brinquedos, incluindo os de pelúcia laváveis.

Outro aspecto importante de prevenção em crianças que não pode ser esquecido, segundo a infectologista pediatra Sônia,  é a vacinação. A professora da UFSC alerta que os números de cobertura vacinal no Brasil estão baixos. “Outras doenças praticamente deixaram de existir neste momento porque as crianças não estão em contato entre si, mas nesse retorno às escolas, vai ter essa interação e o risco volta a existir”, afirma. “É necessário que essas crianças estejam protegidas e a melhor forma de a gente protegê-las é a vacinação”, destaca Sônia.

Em junho, a SBP, a Unicef e a Sociedade Brasileira de Imunizações lançaram a campanha “Vacinação em dia, mesmo na pandemia” justamente para conscientizar os pais e cuidadores sobre a importância de não postergar a vacinação por causa do novo coronavírus. “O responsável pela criança deve acompanhar o calendário vacinal, ver as vacinas em atraso e procurar atualizá-las, principalmente, antes da volta à escola”, recomenda Sônia.

Um alerta para crianças que tiveram Covid-19: Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica

Embora os casos de Covid-19 em crianças e adolescentes não tenham sido um foco de grande preocupação, justamente em função de a maioria não apresentar gravidade, a comunidade médica tem chamado a atenção para a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica associada temporalmente à Covid-19 (SIM-P).

A professora da UFSC explica no vídeo abaixo como a SIM-P tem se manifestado:


A infectologista pediatra destaca que a SIM-P leva à internação. “Já tivemos casos de que a criança até é atendida num serviço de emergência e, num determinado momento, ela aparentemente está bem, mas, em questão de horas, seu quadro se agrava e ela acaba sendo internada numa Unidade de Terapia Intensiva”, alerta.

Como muitas crianças que têm Covid-19 são assintomáticas, ou seja, pode ser que os pais/cuidadores nem saibam que elas foram infectadas pelo coronavírus, é importante ficar alerta para os sintomas da SIM-P. De acordo com a professora da UFSC, os sintomas podem ser febre alta - em geral, acima de 38º - por pelo menos três dias, manchas na pele semelhantes ao sarampo, hiperemia dos olhos (olhos vermelhos), alterações na boca e nos lábios, diarreia, vômito e dor abdominal.

Em 7 de agosto, os departamentos científicos de Infectologia, Reumatologia, Cardiologia, Terapia Intensiva e Emergência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiram uma nota de alerta reforçando a necessidade de notificação nacional obrigatória da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) potencialmente associada à Covid-19.

Volta às aulas

O retorno das atividades presenciais nas escolas tem sido um ponto bastante discutido por especialistas e que gera preocupação nos pais e cuidadores das crianças e adolescentes. Para a infectologista pediatra Sônia, a questão do retorno é muito complexo e vários fatores precisam ser considerados. O primeiro é o fator epidemiológico, o que significa ter a doença ou a infecção controlada no meio onde se está propondo a reabertura das escolas.”Você precisa ter pelo menos duas semanas de constante queda no número de casos, de internações”, explica. Outro ponto é avaliar a condição das escolas para cumprir as medidas sanitárias necessárias para tornar o ambiente mais seguro.

Sônia lembra que os países que reabriram as escolas não têm apresentado um maior número de casos entre os grupos em que essas crianças convivem. “Acho que são todas essas experiências que vão nortear a abertura das escolas no nosso meio”, pondera.

Em 25 de setembro, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento no qual indica as condições mínimas a serem cumpridas para garantir um retorno seguro às aulas por crianças e adolescentes. A entidade alerta que, diante de lacunas em evidências científicas, que não permitem recomendações isentas de incertezas, e da inexistência de fórmulas únicas para atender às necessidades locais e regionais, qualquer opção - voltar às aulas ou manter somente atividades remotas - está sujeita a riscos. “O risco é geral e não só para as famílias, mas acho que essa questão da volta da escola é muito complexa e vai exigir uma ampla discussão e uma ampla orientação”, avalia Sônia.

O impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças

Para quem está com as crianças em casa e sem ir à escola desde março, há uma preocupação com a saúde mental e o próprio desenvolvimento dessas crianças, mas a professora Sandra acredita que é uma situação que poderá ser revertida no futuro. “Quando as crianças voltam a ser estimuladas, elas têm uma tendência a compensarem bastante essas perdas e, dependendo do tempo de desenvolvimento, compensarem até estabilizarem na idade normal”, tranquiliza a docente do IFSC.

Claro que podem ocorrer casos em que as crianças e adolescentes estejam tão impactados pelo momento que seja preciso recorrer a ajuda profissional. Nesse sentido, a infectologista pediatra alerta que mudanças comportamentais podem ser um sinal amarelo para buscar ajuda. “Quando uma criança extrovertida passa a ter um comportamento de tristeza, de depressão, de ser mais introvertida, essa criança preocupa e, nesses casos, é importante a busca de ajuda psicológica”, recomenda.

De maneira geral, Sônia aconselha os pais a terem paciência. “Esse momento vai passar e as famílias podem aproveitar o momento para estarem mais juntas”. afirma.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

- Documentos com aspectos clínicos e epidemiológicos da Covid-19 na infância e adolescência do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)
- Cartilha da Fiocruz de saúde mental aborda crianças na pandemia
- Perguntas e respostas da OMS sobre o tema Escolas e Covid-19

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Como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 29 set 2020 07:59 Data de Atualização: 29 set 2020 08:35

A disponibilização de leitos na rede hospitalar, em especial de unidades de terapia intensiva (UTI), para dar conta do atendimento dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é assunto que mobilizou o sistema de saúde ao longo deste ano, com a disseminação da pandemia.

Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a necessidade de internação hospitalar em decorrência da doença seja restrita a cerca de 20% dos infectados. Isso quer dizer que a maioria dos pacientes de Covid-19 não precisa de internação e, portanto, pode se recuperar da doença em casa.

Neste post, nós vamos explicar que cuidados devem ser tomados pelas famílias, ou quaisquer grupos de pessoas que dividam uma mesma moradia, quando há, em casa, alguém com diagnóstico positivo de Covid-19. Vamos abordar o seguinte:

- Que sinais clínicos são levados em conta para que o paciente seja tratado sem internação hospitalar, e a que sintomas prestar atenção para identificar uma eventual piora no quadro;
- Como proceder quando o paciente está debilitado e precisa de auxílio;
- A importância de organizar e intensificar a rotina de higienização da casa, levando em conta uma eventual propagação do vírus;
- A necessidade de que a família mantenha contato constante com o serviço de saúde.

Quando a pandemia expõe a desigualdade social

A primeira orientação dos serviços e profissionais de saúde quando se trata dos cuidados domiciliares a pacientes com Covid-19 sempre é que essa pessoa fique isolada por no mínimo 14 dias. Isso significa sugerir que, se possível, o doente seja mantido sozinho em um cômodo separado, isolando-o dos demais moradores da casa. De preferência, que também seja destinado um banheiro para uso exclusivo dessa pessoa.

O problema é que essa possibilidade está muito distante de grande quantidade de lares brasileiros, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8% da população tem condições inadequadas de moradia. Isso quer dizer que elas moram em domicílios que têm uma ou mais das seguintes inadequações: falta de banheiro exclusivo da casa (ou seja, o banheiro é compartilhado com outras residências); uso de materiais não duráveis nas paredes externas (como sobras de madeiras ou taipa não revestida); adensamento excessivo (mais de três pessoas para cada dormitório) e ônus excessivo com aluguel.

5,6% dos brasileiros vivem em condição de adensamento domiciliar excessivo (domicílios em que há mais de 3 pessoas para cada dormitório).

“A primeira coisa que as pessoas precisam saber é que a gente está tratando de uma doença com transmissão respiratória. É um vírus presente no ar. Então a facilidade de adquirir a doença é muito grande. E se a gente mora com uma pessoa que testou positivo, você tem uma chance muito maior de se contaminar ou de já estar contaminado”, analisa a professora Kristiane de Castro Dias Duque, que é enfermeira, tem doutorado em Saúde e atua na área de Saúde Coletiva no Câmpus Joinville.

Quando se confirma um diagnóstico de Covid-19, a providência mais imediata deve ser avaliar o restante da família. Todos devem manter distanciamento social durante pelo menos 14 dias, independentemente de testarem positivo ou não. Ouça as explicações da professora Kristiane a esse respeito:

 

 

Qual deve ser a condição do paciente para que ele possa ser cuidado em casa, sem necessidade de internação hospitalar?

De acordo com Kristiane Duque, podem ser tratados em casa os pacientes que desenvolvem os sintomas leves: apresentam tosse, febre e dor de garganta, por exemplo, num quadro parecido com o de uma gripe. Uma parte menor dos doentes são os chamados casos moderados, em que há necessidade de acompanhamento no hospital, e um índice ainda menor demanda internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

-> Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

Quando há presença de fatores de risco, como diabetes, problemas cardíacos ou gravidez, os doentes são avaliados mais atentamente, mas muitas vezes a decisão pode ser de que eles se tratem em casa. E, em todos os casos, é imprescindível que a evolução do quadro seja observada, para que o serviço de saúde possa ser buscado no caso de qualquer agravamento, como enfatiza Kristiane. Ouça abaixo:


-> Entenda o que são os fatores de risco para Covid-19

-> Gravidez na pandemia: leia nosso post sobre os cuidados para gestantes e puérperas

Que sintomas podem indicar um quadro de agravamento da doença?

De acordo com a professora Kristiane Duque, a dificuldade respiratória é o sinal mais importante que pode representar um agravamento do quadro clínico do paciente. Por isso, o próprio doente e também as pessoas que convivem com ele devem ficar atentos a esse aspecto. “Se a pessoa percebeu que começou um incômodo respiratório, esse é o principal fator de alerta”, enfatiza. “Mas qualquer coisa em que ela perceba piora no quadro, vale a pena voltar ao serviço de saúde”, acrescenta.

A percepção relatada pelos pacientes sobre a dificuldade respiratória, em geral, corresponde a uma sensação de que o ar respirado não é suficiente. Também há relatos de aperto no peito e sensação de angústia, de acordo com a professora. No áudio abaixo, ela comenta a importância de se prestar atenção à dificuldade respiratória:

Sabemos que ainda não há remédio que combata diretamente o novo coronavírus. Como é, então, o tratamento do paciente?

O protocolo de atendimento recomenda apenas tratamento dos sintomas, ou seja, o médico prescreve medicamentos específicos para combater a febre, a dor no corpo e os demais sintomas relatados pelo paciente. A professora Kristiane Duque também ressalta que o paciente deve ser orientado a hidratar-se bastante, com ingestão de água, e fazer repouso. 

“Devido à grande possibilidade de complicação da Covid-19, essas pessoas precisam ter um monitoramento muito próximo”, lembra a professora. Pacientes leves, em tratamento domiciliar, que não apresentam fator de risco devem ser monitorados a cada 48 horas. Já aqueles que também têm sintomas amenos, mas que têm algum fator de risco, precisam ser monitorados diariamente. Isso por, pelo menos, 14 dias, até o desaparecimento dos sintomas. Ouça a professora Kristiane Duque sobre esse protocolo:


Tenho um familiar com Covid-19 em casa e ele precisa de auxílio. O que devo fazer?

Mesmo num quadro considerado leve, o paciente pode ficar debilitado e precisar de auxílio para se alimentar e manter higienizado o ambiente em que se encontra, por exemplo. A professora Kristiane Duque recomenda que, numa situação em que haja possibilidade de o doente ficar em um quarto fechado, deve-se definir uma única pessoa da casa para entrar no cômodo sempre que for preciso prestar auxílio. “Esse cuidador não vai ficar direto dentro do quarto, mas vai entrar para fazer o auxílio necessário, levar as refeições, ajudar na higiene, dependendo do que cada quadro específico exigir”, exemplifica.

O uso da máscara facial é imprescindível, tanto para o cuidador quanto para o doente, quando houver essas interações. O quarto deve ficar o mais arejado possível, com janelas abertas, porém com a porta fechada. Kristiane também recomenda que dentro do quarto o paciente tenha uma lixeira, com tampa, de uso exclusivo – na qual ele vai depositar, por exemplo, lenços de papel ou papel higiênico para assoar o nariz, material potencialmente contaminante. Sempre que sair do quarto, o cuidador precisa remover a máscara (lavando-a ou descartando-a, quando for o caso) e higienizar muito bem as mãos. Caso tenha tido proximidade física com o paciente, o ideal é que o cuidador troque de roupas e tome um banho.

Nas moradias em que há apenas uma peça usada como quarto, o recomendado é que esse cômodo seja ocupado exclusivamente pelo paciente, com o restante da família ficando na sala, por exemplo. “E existem também aquelas situações em que não vai ter nem isso, com todos os moradores no mesmo cômodo. Então é preciso manter um distanciamento de dois metros entre o paciente positivo e o resto das pessoas da casa. O que torna a contaminação mais fácil de acontecer, porque vai estar todo mundo no mesmo ambiente”, pondera Kristiane.

Em qualquer caso, tanto em quarto individual quanto em ambiente compartilhado, é imprescindível que a pessoa doente faça uso exclusivo de itens como pratos, talheres, copos, travesseiro, roupas de cama, toalhas e produtos de higiene (como escova e creme dental, sabonete, xampu). Quando não for possível que o paciente fique em um cômodo exclusivo, o cuidado deve ser redobrado para que os familiares ou coabitantes não compartilhem cadeiras, lugar no sofá, almofadas ou outros itens que envolvam contato físico.


2,8% da população brasileira não dispõe de banheiros dentro das residências

Como fazer uso compartilhado do banheiro de forma segura?

Higienizar rigorosamente o banheiro após cada uso é a atitude chave. De acordo com Kristiane Duque, quando o paciente estiver num quadro que lhe permita condições, ele deve assumir essa responsabilidade sozinho após cada uso: passar água sanitária ou desinfetante no vaso sanitário, na pia e em todos os pontos que tiver tocado, como torneira, interruptor, maçaneta da porta. Sua escova de dentes deve ser separada das do restante dos moradores, assim como o tubo de pasta de dentes. “O ideal é que a outra pessoa, quando for entrar, também faça essa higiene completa com o mesmo cuidado. Daí tem uma dupla via de segurança”, observa a professora.

Na convivência em casa, para todos os moradores, a regra de manter as mãos sempre limpas, lavando-as frequentemente com água e sabão ou utilizando o álcool em gel, deve ser seguida à risca. As máscaras faciais também precisam ser usadas corretamente, em especial no contato com o paciente, e higienizadas com água sanitária, água e sabão.


O monitoramento das condições do paciente é responsabilidade dele mesmo, e dos familiares também. A qualquer sinal de piora, o serviço de saúde deve ser procurado sem demora. Kristiane Duque, professora da área de Saúde Coletiva no Câmpus Joinville


O que muda na rotina doméstica quando há alguém com Covid-19 em casa?

A professora Kristiane Duque diz que, em linhas gerais, a manutenção da casa merece alguns cuidados extras, como a preferência por limpezas a úmido ao invés de simplesmente varrer ou espanar – o que pode provocar uma movimentação do vírus com o ar e a poeira. 

Nos casos em que a pessoa doente é também a responsável pela alimentação da família – em geral, a mãe – e não há possibilidade de que outro morador assuma essa tarefa, é preciso que haja o máximo de cuidado para que as mãos de quem manipular a comida estejam sempre higienizadas. “Ela vai ter que tomar muito mais cuidado, usar máscara, muita higiene das mãos, cabelos presos”, ressalta a professora. 

A embalagem e destinação correta do lixo é outro ponto a observar com atenção. Todo o lixo que tenha sido descartado pelo paciente deve ser muito bem ensacado e encaminhado para coleta comum. De preferência, diz Kristiane, o próprio doente deve tomar o cuidado de trocar o saco plástico da lixeira mantida para seu uso, higienizando o recipiente com álcool ou desinfetante. O lixo reciclável da casa pode ser encaminhado para a coleta específica, desde que ele não tenha sido manuseado pela pessoa doente.

Dicas importantes: cuidado domiciliar para pacientes com Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em agosto um documento com orientações para o tratamento domiciliar de pessoas diagnosticadas ou suspeitas de Covid-19. Veja algumas delas:

- Limitar a circulação do paciente pela casa e evitar compartilhamento de espaços. Quando houver esse compartilhamento, os ambientes devem estar bem ventilados.

- Os demais moradores devem evitar entrar no ambiente onde o paciente está em repouso. Caso precisem entrar, devem manter distância de 2 metros e usar máscara facial.

- Máscaras e luvas descartáveis jamais devem ser reutilizadas. Elas devem ser descartadas no lixo comum.

- O número de cuidadores deve ser limitado – preferencialmente, uma única pessoa da família deve ser escolhida para assumir o cuidado do doente. O cuidador deve estar saudável e não apresentar fator de risco para a Covid-19. Nos casos em que a pessoa doente morar sozinha, é importante ter alguém de referência que faça contato constante e ofereça suporte.

- Não receber visitas enquanto o doente estiver em tratamento.

- Todos os moradores da casa onde há um paciente de Covid-19 devem ter rigor na higiene das mãos, lavando-as muito bem antes e depois de preparar alimentos, antes de comer, após o uso do banheiro e sempre que as mãos aparentarem estar sujas. Quando há sujeira aparente nas mãos, a OMS recomenda a lavação intensiva com água e sabão. Quando as mãos não necessariamente parecem sujas, elas podem ser higienizadas com álcool em gel. 

- O paciente deve sempre usar máscara facial. 

- Roupas de cama, toalhas, louças, talheres e itens de higiene devem ser separados para uso exclusivo do paciente. A louça usada pelo doente deve ser lavada com esponja exclusiva para esse fim.

- O lixo doméstico deve ser embalado em sacos resistentes, totalmente fechados. Isso é importante para garantir a segurança dos profissionais do serviço de coleta.

Depois que a pessoa se recuperou da Covid-19, todos já podem relaxar? 

Já abordamos em posts anteriores que mesmo quem já teve Covid-19 precisa continuar se cuidando. Leia aqui o que os estudos apontam sobre a resposta imunológica de quem já teve a doença.

Além disso, mesmo considerando uma imunidade temporária de quem já teve a Covid-19, a pessoa pode transmitir o vírus por meio de contato com superfície contaminada - como a professora Ângela Kirchner, do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis, explicou neste vídeo no post que já fizemos sobre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

-> Conheça o guia da OMS para cuidados domiciliares de pessoas diagnosticadas ou com suspeita de Covid-19 (em inglês)

-> Consulte o relatório “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira – 2019”, do IBGE

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A imunidade coletiva pode acabar com a pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 22 set 2020 09:46 Data de Atualização: 23 set 2020 09:45

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) sempre recomendou o distanciamento social como forma de conter a pandemia do coronavírus até que se tenha uma vacina, alguns países cogitaram o uso da estratégia popularmente conhecida como imunidade de rebanho. O assunto gera controvérsia entre especialistas. Seria possível aguardar até que uma parte da população fosse contaminada para que a situação passasse a ser naturalmente mais segura para todos?

No post desta semana, vamos abordar as seguintes questões:

- O que é imunidade de rebanho?
- A estratégia de imunidade coletiva pode ajudar no controle da pandemia?
- O que é a taxa de transmissão?
- Quem já teve a Covid-19 fica imune?

Imunidade coletiva e imunidade de rebanho são a mesma coisa?

Sim, mas o termo científico correto é imunidade coletiva ou imunidade natural, que representa o processo em que um grande número de pessoas numa população já adquiriu anticorpos contra uma doença. “Se muitas pessoas da população possuem anticorpos contra a doença, elas param de transmitir para outras e, então, essa cadeia de transmissão é diminuída”, explica a professora do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis Suelen dos Santos Saraiva, enfermeira e mestra em Saúde Pública. “Quanto mais pessoas imunes eu tiver na população, menor vai ser a transmissão dessa doença”, enfatiza.

Quando o nosso corpo entra em contato com uma doença, ele cria anticorpos. “Os anticorpos de memória fazem com que nosso corpo saiba como lidar com aquela doença e nos proteja daquilo”, afirma Suelen. Em algumas doenças, essa imunidade é vitalícia, ou seja, quem teve uma vez não contrai novamente. Mas, em outras, os anticorpos criados têm um prazo dentro do nosso organismo até pela modificação do vírus, o que faz com que a gente tenha que tomar vacinas periodicamente - como é o caso do vírus H1N1, cuja campanha de vacinação ocorre todo ano.

Imunidade natural X Imunidade pela vacina

A imunidade coletiva pode ocorrer naturalmente, quando se contrai a doença, ou por meio de vacinação. A professora do IFSC ressalta que a vacina é feita de uma forma controlada. “Mesmo que a vacina utilizada seja feita com vírus vivo, ela nunca vai ter a mesma força se eu pegasse a doença realmente”, pondera.

O que indica a necessidade de uma vacina é o potencial de contaminação da doença. “Temos que considerar como esse vírus circula e o quão rápido ele circula na população”, fala Suelen. No caso da Covid-19, esse potencial de transmissão é muito grande, como os números de novos casos e de óbitos comprovam. “É isso que vai me dizer que a população sozinha não vai conseguir se proteger contra esse agente infeccioso e a gente precisa de uma vacina para proteger a população”, afirma.

Como já explicamos neste post, o processo de fabricação de uma vacina é demorado. Enquanto o mundo inteiro espera esse momento que deve marcar o fim da pandemia do coronavírus, por que não deixar o vírus circular livremente entre as pessoas para que possamos nos tornar imunes e a transmissão possa definhar naturalmente?

Este debate vem sendo travado desde o início da pandemia. O Reino Unido chegou a cogitar essa estratégia de imunidade coletiva, mas recuou. A Suécia foi na contramão dos vizinhos europeus e apostou na “imunidade de rebanho”, não restringindo a circulação de pessoas. Resultado: em junho, era o segundo país da Europa com mais casos de contaminação por habitante.

Quem critica a adoção dessa estratégia aponta justamente o risco ao qual a população é exposta. A professora do IFSC é uma das que não concorda com a ideia de deixar as pessoas criarem naturalmente esta imunidade coletiva para conter a pandemia. “No momento em que você não toma medidas restritivas para uma doença que tem uma grande propagação, uma grande probabilidade de contaminação, você está deixando a população inteira suscetível a essa doença e a chance dela adoecer e dela morrer por isso é muito grande”, alerta.


Quantos infectados são suficientes numa população para que os imunes impeçam a circulação do vírus?

Cada doença tem uma taxa de transmissão chamada de R que é calculada usando modelos matemáticos. A professora de matemática do Câmpus Gaspar Vanessa Oechsler explica que o chamado R zero(R0) seria a taxa inicial, ou seja, quantas pessoas alguém que está contaminado pode infectar sem qualquer medida de combate. “Pesquisadores indicam que o R0 da Covid é de 2,4 a 3,3 - o que isso significa que uma pessoa passa o vírus a outras 2 ou 3”, afirma.

No livro “As regras do contágio: Por que as coisas se espalham — e porque param”, o epidemiologista Adam Kucharski define quatro parâmetros que são utilizados para a elaboração da taxa de contágio: 1) Duração da infecciosidade, 2) Oportunidade: com quantas pessoas o infectado teve contato, 3) Probabilidade de transmissão: quando duas pessoas de encontram, qual a probabilidade do vírus ser transmitido de um para o outro, e 4) Suscetibilidade: quão provável é que a pessoa contraia o vírus. “Esses parâmetros são traduzidos em números que são multiplicados e geram a taxa de transmissão”, explica Vanessa.

No Brasil, essa taxa tem variado. De acordo com o monitoramento feito pelo Imperial College London, que se tornou uma referência internacional em pesquisas sobre a Covid-19, a taxa em abril no nosso país chegou ao seu maior patamar de 2,81 e, em agosto, caiu para 0,94 - o menor índice até então desde o início do monitoramento. No entanto, o número de reprodução do novo coronavírus no Brasil voltou a subir para o patamar 1 na semana iniciada em 23 de agosto. “O ideal é que a taxa seja menor do que 1, o que indica que cada vez menos indivíduos se infectam e o número dos contágios retrocede”, aponta a professora de matemática.

Segundo o painel de dados da Fiocruz, dados de 20 de setembro - os mais recentes até a publicação deste post - apontam que a taxa de transmissão no Brasil e em Santa Catarina estava em 0,7.

Gráfico da Fiocruz mostrando a evolução de RT no Brasil e em SC

“É a partir dessa taxa que se estima o percentual de pessoas que deveriam estar imunizadas na população para que a gente possa ter a imunidade coletiva”, explica Suelen. Cada doença tem um valor diferente. Segundo a professora do curso de Enfermagem, de acordo com os estudos que se tem hoje, no caso da Covid-19, entre 60% e 75% da população deveria ter anticorpos contra o vírus para se pensar na imunidade de rebanho.

No entanto, ela menciona também um estudo publicado em julho na plataforma medRxiv que estimou que o limiar de imunidade coletiva ao novo coronavírus pode ser alcançado em uma determinada região se algo entre 10% e 20% da população for infectada. “Mesmo se for se pensar em 20%, é muita gente com risco de ficar doente e morrer”, diz Suelen. “É tudo muito novo, então a certeza só vai vir com a vacina, com uma imunidade garantida de uma forma não prejudicial à população”, afirma.

Na ilustração abaixo, adaptada de um estudo internacional publicado na Immunity, é possível entender melhor visualmente como funcionaria a imunidade coletiva:

 

Infográfico mostrando como funciona a imunidade de rebanho na população

A professora destaca que, conforme os estudos da doença têm apontado, cerca de 80% das pessoas infectadas têm sintomas leves - isso sem contabilizar o grande número de pessoas assintomáticas, ou seja, que possuem o vírus e nem sabem.

-> Qual a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos?

Outros 20% da população que pegam o coronavírus precisam de algum tipo de auxílio médico e 5% dessas pessoas vão precisar de um leito de UTI. “Parece que é pouco, mas dentro do número de pessoas que estão ficando doentes, acaba sendo muito”, alerta Suelen.

-> Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

A lógica de uma imunidade adquirida por vacina é diferente. “Na vacina, você coloca esse patógeno na pessoa para que ela adquira os anticorpos, mas você coloca isso de uma forma enfraquecida, então a pessoa não vai ter a doença realmente, não vai sofrer com todas as consequências assim como as pessoas que ficariam aguardando a imunidade de rebanho que poderiam sim ter formas grave da doença e acabar tendo complicações e até mesmo óbito”, analisa a professora. “Não tem como neste momento a gente pensar em imunidade de rebanho justamente pela gravidade da doença e pela história que ela está apresentando na população”, reforça Suelen.

Outro ponto a se considerar é a taxa de letalidade da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, esse índice no Brasil, no dia 21 de setembro, foi de 3%. Em Santa Catarina, de acordo com boletim divulgado pelo Governo do Estado também em 21 de setembro, o índice ficou em 1,29%. Este número indica qual a proporção dos doentes que acabou morrendo em decorrência da doença. “A taxa de letalidade parece ser pequena, mas ela é alta dentro das características da doença, justamente porque a Covid-19 ainda está muito permeável na população e se disseminando com muita facilidade, o que faz com que as chances de muitas pessoas irem a óbito aumentem”, explica a professora.

Já peguei Covid-19. Estou imune?

Enquanto mais de 137 mil pessoas já foram a óbito por causa da Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde contabiliza cerca de 3,8 milhões de casos recuperados na data de publicação deste post. Algumas pessoas que já tiveram a doença respiram aliviadas achando que estão imunes ao vírus e não poderão contraí-lo novamente. No entanto, a situação ainda não pode ser encarada desta forma.

“No caso da Covid-19, não se tem nenhum estudo ainda que consiga dizer realmente que existe uma imunidade adquirida e por quanto tempo essa imunidade é adquirida”, alerta Suelen. Segundo a professora, pesquisas têm buscado comparar o SARS-CoV-2 com outros tipos de coronavírus que apontam imunidade de 40 dias até três meses. Casos recentes - embora ainda raros - de reinfecção pelo coronavírus colocam essa imunidade adquirida ainda mais em xeque. “Não se tem noção de por quanto tempo essa imunidade vai ser adquirida”, ressalta Suelen.

Além disso, mesmo considerando uma imunidade temporária de quem já teve a Covid-19, a pessoa pode transmitir o vírus por meio de contato com superfície contaminada - como a professora Ângela Kirchner, também do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis, explicou neste vídeo no post que já fizemos sobre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos.

A incerteza em relação a essa imunidade adquirida por quem já teve a doença fragiliza ainda mais a estratégia de imunidade coletiva. “Ao seguir a linha da imunidade de rebanho, você está deixando uma população suscetível a uma doença, deixando que aquele vírus circule sem ter uma garantia de sucesso lá no final”, destaca a professora Suelen. “Os pesquisadores têm estudado pra ver como tudo isso pode se dar, mas não se tem exatamente uma informação 100% fidedigna, uma evidência científica forte que fale quanto tempo tudo aquilo vai durar, então é muito difícil você apostar nesse tipo de ação para essa doença”, afirma.

Suelen reforça que os cuidados para evitar a transmissão devem ser mantidos inclusive por quem já testou positivo para a doença. ”Nesse tipo de doença, você tem que pensar em si e no outro, porque você pode estar se cuidando, mas precisa cuidar do outro”, avisa. 


O que pode acabar com a pandemia?

O que deve acabar com a pandemia é a imunidade coletiva da população, mas adquirida por meio da vacinação em massa. “Essa imunidade é que dá segurança para a população porque temos controle do que vai acontecer”, afirma Suelen.

Citação da professora Suelen: "Com o que se tem posto hoje, a imunidade coletiva só vai se dar por meio da vacinação."

> Existe uma previsão para o fim da pandemia?

Até lá, as recomendações para diminuir a proliferação do vírus seguem sendo o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização frequente das mãos. “O ideal realmente seria manter o isolamento enquanto a gente não tiver uma vacina eficaz para esse vírus porque realmente ele é muito agressivo e você ainda não tem uma garantia de por quanto tempo essa imunidade vai durar”, orienta Suelen.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

- A busca por um modelo matemático para descrever a dinâmica da Covid-19
- Entrevista da epidemiologista Maria Van Kerkhove da OMS em 19 de agosto comentando que os estudos sobre a resposta imunológica de quem contrai Covid-19 ainda não estão claros (veja no trecho a partir da marcação de tempo 47’15”)
- Live da Associação Brasileira de Saúde Coletiva sobre a imunidade coletiva
- Painel de dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em que é possível acompanhar a taxa de transmissão a nível nacional 

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Qual a melhor forma de medir a temperatura do corpo?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 04 ago 2020 14:33 Data de Atualização: 21 set 2020 09:36

A medição da temperatura corporal das pessoas que circulam em espaços públicos, como estabelecimentos comerciais, clínicas, transporte coletivo ou mesmo em barreiras sanitárias, é uma das medidas preventivas adotadas em todo o mundo para evitar a propagação do novo coronavírus. Em Santa Catarina, cada município detalha as regras para esse procedimento. No caso de Florianópolis, por exemplo, as pessoas que estejam com temperatura acima de 37,8 graus devem ser impedidas de entrar nos estabelecimentos e encaminhadas ao serviço Alô Saúde (conheça essa e outras normas no Decreto Municipal 21.459).

O equipamento mais utilizado nesses contextos é o termômetro digital de infravermelho, que permite a aferição da temperatura sem que haja contato físico entre a pessoa examinada e quem opera o aparelho. Há, contudo, diferentes tipos de termômetros. Além do infravermelho, em evidência neste momento de pandemia, há também os termômetros digitais e os de mercúrio – estes últimos, em processo de obsolescência. Independentemente do tipo de termômetro que se utiliza para aferir a temperatura do corpo e identificar se há ou não um processo febril, é importante saber a forma correta de utilizar o equipamento e também os contextos em que é necessário verificar a febre.

Nós conversamos com dois pesquisadores do IFSC para este post e vamos abordar as seguintes questões:

- Entender o que é febre, o que ela pode indicar e como proceder para baixá-la;
- Identificar os diferentes tipos de termômetros e como utilizá-los corretamente para fazer a aferição da temperatura corporal.

O que é a febre? O que ela indica?

O professor Inácio Alberto Pereira Costa, que atua na área de Saúde no Câmpus Florianópolis, explica que a febre geralmente indica uma reação do organismo a algum tipo de infecção. A temperatura média corporal costuma variar entre 36 e 37,3 graus Celsius. Mais do que isso caracteriza a febrícola (até 37,8 graus), a febre (acima de 37,8 até 39 graus) e a febre alta (mais de 39 graus). 

Ao se constatar a ocorrência de febre com uso de um termômetro, deve-se observar se há outros sintomas associados a ela – no caso da Covid-19, os mais comuns são tosse, falta de ar, falta de paladar e cansaço, de acordo com o professor, que é doutor em Enfermagem. Ele enfatiza também que é importante sempre procurar orientação médica em caso de febre, evitando, principalmente, a automedicação. “Muitas vezes a febre é um dos sintomas de alguma condição clínica que demanda um tipo específico de medicamento, e não outro. Por isso o recomendado é só tomar medicamentos para baixar a febre com orientação médica, respeitando a dose e a frequência”, explica.

Outro alerta que o professor faz é que nem sempre um aumento da temperatura do corpo significa febre. Há alterações de temperatura que são aceitáveis em condições normais. Após a prática de atividades físicas, por exemplo, é comum que haja uma oscilação. Mulheres em período fértil também costumam ter a temperatura corporal elevada. 

Como medir corretamente a temperatura corporal?

Identificar se há febre apenas pelo contato da mão ou do pulso com o rosto da pessoa examinada pode ser válido apenas como uma primeira “impressão empírica” do problema, mas não é recomendável, de acordo com o professor Inácio Costa. “Numa primeira impressão empírica, você pode sentir alguma alteração na temperatura da pessoa. Mas é preciso fazer a aferição com uso de um termômetro para mensurar a temperatura, identificar se há febre, se é alta ou não, e proceder dependendo do caso”, recomenda.

O indicado para situações em que há suspeita de febre é fazer a aferição com uso de um termômetro digital, que é encontrado facilmente nas farmácias e tem preço acessível. Basta seguir as instruções do fabricante, “zerando” o termômetro e colocando o aparelho sob a axila da pessoa examinada. Após o tempo necessário para a aferição, o termômetro emite um sinal sonoro e mostra, no visor digital, a temperatura do paciente. O professor Inácio Costa salienta que, antes e após o uso, é importante higienizar o aparelho com álcool.

Outro ponto a observar é que a medição será mais precisa com o paciente examinado em repouso há pelo menos cinco minutos, num ambiente confortável. A oscilação da temperatura do ambiente pode causar imprecisões nas leituras – inclusive indicando temperatura menor que 36 graus.

Sempre é preciso fazer algo para baixar a febre?

A febre indica que o organismo está reagindo a algum agente infeccioso, mas tomar providências para baixá-la não implica que isso force o organismo a deixar de reagir. “Pelo contrário, baixar a febre ajuda o organismo a atuar nesse processo de defesa, a trabalhar para combater a infecção”, esclarece. Além de medicamentos específicos com função antitérmica, com orientação médica, é possível também adotar procedimentos como banho morno ou compressas de água fria no corpo para baixar a temperatura.

Controlar a febre é essencial principalmente nos casos de temperaturas acima de 39 graus, que caracterizam a febre alta. Nesse tipo de situação é preciso necessariamente de acompanhamento médico numa unidade de saúde. 

Quais os tipos de termômetros existentes no mercado, hoje? Existe algum mais recomendado?

São três tipos de termômetros utilizados para medir a temperatura do corpo. Os digitais de infravermelho, que se popularizaram com a pandemia do novo coronavírus, são o modelo mais caro, mas tem algumas vantagens. “Uma delas é que o termômetro infravermelho permite que se faça a aferição da temperatura sem contato físico. Além disso, a medição leva apenas alguns segundos”, esclarece Inácio Costa. Os termômetros digitais são os mais recomendados para uso doméstico: são acessíveis e de simples operação, além de serem também precisos. “O termômetro digital exige contato. Ele é posicionado na axila do paciente e manuseado por quem vai fazer a leitura, então é preciso mantê-lo higienizado após cada uso”, observa o professor. Os termômetros líquidos, que geralmente têm mercúrio na sua estrutura, estão cada vez mais em desuso. “Eles têm a vantagem de não precisar de bateria, mas como têm mercúrio, que é um metal tóxico que pode causar danos à saúde e ao ambiente, isso pode ser perigoso caso ele venha a se quebrar”, ressalta Inácio Costa. Outro aspecto negativo do termômetro de mercúrio é seu manuseio pouco prático, pois para que o filete de mercúrio se posicione no lugar correto antes da medição, é preciso “sacudir” o aparelho, e isso pode provocar quedas ou acidentes.

O mais recomendado para uso doméstico, portanto, é o termômetro digital, que tem manuseio fácil e permite uma leitura precisa e objetiva. O infravermelho, por conta de sua relação custo-benefício, pode ser um investimento desnecessário para quem só faz uso ocasional do aparelho. Já o de mercúrio é o menos recomendado.

Têm circulado nas redes sociais boatos sobre possíveis riscos do uso de termômetros infravermelhos. Porém, como o professor Inácio Costa enfatiza, esse é o modelo de equipamento mais recomendado, no momento pandêmico, para fazer a aferição de temperatura em locais públicos. Várias agências de checagem já desmentiram o conteúdo malicioso divulgado pelas redes de que esses termômetros trariam danos à saúde (como a AFP Checamos, a Lupa e a Aos Fatos). (texto atualizado em 10/09/2020)

E como os termômetros funcionam? Qual a ciência por trás desses aparelhos?

Cada tipo de termômetro tem uma especificidade técnica que permite a aferição da temperatura de um sistema ou objeto, como explica o professor Marcelo Schappo, que atua no Câmpus São José e é doutor em Física. “Eles medem o que chamamos de ‘grandezas termométricas’, ou seja, eles medem algo que varia com a temperatura de uma forma controlada, através de diferentes fenômenos físicos, a depender do tipo de termômetro”, detalha.

No caso dos termômetros líquidos – que em geral usam mercúrio –, o fenômeno que permite seu funcionamento é a dilatação térmica: quando a temperatura de um corpo varia, isso altera a agitação das partículas que o formam, modificando a dimensão desse corpo. Se a temperatura aumenta, as partículas se agitam mais, e, no geral, o corpo se expande; e se a temperatura diminui, ocorre o contrário. Isso explica por que o mercúrio existente dentro do termômetro ganha volume conforme a temperatura que ele está medindo. Já os termômetros digitais eletrônicos funcionam com o princípio da resistência elétrica. “Os metais são bons condutores de corrente elétrica, mas essa facilidade de condução elétrica depende da temperatura do metal: quanto maior a temperatura, mais difícil ocorrer a condução de corrente através dele. Dizemos, assim, que sua resistência elétrica aumenta com a temperatura. Colocando a ponteira metálica em contato com o corpo, o sensor terá sua resistência elétrica modificada, o que pode ser medido pelo termômetro para identificar a temperatura do sujeito”, explica o professor.

Por fim, os termômetros infravermelhos funcionam com o princípio chamado “radiação de corpo negro”. O professor Marcelo Schappo explica que todos os objetos emitem ondas eletromagnéticas de uma forma relacionada à sua temperatura. O corpo humano emite radiação na faixa conhecida por “infravermelho”, que é menos energética que a luz visível. Os termômetros captam as ondas emitidas pelo corpo através de um sensor que, por sua vez, converte isso para um sinal de corrente elétrica. A partir desse sinal elétrico gerado, o termômetro identifica a temperatura.

Schappo também enfatiza que os boatos em torno de possíveis males provocados pelos termômetros infravermelhos são pura bobagem. "A ideia de que o termômetro infravermelho causa danos ao cérebro é absurda por vários motivos. O primeiro é que, para determinar a temperatura, ele recebe radiação emitida pelo nosso corpo, e não o contrário. E o segundo é que o laser que o aparelho emite serve apenas para auxiliar na mira do operador, fazendo com que ele aponte o sensor para o local correto do nosso corpo. Esse laser vermelho não tem energia suficiente para causar danos à pele e muito menos para atravessar todos os tecidos e atingir o cérebro", esclarece. (texto atualizado em 18/09/2020)

Como o termômetro identifica a temperatura que está sendo medida?

Isso ocorre por meio de um processo de calibração feito pelo fabricante, explica o professor Marcelo Schappo. Isso quer dizer que o aparelho é submetido a pelo menos dois sistemas controlados onde a temperatura é conhecida, para que, no processo de medida, o termômetro use esses números como referência. A partir daí, ele pode medir outras temperaturas através de comparação.

Estamos atravessando uma pandemia. Devo aferir minha temperatura diariamente, por precaução?

O professor Inácio Costa diz que essa não é uma prática recomendável. “É preciso tomar cuidado com o excesso de preocupação porque isso pode levar ao stress. O recomendado é medir a temperatura quando você percebe alguma alteração, já que a febre sempre desencadeia, com ela, algum tipo de mal estar, como calafrios”, orienta. Preocupar-se em registrar a temperatura corporal todos os dias pode causar uma ansiedade indesejável.

Tenho um termômetro em casa, mas uso-o pouco. Como fazer para garantir o bom funcionamento desse aparelho, quando eu precisar?

É importante, em primeiro lugar, guardar o termômetro adequadamente, conforme as instruções do fabricante. Isso vale em especial para os eletrônicos e os de infravermelho, que podem oxidar, pegar umidade ou “vazar” as baterias. No caso dos termômetros de mercúrio, devem ficar bem guardados, dentro da embalagem apropriada, em lugar não suscetível a batidas. E longe das crianças!

O professor Marcelo Schappo recomenda também que se sigam as instruções do fabricante ao utilizar o termômetro. “Medidas incorretas levarão a dados incorretos obtidos”, alerta. No caso do eletrônico, é preciso verificar se a ponteira está desobstruída e em contato adequado com a pele da pessoa examinada. Já com o infravermelho é preciso identificar a distância recomendada e manter o aparelho posicionado pelo tempo adequado de captação de sinal. Conheça o guia elaborado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para orientar o uso correto dos termômetros de infravermelho.

Caso você faça uma medição e desconfie do resultado, é melhor procurar outro aparelho para fazer a comparação.

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Você tem um ou mais fatores de risco para a Covid-19?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 15 set 2020 14:10 Data de Atualização: 15 set 2020 15:09

Para algumas pessoas, o vírus Sars-Cov-2 causa apenas sintomas leves e semelhantes aos da gripe. Porém, para outras, pode ocasionar a forma grave da Covid-19. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 40% dos casos parecem ter doença leve; 40%, doença moderada; 15% parecem progredir para doença grave; e 5% ficam em estado crítico. Pessoas idosas e com condições de saúde preexistentes (como pressão alta, doenças cardíacas, doenças pulmonares, câncer ou diabetes) parecem desenvolver doenças graves com mais frequência do que as outras. 

O IFSC Verifica foi pesquisar o que são fatores de risco para o desenvolvimento da forma grave da Covid-19. Veja no post de hoje:

- O que são fatores de risco

- Estatísticas sobre os fatores de risco em relação aos óbitos

- Hábitos que minimizam os fatores de risco

- Cuidados que todos devemos tomar

- Por que é tão difícil controlar os fatores de risco no Brasil

O que são fatores de risco?

Segundo a professora de Enfermagem Juliana Fernandes da Nóbrega, do Câmpus Florianópolis, a expressão “fatores de risco” é mais correta que “grupos de risco”. Ela explica que fatores de risco são uma série de condições e comorbidades, ou seja, doenças prévias que fazem com que a pessoa tenha maior probabilidade de desenvolver a forma grave da doença, de necessitar de hospitalização ou ter mais chances de morrer em comparação a quem não tem nenhum fator. 

Porém, a professora alerta que isso não quer dizer que a pessoa que não tenha fatores de risco não possa desenvolver a forma grave da doença, pois há muitos casos de pessoas jovens e saudáveis com sintomas graves ou mesmo indo a óbito.

Além disso, ter um fator de risco não significa que a pessoa tem mais chances de se contaminar pelo Sars-Cov-2, apenas que, se contaminada, tem maior possibilidade de desenvolver a forma grave de Covid-19, que em termos técnicos também pode ser chamada de Síndrome Aguda Respiratória Grave (SRAG).

Quais os principais fatores de risco?

O Boletim Epidemiológico 30, do Ministério da Saúde, aponta que de 16 de fevereiro a 5 de setembro de 2020, o Brasil registrou 122.772 mortes por SRAG ocasionada pela Covid-19. Destes, 78.037 (63,6%) apresentavam pelo menos uma comorbidade ou fator de risco para a doença.  

Segundo a professora de Enfermagem, os principais fatores de risco são a idade avançada (acima de 65 anos) e doenças crônicas não transmissíveis, como cardiopatias (entre elas a hipertensão arterial sistêmica, a “pressão alta”), diabetes tipo 2 e obesidade/sobrepeso. Quanto mais fatores de risco a pessoa tiver, mais risco ela corre de desenvolver sintomas graves.

São doenças muito relacionadas à idade, pois quanto mais velha for a pessoa, mais chance ela tem de desenvolver doenças crônicas. Porém, este não é o único fator: “por exemplo, no Brasil e nas Américas, há uma grande incidência de crianças obesas, que é um fator de risco”, alerta a professora Juliana, lembrando ainda que muitas crianças com comorbidades também desenvolveram os sintomas graves da Covid-19.

Veja a explicação mais detalhada no vídeo:

 

Quais outros fatores de risco para desenvolver a forma grave da Covid-19?

Além dos já citados, há vários outros fatores de risco e comorbidades que podem agravar quadros de Covid-19. O gráfico abaixo, do Ministério da Saúde, demonstra quais os mais prevalentes entre as pessoas que morreram da doença no Brasil no período de 16 de fevereiro a 7 de setembro de 2020:

Gráfico mostra comorbidades e fatores de risco dos óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19

Para pessoas com 60 anos ou mais, cardiopatias, diabetes, doenças neurológicas e renais foram os principais fatores apresentados. Já entre as pessoas com menos idade, a obesidade está em terceiro lugar em número de óbitos. 

Outros fatores também podem ser destacados, como doenças relacionadas ao pulmão (pneumopatias como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, asma, entre outras), visto que a Covid-19 compromete significativamente as vias respiratórias. É importante lembrar que o hábito de fumar é fator de risco para doenças respiratórias, o que torna o fumante ainda mais vulnerável às complicações da Covid-19. Veja no site Saúde Brasil, do Ministério da Saúde, quais os bons motivos para deixar de fumar durante a pandemia e dicas de como fazê-lo.

Pessoas imunodeprimidas também estão entre as que apresentam fatores de risco, como portadores de HIV, doenças autoimunes (artrite reumatoide, lúpus, entre outras), ou qualquer situação que necessite do uso de imunossupressores, como transplante de órgãos. Porém, segundo a professora, nem todos os medicamentos imunossupressores tornam a pessoa mais vulnerável para desenvolver a forma grave da Covid-19. Nesse caso, o importante é o paciente conversar com seu médico.

O gráfico acima destaca ainda outras doenças, como neurológicas, hepáticas, renais e hematológicas como fatores de risco. Em todos os casos, segundo a professora Juliana, o alerta maior é para os pacientes que não estão realizando o tratamento adequado, pois o desequilíbrio das doenças preexistentes torna esses pacientes mais vulneráveis à forma grave da Covid-19.

Sobre pacientes com câncer, um estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) detectou que esses indivíduos têm mais chances de desenvolver a forma grave da Covid-19. Entre os principais fatores do agravamento estão a idade, o câncer em estado avançado, a metástase, o paciente em cuidado paliativo e a Proteína C Reativa (que é detectada no sangue). Veja mais detalhes sobre o estudo na página do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), que também traz dicas para esses pacientes.

- Veja mais sobre os riscos durante a gravidez e puerpério.

- Saiba mais sobre a relação entre obesidade e Covid-19.

- Veja no estudo do CDC (em inglês) informações mais detalhadas sobre riscos e tratamentos para doenças crônicas específicas.

Manter o fator de risco sob controle

Para quem tem um fator de risco, é importante manter a doença de base estabilizada. De acordo com a professora Juliana, se a pessoa já sabe que tem uma doença de base, o que ela deve fazer nesse momento é manter o tratamento e adotar hábitos de vida saudáveis. “O CDC, que é o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, trouxe um documento sobre a pandemia ressaltando a importância do controle adequado dessas doenças crônicas. Uma pessoa que tenha uma doença crônica que esteja muito controlada, ela zera o fator de risco, fica no mesmo patamar que aquela que não tem”, destaca Juliana. 

Por exemplo, caso um diabético que está com a glicemia controlada e praticando exercício físico contraia a Covid-19, o organismo dele vai responder melhor à doença do que um diabético sem esses cuidados. O mesmo vale para pessoas com imunossupressão, doenças autoimunes, pacientes renais, entre outras.

Como aumentar os fatores de proteção contra a forma mais grave da Covid-19

- Manter o uso de medicamentos prescritos pelo médico e a agenda de consultas de rotina;

- Manter uma alimentação saudável (veja dicas sobre como se alimentar com qualidade durante a pandemia);

- Evitar o sedentarismo (veja dicas para realizar exercícios físicos com segurança durante a pandemia);

- Manter uma rede de contatos, com familiares e amigos, evitando o isolamento e cuidando da saúde mental (veja dicas sobre como cuidar da saúde mental durante o distanciamento social);

- Filtrar o tipo de informação recebida, evitando orientações erradas sobre tomar ou não medicações. Em caso de dúvida, consultar o médico de confiança.

No vídeo, a professora Juliana explica como a saúde em equilíbrio é fator de proteção contra a Covid-19 e outras doenças:

Evitar a contaminação é para todos

Pessoas com ou sem fatores de risco têm a mesma chance de se contaminar com o novo coronavírus. Por isso, as recomendações de prevenção valem para todos.  “Os cuidados, a prevenção, precisam ser para todos nós, mesmo para quem não tem fatores de risco. Até porque ao me cuidar, eu cuido do outro. Então a gente reforça essa fala, que é uma ação comunitária, muito para além do individual”, destaca a professora Juliana.

Para as pessoas com fatores de risco, o importante é minimizar a exposição ao vírus segundo Juliana, adotando medidas como distanciamento social, uso de máscaras, lavagem das mãos, entre outros. Como estamos há seis meses de distanciamento social, é difícil se manter em casa. Assim, quando for necessário sair, tomar todos os cuidados possíveis, como manter distanciamento, usar máscara e preferir locais abertos.

Por que é tão difícil controlar os fatores de risco no Brasil

As doenças crônicas não transmissíveis (cardiopatias, diabetes e obesidade) são as responsáveis pelas principais causas de morte no mundo e no Brasil. “Podemos citar o infarto agudo do miocárdio e as doenças cérebro-vasculares, o acidente vascular cerebral, o famoso derrame, que são resultado dessas doenças crônicas, quando não bem acompanhadas e tratadas”, aponta a professora Juliana. 

Segundo ela, o quadro dessas doenças é mais preocupante no Brasil devido a uma particularidade: muitas pessoas descobrem que têm doenças crônicas apenas quando têm um problema grave, como um infarto ou derrame. Além disso, a pandemia do novo coronavírus agravou esse cenário: muitas pessoas descobrem que têm uma doença crônica apenas quando estão sendo internadas nas UTIs com Covid-19. “Quando a gente pensa nas mazelas socioeconômicas, que o serviço de saúde não chega a todos, ou chega de forma insuficiente, sabemos que essas pessoas estão muito mais vulneráveis a desenvolver a forma grave da doença”, alerta Juliana. 

Para a professora, “a pandemia escancara o retrato de saúde do Brasil. É também característica de países que não investem com força em ações de promoção da saúde, eles têm alta prevalência e incidência de doenças crônicas não transmissíveis, e por consequência uma alta incidência de crianças, jovens, adultos e idosos que estão desamparados e mais expostos aos agravos desta pandemia”. Dessa forma, “mudar o foco” da atenção da saúde para a prevenção é a melhor maneira de evitar complicações pela Covid-19 e outras doenças.

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Preciso ir ao dentista. É seguro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 08 set 2020 15:55 Data de Atualização: 08 set 2020 16:11

Gostar, ninguém gosta. Mas as visitas regulares ao dentista são um cuidado que deve integrar a rotina de todas as pessoas desde a infância, com foco na saúde bucal e também no bem-estar integral.

Porém, com a pandemia do novo coronavírus – um patógeno transmitido pela saliva – vários cuidados devem ser tomados quando é hora de consultar um profissional da área. Além do reforço nas medidas de biossegurança dos consultórios, normas dos órgãos de saúde preveem também critérios para definir que tipos de atendimentos devem ser priorizados e quais podem esperar.

Neste post, você vai entender:

-Por que os atendimentos odontológicos são motivo de atenção dos órgãos de saúde durante a pandemia;
-Que atendimentos devem ser priorizados e quais podem ser deixados para depois;
-A diferença entre urgência e emergência odontológica;
-Como proceder caso você precise de atendimento odontológico.

Quais os riscos do atendimento odontológico com a pandemia?

De acordo com a dentista do Câmpus São José do IFSC, Patrícia Rocha Kawase, a especificidade do atendimento odontológico deixa suscetíveis tanto o paciente quanto o profissional, em função, principalmente, da proximidade física obrigatória entre ambos.

Além disso, o atendimento também envolve o contato com fluidos corporais, em especial a saliva. Na realização dos procedimentos, o uso de equipamentos que geram aerossol – “sprays” com gotículas de saliva e fluidos, em geral imperceptíveis, mas potenciais transmissores do coronavírus – é outro fator de atenção. No vídeo, a profissional explica essas peculiaridades.
 

 

Então o que muda no atendimento odontológico com a Covid-19?

Patrícia Kawase explica que a principal recomendação no momento atual é adiar todos os atendimentos que podem esperar (os chamados procedimentos eletivos), dando prioridade apenas a casos de urgência ou emergência. Segundo ela, embora a nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detalhe o que pode ser enquadrado como urgência e como emergência, a decisão por fazer o atendimento ou não deve ser baseada em casa caso. “O critério e a decisão final são sempre resolvidos na relação entre o paciente e o profissional de saúde”, ressalta.

Além da nota da Anvisa, que serve de base a recomendações específicas feitas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), as orientações para os atendimentos odontológicos no contexto da pandemia também são assunto de uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento recomenda que visitas de rotina ao dentista que visem apenas check-ups, limpeza e cuidados preventivos devem ser adiadas por enquanto, assim como as consultas para procedimentos estéticos. 

O que pode ser considerado urgência ou emergência odontológica?

Pode-se resumir da seguinte forma: as urgências são os atendimentos que devem ser priorizados, mas não representam risco maior para o paciente; já as emergências podem envolver risco à vida. Os casos urgentes são os que envolvem dor, como a fratura de um dente, por exemplo. Os de emergência abrangem sangramentos não controlados, infecções, celulite facial (doença bacteriana) e traumatismos. A Secretaria da Saúde de Santa Catarina emitiu, em abril deste ano, nota técnica que detalha os quadros que podem ser considerados urgência ou emergência odontológica. A dentista Patrícia Rocha Kawase explica no vídeo esses critérios.
 

 

Estou com dor e inchaço na gengiva. Devo ir ao dentista ou esperar?

Tanto a OMS quanto os órgãos de saúde locais recomendam que, neste momento de pandemia, seja adotado um sistema de atendimento remoto para a avaliação prévia dos pacientes a distância. Essa primeira triagem visa garantir que somente os pacientes que se enquadrem em casos de urgência ou de emergência desloquem-se até o espaço de atendimento, seja ele clínica particular ou posto de saúde.

Em Florianópolis, por exemplo, o paciente odontológico pode fazer esse contato prévio por meio do Whatsapp do seu centro de saúde de referência (veja a lista). Na conversa com o profissional de atendimento, ele dá o máximo possível de detalhes sobre o caso e, a depender da gravidade, pode ser apenas orientado sobre cuidados básicos, receber prescrição de medicação ou ser encaminhado para consulta de urgência ou emergência. Nesse atendimento remoto, o paciente também é questionado sobre possíveis sintomas de Covid-19 e, caso necessário, é feito o devido encaminhamento.

Neste momento, portanto, o recomendável é buscar uma avaliação prévia do seu caso antes de ir ao consultório. Informe-se em sua cidade sobre o funcionamento dos serviços odontológicos na rede pública ou, caso prefira atendimento particular, converse com seu dentista.

-> Conheça o protocolo de atendimento remoto dos postos de saúde de Florianópolis.

E no consultório, o que mudou?

Profissionais de odontologia e equipes de suporte que atuam nos ambientes de atendimento devem obedecer a uma série de regras em função da pandemia. A recomendação de que se evitem procedimentos eletivos resulta na diminuição da circulação de pessoas nos ambientes, o que reduz os riscos de transmissão.

Porém, para urgências e emergências o comparecimento presencial é compulsório, assim como a interação do paciente com os profissionais em atendimento. Por isso, novos protocolos de biossegurança foram implementados.

Esses cuidados abrangem basicamente o reforço na higienização dos ambientes e equipamentos, o maior rigor no potencial de proteção da indumentária dos profissionais – tanto dentistas quanto equipe auxiliar – e a diminuição no número de atendimentos, possibilitando maior intervalo de tempo entre um paciente e outro e evitando a presença de muitas pessoas na sala de espera.

Os pacientes, por sua vez, são solicitados a higienizar as mãos na entrada da clínica ou consultório, utilizar proteção nos cabelos (touca), pés (sapatilhas) e rosto (máscara facial) – esta última, claro, enquanto não estiver em atendimento.

Meu dentista parece um astronauta :D

Antes da pandemia, a indumentária dos dentistas já previa uso obrigatório de jaleco, luvas, óculos e máscaras faciais, no intuito de reduzir o potencial de contágio por quaisquer micro-organismos. Com a Covid-19 e seu risco de transmissão por meio da saliva, esses profissionais passaram a adotar, também, avental impermeável por cima do jaleco e protetor facial tipo “face shield”. A especificação das máscaras faciais também ficou mais rigorosa.

“A contaminação por partículas aéreas é uma situação que já é esperada na área de saúde, e especificamente na odontologia. Para esse vírus, o que mudou foi a especificação da máscara, que agora deve ter uma capacidade maior de proteção. O protetor facial, que não fazia parte da nossa indumentária, agora também é necessário, assim como o uso de avental impermeável”, descreve a dentista Patrícia Kawase. Outra recomendação que ela destaca é a troca do sugador convencional por uma bomba de vácuo, que ajuda a diminuir a formação de aerossóis e reduz, também, a necessidade de o paciente cuspir durante o procedimento.

Os protocolos de segurança envolvem também a manutenção de janelas abertas e o não uso de ar-condicionado, para favorecer a troca constante de ar do ambiente.

-> Consulte o documento da OMS sobre atendimentos odontológicos durante a pandemia de Covid-19 (em inglês)

-> Leia as normativas da Anvisa, do CFO e da Secretaria de Estado da Saúde sobre atendimentos odontológicos na pandemia

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Animais de estimação podem contrair o novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 01 set 2020 10:42 Data de Atualização: 01 set 2020 18:18

As incertezas com a pandemia do novo coronavírus atingem também os animais de estimação. Há vários relatos pelo mundo de pets que testaram positivo para o SARS-CoV-2. No entanto, não há nenhuma evidência científica de que eles possam transmitir a doença para humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

As médicas veterinárias do IFSC Carolina de Castro Santos e Aline Mello explicam neste post:

- O que as pesquisas científicas revelam sobre a Covid-19 em animais de estimação. Eles adoecem da mesma forma que humanos?

- Se há alguma evidência de que um animal doente possa transmitir o vírus para humanos.

- Os cuidados que devem ser tomados com os pets durante os passeios ou em casa, caso alguma pessoa esteja infectada pelo novo coronavírus.

- E alertam sobre o risco de pessoas utilizarem medicamentos veterinários.

A médica veterinária Carolina de Castro Santos, professora de Produção Animal do Câmpus Canoinhas do IFSC, afirma que assim que a epidemia começou, acreditava-se que os animais de companhia não corriam risco de contrair Covid-19 dos seus tutores. No entanto, logo nas primeiras semanas surgiram relatos de transmissão de zoonose reversa para animais. "A zoonose é uma doença transmitida do animal para o homem. A zoonose reversa é o processo contrário, transmitida do homem para o animal".

As notificações de animais com a Covid-19 e as pesquisas feitas em laboratórios estão sendo reunidas pela Organização Internacional para a Saúde Animal (OIE) e podem ser acompanhadas na página "Eventos em animais". O objetivo é reunir relatos para tentar entender quais animais são mais suscetíveis ao vírus, como adoecem, quais são mais resistentes e como ocorre a transmissão entre humanos e animais.

O que se sabe até agora é que há resultados positivos para o novo coronavírus em cães, gatos, animais de zoológico e de criação, segundo o levantamento da OIE. Todos os casos estão sendo monitorados. Entre cães domésticos há relatos na China e nos Estados Unidos. Já entre gatos, foram confirmados casos de contaminação em vários países, como China, Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Em um zoológico de Nova York também houve diagnóstico em leões e tigres.

Além disso, segundo Carolina, estudos experimentais recentes demonstraram que gatos e furões podem ser infectados pelo vírus SARS-CoV-2 e transmitir a infecção para outros gatos ou furões. "A pesquisa indica que os animais infectados podem ser assintomáticos ou apresentar febre, sinais respiratórios leves ou sinais gastrointestinais. Mas essa informação deve ser analisada com cautela, visto que o estudo publicado não passou por revisão científica por pares e não apresentou dados de saúde e nem o status imunológico dos gatos para as principais viroses felinas, que poderiam interferir nos resultados do experimento. Não há, portanto, nenhuma comprovação científica que algum animal tenha ficado doente pelo SARS-CoV-2", completa.

Já os cães, suínos, galinhas e patos parecem ser menos suscetíveis à Covid-19, de acordo com os estudos reunidos pela OIE.

Como os pets são infectados?

Os casos de pets com Covid-19 têm em comum o fato de os animais viverem em famílias com casos de humanos suspeitos ou confirmados da doença, segundo os relatos reunidos pela OIE.

A médica veterinária do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC, Aline Mello, lembra que a convivência das pessoas com seus pets muitas vezes é bem próxima. "Eu também tenho gato em casa e sei como é, quando a gente adoece eles querem ficar junto, vêm pra cima da cama. A chance maior é da gente transmitir pra eles. Não há nenhum relato no mundo do animal ter servido de fômite."

O fômite a que ela se refere é qualquer objeto ou substância capaz de absorver e transportar o vírus. Poderia se pensar, por exemplo, que as patas dos cães ou gatos pudessem levar o vírus da rua para casa e contaminar as pessoas. "No entanto não há nenhuma evidência científica de que isso tenha ocorrido", afirma. 

Mas como ainda há muitas incertezas em relação à Covid-19, organizações internacionais como o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (PANAFTOSA-OPAS/OMS) e a Organização Internacional de Proteção Animal Mundial (World Animal Protection) sugerem alguns cuidados com os pets, principalmente na hora de passear na rua. 

Entre esses cuidados, Carolina reforça que o uso de álcool em gel é contraindicado para animais: "Ao retornar do passeio, o tutor deve lavar as patas dos cães com shampoo específico."

Já em relação aos gatos, a orientação é mantê-los dentro das residências, independentemente da pandemia. "Gatos que frequentam a rua têm sua expectativa de vida muito reduzida, por atropelamento, envenenamento e doenças infecciosas adquiridas com o contato com outros gatos de rua", afirma Carolina.

E quem tiver Covid-19, como pode proteger seu animal?

Como os relatos indicam que os animais podem ser afetados pelo novo coronavírus, a OIE recomenda que pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pelo SARS-CoV-2 limitem o contato com seus animais.  Práticas de higiene, como lavar as mãos, são fundamentais e não devem ser esquecidas antes e depois das interações com animais. 

"O ideal é que os cuidados com o pet sejam realizados por pessoas que não estejam com suspeitas da doença. Se a pessoa morar sozinha com o animal, ela deve sempre usar máscara quando estiver lidando com o pet e o compartilhamento de alimentos não deve ser realizado. O tutor também não pode permitir que o animal lhe dê lambidas", orienta Carolina.

A vacina contra coronavírus para cães imuniza para Covid-19? 

Antes de mais nada, vale lembrar que o coronavírus ficou mundialmente falado com a pandemia de Covid-19, mas na verdade é um antigo conhecido.

Os coronavírus fazem parte de uma grande família de vírus, a Coronaviridae, que pode acometer tanto animais quanto seres humanos. A veterinária Carolina explica que existem quatro gêneros pertencentes à família Coronaviridae, os Alphacoronavirus, Betacoronavirus, Gammacoronavirus e os Deltacoronavirus. "Cães e gatos podem ser acometidos pelos coronavírus do gênero Alphacoronavirus. As vacinas múltiplas (V8 ou V10), utilizadas em cães para prevenir diversos tipos de doenças, realmente inclui cepas de coronavírus, que são espécies específicas. No caso dos cães, ela protege contra o coronavírus entérico canino (CCoV), que causa gastroenterite, infectando as células intestinais. Já o coronavírus felino (FCoV) causa nos gatos a peritonite infecciosa felina, para qual não há vacina no Brasil.

A veterinária Aline completa ao afirmar que a vacina para cães, por exemplo, imuniza o animal apenas para o coronavírus canino e não o protege da Covid-19. Ela também faz um alerta para as pessoas que pensam em tomar a vacina para coronavírus canino. Veja no vídeo:

 

Medicamentos veterinários não podem ser usados por humanos

Além da vacina para cães, na ansiedade para se proteger do novo coronavírus tem muita gente que também está apelando a receitas caseiras e uso de medicamentos sem comprovação científica para a Covid-19. É o caso da Ivermectina, um remédio bastante usado para piolho e sarna. 

A procura por este e outros produtos em clínicas veterinárias levou o Conselho Federal de Medicina Veterinária a fazer um alerta sobre os perigos de se utilizar medicamentos veterinários em humanos, "uma vez que não foram desenvolvidos e testados em pessoas, ou seja, não existem dados que atestem a segurança e a eficácia do uso dessas formulações em humanos”:

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É arriscado engravidar na pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 25 ago 2020 15:55 Data de Atualização: 25 ago 2020 16:31

Todos nós tivemos planos afetados por causa da pandemia de Covid-19. Mas, para algumas mulheres, o impacto bateu em cheio com o projeto da maternidade. Quem já estava grávida antes de tudo isso começar, ou engravidou durante esse período, se viu em situação delicada quando o Ministério da Saúde anunciou em abril que grávidas e puérperas (até duas semanas após o parto) fazem parte do grupo de risco, ou seja, têm maior risco de sofrer complicações da Covid-19. 

Neste post, vamos abordar as seguintes questões:

- Quais os riscos de engravidar na pandemia?
- Por que o Brasil teve mais mortes de gestantes com Covid-19?
- É preciso ter algum cuidado especial por estar grávida?
- Há algum tipo de parto mais indicado para quem está com a doença?
- As mulheres com coronavírus podem amamentar?
- Como lidar com o puerpério em plena pandemia?

A gravidez durante a pandemia traz riscos específicos?

Sim. A consideração é da enfermeira obstétrica e professora do Câmpus Florianópolis do IFSC Juliana Monguilhott, atual presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras em Santa Catarina (Abenfo-SC). O risco não é pelo fato de a mulher grávida ter mais chance de se contaminar pelo coronavírus, mas sim porque a gestação acarreta alterações fisiológicas que podem dificultar a resposta do corpo da gestante ao vírus. “A própria gestação já traz algumas consequências fisiológicas para o corpo da mulher e a gente sabe que muitas delas estão relacionadas ao sistema cardiovascular e respiratório, que são justamente dois dos sistemas mais atingidos pelo coronavírus”, explica Juliana. 

 

Existe alguma orientação para evitar gravidez neste momento?

Não, não há nenhuma normativa contraindicando a gestação neste momento. No entanto, em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota técnica recomendando a suspensão temporária de procedimentos de reprodução humana assistida. 

"É uma situação bem complexa, porque o planejamento familiar para cada mulher e para cada família engloba diversos fatores”, afirma Juliana. Segundo a professora, é preciso considerar, por exemplo, a situação de uma mulher com mais de 35 anos, que já tem uma reserva ovariana menor e que tem pressa em engravidar; e a de outra mais jovem que pode se planejar e decidir não engravidar no meio dessa pandemia. “Para essa mulher que pode se planejar, eu diria que sim, é arriscado engravidar. Então se ela pode esperar, é melhor”, diz.

-> OMS esclarece dúvidas sobre planejamento familiar e métodos contraceptivos na pandemia

Estou grávida. E agora?

É importante que as mulheres grávidas tenham rigor nos cuidados para evitar o contágio com o vírus - que são os mesmos para todos, como o uso de máscara, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social. Além disso, devem fazer o acompanhamento pré-natal com bastante atenção.


Tão logo apresente qualquer sintoma, a gestante deve procurar atendimento médico para evitar agravamento do quadro, orienta a professora do IFSC. Também não se deve tomar nenhuma medicação por conta própria: caberá ao médico indicar o tratamento de acordo com cada situação. “A gente vê sendo divulgado o uso de ivermectina, de cloroquina, de várias medicações que não têm evidência científica e que, no caso da gestante, pode ter efeito colateral para ela e para o bebê”, alerta.

-> Cloroquina e hidroxicloroquina: esses medicamentos têm eficácia contra a Covid-19?

“O que tem que se pensar é no isolamento social, na ingestão de líquido, numa alimentação saudável com frutas e minerais para aumentar a imunidade e reduzir as chances da gestante ser infectada com o vírus”, orienta a professora. 

-> Leia o post: É possível prevenir o coronavírus por meio da alimentação?

O que tem que se pensar é no isolamento social, na ingestão de líquido, numa alimentação saudável com frutas e minerais para aumentar a imunidade e reduzir as chances da gestante ser infectada com o vírus

Existe um momento mais crítico durante a gestação?

A professora do IFSC informa que, no final da gestação, contrair o vírus pode levar a um parto prematuro. “Muitas vezes, essa mulher que contraiu o vírus apresenta uma dificuldade respiratória e acaba sendo indicada a indução do trabalho de parto ou a própria cesariana”, diz. 

Segundo Juliana, ainda não há evidências científicas das consequências quando o coronavírus é identificado no primeiro e no segundo trimestre da gestação. “O que a gente tem é que, no fim da gestação e, principalmente, no puerpério, algumas mulheres que estão tendo esse diagnóstico estão ficando mais graves e muitas delas estão indo a óbito por falta de assistência adequada no tempo oportuno”, afirma.  

É mais perigoso ser gestante no Brasil neste momento?

Em julho, um estudo publicado no periódico médico International Journal of Gynecology and Obstetrics chamou a atenção para o risco de ser gestante no Brasil neste momento. A pesquisa apontou que 124 mulheres gestantes ou que estavam no período do puerpério haviam morrido de Covid-19 no Brasil até a conclusão do estudo. Esse número representou 77% das mortes registradas no mundo no período, ou seja, morreram mais mulheres grávidas ou no pós-parto no Brasil do que em todos os outros países somados. O estudo foi feito por um grupo de enfermeiras e obstetras brasileiras ligadas à Unesp, UFSCAR, Fiocruz, IMIP e UFSC.


Um estudo do Grupo Brasileiro para Estudos de Covid-19 e Gestação, publicado no periódico BJOG, uma publicação internacional de Obstetrícia e Ginecologia, em 16 de agosto, apontou que, até agora, os principais fatores de risco para morte materna por Covid-19 foram: ser puérpera no momento da notificação da Covid, obesidade, diabetes e doença cardiovascular. Ser branca mostrou-se fator de proteção.

Segundo Juliana, não existem dados confiáveis do número de gestantes contaminadas por Covid-19 no Brasil e nem de óbitos desse grupo. Nos boletins que o Ministério da Saúde divulga, essa informação não está disponível. 

Para a professora, qualquer número que se apresente hoje em relação a gestantes e Covid-19 deve estar subestimado. Um estudo publicado pela Escola Nacional de Saúde Pública em junho deste ano apontou que o número de gestantes assintomáticas pode variar de 66% até 100%.

-> Entenda a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos

“Além do número de assintomáticas, deve ter um número bem maior de gestantes contaminadas porque nem todas são testadas e, no número que os municípios enviam para o Ministério da Saúde, não tem como informar a fase da gestação e nem se a mulher é puérpera ou está amamentando”, conta. “E a gente sabe que em muitas mortes maternas pelo coronavírus, as mulheres foram diagnosticadas no puerpério”, completa.

No início de agosto, em reunião com deputados da comissão externa que acompanha ações de combate ao coronavírus da Câmara de Deputados, o Ministério da Saúde informou que gestantes serão submetidas a protocolos específicos de atendimento e que todas serão testadas para Covid-19 no final da gestação. O secretário de atenção primária do Ministério da Saúde, Raphael Parente, reconheceu que a mortalidade materna no Brasil ainda é alta e informou que até o dia 1º de agosto tinham sido registrados 199 óbitos de mulheres grávidas no Brasil, 135 por Covid-19. Segundo dados apresentados pela pasta no evento, as gestantes têm risco 1,5 maior de internação em UTI com necessidade de ventilação mecânica em relação ao restante da população.

Diante desse contexto de pandemia, a professora do IFSC destaca a necessidade de se pensar em um modelo de atendimento que exponha menos as gestantes, como é a proposta dos centros de parto normal (CPN). Em Santa Catarina, ainda não há estrutura desse tipo que possa acolher as gestantes de risco obstétrico habitual, evitando colocá-las em risco em uma maternidade de grande porte com vários casos de Covid-19, por exemplo. “A gente precisa sim de uma atenção que priorize a fisiologia do parto e nascimento, como são os centros de parto normal, permitindo que as maternidades e hospitais de grande porte fiquem para as mulheres que realmente precisam, para quem tem gestação de alto risco ou tem alguma interferência”, defende Juliana, que está envolvida no projeto que busca implantar um CPN em Florianópolis - do qual o IFSC é parceiro.

Algum tipo de parto é mais indicado para quem tem Covid-19?

O fato de uma gestante ter Covid-19 não representa uma indicação para determinado tipo de parto. “A gente já sabe dos inúmeros benefícios do parto normal para a mãe e para o bebê, então se ela tem um quadro bom, a ausculta cardíaca fetal se mantém boa durante o trabalho de parto, a gestante pode seguir para um parto normal”, explica a professora. Caberá ao obstetra avaliar cada caso, como já ocorre normalmente.

Já o parto na água está contraindicado para parturientes com Covid-19 - sejam casos suspeitos ou já confirmados - pelo risco de contaminação pela água, conforme nota técnica do Ministério da Saúde.

-> Leia o post sobre a transmissão do coronavírus pela água 

O diagnóstico de Covid-19 também confere à gestação um grau de alto risco, o que inviabiliza, por exemplo, a realização de um parto domiciliar - que hoje é uma opção só feita por equipes particulares em gestações que não sejam de risco. Esse tipo de parto não faz parte da rede de atenção à saúde e não é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, a gestante com Covid-19 deve ser encaminhada a um hospital ou maternidade para ter o bebê.

Por causa da pandemia, as maternidades mudaram seus protocolos de atendimento limitando o número de acompanhantes com a gestante e proibindo as visitas. O indicado é que cada gestante entre em contato com a instituição onde pretende fazer seu parto para conferir as novas regras de cada lugar.

-> Veja nota do Ministério da Saúde com recomendações para o trabalho de parto, parto e puerpério durante a pandemia

A mãe com Covid-19 passa o vírus para o bebê?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda não se sabe se mulheres grávidas com Covid-19 podem passar o vírus para o bebê durante a gravidez ou no trabalho de parto. Mas a professora do IFSC cita um estudo publicado no periódico Women’s Health em julho em que foram relatados, em uma mesma instituição do Brasil, cinco óbitos fetais de mulheres com coronavírus e em que o vírus foi identificado no líquido amniótico de um bebê e na placenta de dois bebês. “Isso traz muita sugestão de que a transmissão vertical é uma possibilidade, de que o vírus pode ser transmitido através da placenta pro bebê”, afirma Juliana. 

Até então, quando um bebê era diagnosticado com Covid-19, a transmissão era associada ao parto ou até ao pós-parto, num momento de amamentação, por exemplo, por uma mãe com a doença. “Mas essa série de casos mostrou pra gente que não, que nos óbitos fetais intra útero já tinha presença do vírus”, explica a professora.

Juliana esclarece que o compilado dos estudos está demonstrando que existe essa possibilidade, mas parece ser rara. “Pelo acúmulo de conhecimento até o momento sobre Covid nas gestantes, parece ser um evento raro, mas seria possível sim”, explica. 

Segundo ela, muitos profissionais têm observado um aumento de óbitos fetais no Brasil após o início da pandemia. “Entretanto, sem um estudo adequado incluindo testagem de todas as gestantes, é difícil avaliar se essa observação é real ou se existe uma relação de causa e efeito entre Covid-19 e óbito fetal”, pondera.

Como tudo ainda é muito novo, ainda não existem estudos que tratem de sequelas para bebês que sejam diagnosticados com coronavírus.

Como fica a amamentação?

A professora do IFSC destaca que não há evidência científica que mostre contaminação por meio do leite materno. “Por enquanto, considerando os benefícios da amamentação, o indicado é que as mulheres - mesmo aquelas positivas para Covid - possam amamentar os bebês”, reforça.

-> Leia a Nota técnica do Ministério da Saúde sobre amamentação

Inclusive, o contato pele a pele é incentivado também para mães testadas positivas para Covid-19, mas não de forma imediata. “Então o bebê nasce, o clampeamento ainda é oportuno do cordão e, enquanto se aguarda para clampear o cordão umbilical, é trocada a camisola da mãe, a mulher é seca, troca-se sua a máscara e aí o bebê vai para o contato pele a pele com ela para amamentação”, explica Juliana. A OMS recomenda o clampeamento tardio do cordão umbilical quando possível, que é quando se interrompe o fluxo sanguíneo entre a mãe e o bebê.

De acordo com a professora, no caso de bebês que desenvolveram a doença depois do parto, o que se acredita é que a transmissão tenha ocorrido durante a amamentação por gotícula ou aerossol, mas não pelo leite materno. “No caso de a mulher estar com Covid, o ideal é que ela use máscara durante a amamentação”, recomenda.   

-> Sociedade Brasileira de Pediatria defende a manutenção da amamentação em mães portadoras da Covid-19

Puerpério em plena pandemia

Se não bastasse toda a preocupação com a gestação durante a pandemia, após ter o bebê, a mulher pode se ver solitária no chamado puerpério, que é o período que se estende de 45 a 60 dias após o nascimento da criança. A enfermeira obstétrica Juliana alerta para a importância de haver uma rede de apoio para a puérpera, ainda que adaptada ao atual contexto de distanciamento social:

-> Assista à live Puerpério em Tempos de Pandemia feita por professoras do curso de Enfermagem do IFSC

Veja também:

-> Orientações do Ministério da Saúde sobre gestantes e lactantes

-> Nota técnica do Ministério da Saúde sobre a atenção à saúde do recém-nascido no contexto da infecção pelo novo coronavírus

-> Organização Mundial de Saúde responde dúvidas sobre amamentação e Covid-19 (em inglês)

-> Fluxo de manejo clínico de gestantes na Atenção Especializada conforme o Ministério da Saúde


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A carne pode ser contaminada pelo novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 18 ago 2020 14:23 Data de Atualização: 20 ago 2020 13:16

A notícia vinda da China no último dia 13 de que foram encontrados traços do novo coronavírus em embalagens de frango importado do Brasil, mais especificamente de Santa Catarina, levou rapidamente a Organização Mundial da Saúde, o governo brasileiro e o setor produtivo a garantirem que não há motivos para se ter medo de comida.

Desde o início da pandemia, esse foi um consenso entre as mais diversas áreas que atuam para evitar a proliferação do vírus: não há evidências de que os alimentos têm participação na transmissão da Covid-19 pelo mundo.

Mas essa não é a primeira vez que os frigoríficos são destaque quando o assunto é coronavírus. Eles já foram até apontados pelo Ministério Público do Trabalho como um dos responsáveis pela interiorização da doença no Brasil, pela quantidade de trabalhadores que foram infectados. Mas como ocorreu a proliferação da Covid-19 nessas indústrias? Existe alguma relação entre a contaminação dos funcionários e a produção de carne?

Por conta dessas e de muitas outras perguntas sobre os frigoríficos, o IFSC Verifica convidou professores dos câmpus Canoinhas e São Miguel do Oeste para uma conversa. Nesses dois câmpus existem cursos de Alimentos e Agroindústria. A médica veterinária Carolina de Castro Santos, a zootecnista Sandra Aparecida Tavares, o químico industrial de alimentos Luciano Heusser Malfatti e a farmacêutica bioquímica Roberta Garcia Barbosa respondem:

• A carne é um alimento seguro de ser consumido?

• Como ocorre a produção na indústria de carne e derivados?

• Quais são as normas sanitárias a que esse setor está submetido?

• Por que tantos trabalhadores de frigoríficos foram contaminados pelo novo coronavírus?

• O que determinam as portarias governamentais para evitar a proliferação da Covid-19 nesses ambientes?

Informações da China precisam ser mais precisas

A primeira avaliação dos professores é unânime: a China precisa esclarecer onde os traços do novo coronavírus foram encontrados. A informação é que estavam em uma embalagem com asas de frango congeladas. Para eles, essa informação não é precisa nem suficiente. Roberta Barbosa, doutora em Ciência dos Alimentos e professora do Câmpus São Miguel do Oeste, explica que os pedaços de frango são colocados em uma embalagem primária, como de polietileno (plástico). Isso ocorre num ambiente totalmente controlado. Depois essas embalagens vão para outro setor de de produção, onde são acondicionadas em embalagens secundárias, como caixas de papelão, que vão para caminhões e contêineres. "Será que a contaminação foi nessa embalagem secundária?", questiona.

Ela aponta que muitas pessoas acabam manipulando essas caixas tanto no carregamento no Brasil como no país importador. "Além disso, no caso de países como a China, uma carga dessas demora de 45 até 60 dias para chegar ao destino. Não há qualquer evidência científica de que o vírus permaneça tanto tempo vivo."

O professor Luciano Malfatti alerta ainda que a China anunciou ter encontrado traços de material genético do SARS-CoV-2: "Isso é completamente diferente do vírus ativo. É como se o vírus tivesse se desmanchado, deixando apenas traços do RNA. A cápsula lipoproteica (que o protege) não existe mais."

Carolina completa ao explicar que o vírus é um parasita intracelular obrigatório: "Ele não sobrevive e não consegue se multiplicar, ser ativo, fora de uma célula."

Declaração em destaque de Carolina de Castro Santos, médica veterinária e professora do Câmpus Canoinhas: "Encontrar traços do material genético não significa encontrar vírus com poder infectante. A gente precisa esperar esse posicionamento oficial. E a China não pode se abster da responsabilidade dessa contaminação ter ocorrido lá."

O lote identificado pela China é apontado como sendo da empresa Aurora, que em nota oficial também diz aguardar mais detalhes sobre a possível contaminação.

O processo de produção de carne é seguro?

Antes mesmo da pandemia de Covid-19, as indústrias de carne precisavam seguir uma série de normas para controle sanitário e que segundo os professores passam total segurança. "Por conhecer a realidade das plantas (frigoríficos), não me preocupo com a segurança dos alimentos. Os processos são rigorosamente controlados para minimizar risco de infecção", afirma Carolina. Luciano concorda: "A indústria vem se adaptando ano após ano. Os controles são muito rigorosos."

Entre os itens que garantem a segurança alimentar, a professora Roberta Barbosa destaca os equipamentos de proteção individual (EPIs): "Mesmo antes da pandemia, práticas rigorosas de controle de higiene e de qualidade eram empregadas nos frigoríficos. Podemos citar o uso de botas, macacão (ou calça e blusa), capacete, máscara, luvas e touca de proteção, que além da segurança do manipulador, impedem a presença de contaminantes físicos, químicos ou biológicos na carnes e seus produtos."

Os EPIs são fornecidos e higienizados pelas próprias indústrias. Nenhuma roupa ou material é levado pelo trabalhador para ser higienizado em casa. "Entrou na planta já se coloca o EPI e dependendo do setor em que a pessoa trabalha, ela realiza duas, três trocas de roupas", explica Carolina.

Outra questão abordada pelo professores é em relação à circulação do ar. Os ambientes são refrigerados e, por isso, não pode haver entrada de ar externo. "A maioria dos ambientes é refrigerado, a temperatura de 10 graus, onde o fluxo de ar é direcionado de dentro da indústria para fora", explica Roberta.

Ambientes e utensílios também são rigorosamente limpos com frequência, afirma o professor Luciano Malfatti. Químico industrial de alimentos e com atuação na higienização de ambientes durante a pandemia, ele explica no áudio a seguir como é feita a sanitização dos frigoríficos: a frequência e os produtos utilizados para limpeza:

 

 

As carnes passam por algum processo de higienização?

Ouça e tire essa dúvida!

 

Carolina destaca ainda que o sistema de inspeção para empresas exportadoras exige muito controle na indústrias: "É inclusive referência para outros países. Então acredito que a contaminação dos trabalhadores ocorreu principalmente em locais de aglomeração e convívio."

Por que tantos trabalhadores foram contaminados?

No início da pandemia os frigoríficos já eram apontados como locais propícios para disseminação do novo coronavírus, como consta em nota técnica do MPT: "em razão da elevada concentração de trabalhadores em ambientes fechados, com baixa taxa de renovação de ar, baixas temperaturas, umidade e com diversos postos de trabalho que não observam o distanciamento mínimo apto a viabilizar segurança durante a prestação de serviços, além da presença de diversos pontos que propiciam aglomerações de trabalhadores, tais como: transporte coletivo, refeitórios, salas de descansos, salas de pausas, vestiários, barreiras sanitárias, dentre outros."

Esses pontos também foram motivos de preocupação para os professores dos câmpus que formam profissionais para atuarem no setor. Segundo Roberta, na maioria das vezes os funcionários ficam o dia todo na indústria, se alimentam, fazem as pausas e convívio em ambiente fechados e aglomerados. "São locais em que os funcionários ficam muito próximos uns dos outros. São pontos em que o Ministério da Agricultura e Pecuária teve que atuar e legislar alterações de práticas para evitar o contágio.”

Ela também acredita que o transporte das indústrias tenha contribuído para a proliferação do vírus: "Muitos desses frigoríficos ficam em cidades pequenas, que não possuem mão de obra suficiente para atender a oferta de trabalho. As indústrias precisam trazer trabalhadores de outras cidades. Desta maneira, o transporte também se torna um vilão quando não se tomam as medidas necessárias de distanciamento, uso de máscaras, abertura das janelas e demais precauções para evitar a disseminação do vírus."

Apesar do grande número de trabalhadores contaminados, os professores não perceberam redução na produção em Santa Catarina. No áudio a seguir eles falam sobre o aumento dos turnos de trabalho:

 

 

Governos determinam mais cuidados para funcionamento de frigoríficos

Os casos de Covid-19 entre trabalhadores de frigoríficos levaram o Ministério Público do Trabalho a fechar temporariamente algumas unidades e a propor mais rigor no uso de EPIs.

Em Santa Catarina, o governo publicou portaria estadual em 12 de maio para "estabelecer medidas de prevenção para o funcionamento dos estabelecimentos de abatedouros frigoríficos de carnes em Santa Catarina". Os Ministérios da Economia, da Saúde e da Pecuária, Agricultura e Abastecimento emitiram portaria com medidas para todo o território nacional apenas em junho.

Entre as medidas estão capacitações para os funcionários, para que usem máscara, não compartilhem EPIs e consigam utilizar os equipamentos sem se contaminar ao colocá-los ou retirá-los. A professora Sandra Tavares afirma que em algumas linhas de produção em que o distanciamento mínimo não é possível, as indústrias que não conseguirem atender essa demanda deverão instalar barreiras, como divisórias de acrílico entre os postos de trabalho ou o uso de roupas e EPIs apropriados, como protetores faciais (face shield).

Os professores destacam que a portaria de Santa Catarina é mais rigorosa que a nacional. "Exige, por exemplo, distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os trabalhadores na linha de produção, enquanto que a portaria nacional é de um metro, medida de ombro a ombro na linha de produção", exemplifica Sandra Tavares.

Outras medidas estabelecidas pela portaria da Secretaria da Saúde de Santa Catarina são: realizar a aferição de temperatura dos trabalhadores na entrada e na saída das unidades e programar a utilização dos refeitórios com apenas 1/3 (um terço) da sua capacidade, além de ficar proibida a modalidade de buffet de auto serviço (self service).

Veja as medidas para evitar contaminação pelo novo coronavírus nos frigoríficos nas portarias da Secretaria de Saúde de Santa Catarina e do governo federal.

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Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 11 ago 2020 13:49 Data de Atualização: 11 ago 2020 20:12

A cada momento, a imprensa divulga informações sobre lotação de hospitais e Unidades de Terapia Intensiva (UTI). São dados importantes, levados em conta pelas autoridades públicas na decisão pelo relaxamento ou reforço das medidas de distanciamento social, pois como não há um tratamento específico e eficaz contra a Covid-19, manter ações de monitoramento e suporte dos pacientes mais graves se tornou imprescindível para salvar vidas.

A Associação Médica Intensivista Brasileira (Amib) estima que no início da pandemia, o Brasil tinha cerca de 2,2 leitos de UTI a cada 10 mil habitantes, o que estava dentro da média preconizada pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS), de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. No entanto, a distribuição desses leitos é desigual, sendo 1,4 no SUS e 4,9 na rede privada. A diferença também se dá por regiões, sendo o Sudeste e Centro-Oeste a regiões com melhor estatística e as regiões Nordeste e Norte com a pior. O Sul estava dentro da média nacional, com 2,2 leitos por 10 mil, porém, com a diferença de 1,8 leitos no SUS e 3,5 na rede privada.

Desde o início da pandemia no Brasil, em março, o Sistema Único de Saúde (SUS) habilitou 11.777 leitos de UTI (informações do site do Ministério da Saúde). Também se fala na importância dos equipamentos utilizados nessas unidades, principalmente os ventiladores pulmonares (respiradores), que suscitaram uma “corrida” pela compra e importação. 

Assim, o IFSC Verifica consultou especialistas do IFSC para saber:

- Como funciona uma UTI e porque ela é tão importante no tratamento da Covid-19

- O que é um ventilador pulmonar e quem precisa utilizar esse tipo de aparelho

- Quais os riscos para os pacientes que utilizam esses ventiladores

- Qual a diferença entre os diversos tipos de aparelhos que auxiliam na respiração do paciente

Conheça também o projeto em colaboração do IFSC e da UFSC para produzir ventiladores pulmonares e Ambus automatizados de baixo custo.

Por que a UTI é importante no tratamento da Covid-19?

Segundo a coordenadora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis, Marciele Misiak Caldas, apenas cerca de 10% das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus precisam de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ela cita nota da Amib, que esclarece: “a Covid-19 é uma infecção com potencial de causar alterações significativas na capacidade ventilatória, levando a comprometimento pulmonar difuso e piorando as trocas gasosas. A internação em UTI geralmente ocorre com paciente que apresenta alterações pulmonares gravíssimas causadas pela infecção, em que a capacidade de ventilar os pulmões ou realizar a troca gasosa desses pacientes é reduzida, o que pode resultar em um quadro de insuficiência respiratória e a necessidade de uma monitorização contínua e uso dos ventiladores pulmonares”. 

Mas, como funciona uma UTI? A professora do curso de Engenharia Elétrica do Câmpus Itajaí, Fernanda Isabel Marques Argoud, especialista em Engenharia Biomédica, esclarece que uma UTI é composta por vários tipos de equipamentos, sendo alguns fixos e outros móveis, como o ventilador mecânico.

Entre os equipamentos fixos em uma UTI, o principal é o Monitor Cardíaco Multiparâmetros, que tem como função verificar vários sinais vitais, como frequência cardíaca, eletrocardiograma, pressão arterial, quantidade de oxigênio no sangue, entre outros.

Os respiradores (também chamados de ventiladores pulmonares) são utilizados apenas quando a pessoa não consegue respirar sozinha, apresente queda da saturação de oxigênio no sangue, dificuldade de respirar, alterações nos exames de imagens como raio X e tomografia, alterações metabólicas, além da falência de outros órgãos. 

Nesse caso, o equipamento é inserido pela boca ou pela traqueia e faz a função do pulmão da pessoa. Há outros tipos de respiradores mais simples, como o Ambu, utilizado principalmente em situações de emergência, e o cateter nasal, que auxiliam a respirar melhor, porém, não substituem a função pulmonar (veja abaixo a diferença entre esses equipamentos).

A professora Marciele alerta, porém, que ter leitos de UTI ou respiradores disponíveis em determinada região não significa que é possível relaxar as medidas de prevenção à Covid-19. Como não há um tratamento específico e comprovadamente eficaz, as medidas tomadas em UTIs podem melhorar o prognóstico da doença, mas não são sinônimo de cura. “A UTI vai proporcionar uma qualidade melhor, um suporte melhor para o paciente, mas não quer dizer que ele está fora de risco. Então, com certeza as medidas de prevenção são o melhor caminho”.

No vídeo, a professora Marciele explica melhor como funciona uma UTI no caso do tratamento para o coronavírus:

Cuidados extras na segurança de profissionais e pacientes

Além dos equipamentos, o funcionamento de uma UTI exige uma equipe capacitada para este tipo de atendimento, focada nos cuidados do paciente. O enfermeiro é o profissional que faz o monitoramento e ajuste de equipamentos, sob coordenação da equipe médica e em conjunto com outros profissionais, como fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, odontólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

A coordenadora do curso técnico em Enfermagem destaca que, com o coronavírus, reforçaram-se os cuidados com os próprios profissionais da saúde em UTI no que diz respeito aos equipamentos de proteção individuais (EPIs). Além dos usuais, enfermeiros e demais profissionais precisam utilizar equipamentos adicionais, como faceshield, aventais, luvas, entre outros, durante todo o período de trabalho na UTI.

Também há a questão da alta rotatividade dos profissionais e deslocamento de trabalhadores da saúde de outras áreas para a UTI, o que exige capacitação desses profissionais em pouco espaço de tempo.

A pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) sobre a situação das equipes de UTIs no Brasil traz mais detalhes sobre os desafios enfrentados pelos profissionais de saúde na linha de frente da pandemia.

Os riscos de se utilizar um ventilador pulmonar

Segundo as professoras Marciele e Fernanda, o ventilador pulmonar é um equipamento para se usar em última instância e por pouco tempo, pois pode causar vários danos à saúde do paciente. A pneumonia por ventilação mecânica é um dos efeitos mais comuns. 

Fernanda explica que o respirador é basicamente uma bomba em que são misturados gases, que são insuflados por meio de tubos, de difícil esterilização. “Como a tubulação não pode ser metálica, tem que ser flexível e confortável, a probabilidade de ficar uma bactéria dentro é muito alta, pois não é possível esterilizá-la em uma autoclave. Além disso, o ar do respirador precisa ser umidificado, e não tem fonte maior de infecção do que umidade”, completa.

Marciele lembra também que o uso do respirador por muito tempo pode comprometer a musculatura respiratória e dos membros do paciente, ocasionando perda de força, o que pode dificultar a retirada do tubo e exigir tratamento fisioterápico após a internação.

O risco de uso inadequado também é grande. O respirador precisa ser utilizado por profissionais treinados, pois erros de regulagem da saída de ar, por exemplo, podem causar danos graves aos pulmões. O fisioterapeuta é o profissional indicado para auxiliar médicos e enfermeiros na definição dos parâmetros de uso dos ventiladores pulmonares em UTIs.

Assim, a taxa de mortalidade por Covid-19 com o uso de respiradores é alta. Segundo estudo UTIs Brasileiras, em torno de 9% dos pacientes em UTI e que não utilizaram ventilação mecânica foram a óbito, enquanto entre os que receberam ventilação, a média de mortalidade foi de 65%, sendo 62% na rede privada e 70% na pública.

Porém, em casos graves, a chance de óbito é de 100% caso o respirador não seja usado. Por isso cabe à equipe médica avaliar com precisão quem necessita desse cuidado mais intensivo.

A Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nota técnica específica sobre os ventiladores pulmonares, em que aponta riscos e benefícios desses aparelhos e cita normas para sua fabricação de forma segura.

No vídeo, a professora Fernanda explica melhor quais os riscos dos ventiladores pulmonares.

Por que precisamos importar esses equipamentos? É muito caro produzi-los?

Segundo o site do Ministério da Saúde (MS), desde o início da pandemia foram adquiridas 9.672 unidades de ventiladores pulmonares, sendo 4.995 equipamentos de UTI e 4.677 de transporte (Ambus). Além disso, há contratos para a produção de 16.252 ventiladores pulmonares em empresas nacionais.

Fernanda lembra que há muitos anos se alerta para a falta de respiradores em hospitais. “O coronavírus é um vírus que ataca principalmente o pulmão. Então, quando a humanidade ficou sabendo que estávamos em risco de pandemia, isso gerou uma preocupação ainda maior. Se falta respirador hoje, o que vai acontecer em caso de coronavírus?”

Existem várias iniciativas para a produção desses equipamentos por instituições brasileiras. Uma parceria entre a UFSC e o IFSC está desenvolvendo equipamentos médicos para combate à Covid-19, sendo dois Ambus automatizados e um modelo de ventilador pulmonar. O protótipo de ventilador já está em fase de testes clínicos, ou seja, em humanos.

Segundo o professor do Departamento Acadêmico de Metal Mecânica do Câmpus Florianópolis Luiz Fernando Segalin de Andrade, o equipamento está passando por algumas adequações na interface com o usuário, detectadas a partir dos testes pré-clínicos (com animais) realizados no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, e no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A intenção é produzir quatro a cinco protótipos para testes e depois conseguir parceria com empresas para a produção em larga escala, a um custo bem mais baixo que o dos equipamentos oferecidos pelo mercado atualmente. Os equipamentos são produzidos nos laboratórios da UFSC que fazem parte do grupo de Equipamentos Médicos de Emergência (EME), sendo que algumas peças também são produzidas nas instalações do IFSC.

Os Ambus automatizados estão em fase de protótipo. O projeto foi paralisado por um tempo por falta de recursos e por limitações na aquisição de peças e ferramentas. Agora, com recursos do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), a produção foi retomada e em breve devem ser iniciados os testes.

Para saber mais sobre o projeto, veja matéria publicada no Portal do IFSC

Tipos de equipamentos

Conheça os diferentes tipos de equipamentos que dão suporte à respiração do paciente (fotos: Banco de Imagens):

 

Cateter nasal: o paciente recebe oxigênio pelo nariz, mas mantém os movimentos próprios de respiração.

 

 

 

 

 

 

 

Ambu: é utilizado em casos de emergência até chegar ao ventilador mecânico. A ventilação pode ser manual ou automatizada.

 

 

 

 

Ventilador mecânico (respirador): há o respirador com máscara, que não é invasivo, e o ventilador de intubação, que utiliza cânulas (o circuito).

 

 

 

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O novo coronavírus pode ser transmitido pela água ou pela rede de esgoto?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 16 jun 2020 15:02 Data de Atualização: 29 jul 2020 14:06

Qual o impacto da falta de condições sanitárias adequadas na pandemia de Covid-19 no Brasil? Há muitos aspectos a serem considerados. O primeiro deles é a falta de água em muitas localidades do país até para lavar as mãos. São quase 35 milhões de brasileiros sem acesso a água tratada, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2018). Essa é uma das principais preocupações dos epidemiologistas, já que a forma mais segura de evitar a contaminação é utilizando água e sabão para a higienização.

Além da falta de abastecimento, tem-se questionado muito se o novo coronavírus pode ser transmitido pelo esgoto, já que vivemos num país em que quase metade da população não tem acesso a sistema de esgotamento sanitário adequado e muitas comunidades convivem com esgoto a céu aberto. Para essa pergunta nem a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma resposta conclusiva.

Os estudos ainda são recentes e não há comprovação de que o SARS-CoV-2 mantém sua forma ativa na água ou no esgoto, ou seja, na forma que pode contaminar as pessoas.

Pesquisas indicam presença de SARS-CoV-2 em água, urina e fezes

A questão se o novo coronavírus pode ser transmitido pela água ou pelo esgoto é diferente do fato dele ser identificado nesses ambientes. Quem explica essa diferença é a engenheira sanitarista Andreza Thiesen Laureano, professora do curso técnico em Saneamento do Câmpus Florianópolis do IFSC: "Ao entrar em contato com a água, ele sobrevive e o RNA viral pode ser detectado através de exames específicos. No entanto, não se sabe ainda se, na água, ele se mantém na forma ativa/viável." O RNA pode ser entendido como material genético do vírus.

Em documento publicado em abril com orientações para a gestão da água e do saneamento durante a pandemia, a OMS afirma que, como o vírus da Covid-19 é encapsulado, ele é menos estável no ambiente hídrico em comparação com vírus humanos que têm transmissão conhecida pela água, como os rotavírus e a hepatite A: "Um dos estudos observou que outros coronavírus humanos sobreviveram apenas dois dias em água da torneira sem cloro e nas águas residuais hospitalares a 20°C." Uma das conclusões do documento é a de que métodos de tratamento da água que utilizam a filtração e a desinfecção devem inativar o novo coronavírus.

Já a presença do SARS-CoV-2 em fezes foi confirmada. Pesquisadores da cidade  de Zhuhai, na China, examinaram 98 pacientes com Covid-19 entre janeiro e março deste ano. Os resultados da pesquisa estão publicados na revista científica The Lancet: "Observamos que em mais da metade dos pacientes, suas amostras fecais permaneceram positivas para o RNA da SARS-CoV-2 por uma média de 11,2 dias após as amostras do trato respiratório se tornarem negativas para o RNA da SARS-CoV-2, implicando que o vírus se replica ativamente no trato gastrointestinal do paciente e que a transmissão fecal-oral pode ocorrer após a liberação viral no trato respiratório."

Pesquisa da UFSC identifica novo coronavírus em amostra de agosto de novembro de 2019

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de Burgos (Espanha) e da startup BiomeHub identificaram partículas do novo coronavírus em duas amostras do esgoto de Florianópolis colhidas em 27 de novembro de 2019, dois meses antes do primeiro caso clínico ser relatado no Brasil. A descoberta, divulgada em 2 de julho de 2020, só foi possível porque havia amostras de esgoto congeladas para outros estudos. Segundo os pesquisadores, é o relato da primeira presença confirmada do vírus nas Américas. (texto atualizado em 29 de julho de 2020).

No decorrer de 2020, outra pesquisa brasileira - coordenada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em ETEs Sustentáveis (INCT ETEs Sustentáveis) - identificou a presença do novo coronavírus no esgoto da região de Belo Horizonte (MG). Realizado desde abril, o estudo analisa a Bacia do Onça, onde há duas estações para tratamento do esgoto coletado em boa parte da capital mineira e da cidade de Contagem. As coletas para análise são feitas semanalmente. Os boletins indicam aumento no número de amostras com SARS-CoV-2: "Para as regiões/bairros localizados na bacia do Onça, houve um aumento expressivo de amostras que testaram positivo (64% nas semanas um e dois, 69% nas semanas três e quatro para 88% na semana cinco)."

Pesquisas como estas têm sido feitas ao redor do mundo. Os relatos mais antigos da presença do novo coronavírus no esgoto são de Wuhan, na China, em outubro de 2019.

A professora Andreza reforça que, mesmo não havendo comprovação científica da transmissão hídrica da Covid-19, esta hipótese não está descartada. Por isso, em locais sem sistemas públicos ou individuais de coleta e tratamento de esgoto adequados, onde as pessoas têm contato físico com o esgoto líquido ou aerossóis do esgoto, a transmissão de doenças de veiculação hídrica é maior. Segundo ela, como ainda não há resultados conclusivos sobre a possibilidade de transmissão de Covid-19 a partir do sistema de esgoto, os especialistas têm utilizado pesquisas de outro tipo de coronavírus, o SARS-CoV-1 - similar ao SARS-CoV-2.

"Para o SARS-CoV-1 houve comprovação de contaminação por aerossóis provenientes de esgoto num prédio em um país asiático. O esgoto produz aerossóis quando é submetido à turbulência. Portanto, para operadores de estações de tratamento de esgoto, o risco é aumentado, a exemplo de outras doenças."

A Organização Mundial de Saúde reforça a importância do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e óculos, pelos trabalhadores dos serviços de saneamento.

Higiene é vital para se enfrentar a pandemia

Como já se detectou o novo coronavírus nas fezes, existe uma preocupação muito grande para outras formas de transmissão feco-oral além da que poderia ocorrer pelas redes de esgoto e de água, como no contato direto de uma pessoa com as fezes de outra, no manuseio do lixo doméstico ou por meio de vetores como baratas, moscas ou superfícies contaminadas. Tudo isso ainda está sendo pesquisado. Lavar as mãos e as superfícies com água e sabão continua sendo o mais recomendado, já que o coronavírus possui um revestimento lipídico, que é facilmente destruído pelos sabões.

Se ele sobrevive no esgoto, pode ser perigoso tomar banho de mar?

Mesmo não havendo comprovação científica da transmissão hídrica da Covid-19 em ambientes aquáticos, tanto em rios, quanto no mar, Andreza afirma que "pelo princípio da precaução, neste momento é importante evitar entrar em contato com essas águas, pois as mesmas são passíveis de estarem contaminadas e a hipótese de transmissão hídrica não está descartada." O mesmo vale para piscinas públicas. O cloro, usado em dosagem correta, provavelmente eliminará o vírus, mas não é recomendável o contato com outras pessoas. Mesmo porque há outros ambientes comuns, como banheiros, mesas e cadeiras. Por isso, valem as mesmas recomendações: fique em casa e lave as mãos com água e sabão.

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Como não desistir de praticar atividades físicas em função da máscara facial?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 28 jul 2020 15:27 Data de Atualização: 28 jul 2020 16:19

Elas entraram para o figurino em todos os contextos, por mais que sejam, por vezes, incômodas. Com a liberação da prática de atividades físicas, seja em ambientes ao ar livre ou em academias, as máscaras faciais também são item essencial nas novas normas de convívio social impostas pela pandemia. O problema é que, na prática de corrida, caminhada, ciclismo ou mesmo em atividades anaeróbicas, como a musculação, o desconforto respiratório que elas causam é inevitável.

Neste post, vamos te mostrar que, mesmo com a certa dificuldade que as máscaras podem provocar na prática de atividades físicas, vale a pena persistir e incorporar esse acessório ao kit esportivo: os benefícios de se exercitar neste momento pandêmico são muito importantes para manter lá em cima a almejada imunidade do organismo. Vamos abordar na sequência algumas questões como:

- Por que é importante manter a atividade física regular no cenário de pandemia;
- Como contornar o incômodo provocado pela máscara durante a atividade física;
- A diferença entre atividade física e exercício físico – e por que é importante saber até onde ir com cada um deles;
- Práticas bem simples a serem adotadas para voltar a malhar e manter regularidade.

Máscara: usar ou não usar durante a malhação?

Desde o início da pandemia, diferentes orientações foram passadas pelos órgãos de saúde sobre o uso da máscara facial. No início da situação de emergência sanitária, recomendava-se que não se adotasse o uso de máscaras descartáveis como forma de prevenção ao contágio, mas a lógica, naquele momento, era garantir o suprimento desse item de segurança aos profissionais de saúde. 

Com o avanço da pandemia, o prolongamento da necessidade de medidas preventivas e o desenvolvimento de novos estudos, o uso de máscaras “caseiras” – ou seja, de uso não profissional – passou a ser recomendado e tornou-se, em muitos casos, obrigatório nos espaços públicos. Essa obrigatoriedade foi estendida aos ambientes coletivos onde as pessoas praticam exercícios, seja ao ar livre ou em academias.

A professora Andresa Silveira Soares, que atua na área de Educação Física no Câmpus Florianópolis, afirma que utilizar a máscara facial durante a prática de exercícios é extremamente importante, já que ela evita a propagação de gotículas que podem transmitir o novo coronavírus (e também outros patógenos). “Mesmo que ela incomode, é extremamente importante que sempre se utilize a máscara”, enfatiza. Andresa sustenta a recomendação mesmo com a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) – que, levando em conta o fato de as máscaras ficarem úmidas mais rápido durante a prática de atividades físicas, em função da respiração intensa e transpiração, orienta que esse uso seja evitado. “Mas exigem normas municipais e estaduais para que o uso seja unificado, portanto isso deve ser observado e as pessoas precisam se acostumar”, pondera. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte também defende a importância do uso das máscaras faciais, neste comunicado.

De fato, a máscara facial, seja ela de tecido ou de outro material, tende a umedecer mas rápido durante a atividade, e isso anula seu potencial de proteção. O recomendado, portanto, é que o esportista sempre tenha à disposição mais uma ou duas máscaras, para garantir o uso correto e seguro durante todo o treino. Além disso, diminuir a intensidade do treino pode favorecer a adaptação à máscara e também prolongar a vida útil do acessório. No vídeo abaixo, a professora Andresa Soares explica melhor essas recomendações e fala, também, sobre como a adaptação aos diferentes tipos de máscaras é algo individual.

 

Por que é importante manter atividade física regular neste momento de pandemia?

Lá em março, quando ainda não se tinha a real noção do que representaria a emergência de saúde pública provocada pelo novo coronavírus, muita gente deixou de lado atividades que exigissem sair de casa. Isso incluiu a prática de atividades físicas ao ar livre ou em estúdios e academias. Só que as pessoas provavelmente não imaginavam que a imposição do distanciamento social se estenderia por tanto tempo. 

Movimentar o corpo é um hábito muito importante para a manutenção da saúde de forma integral, de acordo com a professora Andresa Soares, e isso engloba não apenas a parte física, mas também a saúde mental e o bem estar de forma mais ampla. Ela menciona que a recomendação da OMS é de que se pratique atividades físicas por cerca de 30 minutos diários, que podem ser, inclusive, fracionados nos diversos períodos do dia.

Essa atividade física mínima recomendada não é, necessariamente, exercício físico: enquanto as atividades físicas são, conceitualmente, os movimentos que tiram o corpo do estado de repouso, exercícios físicos são atividades programadas e sistematizadas. “Pode-se dizer que nem toda atividade física é um exercício físico, mas todo exercício físico, ou prática corporal, é uma atividade física”, detalha. Práticas cotidianas como varrer a casa, caminhar até o ponto do ônibus, passear com o cachorro, brincar com as crianças ou estender roupa no varal podem ser consideradas atividades físicas.

Na realidade do trabalho ou estudo remoto em home office, a rotina de muitas pessoas tornou-se mais sedentária. Por isso, Andresa reforça que é importante ter prestar atenção nos sinais que o corpo dá em reação à falta de atividade física. “É importante que as pessoas tenham consciência corporal, conheçam o seu corpo. Estamos num momento especial para as pessoas conhecerem as possibilidades e especialmente os limites do seu corpo, que dá respostas. Se você está há muito tempo sentada numa posição, trabalhando em home office, você vai sentir uma dor nas costas”, exemplifica. A melhor resposta a esse sinal específico seria parar um pouco, levantar-se, alongar, sair do estado de inércia.

Parei de malhar no começo da pandemia e o sedentarismo está me incomodando. Como voltar de forma segura?

A professora Andresa Soares recomenda que o retorno ou início de prática de exercícios físicos, no atual momento, seja feito de forma gradual. Não adianta querer recuperar muito rápido o tempo perdido e igualar a performance de antes da pandemia: a quebra na rotina e o próprio uso da máscara facial vão comprometer o desempenho. Mas é importante não se abalar ou desistir. “Neste momento, você não tem que estar preocupado com seu desempenho, e sim com o condicionamento físico”, recomenda Andresa. No vídeo, ela explica que a queda de performance é natural e salienta que o uso da máscara facial, além de ser importante para a proteção, não prejudica a saúde. Segundo ela, embora tenha havido boatos de que usar a máscara durante a atividade intensa pudesse comprometer a inalação de oxigênio, isso não é verdade. 

Com a atividade física em locais abertos e em academias liberadas em muitos municípios, a tentação de recorrer a esses espaços é grande. Porém, Andresa enfatiza que, no momento pandêmico, o mais seguro é, ainda, recorrer à atividade física em casa. Se for inevitável sair ou ir à academia, é recomendável tomar várias precauções:

- Sempre utilizar a máscara facial, tanto em atividades ao ar livre quanto em ambientes fechados. Escolher aquela que melhor se adaptar ao rosto e, caso a opção sejam as de tecido, que o material não seja muito fino;
- Trocar a máscara facial sempre que ela ficar úmida. Ao sair para treinar, portanto, não se deve esquecer de levar máscaras limpas para reposição;
- Manusear a máscara adequadamente, apenas pelas alças ou tiras. Não se deve tocar com as mãos a parte da frente do acessório;
- Ao ar livre, deve-se seguir as recomendações dos órgãos públicos e manter a distância recomendada das outras pessoas. Caso haja alguma dúvida, a professora Andresa explica que essa distância segura pode variar, dependendo do tipo de prática e da velocidade que o esportista atinge: 4 metros para caminhada, 10 metros para corrida e 20 metros para ciclismo;
- Para manter a hidratação, beber água antes do treino e, se for preciso hidratar-se durante a atividade, retirar a máscara de forma segura, sem mantê-la no queixo ou em contato com outras superfícies;
- Se possível, priorizar as atividades físicas feitas em casa. Quem já é habituado a exercitar-se pode realizar séries por conta própria, tomando os cuidados necessários para evitar lesões. Sempre que possível, também é recomendada a orientação de um profissional de educação física;
- Se for muito importante recorrer a espaços públicos, pode-se intercalar exercícios físicos nesses locais com atividades em casa, reduzindo as saídas à rua;
- Caso opte por academias, observar se todas as medidas de segurança sanitária exigidas pelos órgãos públicos estão sendo praticadas com rigor (lotação máxima, disponibilidade de álcool em gel nos ambientes coletivos, higienização dos aparelhos) e também tomar os cuidados individuais (higienizar os aparelhos, usar máscara facial e trocá-la sempre que ficar úmida, manter-se afastado dos outros frequentadores). Veja a portaria do Governo de Santa Catarina que normatiza o funcionamento desses locais;
- Levar toalha de uso individual em qualquer exercício físico, para enxugar o suor do rosto e prolongar a vida útil da máscara;
- Em qualquer situação, priorizar a prática de atividades físicas em locais com poucas pessoas, de preferência arejados;
- Ter consciência de que o uso da máscara vai dificultar o desempenho, e, por isso, reduzir o ritmo. No caso de atividades aeróbicas, é importante reconhecer o limite do corpo e jamais remover a máscara total ou parcialmente (deixar só o nariz para fora não vale!). Em atividades como a musculação, pode-se aumentar o tempo de descanso entre as séries, garantindo uma melhor recuperação da respiração;
- Por fim, não precisa ter paranoia: o uso da máscara facial durante o treino não compromete a saúde.

-> Veja o comunicado da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte sobre o uso de máscaras faciais.

-> Consulte também as perguntas e respostas da OMS sobre uso geral de máscaras faciais (em inglês).

-> Leia também informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde sobre o uso de máscaras de proteção.

-> Assista ao vídeo do Curso Técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis sobre o manuseio correto das máscaras.

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É possível aproveitar o verão de forma segura na pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 01 dec 2020 12:47 Data de Atualização: 01 dec 2020 17:41

O verão, tão esperado por aqueles que amam calor, festa e praia, neste ano terá que ser diferente. A pandemia de Covid-19 não está controlada, hospitais estão ficando lotados novamente e pessoas estão morrendo. Santa Catarina, por exemplo, está com recorde de casos ativos, com 13 regiões em estado gravíssimo e três em estado grave.

Mas depois de um ano tão difícil, é natural querer ir à praia ou se refrescar na piscina. Isso é possível, basta seguir as recomendações de sempre: distanciamento social, uso de máscara e higiene das mãos. Talvez você esteja se perguntando: e como fazer isso na areia da praia? Nós conversamos com três professoras do IFSC, das áreas de Enfermagem, Química e Têxtil, para trazer as orientações necessárias para as seguintes questões:

- Como aproveitar as férias de verão em segurança?
- Como se comportar na praia? E na piscina?
- O que levar e consumir nos passeios?

E como no verão as viroses são comuns, principalmente no litoral, e muitos sintomas são os mesmos da Covid-19, vamos abordar o seguinte:

- Se algum sintoma de virose aparecer, o que fazer? 

Com as temperaturas altas, também vamos voltar a falar das máscaras. Elas precisam ser utilizadas, mas vamos esclarecer:

- Que materiais e modelos são mais indicados para o verão?
- De quanto em quanto tempo devem ser trocadas? E se molhar? 

Diante do aumento de pessoas circulando principalmente no litoral, trazemos ainda algumas orientações para os estabelecimentos comerciais:

- Como garantir o distanciamento social?
- Qual orientação para ventilação e uso de ar-condicionado?

Seja responsável!

Antes de programar qualquer viagem ou passeio, lembre de se informar sobre a situação da pandemia na região que visitará. Em Santa Catarina, o site do governo traz o mapa das regiões de maior risco de transmissão. Também busque informações sobre as recomendações para uma viagem responsável.

-> Veja aqui como viajar e se hospedar em um hotel de forma segura. 

Informar-se é um dever de todos nós neste período de pandemia. Para aproveitar o verão em segurança esta é uma das orientações de Josiane Steil, enfermeira, professora do Curso de Graduação em Enfermagem do Câmpus Joinville e líder do grupo de pesquisa Lapebe - Laboratório de Práticas Baseadas em Evidências do IFSC. Isso porque muitas pessoas têm o hábito de ir sempre para a mesma praia, por exemplo. Se ela for muito procurada, neste verão você terá que mudar de ares.

"Faça um esforço e pesquise outros locais em que você e sua família poderão aproveitar o dia ao ar livre da mesma forma, se refrescar, sem ficar numa aglomeração. Temos a obrigação de sair do óbvio." Ela cita ainda que Santa Catarina tem muitas opções de rios e cachoeiras, que garantem um bom passeio e geralmente são locais mais vazios.

Outras dicas são ir em horários mais tranquilos, como início da manhã ou fim de tarde, e evitar finais de semana. "Quem puder, vá à praia em dias da semana. A gente sabe que isso não é uma realidade para a maioria. Mas se aquelas famílias que têm condições, que estarão de férias em janeiro e fevereiro, puderem se organizar desta forma, já contribuem, deixando os finais de semana para quem está trabalhando no verão e não teria outro dia para passear."

Mas lembre-se, cada cidade tem suas regras. Em Florianópolis, por exemplo, está proibido permanecer na praias. São permitidas apenas atividades físicas individuais e pesca -  e com uso de máscara.

O que tenho a dizer para essas pessoas que estão se aglomerando nas praias, indo a festas, é que vocês estão fazendo a manutenção da pandemia. Podem não estar doentes, mas estão mantendo a pandemia ativa. O vírus só precisa de um hospedeiro para sobreviver. Declaração da professora Josiane Steil, do curso de Enfermagem do Câmpus Joinville.

Como se preparar para um dia ao ar livre

Além da tradicional garrafinha de água, neste verão a mochila para passeios ao ar livre terá que ser um pouco maior. Josiane orienta a levar o próprio lanche de casa, para evitar entrar em restaurantes ou ter contato com vendedores ambulantes. 

Mas quem tem filhos sabe que evitar o carrinho do picolé pode ser uma tarefa difícil. "Os pais podem pedir para as crianças dizerem antes o sabor que querem e só um adulto vai até o carrinho para evitar aquele monte de criança em cima do vendedor. Depois tira o papel e dá para a criança aproveitar o picolé à vontade."

Também não é recomendável alugar guarda-sol ou cadeira de praia, nem compartilhar outros objetos com pessoas desconhecidas. E muita atenção à higiene das mãos. Elas devem ser lavadas com frequência. Por isso é importante levar o álcool em gel. "Quem tem condições financeiras existem lenços umedecidos de álcool, são mais práticos." Vale também levar uma garrafinha com água e um sabonete.

Se para você é muito complicado usar máscara no calor ou se seu filho não tem maturidade para usar, então não saia de casa. Precisamos de responsabilidade nesse momento. Declaração de Josiane Steil, professora de Enfermagem no Câmpus Joinville.

Máscara é para usar mesmo no calor

A máscara é uma questão de proteção sua e dos outros. "Essa consciência coletiva que a gente precisa criar", afirma Josiane. Por isso, na mochila para o passeio ela também orienta colocar pelo menos quatro máscaras por pessoa se ficarem o dia todo fora de casa. Com o suor elas ficam úmidas e precisam ser trocadas. No vídeo a seguir Josiane explica o porquê e também esclarece sobre a importância de passá-las a ferro:


Para os dias quentes, opte por máscaras em cores claras e tecidos mais leves. O algodão é o mais indicado por ser uma fibra natural e ter melhor respirabilidade. A professora do Curso Técnico em Têxtil do Câmpus Araranguá, Suelen Rizzi, explica que o mais indicado para o verão é o tricoline 100% algodão, que tem uma gramatura mais fina. Outra orientação é que a máscara tem que se moldar ao rosto, sem apertar demais nem ter o risco de ficar caindo. No vídeo a seguir Suelen mostra modelos e tecidos mais indicados, por exemplo as utilizadas para prática esportiva.


Mas atenção: não adianta usar a máscara e ficar toda hora ajustando. A sua mão pode estar contaminada e você mesmo levar o vírus até o nariz ou boca! Lave as mãos antes de manusear a máscara e a retire sempre pela alça. Lave a máscara com água e sabão ou deixe de molho em uma gotinha de água sanitária.

-> Este post fala sobre a importância de utilizar a máscara durante atividades físicas

A OMS também disponibiliza informações sobre o uso e confecção de máscaras.

Piscina é um local seguro?

A professora de Química do Câmpus Florianópolis Cláudia Lira esclarece que não existem evidências de que o Sars-CoV-2 seja transmitido por água contaminada. Ela afirma que o cloro é indicado pela Organização Mundial da Saúde como desinfetante que inativa o vírus. Os desinfetantes efetivos indicados pela OMS podem ser consultados neste documento.

Já em relação a outros sistemas para limpeza de piscinas, como os que utilizam ozônio ou sal, ela esclarece que ainda não há muitos estudos que comprovem sua eficácia na inativação do vírus. "A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), inclusive, publicou nota técnica em que afirma não existir evidências científicas sobre a eficácia desinfetante do ozônio contra o Sars-CoV-2." A nota técnica sobre uso do ozônio está disponível aqui.

Mas atenção! O maior cuidado em relação à piscina do prédio ou do clube não é com a água, mas com o ambiente e a proximidade entre as pessoas. A contaminação nesses locais ocorre da mesma forma que fora da água: principalmente a partir do contato direto com secreções respiratórias de pessoas infectadas, como as gotículas eliminadas na tosse, no espirro e na coriza. 

Por isso é importante seguir algumas recomendações nas piscinas para você ficar mais seguro:

- Mantenha a distância de pelo menos 1,5 metro de pessoas que não sejam da sua família ou convívio
- Higienize frequentemente superfícies como mesas e cadeiras
- Não compartilhe objetos de uso pessoal
- Evite utilizar os vestiários. Prefira tomar o banho em casa

Já os parques aquáticos e complexos de águas termais estão sujeitos a normas impostas pelos governos estaduais. Em Santa Catarina, a portaria 705 estabelece que "todos os visitantes e os trabalhadores ficam obrigados a utilizar máscaras durante todo o período, exceto quando estiverem dentro da água", além do distanciamento de 1,5 metro e o não-compartilhamento de comidas, bebidas e objetos.

A portaria estabelece ainda restrições de funcionamento destes estabelecimentos de acordo com o mapa de classificação de risco divulgado semanalmente pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). 

- Risco gravíssimo (vermelho) - parques aquáticos e complexos de águas termais estão proibidos de funcionar
- Risco grave (laranja) - podem funcionar com 40% da capacidade
- Risco alto (amarelo) - podem funcionar com 50% da capacidade
- Risco moderado (azul) - podem funcionar com 100% da capacidade

Os níveis de risco - gravíssimo, grave, alto e moderado - são calculados a partir da combinação de fatores como transmissibilidade do vírus, leitos vagos e aumento de casos ativos de coronavírus em cada região.

Mais uma vez, é importante se informar antes de programar qualquer passeio a estes locais!

O secretário de Saúde de Santa Catarina, André Motta Ribeiro, tem feito um apelo para que as pessoas parem de promover festas. “Nós temos que entender que se reunirmos 5 mil pessoas, por exemplo, há a possibilidade de 100 mil pessoas serem contaminadas na sequência dos dias. É esse o cálculo matemático. Eu entendo a dificuldade porque é muito tempo de enfrentamento à pandemia, mas as festas domiciliares com 30, 40 pessoas sem uso de máscara e distanciamento acabam proliferando o vírus”, alerta.

Como os estabelecimentos comerciais podem ajudar

No post sobre a segunda onda da pandemia pelo mundo, ficou evidente como as marcações nos pisos para distanciamento social são comuns em países da Europa, Ásia e Oriente Médio. 

A professora Josiane afirma que as marcações ajudam muito a reforçar a importância do distanciamento. "Mesmo porque sem uma referência muitas pessoas não têm a noção de quanto é 2 metros. Colocar as faixas é uma forma de conscientização."

Outra orientação para os estabelecimentos comerciais é manter os ambientes ventilados. A Organização Mundial da Saúde (OMS) traz em sua página orientações sobre uso de ventiladores e ar-condicionado. Mesmo com o uso de ventiladores, é preciso deixar as janelas abertas para haver as trocas de ar externo. Os sistemas de ar-condicionado devem ser limpos e inspecionados regularmente. Já os sistemas que recirculam o ar de dentro do ambiente não devem ser usados.

E se a febre aparecer, o que fazer?

No litoral, é comum os postos de saúde ficarem lotados de pessoas com viroses ou sintomas de insolação durante a temporada de verão. A professora Josiane esclarece que em um primeiro momento não tem febre diferente para Covid. "É difícil perceber só por esse sintoma, precisa ver como a doença vai evoluir. A não ser que tenha como primeiros sintomas a perda de paladar e olfato, que são bem característicos."

Ela lembra ainda que este é mais um motivo para evitar alimentos de locais sem garantia de higiene. "Quando deixo de comer com ambulantes também deixa de ter confundidores num diagnóstico."

Em caso de dúvida sobre a doença, antes de procurar atendimento presencial, se for possível, a professora orienta a ligar nos telefones disponibilizados pelas secretarias de saúde durante a pandemia. "Por telefone a pessoa pode buscar orientação se vai a uma unidade de saúde convencional ou uma unidade Covid."

Em Florianópolis, tem o Alô Saúde Floripa, que oferece atendimento pré-clínico por meio de telefone e aplicativos.

Um resumo com as principais orientações para curtir o verão com segurança:

- Prefira passeios por ambientes externos e abertos, que têm menos probabilidade de espalhar o vírus do que locais fechados;
- Não vá a qualquer local se estiver com algum sintoma da doença. Fique em isolamento;
- Mesmo em locais abertos, como praias, mantenha o distanciamento de pelo menos 1,5 metro. Isso vale para quando estiver na água também;
- Use máscara;
- Não compartilhe alimentos, bebidas, equipamentos (como guarda-sol, cadeiras de praia), brinquedos com pessoas com quem não convive;
- Higienize as mãos com frequência. Leve ao passeio álcool gel, ou uma garrafa com água e um sabão.

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Quem teve Covid-19 pode ficar com sequelas?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 24 nov 2020 16:01 Data de Atualização: 30 nov 2020 15:04

A Covid-19 é uma doença aguda que, em cerca de 15% dos casos, pode evoluir para uma doença grave e até levar a óbito em casos mais críticos (dados da Organização Pan Americana de Saúde – Opas). A maioria dos infectados, porém, desenvolve a forma leve da doença, com sintomas semelhantes ao do resfriado comum.

Nos últimos meses, no entanto, a comunidade médica e científica tem observado que, mesmo entre pacientes com sintomas leves, a Covid-19 tem efeitos mais prolongados que um resfriado ou uma gripe causada por outros tipos de vírus. Fadiga, dor de cabeça, perda de olfato e paladar, entre outros sintomas, são alguns dos efeitos relatados por pacientes em várias partes do mundo, por semana ou até meses após a contaminação pelo vírus. 

Ouvimos um médico reumatologista e um otorrinolaringologista para saber se esses sintomas prolongados podem se tornar sequelas da doença ou mesmo se a Covid-19 pode se tornar uma doença crônica (doença ativa que precisa ser tratada pelo resto da vida, como por exemplo diabetes ou pressão alta). Segundo eles, ainda é cedo para afirmar isso, pois a doença foi descoberta há menos de um ano (o primeiro relato foi feito na província de Wuhan, na China, em dezembro de 2019) e ainda são necessárias pesquisas a longo prazo. O consenso entre os especialistas, no entanto, é de que esses sintomas não devem ser negligenciados.

No post de hoje, veja:

- Qual a diferença entre sintomas persistentes, recorrentes e sequelas?

- Quais são os sintomas persistentes mais comuns na Covid-19?

- Quem tem mais predisposição para desenvolver sintomas persistentes da Covid-19?

- Pessoas com sintomas persistentes continuam transmitindo o novo coronavírus?

- O novo coronavírus pode causar doenças autoimunes?

- Qual o tratamento para quem apresenta sintomas persistentes e/ou recorrentes?

- Podemos dizer que ainda temos muito a descobrir sobre essa doença?

Qual a diferença entre sintomas persistentes, recorrentes e sequelas?

O médico reumatologista Diego Vinicius de Magalhães explica que sequela é um defeito no funcionamento no organismo, ocasionado por uma doença. Por exemplo, o novo coronavírus, em sua forma grave, pode causar uma inflamação nos pulmões (pneumonia viral), que pode levar à fibrose e consequente perda da capacidade respiratória, causa da fadiga crônica relatada por muitos pacientes. Porém, alguns sintomas parecem ser persistentes, como a perda de olfato e paladar, que podem desaparecer em algumas semanas, ou recorrentes, isto é, retornam depois que os sintomas iniciais desapareceram. Isso pode acontecer mesmo quando a pessoa não tem mais carga viral, ou seja, não está mais transmitindo o vírus. “A gente tem 10 meses só de doença, e na Medicina, para dizer que algo é crônico, precisa de pelo menos um ano”, explica.

Veja no vídeo a explicação completa sobre o que são sintomas persistentes:

Quais são os sintomas persistentes mais comuns na Covid-19?

Ainda há poucas pesquisas científicas sobre os sintomas prolongados (persistentes, recorrentes e possíveis sequelas) da Covid-19. Os esforços da comunidade científica estão concentrados na descoberta da vacina e no tratamento mais eficaz para pacientes em estado crítico. No entanto, alguns estudos preliminares alertam que a Covid-19 pode trazer muito mais prejuízos que outros vírus respiratórios.

Um estudo preliminar realizado em um hospital da Itália e publicado no periódico científico JAMA Network (em inglês) avalia quais os principais sintomas persistentes após a fase aguda da Covid-19. Apenas 12,6% dos pacientes analisados relataram estarem livres dos sintomas em dois meses após a fase aguda. Outros 32% relataram um ou dois sintomas e outros 55% relataram três ou mais sintomas persistentes. Cerca de 44% relataram piora na qualidade de vida após a Covid-19. Os sintomas mais citados foram fadiga, dispneia (falta de ar), dores nas articulações e dores no peito.

Veja na figura abaixo o comparativo entre os sintomas na fase aguda e no período de acompanhamento:


Gráfico mostra os sintomas persistentes em pacientes depois da fase aguda da Covid-19

Fonte: JAMA Network

Outros fatores bastante recorrentes são os relacionados à perda de olfato e paladar. O médico otorrinolaringologista e cirurgião Guilherme Webster explica que “o Sars-Cov-2 é um vírus que tem uma predominância da parte respiratória e um tropismo por nervos. Esse tropismo afeta o nervo olfatório, levando esses pacientes a um quadro da perda súbita do olfato e de alterações do paladar”. 

As alterações mais comuns são a anosmia, que é a ausência do olfato; a parosmia, a alteração do olfato; a hiposmia, a diminuição do olfato; a fantosmia, quando o paciente passa a sentir odores pútridos onde eles não existem; e a disgeusia, que é a alteração no paladar. 

Segundo o médico, esses sintomas são comuns em resfriados, porém, nesses casos, os sintomas desaparecem em pouco tempo. Na Covid-19, essas alterações são mais persistentes. Observa também um número frequente de casos de pacientes com perda súbita da audição após a Covid-19, sintoma que demora mais tempo para desaparecer que os demais observados. O tema foi abordado em artigo (em inglês) na publicação Pubmed.gov.

Veja no vídeo a explicação completa sobre as alterações de olfato, paladar e audição:

Quem tem mais predisposição para desenvolver sintomas persistentes da Covid-19?

Apresentar fatores de risco para o desenvolvimento da forma grave da Covid-19 não necessariamente significa que a pessoa vá desenvolver sintomas persistentes, recorrentes ou sequelas. De acordo com o médico reumatologista Diego Vinicius de Magalhães, ainda não há estudos apontando essa relação. 

Um estudo da publicação MedRxiv (em inglês) aponta que não há relação entre a gravidade dos sintomas iniciais do novo coronavírus e casos de fadiga prolongada (cerca de 10 semanas). Foram analisados pacientes que estiveram em estado crítico (hospitalizados e/ou entubados) e pacientes com sintomas mais leves. O que se observou foram mais relatos de fadiga crônica em pacientes mulheres com histórico anterior de depressão e ansiedade. 

Segundo o médico otorrinolaringologista Guilherme Webster, “o que se observa é que mais mulheres do que homens apresentam sintomas prolongados, e em uma faixa etária entre 30 a 40 anos, aqui no Brasil. Em outros países, como a Itália, essa média é mais alta, também porque nos países europeus há maior prevalência de pessoas com idade avançada”.

Pessoas com sintomas persistentes continuam transmitindo o novo coronavírus?

Segundo os especialistas, não há evidências de que as pessoas com sintomas prolongados continuem transmitindo o vírus. O fator que determina a transmissão é a presença viral indicada nos exames de sangue. O indivíduo pode ter uma recorrência ou prolongamento dos sintomas devido à sequela deixada pelo vírus, mas não significa que esteja transmitindo a doença. “Você pode ter uma sequela após o vírus. Isso quer dizer que o vírus lesionou você e você ficou com essa consequência, não significa que você é transmissor”, explica Webster.

Ter sintomas recorrentes também não significa que a pessoa se reinfectou com o vírus, mas pode ser uma consequência do Sars-Cov-2. A reinfecção é outro ponto que está sendo investigado pela ciência. Segundo Webster, há casos em que o vírus não estimulou o sistema imunológico do paciente de forma suficiente para haver uma imunidade permanente. Por isso a importância de o paciente que teve o novo coronavírus continuar adotando medidas preventivas (distanciamento social, uso de máscaras e higiene das mãos).

O novo coronavírus pode causar doenças autoimunes?

O médico reumatologista Diego Vinicius de Magalhães explica que existem vários gatilhos para o desenvolvimento de doenças autoimunes: um gatilho ambiental, um gatilho infeccioso, no caso o Sars-Cov-2, e uma questão genética. Assim, se uma pessoa tem uma predisposição genética para desenvolver doenças como artrite reumatoide ou lúpus, por exemplo, e entra em contato com um agente infeccioso, como o vírus da Covid-19, ela pode começar a desenvolver sintomas. “Em um dado momento da vida, ele (o paciente) é exposto a uma radiação solar, a um vírus, e passa a desenvolver uma resposta inflamatória. Ou seja, o sistema imunológico, que não estava bem modulado, com o vírus presente, a pessoa começa a apresentar sinais e sintomas de doenças autoimunes. Não é que o Sars-Cov-2 causa uma doença autoimune, ele propicia um desequilíbrio em uma pessoa que já está propensa”, explica. 

O médico alerta, no entanto, que as pesquisas nesse sentido ainda são inconclusivas. “Na reumatologia, que é a minha especialidade, a gente estuda doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatoide e elas não têm causas bem estabelecidas. Porém, sabe-se que os gatilhos ambientais, junto com a genética, são favoráveis. Então, infere-se que o vírus Sars-Cov-2 possa funcionar como gatilho de uma doença autoimune, mas isso ainda é incipiente”.

Qual o tratamento para quem apresenta sintomas persistentes e/ou recorrentes?

Não há uma medicação específica para tratar os sintomas persistentes e/ou recorrentes da Covid-19. Segundo Magalhães, são utilizadas medicações conforme os sintomas, como analgésicos comuns ou antidepressivos tricíclicos para dor de cabeça e anti-inflamatórios para sintomas de dor no corpo. 

Para os sintomas de perda de olfato e paladar, há estudos em reabilitação do olfato, que é fazer a pessoa sentir vários tipos de odores, uma espécie de treinamento olfativo. Porém, segundo Webster, não há estudos comprovando a eficácia. Corticoides nasais e orais são indicados para evitar sequelas por lesão ao nervo do olfato, mesmo procedimento adotado em resfriados e gripes comuns.

Para quem teve Covid-19, com sintomas prolongados ou não, o ideal é que continue realizando o acompanhamento médico. Essa é a melhor maneira, segundo o médico otorrinolaringologista, de se evitar sequelas graves. Esses dados também ajudam os médicos e pesquisadores a conhecer os padrões de evolução da doença e definir melhores formas de tratamento.

O Hospital Universitário da UFSC está desenvolvendo pesquisa com o objetivo de medir o impacto da Covid-19 no aparelho respiratório, a partir de acompanhamento de pacientes por um prazo de até dois anos.

Podemos dizer que ainda temos muito a descobrir sobre essa doença?

Segundo Magalhães, os coronavírus são vírus antigos, relatados desde a década de 50 ou 60. Em relação ao novo coronavírus, ainda há muita coisa a ser descoberta. “Não temos uma terapia padrão que comprove tratar Covid-19. O que mais queremos nesse momento é a melhor forma de prevenção que se tem, que é a vacinação”, destaca.

Segundo Webster, as descobertas acontecem muito rápido, há protocolos que mudam de uma semana para outra. Ele alerta, porém, que o consenso no momento é a prevenção, utilizar máscaras, higienizar as mãos e evitar o contato social.

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Como está a segunda onda de Covid-19 pelo mundo?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 16 nov 2020 20:42 Data de Atualização: 20 nov 2020 09:06

Enquanto no Brasil se flexibilizam as medidas de isolamento social e se percebe cada vez mais aglomerações em praias, por exemplo, e realizações de festas, algumas partes do mundo revivem o ápice da pandemia. Diante de uma segunda onda de Covid-19, vários países da Europa decretaram lockdowns e toques de recolher para tentar conter o avanço do vírus. Ruas estão novamente vazias e hospitais lotados. Nos Estados Unidos, algumas regiões também passaram a adotar medidas mais severas.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), desde o primeiro caso registrado na China em 1º de dezembro de 2019, já foram mais de 54 milhões de pessoas detectadas com o Sars-CoV-2 e 1 milhão e 317 mil mortes. E os números não param de crescer, levando a OMS a fazer alertas constantes para que os países não relaxem as medidas para contenção da doença. 

Para explicar a segunda onda, conversamos com a doutora em Saúde Coletiva Bárbara Oliveira. Ela foi professora do IFSC até 2018, foi para Europa no ano passado fazer pós-doutorado, passou por três países durante a pandemia e faz parte de grupos de pesquisas sobre a Covid-19. 

Também conversamos com professores e egressos da instituição que estão em diferentes partes do mundo. Eles contam como estão vivendo a pandemia e que medidas os governos adotaram.

Com isso, neste post buscamos responder:

- Que fatores levam a uma segunda onda?

- Ela é igual em todos os lugares?

- Aqui no Brasil, também vivemos uma segunda onda ou ainda nem saímos da primeira?

- É possível uma terceira ou quarta onda?

- O que tem dado resultado no combate à Covid-19 ao redor do mundo?

Outdoor em Braga, Portugal, com quatro homens com máscaras e a frase "Braga fecha a porta ao vírus."

Outdoor em Braga, Portugal.

Fatores que levaram à segunda onda na Europa

O verão na Europa - entre os meses de junho e setembro - é apontado como um dos fatores para o aumento de casos de Covid-19 no continente. Isso porque depois de um inverno com medidas severas para deslocamento, os europeus viram o número de casos despencar no mês de junho. A pesquisadora em Saúde Coletiva Bárbara Oliveira presenciou esse momento no Reino Unido: "Os europeus normalmente ficam ansiosos pela chegada do verão e esse ano mais ainda. Com a queda na curva de transmissão, medidas foram flexibilizadas e fronteiras foram abertas. Foi todo mundo pra praia."

Ela conta que várias regiões já registravam aumento de casos durante o verão, tanto que alguns governos contrataram pessoas que haviam perdido seus empregos durante a pandemia para fiscalizar os locais de veraneio, principalmente se o distanciamento social estava sendo respeitado. Algumas praias foram até interditadas. Mas o vírus já havia voltado a circular com força.

Outros fatores apontados pela epidemiologista para a segunda onda foram o retorno das aulas em escolas primárias e o relaxamento das medidas de restrição social. Bárbara afirma que principalmente os jovens voltaram a se reunir com frequência: "Um grupo em que é alto o índice de assintomáticos. Sem saberem que estão com o vírus, espalham ainda mais."

O resultado é que em vários países da Europa o número de casos diários do novo coronavírus entre o final de outubro e o mês de novembro tem sido até cinco vezes maior do que no ápice da primeira onda, como mostram as curvas de transmissão da Itália, Portugal e Reino Unido. Os gráficos foram gerados pelo professor do Câmpus Lages, Carlos Andrés Ferrero, que coordena o desenvolvimento de um aplicativo para acompanhar a expansão da pandemia pelo mundo com base em dados, por exemplo, do Centro de Pesquisa do Coronavírus da Johns Hopkins University. 

Com o pior cenário da pandemia de volta às cidades europeias, medidas para isolamento social estão novamente sendo exigidas. Até no Reino Unido, que foi um dos últimos países europeus a adotar medidas mais rígidas na primeira onda, decretou um novo lockdown no início de novembro que deve seguir, pelo menos, até dezembro.

A egressa do IFSC Kaká Nicacio está em Londres e conta como estão as medidas para conter o vírus, entre elas o distanciamento social e as multas pesadas para quem desrespeitá-las.

 

A professora do Câmpus Florianópolis-Continente Mariana Kilp está em Portugal para fazer o doutorado. Ela mora em Almada, na região de Lisboa, e conta que neste momento só é permitido sair de casa para ir ao supermercado, farmácia, médico, deslocamento para trabalho que não possa ser feito de casa e atividades físicas próximas à residência. 

Portugal decretou estado de emergência sanitária no dia 9 de novembro e a maior parte do país terá que respeitar um toque de recolher entre 23h e 5h de segunda a sexta-feira e a partir das 13h nos finais de semana. 

"A maioria tem respeitado e me sinto segura aqui com estas medidas", afirma Mariana, que conta ainda que só no último dia 6 de novembro passou a ser obrigatório o uso de máscaras nas ruas - um indicativo de que as regras estão ainda mais rigorosas.

O mesmo ocorreu em Roma, onde o uso de máscaras só passou a ser obrigatório nas ruas a partir de outubro, como afirma no vídeo o egresso do IFSC Cleber Angelo. Ele tem sofrido com a falta de trabalho em uma cidade em que o turismo é uma das principais forças da economia.

 

 

A relação das escolas com a segunda onda na Europa

O retorno das escolas também levou a uma maior testagem de crianças e adolescentes nos países europeus, o que ajuda a explicar, segundo Bárbara, o aumento no número de casos registrados. "A determinação por aqui é que em caso de qualquer sintoma os pais avisem a escola. A vigilância epidemiológica realiza um rastreamento muito intenso. Com isso muitas crianças e adolescentes fizeram o teste - um grupo que não foi testado no primeiro momento da pandemia."

Ela explica que as escolas de ensino fundamental são vistas pela comunidade europeia como essenciais para a retomada da economia, para que os pais possam voltar a seus trabalhos, principalmente os serviços essenciais. Por isso a opção por fechar bares, restaurantes, parques, mas deixar as escolas abertas, garantindo o rastreamento de casos com a realização de testes.

A professora do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC Daniela Carrelas está em Portugal, morando na cidade de Braga para fazer o doutorado. No áudio abaixo ela conta como foi a experiência de retorno das aulas com a filha Sofia, que teve diagnóstico positivo, apesar de assintomática.

 

Segunda onda é mais fraca que a primeira ou pode piorar?

Olhando as curvas de transmissão da doença nos países europeus é possível perceber que as curvas de letalidade na Itália e no Reino Unido, por exemplo, estão abaixo da registrada na primeira onda, ao contrário da curva de novos contaminados. Bárbara afirma que isso não significa que o vírus está mais "fraco". Comunidades científicas ainda pesquisam as mutações do vírus e os reflexos da circulação de novas cepas na população mundial. "Há muitos casos de reinfecção aqui, pessoas que foram infectadas novamente pelo Covid-19 mas outra cepa. Tem pessoas que têm manifestações mais brandas, mas outras que superaram a primeira infecção, às vezes nem apresentaram sintomas, e na segunda estão até morrendo.”

Ela explica que esses números têm relação com o fato de que nestes últimos meses muitas crianças e jovens foram testados, principalmente em função da reabertura das escolas. E este é um grupo em que os efeitos da doença geralmente não são tão severos e a taxa de letalidade é bem menor. E é neste aspecto que ela aponta um grande risco: nessa segunda onda os jovens "estão dando trabalho". Por isso muitos países europeus, afirma, estão ampliando o policiamento, aplicando multas, encerrando festas e até prendendo pessoas.

Bárbara afirma que, infelizmente, o prognóstico em relação à segunda onda na Europa é "terrível", com aumento no número de mortes. Ela afirma que, apesar do índice de letalidade em alguns países no começo da segunda onda ser menor, a partir do momento que esse jovem leva o vírus para sua família, para pessoas idosas, com comorbidades, o risco aumenta muito, principalmente em regiões com uma população muito idosa. Isso já ocorre em Portugal, onde as curvas de novos casos e de mortes estão bem próximas e bem mais acentuadas do que na primeira onda. "Já esperamos na Europa um pico de mortalidade em janeiro."

-> Veja aqui quais são os fatores de risco.

Na Itália, um dos países mais afetados pela Covid-19, o Instituto Superior de Saúde (ISS) alertou na primeira semana de novembro que o país caminha para uma "rápida piora" da pandemia e que a situação pode se tornar "incontrolável" em breve.

 

E no Brasil, estamos na primeira ou na segunda onda?

Tanto a pesquisadora Bárbara Oliveira como a professora de Enfermagem do Câmpus Joinville Josiane Steil afirmam que o Brasil nem passou da primeira onda. O que caracteriza o fim de um ciclo de transmissão do vírus é a queda consistente e acentuada no número de casos, o que não ocorreu no país como um todo. A curva, como mostra o gráfico abaixo, continua em um patamar alto, com uma média de 500 mortes por dia.

 

“Em Santa Catarina, por exemplo, não ocorreu uma queda expressiva, até houve uma diminuição, mas uma diminuição que não se manteve. A gente voltou a ter regiões com estado gravíssimo”, afirma Josiane.

Bárbara acrescenta que a Covid-19 é uma doença silenciosa, por conta do grande número de pessoas sem sintomas ou sintomas brandos e que não entram nas estatísticas. Ou seja, o número de casos não reflete a realidade de casos - é o que se chama de subnotificação, por isso apenas com a testagem em massa é possível identificar grupos e regiões onde há maior transmissão. Ela alerta ainda que o Brasil testa pouco e testa mal. "O PCR (da mucosa nasal) é o teste padrão ouro - o que mais se faz na Europa e o que menos se faz no Brasil, onde são realizados mais testes rápidos. O teste rápido não é considerado na Epidemiologia como teste diagnóstico", explica. 

O teste com a gotinha de sangue verifica se a pessoa tem o anticorpo imunoglobulina para o novo coronavírus. "O problema é que esse vírus é muito estranho. Acontece que muitas pessoas, principalmente as que não apresentam sintomas, não desenvolvem a imunoglobulina G, que é o anticorpo de longa duração. A pessoa faz o teste e dá negativo.”

-> Neste post explicamos os testes.

 

Segunda onda é igual em todos os lugares?

Aqui no Brasil recebemos muitas notícias sobre a segunda onda na Europa. Mas antes do avanço da doença por lá, já era registrado o aumento de casos em outros continentes. Na Austrália, por exemplo, começou em julho.

Entre os motivos apontados estão a abertura de fronteiras, a maior circulação de turistas e o desrespeito às medidas determinadas pelo governo. O egresso do IFSC Guilherme Wypyszynski Walter mora em Brisbane, na Austrália, e conta que as punições por lá estão sendo rigorosas para quem não respeitar o isolamento, inclusive com prisão para quem descumprir a quarentena ao chegar de determinados destinos. No vídeo, Guilherme mostra um pouco das medidas adotadas, como o rastreamento de infectados. 

 

 

A testagem em massa e o exemplo dos Emirados Árabes

O rastreamento de casos de Covid-19 é tido como central para conter a doença. Em março, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, OMS, Tedros Ghebreyesus, já apelava a todos os países para que realizassem mais testes do novo coronavírus, dizendo que “não se pode conter esta pandemia sem saber quem está infectado" e repetiu muitas vezes: “testem, testem, testem.” 

Alguns países seguiram essa medida, como os Emirados Árabes. Foi um dos que mais testou no mundo. Veja abaixo o comparativo:

 

Testes para detectar a Covid-19 podem ser feitos até em shoppings dos Emirados Árabes, e de graça. E como revelam os números, muitas pessoas fizeram teste mais de uma vez. É o que conta a egressa do IFSC Brenda Salomé, que mora em Fujairah, desenvolvendo novos produtos gastronômicos. Ela afirma que o rastreamento por lá é intenso e as regras de distanciamento social são cumpridas à risca. Morando num país que é exemplo de combate ao vírus, ela diz que ficou preocupada com a situação no Brasil e há três meses levou a mãe para morar lá também.

No vídeo abaixo ela conta como está sendo viver no país árabe e mostra que é possível usar máscara no calor (lembrando que lá é deserto!) e fazer distanciamento. Aí vai um spoiler: no vídeo há imagens da inauguração da fonte de Dubai com centenas de pessoas distantes umas das outras. Confira:

 

 

Fazendo mais testes, o objetivo é isolar estas pessoas infectadas, protegendo principalmente os grupos de risco. E por fazer mais testes, mais casos da doença são registrados. Ao analisar o gráfico de transmissão da doença nos Emirados Árabes percebe-se a diferença acentuada entre as curvas de contaminados e de óbitos após a primeira onda de Covid-19. 

 

No vídeo, a Brenda comenta que a vacina já está sendo aplicada nos Emirados Árabes. É isso mesmo. Em setembro, o governo emitiu uma aprovação de emergência para a vacina experimental da empresa farmacêutica chinesa Sinopharm contra a Covid-19 para profissionais de saúde. E no dia 3 de novembro o primeiro-ministro e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Rashid Al-Maktoum, publicou foto em seu Twitter anunciando que também tomou a vacina experimental.

 

Terceira ou quarta onda podem acontecer?

O Irã por exemplo está enfrentando a terceira onda de Covid-19, desta vez ainda mais letal. Bárbara afirma que enquanto não houver uma vacinação em massa as ondas de transmissão acontecerão. Mas ela lembra que a vacina, quando for aprovada, vai primeiro para profissionais da saúde e grupos prioritários, provavelmente serão duas doses e depois ainda terá que se avaliar quais as cepas que estão circulando. "É como a Influenza, o vírus se adapta. Todo ano se vê qual a cepa que está circulando e produz a vacina específica. Com o Sars-CoV-2 será o mesmo. Isso vai levar muito tempo. A gente não sabe ainda quanto tempo a vacina deixará a gente imune."

Leia mais sobre isso no post Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?

Bárbara conta que na Europa há universidades trabalhando com a possibilidade de não voltar com aulas presenciais até 2022. "A própria OMS tem focado muito em outras medidas além do confinamento. A gente já sabe que a principal forma de infecção é o contato das mãos no rosto. Por isso o principal é mudança de comportamento. Precisamos aprender a lidar com o vírus, deixar de fazer muitas coisas que gostamos. O distanciamento social tem que ser um pacto coletivo, como as campanhas de vacinação", completa Bárbara.

 

Medidas são diferentes pelo mundo?

As especialistas ouvidas para esse post, assim como as professoras e os egressos, são unânimes em destacar como muito positivas as campanhas de prevenção nos diferentes países, com outdoors nas ruas, cartazes em shoppings e indicações até nas calçadas, com a distância recomendada e o sentido dos pedestres.

Bárbara afirma que na Europa o foco é conscientização: como usar máscara e como higienizar as mãos. "Por todo lado nas ruas tem dispenser de álcool gel". Outros pontos são o distanciamento social, o respeito às normas adotadas pelos países, a punição em caso de desrespeito e o rastreamento, com muitos testes, para assim isolar as pessoas infectadas.

A segunda onda reforça que não é hora de relaxar nas medidas para conter a disseminação do vírus.

 

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IFSC VERIFICA

É seguro comparecer às urnas no dia das eleições?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 10 nov 2020 14:05 Data de Atualização: 10 nov 2020 14:45

De dois em dois anos a dinâmica se repete: reunir documentos, dirigir-se ao local de votação e participar desse momento importante do regime democrático que é o voto direto. Para muita gente, o dia das eleições é também uma ocasião para encontrar a vizinhança, levar as crianças para acompanhar o processo eleitoral, bater aquele papo enquanto aguarda na fila da seção.

Este ano, com a pandemia de Covid-19, o cenário vai mudar um pouco.

Em função dos riscos de transmissão do novo coronavírus, a Justiça Eleitoral determinou uma série de medidas que serão tomadas nas Eleições Municipais de 2020. O objetivo é garantir a proteção da saúde tanto dos eleitores quanto dos mesários – que são as pessoas voluntárias ou convocadas que trabalham nos locais de votação, em contato direto com o público –, além de servidores públicos, fiscais e equipes de apoio que colaboram com a Justiça Eleitoral. 

Para elaborar este post, nós consultamos os materiais informativos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo Tribunal Regional Eleitoral em Santa Catarina (TRE-SC) a respeito das medidas de segurança que valem para o pleito de 15 de novembro (e de 29 do mesmo mês, nas cidades em que houver segundo turno). Durante a leitura, você vai entender:

- Que medidas de segurança estão sendo adotadas durante os dias de eleição para evitar a propagação do novo coronavírus;
- O que muda no processo de votação em relação a pleitos anteriores à pandemia;
- Como devem proceder os eleitores que apresentem fatores de risco.

Como foram definidos os protocolos de segurança para as eleições 2020?

Em julho, a Emenda Constitucional nº 107 redesenhou todo o calendário eleitoral para as Eleições 2020, adequando-o à situação de pandemia, e autorizou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – instância jurídica máxima da Justiça Eleitoral no Brasil – a ajustar as normas necessárias para garantir a máxima segurança a todos que participam do processo eleitoral.

Foi constituída, então, a Consultoria Sanitária para a Segurança do Processo Eleitoral de 2020, formada por especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e dos hospitais Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês. A consultoria analisou os possíveis riscos à saúde pública no processo de votação e desenvolveu uma proposta de procedimentos e protocolos sanitários a serem adotados, todos detalhados no Plano de Segurança Sanitária, lançado pelo TSE no início de setembro.

O que vai mudar para os eleitores?

As salas onde está organizada a estrutura para votação são chamadas de seções eleitorais. Em cada seção, circulam cerca de 500 pessoas, e em contexto de pandemia isso pode representar risco de proliferação da doença.

Nas seções eleitorais serão, então, adotadas medidas rigorosas de prevenção ao contágio que não são diferentes daquelas já amplamente divulgadas pelas autoridades de saúde desde o início da pandemia, como uso de máscara por todas as pessoas, distanciamento físico e higienização constante das mãos com álcool gel.

Para evitar filas e aglomeração, excepcionalmente a votação será das 7h às 17h – houve o acréscimo de 1h no início da manhã. As três primeiras horas (das 7h às 10h) serão o horário preferencial para maiores de 60 anos, em função do fator de risco. Eleitores que não estejam nessa faixa etária mas queiram votar no período inicial deverão aguardar em fila, garantindo a prioridade dos idosos.

O distanciamento físico nas filas será orientado por marcadores posicionados no chão, garantindo que as pessoas que estiverem aguardando para entrar na seção eleitoral fiquem a no mínimo 1 metro uma da outra.

O eleitor deverá usar máscara facial durante toda sua permanência no local de votação. Antes de entrar na seção eleitoral, deve higienizar as mãos com álcool gel, que estará disponível para uso dos eleitores. Ao dirigir-se ao mesário para se identificar, o eleitor deve manter distância física e apenas mostrar o documento (e-Título ou documento de identidade com foto), sem entregá-lo ao mesário. Caso ache necessário, o mesário poderá solicitar que o eleitor remova rapidamente a máscara, para conferência da identidade. 

Feita a identificação, o eleitor deve assinar o caderno de votação – de preferência, com uma caneta que tenha levado de casa, para evitar compartilhamento do objeto – e guardar seu documento, higienizando novamente as mãos com álcool.

Caso necessite do comprovante de votação impresso, o eleitor deve solicitá-lo ao mesário. Neste ano, em função da pandemia, não será colhida a digital como forma de identificação, para evitar que muitas pessoas tenham que fazer contato manual com o equipamento.

Quando autorizado a votar, o eleitor deve dirigir-se à urna e digitar seus votos (para vereador e para prefeito, neste pleito – não esqueça de levar os números dos seus candidatos anotados num papel). Por questão de segurança do processo eleitoral, as urnas eletrônicas não serão higienizadas. Após sair da cabine de votação, a higienização das mãos será feita novamente e o eleitor poderá se retirar da seção.

Costumo levar meus filhos para acompanhar meu voto nas eleições. Algum problema?

Levar as crianças no dia da votação pode ser educativo e até divertido, mas, neste ano, a Justiça Eleitoral recomenda que elas fiquem em casa. O objetivo é que haja o mínimo de pessoas em circulação, em função da pandemia, e acompanhar os pais ou responsáveis no local de votação pode deixar as crianças suscetíveis ao contágio pelo vírus.

-> Entenda como a Covid-19 pode afetar crianças e adolescentes. 

Não estarei em meu domicílio eleitoral no dia das eleições. Devo ir até uma seção eleitoral pessoalmente para fazer a justificativa?

A ausência precisa ser justificada, mas este ano não haverá, em Santa Catarina, seções eleitorais destinadas à recepção das justificativas. No dia das eleições, esse procedimento deverá ser feito via aplicativo e-Título (ele pode ser baixado nas lojas de aplicativos dos sistemas Android ou IOS). Até 60 dias após o dia da votação, a ausência também poderá ser justificada pelo site da Justiça Eleitoral.

O que muda para os mesários e demais colaboradores?

Os mesários terão que usar máscaras faciais, trocando-as a cada quatro horas, e contarão com a proteção extra de face shields. Também deverão higienizar regularmente as mãos com álcool gel. Os materiais de proteção foram doados à Justiça Eleitoral por empresas privadas.

Consulte o material do TSE com dicas específicas para os mesários.

Além de orientar sobre os procedimentos que devem ser tomados durante o processo de votação, o treinamento dos mesários incluiu no conteúdo as medidas de prevenção. A Justiça Eleitoral usou recursos on-line para ministrar os treinamentos, evitando assim a necessidade de deslocamento dos convocados e voluntários para receber as informações.

Nos locais de votação não será permitido alimentar-se, beber água ou café ou realizar qualquer ação que exija a remoção da máscara facial pelos mesários. Haverá espaços destinados à alimentação, definidos pela organização de cada local. Sempre que retornar ao posto de trabalho, o mesário deverá higienizar as mãos, mesa e cadeira com álcool.

Quando o eleitor não levar sua própria caneta para assinatura do caderno de votação, ele poderá pegar uma emprestada com os mesários, que devem higienizá-la com álcool após o uso.

Eu ou alguém da minha casa teve sintomas de Covid-19. O que devemos fazer?

Isso vale para eleitores, mesários e demais colaboradores do processo eleitoral: se você está com febre ou outros sintomas da Covid-19 (sintomas gripais, dores de garganta ou de cabeça, ausência de olfato ou paladar, dificuldade respiratória), ou ainda se foi diagnosticado com a doença 14 dias anteriores à eleição, fique em casa, justificando sua ausência pelos canais on-line disponíveis. 

Números das Eleições 2020 em Santa Catarina (dados do TRE-SC)

5.205.931 eleitores em 295 municípios
99 zonas eleitorais
3.621 locais de votação
13.641 seções eleitorais (4 mesários em média para cada seção)
65.191 trabalhadores (magistrados, promotores, procuradores, servidores do TRE, estagiários, terceirizados, delegados/auxiliares de prédio e mesários)

Itens de segurança sanitária disponibilizados pela Justiça Eleitoral para Santa Catarina (dados atualizados pelo TRE-SC em 6/10/2020)

241.349 máscaras descartáveis
141.781 frascos de álcool gel (200, 400 e 500ml)
61.425 conjuntos de marcadores de chão
64.937 face shields

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IFSC VERIFICA

Já podemos relaxar as medidas de cuidado em relação ao novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 03 nov 2020 09:23 Data de Atualização: 03 nov 2020 10:47

Entramos no oitavo mês de pandemia no Brasil e de quando iniciaram as recomendações de distanciamento social com uma série de medidas de restrições que variaram por estados e municípios. O cansaço por ficar tanto tempo em casa tem feito muita gente afrouxar os cuidados em relação novo coronavírus. Mas será que já podemos relaxar?

No post de hoje, conversamos com a enfermeira epidemiologista e professora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC Vanessa Jardim e também com a psicóloga e chefe do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Andrea Valéria Steil, para abordar as seguintes questões:

- Já é seguro relaxar os cuidados em relação ao novo coronavírus?
- Quais atividades apresentam menos risco de contaminação?
- Por que as pessoas têm dificuldade em respeitar o distanciamento social?
- Como podemos tornar este momento menos difícil?

O pior já passou?

Para avaliar a situação em cada localidade, é preciso acompanhar a chamada curva da doença, ou seja, analisar se os casos de infectados estão crescendo ou não. Segundo a enfermeira epidemiologista Vanessa Jardim, focando apenas no pico da curva, pode-se dizer que o pior já passou. “Olhando a curva, ela apresenta queda, porém, o número de casos registrados por dia e consequentes óbitos tem se mantido em platô há algumas semanas”, explica. Os especialistas explicam o platô quando há uma estabilização nos números.

A professora do IFSC destaca a importância de as pessoas acompanharem o boletim epidemiológico do coronavírus do seu estado e do seu município, especialmente quem acha que a pandemia já acabou. “A pandemia já tem sido apontada por especialistas com o termo sindemia, porque sugere a sinergia de diversos fatores para determinar desfechos e os determinantes sociais - como as desigualdades e os fenômenos culturais - afetam em muito a situação do país e de Santa Catarina em relação à infecção pelo coronavírus”, informa.

Vanessa adverte ainda que a curva se comporta de acordo com a transmissão do vírus. “Se houver relaxamento de todas as medidas, a tendência dos números é voltar a subir”, alerta.

Embora cada município tenha suas medidas de combate ao coronavírus indicando o que pode ou não ser feito, a professora do IFSC destaca que, no Brasil, nunca houve clareza de quais medidas exatas deveriam ser tomadas pela população. “A gente não teve de fato uma estrutura de fechamento, de lockdown, de confinamento e continua muito divergente”, afirma Vanessa.

Para a professora, a progressiva abertura de ambientes em que não haja uma ventilação adequada pode trazer um previsível aumento dos casos da doença. “Seria importante que houvesse uma estratégia de comunicação federal que apresentasse razões pelas quais as pessoas deveriam manter os cuidados básicos do uso da máscara e de higiene pessoal, bem como a possibilidade de acesso aos insumos básicos para adesão às estratégias de prevenção não-farmacológicas”, defende.

É preciso pensar no outro

Sem clareza do poder público, as pessoas passaram a decidir sobre relaxar ou não as medidas de maneira individual. No entanto, segundo Vanessa, quando estamos em uma pandemia de uma doença infecto-contagiosa, não existe medida ou decisão individual. “Tudo aquilo que eu fizer afeta a sociedade, afeta os que estão a minha volta e, consequentemente, os que estão a volta deles”, explica. “Decisões individuais relacionadas a medidas de isolamento são sempre decisões sociais”, enfatiza.

Citação da professora do IFSC Vanessa Jardim: "Quando falamos de relaxar medidas de isolamento, jamais devemos pensar de modo individual."

Para a chefe do Departamento de Psicologia da UFSC, Andrea Steil, é preciso que as pessoas desenvolvam a empatia e compreendam que a qualidade de vida também depende do coletivo. “Quanto mais pessoas empáticas existirem, mais haverá pressão social para que todos sejam empáticos, criando um círculo virtuoso em direção ao distanciamento social e ao combate à pandemia”, afirma.

Ainda é arriscado flexibilizar as medidas de distanciamento social?

Enquanto houver a circulação do vírus e não houver imunidade, nenhuma ação é isenta de riscos. “É importante que a população siga as regras locais relacionadas ao distanciamento social e as medidas de higiene e de proteção, que já deveriam ser hábitos incorporados”, enfatiza a professora do IFSC.

O maior risco está na tendência de aproximação física entre as pessoas e de aglomeração. “Não há testes que garantam a ausência do vírus nos indivíduos assintomáticos ou pré-sintomáticos”, alerta Vanessa.

-> Entenda a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos

Sobre a necessidade ou não de higienizar as compras de supermercado ou lavar as roupas toda vez que se sai de casa, a epidemiologista compartilha da opinião do médico e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que, em um vídeo, comentou da importância de concentrar as energias em cuidados essenciais como o uso de máscara, a higienização das mãos e a distância mínima entre as pessoas. Assista aqui.

Fatores a serem considerados na hora de decidir flexibilizar ou não

A manutenção do distanciamento social não significa que não possamos ver familiares e amigos, mas precisamos respeitar os protocolos de segurança e considerar os riscos. Para a enfermeira epidemiologista do IFSC, estar consciente dos riscos é o primeiro passo para tomar a decisão do que fazer e de quanto fazer, uma vez que não há ausência de riscos. O que pode ser feito, segundo ela, é adotarmos medidas para minimizar esses riscos, como manter o distanciamento mínimo entre as pessoas que não moram na mesma casa, utilizar máscaras corretamente, fazer a higienização frequente das mãos e procurar manter-se em espaços bem ventilados, preferencialmente, ao ar livre. 

Outro ponto que precisa ser considerado são os fatores de risco para o agravamento da doença. Se você possui um desses fatores, mora ou convive com quem tenha, precisa levar isso em conta ao decidir sobre possíveis encontros e atividades.

-> Conheça os fatores de risco para a Covid-19

Quais atividades apresentam menos risco?

Para quem precisa de um momento de respiro, é possível pensar em saídas em que os riscos sejam menores. A opção de lazer mais viável são as atividades feitas ao ar livre, com poucas pessoas.

Com o verão chegando, a praia poderia ser um local seguro nos municípios que já permitem a permanência das pessoas nesses lugares. No entanto, o problema, segundo Vanessa, é a tendência à aglomeração. “A praia em si, é segura, porém, a tendência à aglomeração, consumo em bares e restaurantes, isso sim representa um risco de transmissão e contaminação”, alerta. 

Da mesma forma, piscinas também são ambientes seguros, uma vez que não há proliferação do vírus na água. A questão é manter o distanciamento e não haver reunião de grupos de pessoas fora do núcleo familiar (que não morem na mesma casa).

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Oxford e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, publicado no periódico de saúde The BMJ, elaborou uma tabela para ajudar a avaliar o risco de infecção cada vez que você vai a um evento social. Fatores como o uso de máscaras, o tempo de contato com outras pessoas, a ventilação do local, a quantidade de pessoas e até o que elas estão fazendo — falar, cantar, gritar ou permanecer em silêncio - fazem com que os riscos sejam maiores ou menores.

Conviver com quem já teve Covid-19 é menos arriscado?

Segundo Vanessa, analisando de forma lógica, é menos arriscado considerando que quem já teve a doença apresenta anticorpos que dão uma garantia de pelo menos 90 dias para que não se contamine novamente, podendo essa imunidade durar mais ou menos - ainda não há uma certeza. No entanto, a professora lembra que, do ponto de vista epidemiológico, quem já teve Covid-19 pode ainda ser transmissor indireto.

-> Assista neste vídeo a enfermeira e professora do curso técnico de Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC Ângela Kirchner explicando sobre a necessidade de haver preocupação mesmo no caso de quem já teve a Covid-19

E se eu me reunir sempre com as mesmas pessoas?

Alguns especialistas têm comentado sobre formar “contact clustering”, que seria conviver sempre com essas mesmas pessoas em um pequeno grupo, diminuindo os riscos. “A proposta é interessante e o conceito de cluster ou agrupamento de semelhantes é utilizado para estudo da transmissibilidade e comportamento das doenças infecciosas, porém, dificilmente há de se garantir o convívio único em um cluster”, comenta Vanessa. A dificuldade em restringir os membros desse grupo a um único contexto ocorre, pois algumas pessoas terão que sair para trabalhar e por outras razões - como ir ao supermercado ou a um médico, por exemplo.

Para a professora do IFSC, esta estratégia deve ser pensada como uma medida de proteção e não de afrouxamento. “O incentivo ao contact cluster se refere a, por exemplo, pessoas de serviços essenciais que convivem juntos ou profissionais da saúde de um mesmo setor que, neste caso, são incentivados a manter o contato intra grupo e distanciamento dos núcleos familiares”, exemplifica.

A política de redução de danos é um caminho?

Conforme já falamos no post da semana passada, o vírus não será extinto mesmo depois que tivermos uma vacina para proteger a população. Conviver com a doença será uma realidade sempre presente. No entanto, isso não significa ignorar as medidas de cuidados que podemos ter para evitar a proliferação do vírus.

A estratégia do Japão de conviver com o vírus não é uma unanimidade. Para a enfermeira epidemiologista do IFSC, neste caso, é preciso levar em consideração questões culturais, sociais e até geográficas. “Todos nós teremos que aprender a conviver com a pandemia nesse conceito de redução de danos, de diminuir os riscos de contaminação, mas, ainda assim, os danos num país como o Brasil serão sempre maiores por causa das desigualdades sociais que temos”, afirma Vanessa.

A dificuldade em manter o distanciamento social

Um estudo publicado na Revista de Administração Pública em agosto deste ano, feito por pesquisadores da UFSC e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), investigou os fatores que predizem a intenção da pessoa permanecer em distanciamento social no Brasil.  A coleta de dados foi feita de 31 de março a 6 de abril com pessoas com mais de 18 anos e que podiam escolher permanecer em distanciamento social.

Na época, em uma escala de 1 a 7, a média da intenção de permanecer em distanciamento social foi de 6,16 - o que sugere que a amostra concentrou participantes que se consideram altamente inclinados à adoção da medida. Entre os fatores que influenciaram na intenção de permanecer em distanciamento social, o preditor que mais impactou foi a pressão social exercida sobre as pessoas pelos seus pares. “Quanto mais a pessoa percebe que as pessoas importantes para ela pensam que ela deveria permanecer em distanciamento social, mais disposição esta pessoa apresentará para adotar e manter o distanciamento social durante a pandemia”, explica a chefe do Departamento de Psicologia da UFSC Andrea Valéria Steil, que foi uma das autoras do estudo.

Os resultados desta pesquisa são úteis para a elaboração de estratégias que promovam a permanência em distanciamento social. “Dado que sabemos o que as pessoas levam em consideração na sua decisão de se manter em distanciamento social, podemos desenvolver estratégias e comunicações persuasivas, com bases científicas, para este fim”, destaca Andrea.

As evidências desta pesquisa demonstram que é fundamental que se identifiquem quais são as pessoas influenciadoras para as pessoas como, por exemplo, líderes vinculados à ciência ou líderes religiosos, políticos, comunitários e digitais. “A partir desta identificação, seria importante garantir que todos esses líderes, em uníssono, disseminassem a necessidade de manutenção de distanciamento social e não apenas falassem sobre a importância do distanciamento, como também praticassem”, explica a professora da UFSC.

Como tornar o distanciamento social menos sofrido?

Segundo Andrea, as pessoas vinculam a necessidade de manutenção de uma rotina construída ao longo da vida com a sua saúde mental. Essa rotina envolve, em muitos casos, sair para trabalhar, ir à academia, encontrar os amigos em restaurantes ou bares com uma determinada frequência, levar as crianças para a escola, ir ao cinema, entre outras atividades. No entanto, no momento em que precisamos estar em distanciamento social, essa rotina precisa de fato mudar. “A questão é como mudamos a rotina e como organizamos o nosso pensamento com relação ao que a mudança de rotina significa para cada um de nós”, afirma.

A mudança na forma que percebemos o distanciamento social tem um impacto grande sobre nosso sentimento com relação a ele e sobre a nossa decisão de permanecer nessa situação. Como exemplo, a professora da UFSC sugere mudar o pensamento para “estou em casa segura” ao invés de “estou trancada em casa” ou “não vou abraçar minha família (que mora em outra residência e tem interações com outras pessoas) agora para poder abraçá-la depois” ao invés de “ninguém decide por mim se eu abraço ou não a minha família”.

Essa mudança de pensamento ajuda, pois a forma como cada pessoa enxerga os benefícios do distanciamento social determina a decisão sobre permanecer ou não em distanciamento. “Atualmente, desenvolver crenças positivas com relação ao distanciamento social é um sinal de cuidado pessoal e empatia para com as demais pessoas, especialmente com as mais vulneráveis”, destaca a professora.

É preciso continuar se cuidando

Embora o risco de contágio vá se tornando mais reduzido em alguns lugares, a convivência com o vírus é uma perspectiva a longo prazo. “O relaxamento das medidas pode iniciar um novo ciclo como temos visto na Europa”, destaca Vanessa.

Em uma live da Organização Mundial de Saúde (OMS) realizada no mês de outubro, o diretor de Emergências da entidade, Mike Ryan, enfatizou a necessidade de continuarmos com os cuidados para evitar a transmissão do vírus, uma vez que isso nos dá tempo para aprender mais sobre a doença e pode preservar a vida de quem tem mais chance de ter complicações caso contraia a Covid-19. “Se deixarmos todo mundo sair, vamos pagar um preço alto, teremos danos colaterais e eu não aceito que as pessoas mais velhas sejam sacrificadas desta forma porque isso não é correto e não é quem nós somos enquanto sociedade”, afirmou.

Para a professora Andrea, não há justificativa para o relaxamento do distanciamento social. “A vida é mais importante do que uma satisfação passageira”, afirma. Segundo ela, é possível restabelecer contato com pessoas importantes para nós sem relaxarmos as regras de distanciamento social e é possível manter o distanciamento físico e a conexão social e afetiva ao mesmo tempo. “A forma será diferente, exigirá adaptações, mas é possível”, conclui.

A professora da UFSC destaca ainda que manter o distanciamento social é uma questão de valorizar a nossa vida e a vida das demais pessoas, especialmente das mais vulneráveis. “Não há como combater a disseminação do vírus na população sem algum tipo de renúncia pessoal e coletiva”, afirma. “Isso inevitavelmente impactará em nossos sentimentos e emoções, mas o momento nos exige um pensamento empático e solidário”, enfatiza. 

Citação da professora da UFSC: "Ninguém é uma ilha. Precisamos pensar sistemicamente."

-> Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?

A epidemiologista do IFSC, por sua vez, ressalta que a vacina não deve ser considerada como a única solução, mas sim parte da estratégia nacional de enfrentamento à pandemia. “Independentemente do grau de proteção que a vacina irá conferir à população, certamente ainda serão necessárias medidas de proteção individual e coletiva”, conclui Vanessa.

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Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 27 out 2020 13:45 Data de Atualização: 27 out 2020 17:41

A expectativa é grande e as perspectivas, promissoras: universidades, empresas, institutos de pesquisa e laboratórios farmacêuticos de todo o planeta concentram esforços em busca de um método eficiente de imunização contra o coronavírus Sars-Cov-2, patógeno responsável pela atual pandemia da nova doença chamada de Covid-19.

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizados em 19 de outubro mostram que há, no momento, 44 vacinas em testes clínicos. Destas, dez já estão na terceira fase dos testes, que é a última antes da aprovação para uso pelos sistemas de saúde.

Em função dos resultados já observados, a expectativa da OMS é que haja vacinas aprovadas para aplicação na população até o final deste ano. Considerado o tempo necessário para produção em escala, distribuição e organização dos sistemas de saúde, a previsão é que as aplicações comecem a ser feitas em meados de 2021.

Quer dizer, então, que dentro de alguns meses vai estar tudo resolvido com a vacina? Muita calma nessa hora, porque não é assim que a coisa funciona. Sucintamente, a existência da vacina não vai acabar com a existência do vírus.

Neste post, a gente vai explicar:

- Que perguntas ainda precisam ser respondidas em relação às maneiras como o sistema imunológico reage ao vírus, e o que isso tem a ver com o desenvolvimento da vacina;
- Por que a obtenção da vacina não significa, necessariamente, o fim da pandemia;
- Por que a vacinação é o melhor jeito de prevenir doenças graves.

Vacina contra a Covid-19: em que pé estamos?

Como já dissemos, existem atualmente 44 vacinas em estágios mais avançados de testes, e, entre estas, dez já estão na última etapa dos testes clínicos e são, portanto, as mais promissoras. Duas desse grupo têm testes sendo realizados no Brasil: uma chamada de Coronavac, desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac e testada, aqui, pelo Instituto Butantan. A outra, da Universidade de Oxford com a empresa anglo-sueca Astra Zeneca, tem parceria no Brasil com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Já explicamos num post anterior que o primeiro passo para desenvolver uma vacina é conhecer bem o micro-organismo contra o qual se está buscando a proteção. E faz menos de um ano que a humanidade se deparou com o chamado Sars-Cov-2, que é parecido com outros coronavírus, mas tem suas especificidades – tanto é assim, que ele provoca uma doença totalmente nova.

Se levarmos em conta o tempo entre o surgimento do novo coronavírus e o estágio atual das pesquisas, é possível dizer que esse trabalho de desvendamento do coronavírus de olho na obtenção de uma vacina vem sendo desenvolvido de forma muito rápida, na opinião do infectologista Paulo Henrique Matayoshi Calixto, professor do Câmpus Lages do IFSC. “Todo o conhecimento que a gente tem sobre o novo coronavírus é de dez meses de pesquisas”, analisa. Ele reconhece que nesse tempo houve muitos avanços, como o sequenciamento do genoma do vírus, a identificação das proteínas de superfície que atuam como receptores, entre muitos outros aspectos que estão relacionados à forma como o vírus infecta as células humanas. “Mas, ao mesmo tempo, a gente ainda não conhece bem a interação desse vírus com o hospedeiro. Porque uma coisa é fazer testes in vitro, testes em laboratório utilizando células isoladas. Quando a gente traz essa análise para um organismo, a história muda bastante”, salienta. E isso impacta diretamente na obtenção de uma vacina eficaz.


Também docente no Câmpus Lages, onde atua na área da imunologia, a farmacêutica bioquímica Rosane Schenkel de Aquino considera que experiências anteriores com pesquisas sobre outros patógenos contribuem para o andamento das pesquisas com o Sars-Cov-2. “Não tenho como dizer que a gente sabe tudo sobre ele, mas eu diria que a gente teve um avanço muito grande, porque muitos pesquisadores estão voltados a ele”, afirma. Com isso, os avanços tecnológicos de outras pesquisas contribuem para a celeridade dos estudos com o novo vírus, assim como a experiência com outras vacinas também mostra caminhos para o desenvolvimento da nova.

Porém, algumas questões ainda precisam ser desvendadas para que se entenda, mais claramente, os efeitos que o novo coronavírus desencadeia na resposta imunológica do organismo. “É uma incógnita, porque a gente ainda não sabe como vai ser o grau de proteção. As vacinas que estão tendo testadas aqui no Brasil, tanto a chinesa quanto a de Oxford, são vacinas que têm um percentual de imunogenicidade muito grande, entre 95 e 98%. Elas geram os anticorpos. O que a gente não sabe é se esses anticorpos são suficientes para a eliminação do vírus”, explica o professor Paulo Calixto.

Sistema imunológico, o grande mistério

O principal nó que os cientistas do mundo inteiro estão tentando desatar envolve entender como o sistema imune das pessoas reage ao novo coronavírus. Já se sabe que os infectados desenvolvem resposta imune – ou seja, suas células de defesa entram em ação quando identificam o invasor e atuam para eliminá-lo. O problema é que não está claro o quão forte é essa resposta imunológica, assim como o tempo que ela perdura após a infecção. 

Neste vídeo (em inglês), dois diretores da área de epidemiologia da OMS reconhecem que a compreensão desse processo é importante para que se chegue na melhor vacina. De acordo com a líder técnica de resposta à Covid-19 na entidade, Maria Van Kehrhove, o tipo de resposta imunológica pode variar, dependendo de condições pré-existentes, do quadro do paciente, entre outros aspectos. Já se sabe, segundo ela, que o nível de imunidade diminui gradualmente após a cura da doença, mas não se tem clareza sobre o tempo em que isso ocorre – há diferentes estudos com resultados diversos. Sabe-se, porém, que a imunidade não perdura para sempre, da mesma forma como em outros coronavírus. “O que nós precisamos entender sobre esse coronavírus especificamente é quanto tempo a imunidade vai durar, e, se ela vai necessariamente diminuir, quando isso vai acontecer e o que isso significa”, sublinha.

Como a vacinação implica uma “simulação” de ataque do organismo pelo agente patógeno, entender como o sistema imunológico funciona numa infecção real é essencial para que se possa também chegar na melhor forma de imunização por meio da vacina. Se não está claro quanto tempo a imunidade do corpo permanece ativa após a infecção, não é possível saber com certeza quanto tempo a vacina irá durar. É por isso que os parâmetros de vacinação são diferentes entre várias doenças, como sarampo, febre amarela, gripe, entre tantas outras – algumas demandam imunização anual, outras, a cada cinco ou dez anos. E compreender como o sistema de defesa funciona envolve também a possibilidade de uma mesma pessoa contrair a doença mais de uma vez.

“Mesmo que você possa se infectar novamente, a questão é sobre a severidade dessa segunda infecção. Ou seja, sua primeira infecção pode dar alguma vantagem para a resposta do sistema imunológico, deixando a segunda menos severa, ou pode ser como a dengue, que é mais severa em casos de reinfecção. Com a Covid-19 isso ainda não está claro. Temos hoje muitos estudos que estão acompanhando pessoas que têm segunda infecção, para realmente determinar se ela é igual, pior ou mais branda”, explica o diretor executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Mike Ryan.

É importante reforçar a importância da vacinação como método de prevenção. Toda vacina que está no mercado é segura e a porcentagem de reação adversa costuma ser insignificante. Paulo Henrique Matayoshi Calixto, professor do Câmpus Lages.

Se ainda há muitas questões a responder, a vacina aguardada para os próximos meses vai funcionar?

Os professores Paulo Calixto e Rosane Aquino concordam que a vacinação deverá ser segura, já que os protocolos de segurança impedem a liberação de substâncias que representem algum risco. Porém, o tempo de desenvolvimento da vacina contra o Sars-Cov-2 será recorde. Até hoje, a vacina contra a caxumba foi a que envolveu menos tempo de pesquisas: quatro anos. “O tempo médio é de dez anos para que uma vacina chegue ao mercado. E estamos falando de 12 meses para colocar a vacina no mercado. Muito provavelmente, a gente vai vacinar uma parte da população, e essa vacinação em massa é que vai ser o teste de eficácia dessa vacina”, analisa Paulo.

Na análise de Rosane, a liberação da vacinação para a população não vai significar conclusão das pesquisas. Pelo contrário. Todas as informações sobre a duração da imunização serão obtidas com os dados epidemiológicos que serão coletados no acompanhamento à população imunizada. "Esse encurtamento do prazo [para o desenvolvimento da vacina] faz com que a própria campanha de vacinação sirva de dado epidemiológico. Mesmo chegando na vacina, ainda tem muita pesquisa pela frente”, antecipa a professora.

O vírus não vai deixar de existir, sumir. O nosso sistema imunológico vai estar pronto para combatê-lo, mas ele vai continuar circulando. Então a vacina vai nos proteger. Rosane Schenkel de Aquino, professora do Câmpus Lages

Além disso, os professores ressaltam que a capacidade de mutação do coronavírus pode significar necessidade de frequentes atualizações da vacina e necessidade de vacinações periódicas – como já é o caso da imunização contra a gripe, provocada pelo vírus influenza, que deve ser repetida anualmente. “A gente sabe que esse coronavírus é um vírus mutante, talvez não com a mesma velocidade do influenza, mas ele tem uma velocidade de mutação que é maior do que a de outros vírus”, diz Rosane. Ou seja, qualquer que seja a vacina disponível ainda em 2020 ou em 2021, ela certamente ainda precisará ser incrementada e adaptada às variações que o vírus poderá desenvolver.


Isso quer dizer, então, que a vacina não vai exterminar o novo coronavírus?

É preciso ficar claro: a vacinação poderá, sim, apaziguar a pandemia, na medida em que irá aumentar a imunidade das pessoas e, com isso, reduzir os índices de contágio. Mas a vacinação não vai extinguir o vírus. Tome-se o caso, por exemplo, de doenças que foram praticamente erradicadas com a vacinação em massa, como o sarampo. O fato de grande parte das pessoas estarem imunizadas não significa que o vírus desapareceu. Ele continuava em circulação, a ponto de encontrar espaço para provocar novos surtos da doença (como o que ocorreu no Brasil, em 2019) quando houve baixa nos índices de vacinação.

“O vírus não vai deixar de existir, sumir. O nosso sistema imunológico vai estar pronto para combatê-lo, mas ele vai continuar circulando. Uma vez circulando, a não ser que ele vá sofrendo mutação e vá perdendo essa capacidade de infectar os seres humanos, ele vai continuar por aí. Então a vacina vai nos proteger”, sintetiza a professora Rosane Aquino.

Se a vacina não significa acabar com o vírus, por que devo me vacinar?

Os vírus e outros agentes infecciosos não desaparecem, simplesmente. O que ocorre é que, com a imunização da população, eles encontram menos oportunidade para provocar infecções – e, em decorrência, surtos ou epidemias. De acordo com a OMS, a imunização por meio da vacinação evita, anualmente, entre 2 e 3 milhões de mortes por doenças infecciosas como difteria, sarampo, tétano, coqueluche, gripe e sarampo. 

No caso específico da aguardada vacina contra a Covid-19, os professores Paulo Calixto e Rosane Aquino sustentam que, mesmo com as questões ainda em aberto em relação ao tempo e grau de imunização, receber a vacina será a melhor forma de prevenção e controle da doença. “É importante reforçar a importância da vacinação como método de prevenção. Toda vacina que está no mercado é segura e a porcentagem de reação adversa costuma ser insignificante”, destaca Paulo. E imunizar-se pode ser visto, também, como uma responsabilidade social, como observa Rosane, já que pandemias como a atual provocam um impacto muito grande no sistema de saúde pública. “A gente tem uma tendência a pensar muito individual, mas é preciso considerar o ganho social que vem com a vacina”, sinaliza.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

-> Tire dúvidas sobre vacinas no site da Fiocruz
-> Conheça a página sobre vacinas e imunização da Organização Mundial da Saúde (em inglês)
-> Acompanhe informações atualizadas sobre o desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 (em inglês)

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Câncer de mama e outras doenças: como manter a prevenção e tratamento durante a pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 20 out 2020 13:42 Data de Atualização: 20 out 2020 15:40

A pandemia de Covid-19  mobiliza o mundo inteiro para o combate a esta doença. Porém, profissionais da saúde alertam para a necessidade de se manter os cuidados com outros problemas de saúde que podem se agravar caso não recebam a atenção adequada. Como exemplo, vamos falar no post da semana sobre o câncer de mama, em destaque devido à campanha Outubro Rosa, de prevenção e detecção precoce desse tipo de neoplasia. 

A preocupação com a baixa procura por diagnóstico e tratamento já se reflete nas estatísticas: uma pesquisa do Ibope Inteligência, a pedido da farmacêutica Pfizer, entrevistou 1,4 mil mulheres com 20 anos ou mais, de 11 a 20 de setembro, e concluiu que 62% deixou de ir ao ginecologista ou mastologista durante a pandemia (desde março de 2020). Entre as mulheres com mais de 60 anos, 73% deixaram de fazer exames de rotina. Já nos primeiros sete meses de 2020, houve uma redução de 45% no número de mamografias pelo Sistema Único de Saúde (SUS), na divulgação da Sociedade Brasileira de Mastologia.

A diminuição de consultas é preocupação do médico oncologista Leopoldo Back, que atua no Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), em Florianópolis. “O fato de existir uma pandemia de Covid-19 não abole, não faz desaparecer as outras doenças. A percepção que a gente tem é que essas outras doenças podem ficar piores por falta de acompanhamento e tratamento”, alerta o médico.

O câncer de mama, especificamente, é o câncer mais prevalente em todas as regiões do Brasil, sem considerar o câncer de pele não melanoma. O Ministério da Saúde estima que 66.280 casos novos de câncer de mama para cada ano do triênio 2020-2022. Esse valor corresponde a um risco estimado de 61,61 casos novos a cada 100 mil mulheres. Em Santa Catarina, a estimativa é maior que a média nacional, 75,24 casos para cada 100 mil habitantes por ano.

Para falar sobre prevenção e tratamento durante a pandemia, vamos abordar neste post:

- Por que é importante manter os exames de rotina
- Mamografia ou autoexame, qual a melhor opção?
- Exames de rastreamento para outros tipos mais comuns de câncer
- Estou com Covid-19. Devo interromper o tratamento contra o câncer?

Por que é importante manter os exames de rotina

O médico oncologista Leopoldo Back observa que o número de pessoas que comparecem a consultas médicas de oncologia tem caído sensivelmente durante a pandemia, por diversos motivos: um deles é o medo de comparecer a clínicas ou no ambiente hospitalar e contrair a Covid-19. 

Também observa que, no serviço público, onde atua, houve uma restrição ao número de consultas, para evitar a contaminação, o que fez alguns pacientes perderem consultas e precisarem remarcar. Além disso, o encaminhamento de pacientes oncológicos é feito pelo Sistema de Regulação da Secretaria de Estado da Saúde, que tem reduzido consideravelmente o encaminhamento de pacientes novos. 

Segundo o médico, deixar de ir às consultas e exames por medo de contrair o vírus Sars-Cov-2 não é a melhor conduta, tanto para quem já está em tratamento quanto por quem precisa fazer o rastreamento. “Isso é muito preocupante. O paciente está sem atendimento e o câncer não para, ele vai continuar crescendo. Com certeza esses pacientes vão chegar em um estado pior para a gente”, afirma. 

"O fato de existir uma pandemia de Covid-19 não abole, não faz desaparecer as outras doenças. A percepção que a gente tem é que essas outras doenças podem ficar piores por falta de acompanhamento e tratamento". Leopoldo Back, médico oncologista

Mamografia é mais eficaz que o autoexame

Sobre o câncer de mama, especificamente, Back lembra que, quando descoberto no início, a chance de cura é bastante alta (95%, segundo a Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – Femama), assim como evita a necessidade de realizar tratamentos mais agressivos. Sobre o autoexame das mamas, que pode ser realizado em casa, o médico faz um alerta: “o autoexame ajuda, mas o nódulo só é apalpado quando ele tem mais de um centímetro. Essa detecção é ainda mais prejudicada em mulheres com mama muito volumosa ou mulheres jovens, com a mama mais densa”. 

Por isso, é importante que as mulheres mantenham seus exames em dia, realizando mamografias anuais a partir dos 40 anos ou conforme indicação do seu médico, se houver histórico da doença na família ou outros fatores de risco.

Veja na campanha da Femama para o Outubro Rosa mais detalhes sobre como realizar os exames, direitos dos pacientes, fatores de risco, prevenção e tratamento.

Outros exames importantes

Alguns dos exames de detecção precoce de câncer mais indicados são: mama (mamografia), colo de útero (papanicolau), colorretal (colonoscopia) e pulmão (raio X do tórax para pacientes fumantes), que detectam alguns dos tipos de câncer mais prevalentes na população brasileira (veja quadro abaixo):

Tabela com estimativa de casos de câncer para o Brasil em 2020
Distribuição proporcional dos 10 tipos de câncer mais incidentes estimados para 2020 por sexo, exceto pele não melanoma. Fonte: Instituto Nacional do Câncer (Inca)

O médico oncologista Leopoldo Back lembra também que em Florianópolis é alta a incidência de mulheres com câncer de tireoide, por isso é recomendado o exame de ultrassom para quem tem histórico familiar da doença ou alteração prévia na tireoide. 

Sobre a alta incidência de câncer de pulmão na população catarinense, alerta que “essa é uma doença que é prevenível, basta não fumar. Quem é fumante deve se cuidar, realizar periodicamente uma radiografia de tórax e procurar o médico em caso de sintomas. O ideal mesmo é parar de fumar”.

Tabela com estimativa de casos de câncer para Santa Catarina em Florianópolis em 2020
Distribuição proporcional dos 10 tipos de câncer mais incidentes estimados para 2020 por sexo, exceto pele não melanoma. Fonte: Instituto Nacional do Câncer (Inca)

Back lembra que realizar esses exames não representa riscos de contrair o coronavírus, pois as clínicas e hospitais estão seguindo protocolos de segurança para realização de consultas e demais procedimentos. “O câncer tem que ser encarado com muita seriedade pelas pessoas, pois é a segunda doença com mais mortalidade no país, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares”, alerta.

Além dos exames de detecção de câncer, é importante manter uma rotina de cuidados com a saúde, principalmente para quem tem fatores de risco para adquirir a forma grave da Covid-19 (idade acima de 65 anos, problemas cardiovasculares, diabetes, entre outros). Para saber se você tem um ou mais fatores de risco e quais cuidados tomar, acesse o post do IFSC Verifica sobre o assunto.

"O câncer tem que ser encarado com muita seriedade pelas pessoas, pois é a segunda doença com mais mortalidade no país, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares". Leopoldo Back, médico oncologista

O que pacientes com câncer devem fazer se contraírem a Covid-19

Segundo o médico oncologista Leopoldo Back, uma pessoa que esteja enfrentando um tratamento de câncer, se for contaminada pelo Sars-Cov-2, precisa interromper o tratamento do câncer e curar a Covid-19 primeiro. Ele explica que a Covid-19 é uma doença aguda, de alto risco, por isso deve ser tratada como prioridade.

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Viajar e se hospedar em um hotel pode ser seguro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 13 out 2020 12:38 Data de Atualização: 14 out 2020 13:48

Com seis meses de restrições sociais, home office, crianças sem escola e tantas outras dificuldades deste ano, muita gente não vê a hora de viajar. Os amantes do turismo, então, estão saudosos por fazer as malas. Na Ásia tem até companhias aéreas ofertando voos de mentirinha, que nunca partem, ou que saem e voltam para o mesmo aeroporto, só para as pessoas matarem a saudade de viajar de avião. Pode?

Se o seu caso não é tão dramático, mas você está preocupado em melhorar a sua saúde mental sem deixar de lado os cuidados para não pegar a Covid-19, ou precisa viajar por conta de trabalho, este post é para você! O IFSC Verifica foi atrás dos principais protocolos para uma viagem mais segura e ouviu uma equipe de profissionais das áreas de Turismo e de Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, além de uma enfermeira epidemiologista que vai mostrar cuidados básicos principalmente no trajeto até o seu destino.

Mas é bom reforçar: o mais recomendável é ainda ficar em casa. Se você e sua família estão enfrentando bem o isolamento, esperem mais um pouco!

Veja o que vamos abordar no post desta semana:

- O que o turismo na pandemia tem de diferente?
- Quais as formas mais seguras de viajar?
- Quais cuidados tomar pensando em si e nos outros?
- O que são protocolos e selos do turismo?
- Como escolher um meio de hospedagem?
- Como verificar se o hotel segue boas práticas de higienização?

Antes de mais nada, seja um turista responsável

A principal regra em relação à pandemia do novo coronavírus vale também para o Turismo: se você apresenta algum sintoma da doença ou esteve com alguém com Covid-19 nos últimos 14 dias, deve adotar o isolamento social. Ou seja, nada de viajar! Ao tomar essa atitude, você está cuidando de si próprio, da sua família e se preocupando com as pessoas com quem teria contato durante a viagem. 

É o primeiro passo para um turismo responsável. No protocolo para turistas do Ministério do Turismo também não se recomenda a viagem se você apresenta algum fator de risco ou se mora com alguém que faça parte desses grupos. 

Veja aqui quais são os fatores de risco. 

O segundo passo é conhecer bem o destino que você escolheu: como está a proliferação da Covid-19 no local e quais medidas de segurança são adotadas. Alguns países ainda não estão aceitando turistas. 

E como a incerteza anda de mãos dadas com essa pandemia, seja flexível. Essa já é uma dica de turistas profissionais, mas que agora é ainda mais importante de ser seguida. Afinal, você não sabe como estará sua saúde no dia da viagem nem quais restrições o destino que você escolheu estará adotando. Talvez você não consiga ir ao museu que tanto quer ou nem possa ficar na praia. E ainda: uma segunda onda da Covid-19 é registrada em vários países e a exigência de quarentena para os viajantes que chegarem a esses locais não pode ser descartada.

Se mesmo assim você quer muito viajar, elaboramos 10 principais orientações para ser um turista responsável, com base nas Diretrizes Globais para a Retomada do Turismo, da Organização Mundial do Turismo, no protocolo para turistas do Ministério do Turismo, no "Guia do Viajante Responsável", produzido por 27 entidades do setor turístico e viajantes profissionais que compõem o Movimento Supera Turismo e no guia "Orientações aos Viajantes" da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). E, principalmente se for fazer uma viagem ao exterior, recomenda-se olhar com atenção as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Arte em fundo verde com mulher utilizando máscara e o título: 10 passos para um turista responsável: Para viajar, esteja bem de saúde e certifique-se que não teve contato com pessoas com Covid-19 nos últimos 14 dias Conheça as regras e protocolos por onde passará na viagem, desde o meio de transporte até a hospedagem Use máscara em locais públicos ou compartilhados Higienize as mãos com frequência Mantenha o distanciamento, sem cumprimentos nem abraços Priorize o check-in on-line Ao escolher a hospedagem, opte por hotéis que estão cumprindo protocolos, como os que têm selos de turismo responsável Não compartilhe equipamentos e objetos pessoais Evite qualquer tipo de aglomeração Prefira passeios ao ar livre

A enfermeira epidemiologista Vanessa Tuono Jardim, do Câmpus Florianópolis, esclarece que aglomeração durante a pandemia pode ser um pouco diferente do que você imagina: "Qualquer lugar em que você não consiga manter o distanciamento de 1,5 a 2 metros de outras pessoas é aglomeração!"

Se você passou no check-list, vamos agora entender como as empresas estão aderindo às novas regras de higienização e distanciamento no turismo. As mudanças vão desde a redução de passageiros em um ônibus ou de hóspedes em um hotel até novas orientações na limpeza dos ambientes.

Selos indicam locais e empresas que se comprometem a adotar protocolos de higienização

Em todo o mundo organizações civis, de classe e setores governamentais elaboraram uma série de protocolos para a retomada do turismo. São regras e manuais que indicam como prevenir a proliferação da Covid-19 e, assim, dar mais segurança a quem está viajando. Empresas e localidades que se comprometem a seguir esses protocolos podem ser certificadas com um selo, como explica a coordenadora do Curso Superior de Turismo do Câmpus Florianópolis-Continente, Fabiana Calçada Leite: "O diferencial de um destino, de um atrativo, de um equipamento, de um meio de hospedagem, passa também pela higiene ou sanitização. É mais um ponto que se tem que levar em consideração nas estrelinhas de qualificação. A questão da saúde é um diferencial."

Entre os selos reconhecidos pelo setor está o Safe Travels (Viagens Seguras), elaborado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (em inglês World Travel & Tourism Council - WTTC)  em parceria com governos, especialistas em saúde e outras associações do setor. O próprio WTTC reconhece que não há como garantir 100% de segurança, mas os protocolos são uma forma de buscar a retomada do setor - um dos mais prejudicados em todo o mundo. 

No Brasil, o Ministério do Turismo lançou em junho o selo Turismo Responsável, um programa que estabelece boas práticas de higienização para cada segmento do setor. No site http://www.turismo.gov.br/seloresponsavel/ estão disponíveis os protocolos por segmento - meios de hospedagem, agências de turismo, transportadoras turísticas, organizadoras de eventos, parques temáticos, acampamentos turísticos, restaurantes e bares, centro de convenções, turismo náutico e pesca esportiva, casas de espetáculos e prestadores de serviços para eventos.

Selo do Ministério do Turismo que indica que local está seguindo normas sanitárias

O selo deve ser colocado em local de fácil visualização e a partir de um QR Code o turista poderá consultar as medidas adotadas pelo empreendimento. Você também pode consultar quais empresas já aderiram ao programa - mais de 22 mil até o fim de setembro - antes de marcar sua viagem. 

E qual meio de transporte é mais seguro?

Com a pandemia, a expectativa é que as pessoas prefiram viagens mais curtas, em que possam se deslocar com veículo próprio. É o que aponta Fabiana Calçada Leite. Entre os motivos, está a flexibilidade em poder mudar a viagem e o controle maior dos riscos. 

Se você está com pessoas do seu convívio, não é necessário o uso da máscara dentro do carro, mas a enfermeira epidemiologista Vanessa Jardim alerta para alguns cuidados no trajeto, como ao utilizar serviços em postos de combustíveis ou pontos de alimentação: "Tem que ficar muito atento ao uso correto da máscara. Não tirar nem colocar em cima da mesa porque a mesa pode estar contaminada. Higienizar as mãos antes e depois das refeições e não compartilhar objetos pessoais como talheres e toalhas." Se for possível, prefira se alimentar em locais abertos ou com ventilação natural.

No caminho, se puder, evite usar banheiros públicos, mas se precisar, não encoste em portas, bancadas e outras superfícies e após o uso lave bem as mãos e utilize álcool 70% ao sair do local.

Caso você passe por postos de pedágio, outra dica é deixar o dinheiro exato da tarifa e depois do contato com a atendente, passe álcool gel nas mãos.

Já para quem vai viajar de ônibus ou de avião, deve seguir os protocolos desses meios de transporte, como distanciamento e uso de máscara durante todo o trajeto. No Brasil, a resolução 5893 traz as medidas a serem adotadas no transporte rodoviário interestadual e internacional. E a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) traz em seu site orientações para os passageiros. Além do uso da máscara em toda a viagem, recomenda-se o check-in pela internet e atenção especial ao embarque e o desembarque. "O desembarque geralmente é uma confusão. Tem que ficar muito atento ao distanciamento na fila", orienta Vanessa Jardim.

E caso algo dê errado nos seus planos e você não possa viajar, no Brasil foram adotadas medidas emergenciais e até 31 de dezembro deste ano, o passageiro que decidir adiar a sua viagem de avião ficará isento da cobrança de multa contratual, caso aceite deixar o valor pago na passagem como crédito para utilização futura, na mesma empresa aérea.

Tendência é o turismo regional

Diante das incertezas sobre em que estágio estará a pandemia nos próximos meses, o turismo regional é apontado como tendência por profissionais da área e recomendado por organizações internacionais, como a Organização Mundial do Turismo (OMT). Para a agência especializada das Nações Unidas, o turismo doméstico representa uma oportunidade para os países desenvolvidos e em desenvolvimento se recuperarem dos impactos sociais e econômicos da Covid-19.

Para Fabiana Calçada Leite, a tendência para a temporada de verão em Santa Catarina é que os turistas venham de carro a partir de cidades ou estados próximos.  E ela destaca nesse contexto a valorização da experiência, ao contrário do turismo de massa que estávamos acostumados, com muita gente visitando muitos lugares. Veja no vídeo abaixo:

A Agência de Desenvolvimento do Turismo de Santa Catarina (Santur) também tem a expectativa de atrair mais turistas estrangeiros depois que o estado conquistou o selo Safe Travels, criado pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (World Travel & Tourism Council - WTTC) para que os turistas possam reconhecer localidades e empresas que adotam protocolos globais de saúde e higiene. Esta é uma forma de você fazer o seu roteiro de forma mais segura.

Para Fabiana, a higiene ou sanitização de um destino, atrativo, equipamento ou meio de hospedagem é hoje um dos grandes diferenciais na hora de programar uma viagem, o que também acaba diferenciando destinos e empresas. "Antes a gente tinha um perfil às vezes muito óbvio e repetitivo de destinos em destinos ou de hotéis em hotéis. Mas hoje está tudo muito específico. Então o protocolo de um destino pode ser diferente de outro. O protocolo de um atrativo pode ser diferente do outro, porque ele tem características específicas."

Como perceber se o hotel está seguindo os protocolos

Além dos selos do WTTC e do Ministério do Turismo, redes hoteleiras e governos estaduais e municipais também estão orientando os meios de hospedagem sobre os protocolos para boas práticas durante a pandemia, segundo a coordenadora do Curso Superior em Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, Fabíola Martins dos Santos. "Aqueles meios de hospedagem que já tinham protocolos operacionais padrão e seguiam esses protocolos, não tiveram muitas dificuldades em se adequar."

Segundo ela, a base que a hotelaria está utilizando hoje, com as devidas adaptações de acordo com cada realidade, é baseada nas orientações e encaminhamentos que a Anvisa coloca, principalmente com a questão higiênico-sanitária dos ambientes.

Alguns destes protocolos são bem perceptíveis pelos hóspedes e você pode verificá-los antes mesmo de reservar o hotel, pousada ou hostel. Se você se sentir mais seguro, ligue para o hotel e questione quais os protocolos estão sendo seguidos. 

A professora de Governança do Curso Superior em Hotelaria do Câmpus Florianópolis-Continente, Carla Lopes, acredita que a comunicação entre o meio de hospedagem e o hóspede (ou futuro hóspede) é um dos protocolos mais importantes para a retomada segura do setor. "No site da empresa, no momento do check-in e até em totens informativos pelo local, o meio de hospedagem precisa informar o hóspede quais protocolos estão sendo adotados. Precisa lembrá-los a todo momento da importância do uso da máscara e do distanciamento."

Carla também lembra que alguns protocolos orientam a retirada de objetos de espaços comuns e até deixar o frigobar vazio. 

"Hoje as camareiras precisam despender mais tempo na limpeza e arrumação da unidade habitacional. O que se fazia em 15 minutos agora se faz em meia hora, talvez mais tempo. Então se eu tenho um mini bar com três, quatro itens de comida mais uns quatro, cinco de bebida, ou eles vão estar todos embalados ou vou ter que higienizar todos a cada check-out porque esses itens podem ser veículos de contaminação. Como vou ter certeza que o hóspede não manuseou? Eu consideraria e recomendo para hotelaria deixar que o hóspede solicite."

Para Carla esse é mais um serviço que depende da comunicação com o hóspede, informando-o da prática no momento do check-in e que o serviço deve ser solicitado.

Essa nova prática se estende a demais objetos do quarto, como travesseiros e cobertores extras, ferro de passar, chaleira etc. Ou seja, os quartos estarão mais livres, como mostram as fotos da professora Carla.

Duas imagens com o mesmo quarto de hotel antes e depois da pandemia. Na primeira, em que está escrito "Antes", aparecem as camas cheias de travesseiros e cobre-leito. Na segunda, em que está escrito "Agora", cama aparece com menos itens.

Com base nos principais protocolos para a retomada dos serviços em meios de hospedagem e com suporte das professoras Fabíola e Carla resumimos as principais mudanças que podem ser percebidas pelos hóspedes nas áreas comuns, nos quartos e nos espaços de refeições:

Como perceber se o hotel está tomando os cuidados para evitar proliferação do novo coronavírus:

Nas áreas comuns:

- Medição de temperatura de todos que entram no hotel. 

- Limpeza e desinfecção das áreas comuns várias vezes ao dia.

- Álcool em gel 70% nas entradas e saídas das áreas comuns e de circulação, como próximo a escadas e elevadores.

- Lavatórios equipados com água, sabão e toalhas descartáveis.

- Lixeiras com acionamento sem uso das mãos.

- Hóspedes e funcionários do hotel com máscaras de proteção. 

- Comunicação visual com alertas sobre as medidas de proteção e recomendações. 

- Orientação para distância mínima recomendada de 1,5 a 2 metros entre os hóspedes nas áreas sociais. 

- Na recepção, podem ser instaladas barreiras de acrílico entre o recepcionista e o hóspede, ou distanciamento para atendimento demarcado.

- Menos sofás, mesas, cadeiras ou espreguiçadeiras.

- Mesas sem jornais, revistas e outros objetos, para evitar a contaminação indireta.

- As máquinas de débito e crédito devem estar envolvidas com filme plástico e serem higienizadas antes e após cada uso.

- Academias de ginástica somente poderão operar com agendamento de horário e devem considerar o espaçamento entre os equipamentos maior que o espaçamento previsto entre pessoas ou interditar de forma alternada os equipamentos, com limitação de acesso.

- Jacuzzis só poderão ser utilizadas mediante reserva individual (por família e por horário). Após o uso, deve-se despejar toda a água, seguido de lavagem e desinfeção e voltar a encher com água limpa e desinfetada com cloro na quantidade adequada, de acordo com o protocolo interno. 

- Saunas, solários e espaços de descanso somente poderão ser utilizados mediante agendamento. 

Nos quartos:

- É recomendável que o frigobar fique vazio. Conforme política de cada estabelecimento, o serviço pode ser oferecido no check-in para quem desejar. Assim, evita-se a presença diária de colaborador no quarto para reposição e limpeza dos produtos a cada check-out. 

- Também visando a facilidade para a limpeza do quarto, neste momento é importante que sejam removidos todos os itens que podem ser considerados supérfluos, como tapetes, almofadas, cabides em excesso, revistas, blocos de anotações, canetas e lápis.

- Itens como ferro de passar, tábua de passar roupa, travesseiros e cobertores extras, despertadores, cafeteira, chaleira etc. também devem ser removidos e fornecidos apenas quando solicitados. E quando disponibilizados ao hóspede devem estar limpos e embalados.

- Os controles remotos da TV, ar-condicionado e TV a cabo devem ser desinfetados e envolvidos em filme plástico ou colocados dentro de sacos plásticos, facilitando as próximas desinfecções.

- A limpeza do quarto não deve ocorrer com o hóspede na unidade. Evite ao máximo solicitar esse serviço. Quantos menos pessoas entrando no quarto, melhor!

Nos locais de refeições:

- Deve-se respeitar o distanciamento de 2 metros entre as mesas e 1,5 metro entre as cadeiras ocupadas.

- Serviços de buffet não são recomendados. Somente será possível se houver proteção de acrílico com colaborador para servir o hóspede e os alimentos devem estar protegidos.

- O café da manhã deve ser servido empratado e individualizado. Uma alternativa é oferecer o serviço no quarto.

- Para restaurantes com espaços reduzidos, deve-se considerar a reserva de horários pelos clientes.  

- Para locais com mesas fixas ou na impossibilidade de remoção, interditar as mesas de forma alternada, comunicando visualmente quais são as mesas livres e interditadas.

- Não é recomendada a formação de filas para solicitação e retirada do alimento pelo próprio hóspede em local de cocção. Este serviço pode existir desde que retirado pelos garçons e levado até as mesas. 

- Nas mesas, não se deve deixar as louças, copos, xícaras e talheres. Isso deve ser montado na chegada do cliente.

- Toalhas de mesa devem ser evitadas e, quando houver, utilizar o cobre manchas, que deve ser retirado logo após o uso. 

- Se tiver somente toalhas de tecido, elas devem ser trocadas a cada cliente. Em caso de jogo americano para mesa, se não for de tecido, eles devem ser desinfetados com álcool 70.

- Para o uso de guardanapos de tecido, o procedimento é o mesmo: após cada uso, devem ser retirados e encaminhados à lavanderia. 

- Quando o estabelecimento optar por guardanapos descartáveis, estes devem ser descartados imediatamente nas lixeiras em saco plástico. 

- Não é recomendável deixar utensílios em local único para retirada pelos hóspedes.

A professora Carla Lopes lembra ainda que, dependendo da estrutura do meio de hospedagem, outras medidas podem ser adotadas e que ajudam no maior controle da higiene, como toalhas embaladas em sacos plásticos, assim o item já vem protegido da lavanderia e menos pessoas acabam manuseando-o. Ela e a turismóloga especialista em operação hoteleira, Giovanna Boneli, falam sobre os protocolos no perfil "Governança Hoteleira" no Facebook e no Instagram.

E ainda, dependendo do estado ou do país, novos protocolos podem ser exigidos. E tem ainda muitas medidas que não são tão perceptíveis para os hóspedes mas estão sendo bastante valorizadas durante a pandemia, como práticas que eram adotadas pela hotelaria hospitalar e agora são utilizadas na hotelaria convencional. Veja no vídeo:

Atenção aos funcionários

Além dos protocolos que ficam bem perceptíveis para os hóspedes existem muitos outros relacionados à forma como a limpeza deve ser feita, como mostrado no vídeo acima. As professoras Fabíola e Carla reforçam ainda a importância dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para os funcionários dos meios de hospedagem.

"Na recepção, por exemplo, além da máscara, recomenda-se o uso de viseiras nos setores de recepção e governança. E no decorrer da jornada de trabalho o colaborador deve trocar a máscara a cada 4 horas ou quando perceber que se encontra úmida", explica Fabíola. 

Carla comenta ainda que equipes de governança estão sendo orientadas a repassar aos funcionários a forma como retirar os EPIs para evitar contaminação, além das técnicas e equipamentos que são aconselháveis e os que não são.

Um deles é a vassoura: "Não é de hoje que os meios de hospedagem estão substituindo a vassoura nas operações de limpeza, especialmente em ambientes fechados. As partículas de poeira acabam ficando em suspensão e o vírus gruda na poeira, acaba pegando carona na poeira, e pode atingir as mucosas. Hoje a gente recomenda para as equipes de manutenção, limpeza e governança que façam a substituição da vassoura pelo rodo PVA ou MOP, que a gente vê muito em shopping e clínicas, em que você não varre, você conduz as sujidades", explica.

Aí está uma dica da hotelaria que você pode utilizar na sua casa! Veja outras mudanças na forma de limpar a cada no post sobre como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família.

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Como a Covid-19 afeta crianças e adolescentes?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 06 out 2020 10:25 Data de Atualização: 06 out 2020 13:08

Sete meses já se passaram desde que a pandemia chegou ao Brasil. O Ministério da Saúde recebeu a primeira notificação de um caso confirmado de Covid-19 no país em 26 de fevereiro. As mortes pela doença já ultrapassaram a marca de 146 mil pessoas. O número de pessoas contaminadas se aproxima dos 5 milhões conforme dados do Governo Federal. Em 28 de setembro, o mundo atingiu a marca de 1 milhão de mortos por Covid-19.

Ao analisarmos os dados, um aspecto chama a atenção: crianças e adolescentes têm sido os menos afetados pelo coronavírus ao considerarmos os números de internação e óbitos em decorrência da doença. Segundo dados do mais recente Boletim Epidemiológico disponibilizado pelo governo federal até a publicação deste post (N33), a faixa etária de 0 a 19 anos corresponde a 2,5% das hospitalizações por Covid-19 e a 0,7% dos óbitos no Brasil.

Neste post vamos abordar o comportamento do vírus em relação a crianças e adolescentes e também as seguintes questões:

  • - Criança tem menos chance de ser infectada pelo coronavírus?
  • - Por que a maioria das crianças infectadas pelo Sars-CoV-2 são assintomáticas ou apresentam sintomas leves?
  • - Os sintomas nas crianças são os mesmos do que nos adultos?
  • - Quais os cuidados para prevenir a contaminação das crianças?
  • - O que é a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica?

Crianças e adolescentes podem ser considerados do mesmo grupo?

No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente considera criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos e adolescente aquela entre 12 e 18 anos de idade. No entanto, quando tratamos assuntos relacionados à Covid-19, podemos tratar as crianças e os adolescentes como parte de um só grupo. “Quando se fala de coronavírus, o que temos visto na literatura é englobar crianças e adolescentes”, explica a infectologista pediatra Sônia Maria de Faria, que também é professora dos cursos de medicina da UFSC e da Unisul e trabalha no Hospital Infantil Joana de Gusmão, referência no Estado para tratamento de casos de crianças com Covid-19.

Criança tem menos chance de pegar o coronavírus?

As chances de crianças e adolescentes serem infectados pelo vírus são as mesmas dos adultos. “O que eu diria é que elas têm menos chance de desenvolver a doença com manifestações mais graves como acontece com o adulto”, aponta Sônia.

Conforme a professora da UFSC, não é possível avaliar se a criança se infecta menos, uma vez que não está sendo feita uma testagem em massa em toda a população. “O que a gente pode deduzir é que, das crianças que apresentaram sintomas, mais de 90% apresentaram sintomas leves da infecção”, destaca.

Isso explica o fato de as internações nesta faixa etária serem menores quando comparadas aos adultos. Quando uma criança ou adolescente contrai o coronavírus, muitas vezes é assintomática ou possui sintomas leves.

-> Qual a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos?

Citação da professora Sandra Garcia do IFSC - "As infecções pela COVID-19 parecem afetar as crianças com menos frequência e menos gravidade do que em adultos"

Apesar disso, o Ministério da Saúde considera crianças com menos de 5 anos como um fator de risco para apresentar complicações, sendo que o maior risco de hospitalização é em menores de 2 anos, especialmente as menores de 6 meses com maior taxa de mortalidade. Segundo a infectologista pediatra, as crianças abaixo de 2 anos são consideradas imunologicamente imaturas, uma vez que seu sistema imunológico não está ainda totalmente desenvolvido. “Isso faz com que elas tenham um maior risco de apresentar complicações em qualquer infecção, não só com a Covid-19, já que essa imaturidade do sistema imunológico faz com que essas crianças respondam como se fossem imunodeficientes’, explica Sônia.

-> Você tem um ou mais fatores de risco para a Covid-19?

Quando o quadro da Covid-19 se agrava em crianças e adolescentes, essa manifestação ocorre, normalmente, por dificuldade respiratória como uma pneumonia associada. Mas a professora da UFSC chama a atenção para o fato de que a maior parte dos casos agudos que necessitam de internação é em crianças que já possuem algum fator predisponente. “Aí entram as doenças congênitas, as imunodeficiências, os asmáticos…”, destaca. “A obesidade também é um fator de risco que tem aparecido tanto para adulto quanto crianças”, complementa.

Por que a maioria das crianças infectadas por coronavírus são assintomáticas ou apresentam sintomas leves?

A enfermeira e professora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC Sandra Joseane Fernandes Garcia ressalta que os estudos científicos têm demonstrado que o sistema imunológico das crianças reage bem à Covid-19. “Pode ter casos graves? Pode, mas, na sua maioria, nesse momento é exceção”, afirma.

Para a professora da UFSC, o fato de o sistema imunológico da criança ser diferente do adulto é a principal hipótese até o momento para que essa faixa etária não esteja sendo tão afetada pela doença. “Como a criança tem com muita frequência infecções virais e ela desenvolve imunidade para outros vírus, é possível que ocorra imunidade cruzada com o coronavírus”, aponta Sônia.

Veja as explicações das professoras no vídeo abaixo: 

Criança transmite o vírus?

Sim. O que não se pode afirmar é se as crianças transmitem mais ou menos em relação aos adultos. “As crianças provavelmente não constituem um reservatório importante do vírus, mas, por outro lado, como são assintomáticas em sua maioria, podem contribuir para a circulação do vírus na comunidade”, alerta a professora do IFSC Sandra Garcia.

Em agosto, pesquisadores da universidade americana de Harvard publicaram um estudo no Journal of Pediatrics que revela que as crianças podem ser uma fonte potencial de contágio na pandemia, apesar de terem sintomas leves ou até de serem assintomáticas.

Outro estudo recente publicado em 25 de setembro no periódico JAMA Pediatrics avaliou a susceptibilidade de crianças à infecção por Sars-CoV-2 e o risco de elas transmitirem o vírus. Os pesquisadores concluíram que há evidências preliminares de que crianças e adolescentes têm menor suscetibilidade ao vírus, mas apontaram evidências fracas de que as crianças e os adolescentes desempenham um papel menor do que os adultos na transmissão do Sars-CoV-2 em nível populacional. “O estudo conclui que as crianças são menos susceptíveis à infecção, mas não dá para afirmar que transmitem menos”, destaca a professora Sônia.

Quais os sintomas da Covid-19 em crianças e adolescentes?

Nos casos em que as crianças e adolescentes têm apresentado sintomas, estes costumam ser semelhantes aos de um resfriado ou uma gripe como coriza, obstrução nasal, tosse e febre. O que tem sido mais frequente em crianças com Covid-19 do que em adultos são os sintomas gastrointestinais como a diarreia, vômito e dor abdominal.

Quando é o momento de procurar atendimento médico?

Conforme a infectologista pediatra, as orientações seguem as mesmas independentemente de estarmos em um pandemia. “Aquela criança que tenha febre alta, que continua com sintomas após 48 horas, que apresenta um quadro que nós chamamos de prostração, hipoativa, com uma recusa alimentar importante, a qualquer momento deve ser levada para avaliação médica”, alerta Sônia.

Como a maioria dos casos é assintomática ou com sintomas leves, muitas vezes é necessário apenas o cuidado em casa. Leia aqui o post que fizemos sobre como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família.

Cuidados de prevenção com as crianças e os adolescentes

A professora do curso técnico em Enfermagem do IFSC informa que o contato domiciliar foi a principal forma de transmissão para as crianças em 82% casos. “Isso quer dizer que um familiar que tinha sintomas ou não tinha sintomas, mas estava contaminado, acabou levando o vírus para essa criança”, explica.

Os cuidados para evitar que as crianças e adolescentes sejam contaminados pelo vírus são os mesmos orientados para os adultos, como uso de máscaras ao sair de casa, higienização frequente das mãos e distanciamento social de pessoas que não moram na mesma casa. No entanto, por tratarmos de crianças, alguns pontos precisam ser observados. “A compreensão da criança sobre o que é e para que serve o distanciamento social é limitada”, afirma Sandra.

O uso de máscara pelas crianças também não é tão simples. No final de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgaram recomendações sobre o uso de máscaras por crianças e adolescentes no contexto da Covid-19 diferentes das orientações que vinham sido dadas até então - que indicavam uso de máscara para crianças acima de 2 anos. Conforme o novo posicionamento das entidades, o uso de máscara em crianças de até 5 anos de idade não deve ser obrigatório. Veja aqui o que diz a OMS sobre a questão.

No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mantém as suas recomendações, que podem ser conferidas neste link. Crianças menores de 2 anos de idade não devem usar máscaras pelo risco de sufocamento, o que pode ocorrer pela salivação intensa. Entre os 2 e 5 anos, a máscara é recomendada, mas existe a necessidade de supervisão constante dos cuidadores. A entidade indica que se avalie individualmente a possibilidade do uso, conforme o grau de maturidade de cada criança. A partir de 6 anos, a criança já pode auxiliar no procedimento de uso.

A nota de alerta da SBP inclui orientações no caso de crianças e adolescentes que apresentam atrasos no desenvolvimento e condições específicas, como Transtorno do Espectro Autista (TEA), deficiência intelectual, transtornos do comportamento e que podem ter mais resistência ao uso da máscara.

A professora do curso de Enfermagem do IFSC destaca outros cuidados de higiene que devem ser tomados em relação às crianças e adolescentes para evitar o contágio:

- Lavar as mãos com frequência usando água e sabão em quantidade suficiente e de maneira adequada (entre os dedos, palma e dorso das mãos, esfregar as unhas, estendendo a lavação até os punhos) ou, caso não seja possível lavar as mãos em algumas situações, utilizar álcool gel 70%;
- Evitar contato com pessoas doentes;
- Limpar e desinfetar diariamente as superfícies de toque frequente nas áreas comuns da casa (por exemplo, mesas, cadeiras de encosto alto, maçanetas, interruptores de luz, controles remotos, banheiros, pias);
- Lavar objetos e brinquedos, incluindo os de pelúcia laváveis.

Outro aspecto importante de prevenção em crianças que não pode ser esquecido, segundo a infectologista pediatra Sônia,  é a vacinação. A professora da UFSC alerta que os números de cobertura vacinal no Brasil estão baixos. “Outras doenças praticamente deixaram de existir neste momento porque as crianças não estão em contato entre si, mas nesse retorno às escolas, vai ter essa interação e o risco volta a existir”, afirma. “É necessário que essas crianças estejam protegidas e a melhor forma de a gente protegê-las é a vacinação”, destaca Sônia.

Em junho, a SBP, a Unicef e a Sociedade Brasileira de Imunizações lançaram a campanha “Vacinação em dia, mesmo na pandemia” justamente para conscientizar os pais e cuidadores sobre a importância de não postergar a vacinação por causa do novo coronavírus. “O responsável pela criança deve acompanhar o calendário vacinal, ver as vacinas em atraso e procurar atualizá-las, principalmente, antes da volta à escola”, recomenda Sônia.

Um alerta para crianças que tiveram Covid-19: Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica

Embora os casos de Covid-19 em crianças e adolescentes não tenham sido um foco de grande preocupação, justamente em função de a maioria não apresentar gravidade, a comunidade médica tem chamado a atenção para a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica associada temporalmente à Covid-19 (SIM-P).

A professora da UFSC explica no vídeo abaixo como a SIM-P tem se manifestado:


A infectologista pediatra destaca que a SIM-P leva à internação. “Já tivemos casos de que a criança até é atendida num serviço de emergência e, num determinado momento, ela aparentemente está bem, mas, em questão de horas, seu quadro se agrava e ela acaba sendo internada numa Unidade de Terapia Intensiva”, alerta.

Como muitas crianças que têm Covid-19 são assintomáticas, ou seja, pode ser que os pais/cuidadores nem saibam que elas foram infectadas pelo coronavírus, é importante ficar alerta para os sintomas da SIM-P. De acordo com a professora da UFSC, os sintomas podem ser febre alta - em geral, acima de 38º - por pelo menos três dias, manchas na pele semelhantes ao sarampo, hiperemia dos olhos (olhos vermelhos), alterações na boca e nos lábios, diarreia, vômito e dor abdominal.

Em 7 de agosto, os departamentos científicos de Infectologia, Reumatologia, Cardiologia, Terapia Intensiva e Emergência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) emitiram uma nota de alerta reforçando a necessidade de notificação nacional obrigatória da Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) potencialmente associada à Covid-19.

Volta às aulas

O retorno das atividades presenciais nas escolas tem sido um ponto bastante discutido por especialistas e que gera preocupação nos pais e cuidadores das crianças e adolescentes. Para a infectologista pediatra Sônia, a questão do retorno é muito complexo e vários fatores precisam ser considerados. O primeiro é o fator epidemiológico, o que significa ter a doença ou a infecção controlada no meio onde se está propondo a reabertura das escolas.”Você precisa ter pelo menos duas semanas de constante queda no número de casos, de internações”, explica. Outro ponto é avaliar a condição das escolas para cumprir as medidas sanitárias necessárias para tornar o ambiente mais seguro.

Sônia lembra que os países que reabriram as escolas não têm apresentado um maior número de casos entre os grupos em que essas crianças convivem. “Acho que são todas essas experiências que vão nortear a abertura das escolas no nosso meio”, pondera.

Em 25 de setembro, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento no qual indica as condições mínimas a serem cumpridas para garantir um retorno seguro às aulas por crianças e adolescentes. A entidade alerta que, diante de lacunas em evidências científicas, que não permitem recomendações isentas de incertezas, e da inexistência de fórmulas únicas para atender às necessidades locais e regionais, qualquer opção - voltar às aulas ou manter somente atividades remotas - está sujeita a riscos. “O risco é geral e não só para as famílias, mas acho que essa questão da volta da escola é muito complexa e vai exigir uma ampla discussão e uma ampla orientação”, avalia Sônia.

O impacto da pandemia no desenvolvimento das crianças

Para quem está com as crianças em casa e sem ir à escola desde março, há uma preocupação com a saúde mental e o próprio desenvolvimento dessas crianças, mas a professora Sandra acredita que é uma situação que poderá ser revertida no futuro. “Quando as crianças voltam a ser estimuladas, elas têm uma tendência a compensarem bastante essas perdas e, dependendo do tempo de desenvolvimento, compensarem até estabilizarem na idade normal”, tranquiliza a docente do IFSC.

Claro que podem ocorrer casos em que as crianças e adolescentes estejam tão impactados pelo momento que seja preciso recorrer a ajuda profissional. Nesse sentido, a infectologista pediatra alerta que mudanças comportamentais podem ser um sinal amarelo para buscar ajuda. “Quando uma criança extrovertida passa a ter um comportamento de tristeza, de depressão, de ser mais introvertida, essa criança preocupa e, nesses casos, é importante a busca de ajuda psicológica”, recomenda.

De maneira geral, Sônia aconselha os pais a terem paciência. “Esse momento vai passar e as famílias podem aproveitar o momento para estarem mais juntas”. afirma.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

- Documentos com aspectos clínicos e epidemiológicos da Covid-19 na infância e adolescência do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)
- Cartilha da Fiocruz de saúde mental aborda crianças na pandemia
- Perguntas e respostas da OMS sobre o tema Escolas e Covid-19

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Como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 29 set 2020 07:59 Data de Atualização: 29 set 2020 08:35

A disponibilização de leitos na rede hospitalar, em especial de unidades de terapia intensiva (UTI), para dar conta do atendimento dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é assunto que mobilizou o sistema de saúde ao longo deste ano, com a disseminação da pandemia.

Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a necessidade de internação hospitalar em decorrência da doença seja restrita a cerca de 20% dos infectados. Isso quer dizer que a maioria dos pacientes de Covid-19 não precisa de internação e, portanto, pode se recuperar da doença em casa.

Neste post, nós vamos explicar que cuidados devem ser tomados pelas famílias, ou quaisquer grupos de pessoas que dividam uma mesma moradia, quando há, em casa, alguém com diagnóstico positivo de Covid-19. Vamos abordar o seguinte:

- Que sinais clínicos são levados em conta para que o paciente seja tratado sem internação hospitalar, e a que sintomas prestar atenção para identificar uma eventual piora no quadro;
- Como proceder quando o paciente está debilitado e precisa de auxílio;
- A importância de organizar e intensificar a rotina de higienização da casa, levando em conta uma eventual propagação do vírus;
- A necessidade de que a família mantenha contato constante com o serviço de saúde.

Quando a pandemia expõe a desigualdade social

A primeira orientação dos serviços e profissionais de saúde quando se trata dos cuidados domiciliares a pacientes com Covid-19 sempre é que essa pessoa fique isolada por no mínimo 14 dias. Isso significa sugerir que, se possível, o doente seja mantido sozinho em um cômodo separado, isolando-o dos demais moradores da casa. De preferência, que também seja destinado um banheiro para uso exclusivo dessa pessoa.

O problema é que essa possibilidade está muito distante de grande quantidade de lares brasileiros, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8% da população tem condições inadequadas de moradia. Isso quer dizer que elas moram em domicílios que têm uma ou mais das seguintes inadequações: falta de banheiro exclusivo da casa (ou seja, o banheiro é compartilhado com outras residências); uso de materiais não duráveis nas paredes externas (como sobras de madeiras ou taipa não revestida); adensamento excessivo (mais de três pessoas para cada dormitório) e ônus excessivo com aluguel.

5,6% dos brasileiros vivem em condição de adensamento domiciliar excessivo (domicílios em que há mais de 3 pessoas para cada dormitório).

“A primeira coisa que as pessoas precisam saber é que a gente está tratando de uma doença com transmissão respiratória. É um vírus presente no ar. Então a facilidade de adquirir a doença é muito grande. E se a gente mora com uma pessoa que testou positivo, você tem uma chance muito maior de se contaminar ou de já estar contaminado”, analisa a professora Kristiane de Castro Dias Duque, que é enfermeira, tem doutorado em Saúde e atua na área de Saúde Coletiva no Câmpus Joinville.

Quando se confirma um diagnóstico de Covid-19, a providência mais imediata deve ser avaliar o restante da família. Todos devem manter distanciamento social durante pelo menos 14 dias, independentemente de testarem positivo ou não. Ouça as explicações da professora Kristiane a esse respeito:

 

 

Qual deve ser a condição do paciente para que ele possa ser cuidado em casa, sem necessidade de internação hospitalar?

De acordo com Kristiane Duque, podem ser tratados em casa os pacientes que desenvolvem os sintomas leves: apresentam tosse, febre e dor de garganta, por exemplo, num quadro parecido com o de uma gripe. Uma parte menor dos doentes são os chamados casos moderados, em que há necessidade de acompanhamento no hospital, e um índice ainda menor demanda internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

-> Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

Quando há presença de fatores de risco, como diabetes, problemas cardíacos ou gravidez, os doentes são avaliados mais atentamente, mas muitas vezes a decisão pode ser de que eles se tratem em casa. E, em todos os casos, é imprescindível que a evolução do quadro seja observada, para que o serviço de saúde possa ser buscado no caso de qualquer agravamento, como enfatiza Kristiane. Ouça abaixo:


-> Entenda o que são os fatores de risco para Covid-19

-> Gravidez na pandemia: leia nosso post sobre os cuidados para gestantes e puérperas

Que sintomas podem indicar um quadro de agravamento da doença?

De acordo com a professora Kristiane Duque, a dificuldade respiratória é o sinal mais importante que pode representar um agravamento do quadro clínico do paciente. Por isso, o próprio doente e também as pessoas que convivem com ele devem ficar atentos a esse aspecto. “Se a pessoa percebeu que começou um incômodo respiratório, esse é o principal fator de alerta”, enfatiza. “Mas qualquer coisa em que ela perceba piora no quadro, vale a pena voltar ao serviço de saúde”, acrescenta.

A percepção relatada pelos pacientes sobre a dificuldade respiratória, em geral, corresponde a uma sensação de que o ar respirado não é suficiente. Também há relatos de aperto no peito e sensação de angústia, de acordo com a professora. No áudio abaixo, ela comenta a importância de se prestar atenção à dificuldade respiratória:

Sabemos que ainda não há remédio que combata diretamente o novo coronavírus. Como é, então, o tratamento do paciente?

O protocolo de atendimento recomenda apenas tratamento dos sintomas, ou seja, o médico prescreve medicamentos específicos para combater a febre, a dor no corpo e os demais sintomas relatados pelo paciente. A professora Kristiane Duque também ressalta que o paciente deve ser orientado a hidratar-se bastante, com ingestão de água, e fazer repouso. 

“Devido à grande possibilidade de complicação da Covid-19, essas pessoas precisam ter um monitoramento muito próximo”, lembra a professora. Pacientes leves, em tratamento domiciliar, que não apresentam fator de risco devem ser monitorados a cada 48 horas. Já aqueles que também têm sintomas amenos, mas que têm algum fator de risco, precisam ser monitorados diariamente. Isso por, pelo menos, 14 dias, até o desaparecimento dos sintomas. Ouça a professora Kristiane Duque sobre esse protocolo:


Tenho um familiar com Covid-19 em casa e ele precisa de auxílio. O que devo fazer?

Mesmo num quadro considerado leve, o paciente pode ficar debilitado e precisar de auxílio para se alimentar e manter higienizado o ambiente em que se encontra, por exemplo. A professora Kristiane Duque recomenda que, numa situação em que haja possibilidade de o doente ficar em um quarto fechado, deve-se definir uma única pessoa da casa para entrar no cômodo sempre que for preciso prestar auxílio. “Esse cuidador não vai ficar direto dentro do quarto, mas vai entrar para fazer o auxílio necessário, levar as refeições, ajudar na higiene, dependendo do que cada quadro específico exigir”, exemplifica.

O uso da máscara facial é imprescindível, tanto para o cuidador quanto para o doente, quando houver essas interações. O quarto deve ficar o mais arejado possível, com janelas abertas, porém com a porta fechada. Kristiane também recomenda que dentro do quarto o paciente tenha uma lixeira, com tampa, de uso exclusivo – na qual ele vai depositar, por exemplo, lenços de papel ou papel higiênico para assoar o nariz, material potencialmente contaminante. Sempre que sair do quarto, o cuidador precisa remover a máscara (lavando-a ou descartando-a, quando for o caso) e higienizar muito bem as mãos. Caso tenha tido proximidade física com o paciente, o ideal é que o cuidador troque de roupas e tome um banho.

Nas moradias em que há apenas uma peça usada como quarto, o recomendado é que esse cômodo seja ocupado exclusivamente pelo paciente, com o restante da família ficando na sala, por exemplo. “E existem também aquelas situações em que não vai ter nem isso, com todos os moradores no mesmo cômodo. Então é preciso manter um distanciamento de dois metros entre o paciente positivo e o resto das pessoas da casa. O que torna a contaminação mais fácil de acontecer, porque vai estar todo mundo no mesmo ambiente”, pondera Kristiane.

Em qualquer caso, tanto em quarto individual quanto em ambiente compartilhado, é imprescindível que a pessoa doente faça uso exclusivo de itens como pratos, talheres, copos, travesseiro, roupas de cama, toalhas e produtos de higiene (como escova e creme dental, sabonete, xampu). Quando não for possível que o paciente fique em um cômodo exclusivo, o cuidado deve ser redobrado para que os familiares ou coabitantes não compartilhem cadeiras, lugar no sofá, almofadas ou outros itens que envolvam contato físico.


2,8% da população brasileira não dispõe de banheiros dentro das residências

Como fazer uso compartilhado do banheiro de forma segura?

Higienizar rigorosamente o banheiro após cada uso é a atitude chave. De acordo com Kristiane Duque, quando o paciente estiver num quadro que lhe permita condições, ele deve assumir essa responsabilidade sozinho após cada uso: passar água sanitária ou desinfetante no vaso sanitário, na pia e em todos os pontos que tiver tocado, como torneira, interruptor, maçaneta da porta. Sua escova de dentes deve ser separada das do restante dos moradores, assim como o tubo de pasta de dentes. “O ideal é que a outra pessoa, quando for entrar, também faça essa higiene completa com o mesmo cuidado. Daí tem uma dupla via de segurança”, observa a professora.

Na convivência em casa, para todos os moradores, a regra de manter as mãos sempre limpas, lavando-as frequentemente com água e sabão ou utilizando o álcool em gel, deve ser seguida à risca. As máscaras faciais também precisam ser usadas corretamente, em especial no contato com o paciente, e higienizadas com água sanitária, água e sabão.


O monitoramento das condições do paciente é responsabilidade dele mesmo, e dos familiares também. A qualquer sinal de piora, o serviço de saúde deve ser procurado sem demora. Kristiane Duque, professora da área de Saúde Coletiva no Câmpus Joinville


O que muda na rotina doméstica quando há alguém com Covid-19 em casa?

A professora Kristiane Duque diz que, em linhas gerais, a manutenção da casa merece alguns cuidados extras, como a preferência por limpezas a úmido ao invés de simplesmente varrer ou espanar – o que pode provocar uma movimentação do vírus com o ar e a poeira. 

Nos casos em que a pessoa doente é também a responsável pela alimentação da família – em geral, a mãe – e não há possibilidade de que outro morador assuma essa tarefa, é preciso que haja o máximo de cuidado para que as mãos de quem manipular a comida estejam sempre higienizadas. “Ela vai ter que tomar muito mais cuidado, usar máscara, muita higiene das mãos, cabelos presos”, ressalta a professora. 

A embalagem e destinação correta do lixo é outro ponto a observar com atenção. Todo o lixo que tenha sido descartado pelo paciente deve ser muito bem ensacado e encaminhado para coleta comum. De preferência, diz Kristiane, o próprio doente deve tomar o cuidado de trocar o saco plástico da lixeira mantida para seu uso, higienizando o recipiente com álcool ou desinfetante. O lixo reciclável da casa pode ser encaminhado para a coleta específica, desde que ele não tenha sido manuseado pela pessoa doente.

Dicas importantes: cuidado domiciliar para pacientes com Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em agosto um documento com orientações para o tratamento domiciliar de pessoas diagnosticadas ou suspeitas de Covid-19. Veja algumas delas:

- Limitar a circulação do paciente pela casa e evitar compartilhamento de espaços. Quando houver esse compartilhamento, os ambientes devem estar bem ventilados.

- Os demais moradores devem evitar entrar no ambiente onde o paciente está em repouso. Caso precisem entrar, devem manter distância de 2 metros e usar máscara facial.

- Máscaras e luvas descartáveis jamais devem ser reutilizadas. Elas devem ser descartadas no lixo comum.

- O número de cuidadores deve ser limitado – preferencialmente, uma única pessoa da família deve ser escolhida para assumir o cuidado do doente. O cuidador deve estar saudável e não apresentar fator de risco para a Covid-19. Nos casos em que a pessoa doente morar sozinha, é importante ter alguém de referência que faça contato constante e ofereça suporte.

- Não receber visitas enquanto o doente estiver em tratamento.

- Todos os moradores da casa onde há um paciente de Covid-19 devem ter rigor na higiene das mãos, lavando-as muito bem antes e depois de preparar alimentos, antes de comer, após o uso do banheiro e sempre que as mãos aparentarem estar sujas. Quando há sujeira aparente nas mãos, a OMS recomenda a lavação intensiva com água e sabão. Quando as mãos não necessariamente parecem sujas, elas podem ser higienizadas com álcool em gel. 

- O paciente deve sempre usar máscara facial. 

- Roupas de cama, toalhas, louças, talheres e itens de higiene devem ser separados para uso exclusivo do paciente. A louça usada pelo doente deve ser lavada com esponja exclusiva para esse fim.

- O lixo doméstico deve ser embalado em sacos resistentes, totalmente fechados. Isso é importante para garantir a segurança dos profissionais do serviço de coleta.

Depois que a pessoa se recuperou da Covid-19, todos já podem relaxar? 

Já abordamos em posts anteriores que mesmo quem já teve Covid-19 precisa continuar se cuidando. Leia aqui o que os estudos apontam sobre a resposta imunológica de quem já teve a doença.

Além disso, mesmo considerando uma imunidade temporária de quem já teve a Covid-19, a pessoa pode transmitir o vírus por meio de contato com superfície contaminada - como a professora Ângela Kirchner, do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis, explicou neste vídeo no post que já fizemos sobre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

-> Conheça o guia da OMS para cuidados domiciliares de pessoas diagnosticadas ou com suspeita de Covid-19 (em inglês)

-> Consulte o relatório “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira – 2019”, do IBGE

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A imunidade coletiva pode acabar com a pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 22 set 2020 09:46 Data de Atualização: 23 set 2020 09:45

Enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) sempre recomendou o distanciamento social como forma de conter a pandemia do coronavírus até que se tenha uma vacina, alguns países cogitaram o uso da estratégia popularmente conhecida como imunidade de rebanho. O assunto gera controvérsia entre especialistas. Seria possível aguardar até que uma parte da população fosse contaminada para que a situação passasse a ser naturalmente mais segura para todos?

No post desta semana, vamos abordar as seguintes questões:

- O que é imunidade de rebanho?
- A estratégia de imunidade coletiva pode ajudar no controle da pandemia?
- O que é a taxa de transmissão?
- Quem já teve a Covid-19 fica imune?

Imunidade coletiva e imunidade de rebanho são a mesma coisa?

Sim, mas o termo científico correto é imunidade coletiva ou imunidade natural, que representa o processo em que um grande número de pessoas numa população já adquiriu anticorpos contra uma doença. “Se muitas pessoas da população possuem anticorpos contra a doença, elas param de transmitir para outras e, então, essa cadeia de transmissão é diminuída”, explica a professora do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis Suelen dos Santos Saraiva, enfermeira e mestra em Saúde Pública. “Quanto mais pessoas imunes eu tiver na população, menor vai ser a transmissão dessa doença”, enfatiza.

Quando o nosso corpo entra em contato com uma doença, ele cria anticorpos. “Os anticorpos de memória fazem com que nosso corpo saiba como lidar com aquela doença e nos proteja daquilo”, afirma Suelen. Em algumas doenças, essa imunidade é vitalícia, ou seja, quem teve uma vez não contrai novamente. Mas, em outras, os anticorpos criados têm um prazo dentro do nosso organismo até pela modificação do vírus, o que faz com que a gente tenha que tomar vacinas periodicamente - como é o caso do vírus H1N1, cuja campanha de vacinação ocorre todo ano.

Imunidade natural X Imunidade pela vacina

A imunidade coletiva pode ocorrer naturalmente, quando se contrai a doença, ou por meio de vacinação. A professora do IFSC ressalta que a vacina é feita de uma forma controlada. “Mesmo que a vacina utilizada seja feita com vírus vivo, ela nunca vai ter a mesma força se eu pegasse a doença realmente”, pondera.

O que indica a necessidade de uma vacina é o potencial de contaminação da doença. “Temos que considerar como esse vírus circula e o quão rápido ele circula na população”, fala Suelen. No caso da Covid-19, esse potencial de transmissão é muito grande, como os números de novos casos e de óbitos comprovam. “É isso que vai me dizer que a população sozinha não vai conseguir se proteger contra esse agente infeccioso e a gente precisa de uma vacina para proteger a população”, afirma.

Como já explicamos neste post, o processo de fabricação de uma vacina é demorado. Enquanto o mundo inteiro espera esse momento que deve marcar o fim da pandemia do coronavírus, por que não deixar o vírus circular livremente entre as pessoas para que possamos nos tornar imunes e a transmissão possa definhar naturalmente?

Este debate vem sendo travado desde o início da pandemia. O Reino Unido chegou a cogitar essa estratégia de imunidade coletiva, mas recuou. A Suécia foi na contramão dos vizinhos europeus e apostou na “imunidade de rebanho”, não restringindo a circulação de pessoas. Resultado: em junho, era o segundo país da Europa com mais casos de contaminação por habitante.

Quem critica a adoção dessa estratégia aponta justamente o risco ao qual a população é exposta. A professora do IFSC é uma das que não concorda com a ideia de deixar as pessoas criarem naturalmente esta imunidade coletiva para conter a pandemia. “No momento em que você não toma medidas restritivas para uma doença que tem uma grande propagação, uma grande probabilidade de contaminação, você está deixando a população inteira suscetível a essa doença e a chance dela adoecer e dela morrer por isso é muito grande”, alerta.


Quantos infectados são suficientes numa população para que os imunes impeçam a circulação do vírus?

Cada doença tem uma taxa de transmissão chamada de R que é calculada usando modelos matemáticos. A professora de matemática do Câmpus Gaspar Vanessa Oechsler explica que o chamado R zero(R0) seria a taxa inicial, ou seja, quantas pessoas alguém que está contaminado pode infectar sem qualquer medida de combate. “Pesquisadores indicam que o R0 da Covid é de 2,4 a 3,3 - o que isso significa que uma pessoa passa o vírus a outras 2 ou 3”, afirma.

No livro “As regras do contágio: Por que as coisas se espalham — e porque param”, o epidemiologista Adam Kucharski define quatro parâmetros que são utilizados para a elaboração da taxa de contágio: 1) Duração da infecciosidade, 2) Oportunidade: com quantas pessoas o infectado teve contato, 3) Probabilidade de transmissão: quando duas pessoas de encontram, qual a probabilidade do vírus ser transmitido de um para o outro, e 4) Suscetibilidade: quão provável é que a pessoa contraia o vírus. “Esses parâmetros são traduzidos em números que são multiplicados e geram a taxa de transmissão”, explica Vanessa.

No Brasil, essa taxa tem variado. De acordo com o monitoramento feito pelo Imperial College London, que se tornou uma referência internacional em pesquisas sobre a Covid-19, a taxa em abril no nosso país chegou ao seu maior patamar de 2,81 e, em agosto, caiu para 0,94 - o menor índice até então desde o início do monitoramento. No entanto, o número de reprodução do novo coronavírus no Brasil voltou a subir para o patamar 1 na semana iniciada em 23 de agosto. “O ideal é que a taxa seja menor do que 1, o que indica que cada vez menos indivíduos se infectam e o número dos contágios retrocede”, aponta a professora de matemática.

Segundo o painel de dados da Fiocruz, dados de 20 de setembro - os mais recentes até a publicação deste post - apontam que a taxa de transmissão no Brasil e em Santa Catarina estava em 0,7.

Gráfico da Fiocruz mostrando a evolução de RT no Brasil e em SC

“É a partir dessa taxa que se estima o percentual de pessoas que deveriam estar imunizadas na população para que a gente possa ter a imunidade coletiva”, explica Suelen. Cada doença tem um valor diferente. Segundo a professora do curso de Enfermagem, de acordo com os estudos que se tem hoje, no caso da Covid-19, entre 60% e 75% da população deveria ter anticorpos contra o vírus para se pensar na imunidade de rebanho.

No entanto, ela menciona também um estudo publicado em julho na plataforma medRxiv que estimou que o limiar de imunidade coletiva ao novo coronavírus pode ser alcançado em uma determinada região se algo entre 10% e 20% da população for infectada. “Mesmo se for se pensar em 20%, é muita gente com risco de ficar doente e morrer”, diz Suelen. “É tudo muito novo, então a certeza só vai vir com a vacina, com uma imunidade garantida de uma forma não prejudicial à população”, afirma.

Na ilustração abaixo, adaptada de um estudo internacional publicado na Immunity, é possível entender melhor visualmente como funcionaria a imunidade coletiva:

 

Infográfico mostrando como funciona a imunidade de rebanho na população

A professora destaca que, conforme os estudos da doença têm apontado, cerca de 80% das pessoas infectadas têm sintomas leves - isso sem contabilizar o grande número de pessoas assintomáticas, ou seja, que possuem o vírus e nem sabem.

-> Qual a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos?

Outros 20% da população que pegam o coronavírus precisam de algum tipo de auxílio médico e 5% dessas pessoas vão precisar de um leito de UTI. “Parece que é pouco, mas dentro do número de pessoas que estão ficando doentes, acaba sendo muito”, alerta Suelen.

-> Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

A lógica de uma imunidade adquirida por vacina é diferente. “Na vacina, você coloca esse patógeno na pessoa para que ela adquira os anticorpos, mas você coloca isso de uma forma enfraquecida, então a pessoa não vai ter a doença realmente, não vai sofrer com todas as consequências assim como as pessoas que ficariam aguardando a imunidade de rebanho que poderiam sim ter formas grave da doença e acabar tendo complicações e até mesmo óbito”, analisa a professora. “Não tem como neste momento a gente pensar em imunidade de rebanho justamente pela gravidade da doença e pela história que ela está apresentando na população”, reforça Suelen.

Outro ponto a se considerar é a taxa de letalidade da doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, esse índice no Brasil, no dia 21 de setembro, foi de 3%. Em Santa Catarina, de acordo com boletim divulgado pelo Governo do Estado também em 21 de setembro, o índice ficou em 1,29%. Este número indica qual a proporção dos doentes que acabou morrendo em decorrência da doença. “A taxa de letalidade parece ser pequena, mas ela é alta dentro das características da doença, justamente porque a Covid-19 ainda está muito permeável na população e se disseminando com muita facilidade, o que faz com que as chances de muitas pessoas irem a óbito aumentem”, explica a professora.

Já peguei Covid-19. Estou imune?

Enquanto mais de 137 mil pessoas já foram a óbito por causa da Covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde contabiliza cerca de 3,8 milhões de casos recuperados na data de publicação deste post. Algumas pessoas que já tiveram a doença respiram aliviadas achando que estão imunes ao vírus e não poderão contraí-lo novamente. No entanto, a situação ainda não pode ser encarada desta forma.

“No caso da Covid-19, não se tem nenhum estudo ainda que consiga dizer realmente que existe uma imunidade adquirida e por quanto tempo essa imunidade é adquirida”, alerta Suelen. Segundo a professora, pesquisas têm buscado comparar o SARS-CoV-2 com outros tipos de coronavírus que apontam imunidade de 40 dias até três meses. Casos recentes - embora ainda raros - de reinfecção pelo coronavírus colocam essa imunidade adquirida ainda mais em xeque. “Não se tem noção de por quanto tempo essa imunidade vai ser adquirida”, ressalta Suelen.

Além disso, mesmo considerando uma imunidade temporária de quem já teve a Covid-19, a pessoa pode transmitir o vírus por meio de contato com superfície contaminada - como a professora Ângela Kirchner, também do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis, explicou neste vídeo no post que já fizemos sobre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos.

A incerteza em relação a essa imunidade adquirida por quem já teve a doença fragiliza ainda mais a estratégia de imunidade coletiva. “Ao seguir a linha da imunidade de rebanho, você está deixando uma população suscetível a uma doença, deixando que aquele vírus circule sem ter uma garantia de sucesso lá no final”, destaca a professora Suelen. “Os pesquisadores têm estudado pra ver como tudo isso pode se dar, mas não se tem exatamente uma informação 100% fidedigna, uma evidência científica forte que fale quanto tempo tudo aquilo vai durar, então é muito difícil você apostar nesse tipo de ação para essa doença”, afirma.

Suelen reforça que os cuidados para evitar a transmissão devem ser mantidos inclusive por quem já testou positivo para a doença. ”Nesse tipo de doença, você tem que pensar em si e no outro, porque você pode estar se cuidando, mas precisa cuidar do outro”, avisa. 


O que pode acabar com a pandemia?

O que deve acabar com a pandemia é a imunidade coletiva da população, mas adquirida por meio da vacinação em massa. “Essa imunidade é que dá segurança para a população porque temos controle do que vai acontecer”, afirma Suelen.

Citação da professora Suelen: "Com o que se tem posto hoje, a imunidade coletiva só vai se dar por meio da vacinação."

> Existe uma previsão para o fim da pandemia?

Até lá, as recomendações para diminuir a proliferação do vírus seguem sendo o distanciamento social, o uso de máscaras e a higienização frequente das mãos. “O ideal realmente seria manter o isolamento enquanto a gente não tiver uma vacina eficaz para esse vírus porque realmente ele é muito agressivo e você ainda não tem uma garantia de por quanto tempo essa imunidade vai durar”, orienta Suelen.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

- A busca por um modelo matemático para descrever a dinâmica da Covid-19
- Entrevista da epidemiologista Maria Van Kerkhove da OMS em 19 de agosto comentando que os estudos sobre a resposta imunológica de quem contrai Covid-19 ainda não estão claros (veja no trecho a partir da marcação de tempo 47’15”)
- Live da Associação Brasileira de Saúde Coletiva sobre a imunidade coletiva
- Painel de dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em que é possível acompanhar a taxa de transmissão a nível nacional 

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IFSC VERIFICA

Qual a melhor forma de medir a temperatura do corpo?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 04 ago 2020 14:33 Data de Atualização: 21 set 2020 09:36

A medição da temperatura corporal das pessoas que circulam em espaços públicos, como estabelecimentos comerciais, clínicas, transporte coletivo ou mesmo em barreiras sanitárias, é uma das medidas preventivas adotadas em todo o mundo para evitar a propagação do novo coronavírus. Em Santa Catarina, cada município detalha as regras para esse procedimento. No caso de Florianópolis, por exemplo, as pessoas que estejam com temperatura acima de 37,8 graus devem ser impedidas de entrar nos estabelecimentos e encaminhadas ao serviço Alô Saúde (conheça essa e outras normas no Decreto Municipal 21.459).

O equipamento mais utilizado nesses contextos é o termômetro digital de infravermelho, que permite a aferição da temperatura sem que haja contato físico entre a pessoa examinada e quem opera o aparelho. Há, contudo, diferentes tipos de termômetros. Além do infravermelho, em evidência neste momento de pandemia, há também os termômetros digitais e os de mercúrio – estes últimos, em processo de obsolescência. Independentemente do tipo de termômetro que se utiliza para aferir a temperatura do corpo e identificar se há ou não um processo febril, é importante saber a forma correta de utilizar o equipamento e também os contextos em que é necessário verificar a febre.

Nós conversamos com dois pesquisadores do IFSC para este post e vamos abordar as seguintes questões:

- Entender o que é febre, o que ela pode indicar e como proceder para baixá-la;
- Identificar os diferentes tipos de termômetros e como utilizá-los corretamente para fazer a aferição da temperatura corporal.

O que é a febre? O que ela indica?

O professor Inácio Alberto Pereira Costa, que atua na área de Saúde no Câmpus Florianópolis, explica que a febre geralmente indica uma reação do organismo a algum tipo de infecção. A temperatura média corporal costuma variar entre 36 e 37,3 graus Celsius. Mais do que isso caracteriza a febrícola (até 37,8 graus), a febre (acima de 37,8 até 39 graus) e a febre alta (mais de 39 graus). 

Ao se constatar a ocorrência de febre com uso de um termômetro, deve-se observar se há outros sintomas associados a ela – no caso da Covid-19, os mais comuns são tosse, falta de ar, falta de paladar e cansaço, de acordo com o professor, que é doutor em Enfermagem. Ele enfatiza também que é importante sempre procurar orientação médica em caso de febre, evitando, principalmente, a automedicação. “Muitas vezes a febre é um dos sintomas de alguma condição clínica que demanda um tipo específico de medicamento, e não outro. Por isso o recomendado é só tomar medicamentos para baixar a febre com orientação médica, respeitando a dose e a frequência”, explica.

Outro alerta que o professor faz é que nem sempre um aumento da temperatura do corpo significa febre. Há alterações de temperatura que são aceitáveis em condições normais. Após a prática de atividades físicas, por exemplo, é comum que haja uma oscilação. Mulheres em período fértil também costumam ter a temperatura corporal elevada. 

Como medir corretamente a temperatura corporal?

Identificar se há febre apenas pelo contato da mão ou do pulso com o rosto da pessoa examinada pode ser válido apenas como uma primeira “impressão empírica” do problema, mas não é recomendável, de acordo com o professor Inácio Costa. “Numa primeira impressão empírica, você pode sentir alguma alteração na temperatura da pessoa. Mas é preciso fazer a aferição com uso de um termômetro para mensurar a temperatura, identificar se há febre, se é alta ou não, e proceder dependendo do caso”, recomenda.

O indicado para situações em que há suspeita de febre é fazer a aferição com uso de um termômetro digital, que é encontrado facilmente nas farmácias e tem preço acessível. Basta seguir as instruções do fabricante, “zerando” o termômetro e colocando o aparelho sob a axila da pessoa examinada. Após o tempo necessário para a aferição, o termômetro emite um sinal sonoro e mostra, no visor digital, a temperatura do paciente. O professor Inácio Costa salienta que, antes e após o uso, é importante higienizar o aparelho com álcool.

Outro ponto a observar é que a medição será mais precisa com o paciente examinado em repouso há pelo menos cinco minutos, num ambiente confortável. A oscilação da temperatura do ambiente pode causar imprecisões nas leituras – inclusive indicando temperatura menor que 36 graus.

Sempre é preciso fazer algo para baixar a febre?

A febre indica que o organismo está reagindo a algum agente infeccioso, mas tomar providências para baixá-la não implica que isso force o organismo a deixar de reagir. “Pelo contrário, baixar a febre ajuda o organismo a atuar nesse processo de defesa, a trabalhar para combater a infecção”, esclarece. Além de medicamentos específicos com função antitérmica, com orientação médica, é possível também adotar procedimentos como banho morno ou compressas de água fria no corpo para baixar a temperatura.

Controlar a febre é essencial principalmente nos casos de temperaturas acima de 39 graus, que caracterizam a febre alta. Nesse tipo de situação é preciso necessariamente de acompanhamento médico numa unidade de saúde. 

Quais os tipos de termômetros existentes no mercado, hoje? Existe algum mais recomendado?

São três tipos de termômetros utilizados para medir a temperatura do corpo. Os digitais de infravermelho, que se popularizaram com a pandemia do novo coronavírus, são o modelo mais caro, mas tem algumas vantagens. “Uma delas é que o termômetro infravermelho permite que se faça a aferição da temperatura sem contato físico. Além disso, a medição leva apenas alguns segundos”, esclarece Inácio Costa. Os termômetros digitais são os mais recomendados para uso doméstico: são acessíveis e de simples operação, além de serem também precisos. “O termômetro digital exige contato. Ele é posicionado na axila do paciente e manuseado por quem vai fazer a leitura, então é preciso mantê-lo higienizado após cada uso”, observa o professor. Os termômetros líquidos, que geralmente têm mercúrio na sua estrutura, estão cada vez mais em desuso. “Eles têm a vantagem de não precisar de bateria, mas como têm mercúrio, que é um metal tóxico que pode causar danos à saúde e ao ambiente, isso pode ser perigoso caso ele venha a se quebrar”, ressalta Inácio Costa. Outro aspecto negativo do termômetro de mercúrio é seu manuseio pouco prático, pois para que o filete de mercúrio se posicione no lugar correto antes da medição, é preciso “sacudir” o aparelho, e isso pode provocar quedas ou acidentes.

O mais recomendado para uso doméstico, portanto, é o termômetro digital, que tem manuseio fácil e permite uma leitura precisa e objetiva. O infravermelho, por conta de sua relação custo-benefício, pode ser um investimento desnecessário para quem só faz uso ocasional do aparelho. Já o de mercúrio é o menos recomendado.

Têm circulado nas redes sociais boatos sobre possíveis riscos do uso de termômetros infravermelhos. Porém, como o professor Inácio Costa enfatiza, esse é o modelo de equipamento mais recomendado, no momento pandêmico, para fazer a aferição de temperatura em locais públicos. Várias agências de checagem já desmentiram o conteúdo malicioso divulgado pelas redes de que esses termômetros trariam danos à saúde (como a AFP Checamos, a Lupa e a Aos Fatos). (texto atualizado em 10/09/2020)

E como os termômetros funcionam? Qual a ciência por trás desses aparelhos?

Cada tipo de termômetro tem uma especificidade técnica que permite a aferição da temperatura de um sistema ou objeto, como explica o professor Marcelo Schappo, que atua no Câmpus São José e é doutor em Física. “Eles medem o que chamamos de ‘grandezas termométricas’, ou seja, eles medem algo que varia com a temperatura de uma forma controlada, através de diferentes fenômenos físicos, a depender do tipo de termômetro”, detalha.

No caso dos termômetros líquidos – que em geral usam mercúrio –, o fenômeno que permite seu funcionamento é a dilatação térmica: quando a temperatura de um corpo varia, isso altera a agitação das partículas que o formam, modificando a dimensão desse corpo. Se a temperatura aumenta, as partículas se agitam mais, e, no geral, o corpo se expande; e se a temperatura diminui, ocorre o contrário. Isso explica por que o mercúrio existente dentro do termômetro ganha volume conforme a temperatura que ele está medindo. Já os termômetros digitais eletrônicos funcionam com o princípio da resistência elétrica. “Os metais são bons condutores de corrente elétrica, mas essa facilidade de condução elétrica depende da temperatura do metal: quanto maior a temperatura, mais difícil ocorrer a condução de corrente através dele. Dizemos, assim, que sua resistência elétrica aumenta com a temperatura. Colocando a ponteira metálica em contato com o corpo, o sensor terá sua resistência elétrica modificada, o que pode ser medido pelo termômetro para identificar a temperatura do sujeito”, explica o professor.

Por fim, os termômetros infravermelhos funcionam com o princípio chamado “radiação de corpo negro”. O professor Marcelo Schappo explica que todos os objetos emitem ondas eletromagnéticas de uma forma relacionada à sua temperatura. O corpo humano emite radiação na faixa conhecida por “infravermelho”, que é menos energética que a luz visível. Os termômetros captam as ondas emitidas pelo corpo através de um sensor que, por sua vez, converte isso para um sinal de corrente elétrica. A partir desse sinal elétrico gerado, o termômetro identifica a temperatura.

Schappo também enfatiza que os boatos em torno de possíveis males provocados pelos termômetros infravermelhos são pura bobagem. "A ideia de que o termômetro infravermelho causa danos ao cérebro é absurda por vários motivos. O primeiro é que, para determinar a temperatura, ele recebe radiação emitida pelo nosso corpo, e não o contrário. E o segundo é que o laser que o aparelho emite serve apenas para auxiliar na mira do operador, fazendo com que ele aponte o sensor para o local correto do nosso corpo. Esse laser vermelho não tem energia suficiente para causar danos à pele e muito menos para atravessar todos os tecidos e atingir o cérebro", esclarece. (texto atualizado em 18/09/2020)

Como o termômetro identifica a temperatura que está sendo medida?

Isso ocorre por meio de um processo de calibração feito pelo fabricante, explica o professor Marcelo Schappo. Isso quer dizer que o aparelho é submetido a pelo menos dois sistemas controlados onde a temperatura é conhecida, para que, no processo de medida, o termômetro use esses números como referência. A partir daí, ele pode medir outras temperaturas através de comparação.

Estamos atravessando uma pandemia. Devo aferir minha temperatura diariamente, por precaução?

O professor Inácio Costa diz que essa não é uma prática recomendável. “É preciso tomar cuidado com o excesso de preocupação porque isso pode levar ao stress. O recomendado é medir a temperatura quando você percebe alguma alteração, já que a febre sempre desencadeia, com ela, algum tipo de mal estar, como calafrios”, orienta. Preocupar-se em registrar a temperatura corporal todos os dias pode causar uma ansiedade indesejável.

Tenho um termômetro em casa, mas uso-o pouco. Como fazer para garantir o bom funcionamento desse aparelho, quando eu precisar?

É importante, em primeiro lugar, guardar o termômetro adequadamente, conforme as instruções do fabricante. Isso vale em especial para os eletrônicos e os de infravermelho, que podem oxidar, pegar umidade ou “vazar” as baterias. No caso dos termômetros de mercúrio, devem ficar bem guardados, dentro da embalagem apropriada, em lugar não suscetível a batidas. E longe das crianças!

O professor Marcelo Schappo recomenda também que se sigam as instruções do fabricante ao utilizar o termômetro. “Medidas incorretas levarão a dados incorretos obtidos”, alerta. No caso do eletrônico, é preciso verificar se a ponteira está desobstruída e em contato adequado com a pele da pessoa examinada. Já com o infravermelho é preciso identificar a distância recomendada e manter o aparelho posicionado pelo tempo adequado de captação de sinal. Conheça o guia elaborado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para orientar o uso correto dos termômetros de infravermelho.

Caso você faça uma medição e desconfie do resultado, é melhor procurar outro aparelho para fazer a comparação.

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Você tem um ou mais fatores de risco para a Covid-19?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 15 set 2020 14:10 Data de Atualização: 15 set 2020 15:09

Para algumas pessoas, o vírus Sars-Cov-2 causa apenas sintomas leves e semelhantes aos da gripe. Porém, para outras, pode ocasionar a forma grave da Covid-19. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 40% dos casos parecem ter doença leve; 40%, doença moderada; 15% parecem progredir para doença grave; e 5% ficam em estado crítico. Pessoas idosas e com condições de saúde preexistentes (como pressão alta, doenças cardíacas, doenças pulmonares, câncer ou diabetes) parecem desenvolver doenças graves com mais frequência do que as outras. 

O IFSC Verifica foi pesquisar o que são fatores de risco para o desenvolvimento da forma grave da Covid-19. Veja no post de hoje:

- O que são fatores de risco

- Estatísticas sobre os fatores de risco em relação aos óbitos

- Hábitos que minimizam os fatores de risco

- Cuidados que todos devemos tomar

- Por que é tão difícil controlar os fatores de risco no Brasil

O que são fatores de risco?

Segundo a professora de Enfermagem Juliana Fernandes da Nóbrega, do Câmpus Florianópolis, a expressão “fatores de risco” é mais correta que “grupos de risco”. Ela explica que fatores de risco são uma série de condições e comorbidades, ou seja, doenças prévias que fazem com que a pessoa tenha maior probabilidade de desenvolver a forma grave da doença, de necessitar de hospitalização ou ter mais chances de morrer em comparação a quem não tem nenhum fator. 

Porém, a professora alerta que isso não quer dizer que a pessoa que não tenha fatores de risco não possa desenvolver a forma grave da doença, pois há muitos casos de pessoas jovens e saudáveis com sintomas graves ou mesmo indo a óbito.

Além disso, ter um fator de risco não significa que a pessoa tem mais chances de se contaminar pelo Sars-Cov-2, apenas que, se contaminada, tem maior possibilidade de desenvolver a forma grave de Covid-19, que em termos técnicos também pode ser chamada de Síndrome Aguda Respiratória Grave (SRAG).

Quais os principais fatores de risco?

O Boletim Epidemiológico 30, do Ministério da Saúde, aponta que de 16 de fevereiro a 5 de setembro de 2020, o Brasil registrou 122.772 mortes por SRAG ocasionada pela Covid-19. Destes, 78.037 (63,6%) apresentavam pelo menos uma comorbidade ou fator de risco para a doença.  

Segundo a professora de Enfermagem, os principais fatores de risco são a idade avançada (acima de 65 anos) e doenças crônicas não transmissíveis, como cardiopatias (entre elas a hipertensão arterial sistêmica, a “pressão alta”), diabetes tipo 2 e obesidade/sobrepeso. Quanto mais fatores de risco a pessoa tiver, mais risco ela corre de desenvolver sintomas graves.

São doenças muito relacionadas à idade, pois quanto mais velha for a pessoa, mais chance ela tem de desenvolver doenças crônicas. Porém, este não é o único fator: “por exemplo, no Brasil e nas Américas, há uma grande incidência de crianças obesas, que é um fator de risco”, alerta a professora Juliana, lembrando ainda que muitas crianças com comorbidades também desenvolveram os sintomas graves da Covid-19.

Veja a explicação mais detalhada no vídeo:

 

Quais outros fatores de risco para desenvolver a forma grave da Covid-19?

Além dos já citados, há vários outros fatores de risco e comorbidades que podem agravar quadros de Covid-19. O gráfico abaixo, do Ministério da Saúde, demonstra quais os mais prevalentes entre as pessoas que morreram da doença no Brasil no período de 16 de fevereiro a 7 de setembro de 2020:

Gráfico mostra comorbidades e fatores de risco dos óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19

Para pessoas com 60 anos ou mais, cardiopatias, diabetes, doenças neurológicas e renais foram os principais fatores apresentados. Já entre as pessoas com menos idade, a obesidade está em terceiro lugar em número de óbitos. 

Outros fatores também podem ser destacados, como doenças relacionadas ao pulmão (pneumopatias como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, asma, entre outras), visto que a Covid-19 compromete significativamente as vias respiratórias. É importante lembrar que o hábito de fumar é fator de risco para doenças respiratórias, o que torna o fumante ainda mais vulnerável às complicações da Covid-19. Veja no site Saúde Brasil, do Ministério da Saúde, quais os bons motivos para deixar de fumar durante a pandemia e dicas de como fazê-lo.

Pessoas imunodeprimidas também estão entre as que apresentam fatores de risco, como portadores de HIV, doenças autoimunes (artrite reumatoide, lúpus, entre outras), ou qualquer situação que necessite do uso de imunossupressores, como transplante de órgãos. Porém, segundo a professora, nem todos os medicamentos imunossupressores tornam a pessoa mais vulnerável para desenvolver a forma grave da Covid-19. Nesse caso, o importante é o paciente conversar com seu médico.

O gráfico acima destaca ainda outras doenças, como neurológicas, hepáticas, renais e hematológicas como fatores de risco. Em todos os casos, segundo a professora Juliana, o alerta maior é para os pacientes que não estão realizando o tratamento adequado, pois o desequilíbrio das doenças preexistentes torna esses pacientes mais vulneráveis à forma grave da Covid-19.

Sobre pacientes com câncer, um estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) detectou que esses indivíduos têm mais chances de desenvolver a forma grave da Covid-19. Entre os principais fatores do agravamento estão a idade, o câncer em estado avançado, a metástase, o paciente em cuidado paliativo e a Proteína C Reativa (que é detectada no sangue). Veja mais detalhes sobre o estudo na página do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), que também traz dicas para esses pacientes.

- Veja mais sobre os riscos durante a gravidez e puerpério.

- Saiba mais sobre a relação entre obesidade e Covid-19.

- Veja no estudo do CDC (em inglês) informações mais detalhadas sobre riscos e tratamentos para doenças crônicas específicas.

Manter o fator de risco sob controle

Para quem tem um fator de risco, é importante manter a doença de base estabilizada. De acordo com a professora Juliana, se a pessoa já sabe que tem uma doença de base, o que ela deve fazer nesse momento é manter o tratamento e adotar hábitos de vida saudáveis. “O CDC, que é o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, trouxe um documento sobre a pandemia ressaltando a importância do controle adequado dessas doenças crônicas. Uma pessoa que tenha uma doença crônica que esteja muito controlada, ela zera o fator de risco, fica no mesmo patamar que aquela que não tem”, destaca Juliana. 

Por exemplo, caso um diabético que está com a glicemia controlada e praticando exercício físico contraia a Covid-19, o organismo dele vai responder melhor à doença do que um diabético sem esses cuidados. O mesmo vale para pessoas com imunossupressão, doenças autoimunes, pacientes renais, entre outras.

Como aumentar os fatores de proteção contra a forma mais grave da Covid-19

- Manter o uso de medicamentos prescritos pelo médico e a agenda de consultas de rotina;

- Manter uma alimentação saudável (veja dicas sobre como se alimentar com qualidade durante a pandemia);

- Evitar o sedentarismo (veja dicas para realizar exercícios físicos com segurança durante a pandemia);

- Manter uma rede de contatos, com familiares e amigos, evitando o isolamento e cuidando da saúde mental (veja dicas sobre como cuidar da saúde mental durante o distanciamento social);

- Filtrar o tipo de informação recebida, evitando orientações erradas sobre tomar ou não medicações. Em caso de dúvida, consultar o médico de confiança.

No vídeo, a professora Juliana explica como a saúde em equilíbrio é fator de proteção contra a Covid-19 e outras doenças:

Evitar a contaminação é para todos

Pessoas com ou sem fatores de risco têm a mesma chance de se contaminar com o novo coronavírus. Por isso, as recomendações de prevenção valem para todos.  “Os cuidados, a prevenção, precisam ser para todos nós, mesmo para quem não tem fatores de risco. Até porque ao me cuidar, eu cuido do outro. Então a gente reforça essa fala, que é uma ação comunitária, muito para além do individual”, destaca a professora Juliana.

Para as pessoas com fatores de risco, o importante é minimizar a exposição ao vírus segundo Juliana, adotando medidas como distanciamento social, uso de máscaras, lavagem das mãos, entre outros. Como estamos há seis meses de distanciamento social, é difícil se manter em casa. Assim, quando for necessário sair, tomar todos os cuidados possíveis, como manter distanciamento, usar máscara e preferir locais abertos.

Por que é tão difícil controlar os fatores de risco no Brasil

As doenças crônicas não transmissíveis (cardiopatias, diabetes e obesidade) são as responsáveis pelas principais causas de morte no mundo e no Brasil. “Podemos citar o infarto agudo do miocárdio e as doenças cérebro-vasculares, o acidente vascular cerebral, o famoso derrame, que são resultado dessas doenças crônicas, quando não bem acompanhadas e tratadas”, aponta a professora Juliana. 

Segundo ela, o quadro dessas doenças é mais preocupante no Brasil devido a uma particularidade: muitas pessoas descobrem que têm doenças crônicas apenas quando têm um problema grave, como um infarto ou derrame. Além disso, a pandemia do novo coronavírus agravou esse cenário: muitas pessoas descobrem que têm uma doença crônica apenas quando estão sendo internadas nas UTIs com Covid-19. “Quando a gente pensa nas mazelas socioeconômicas, que o serviço de saúde não chega a todos, ou chega de forma insuficiente, sabemos que essas pessoas estão muito mais vulneráveis a desenvolver a forma grave da doença”, alerta Juliana. 

Para a professora, “a pandemia escancara o retrato de saúde do Brasil. É também característica de países que não investem com força em ações de promoção da saúde, eles têm alta prevalência e incidência de doenças crônicas não transmissíveis, e por consequência uma alta incidência de crianças, jovens, adultos e idosos que estão desamparados e mais expostos aos agravos desta pandemia”. Dessa forma, “mudar o foco” da atenção da saúde para a prevenção é a melhor maneira de evitar complicações pela Covid-19 e outras doenças.

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Preciso ir ao dentista. É seguro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 08 set 2020 15:55 Data de Atualização: 08 set 2020 16:11

Gostar, ninguém gosta. Mas as visitas regulares ao dentista são um cuidado que deve integrar a rotina de todas as pessoas desde a infância, com foco na saúde bucal e também no bem-estar integral.

Porém, com a pandemia do novo coronavírus – um patógeno transmitido pela saliva – vários cuidados devem ser tomados quando é hora de consultar um profissional da área. Além do reforço nas medidas de biossegurança dos consultórios, normas dos órgãos de saúde preveem também critérios para definir que tipos de atendimentos devem ser priorizados e quais podem esperar.

Neste post, você vai entender:

-Por que os atendimentos odontológicos são motivo de atenção dos órgãos de saúde durante a pandemia;
-Que atendimentos devem ser priorizados e quais podem ser deixados para depois;
-A diferença entre urgência e emergência odontológica;
-Como proceder caso você precise de atendimento odontológico.

Quais os riscos do atendimento odontológico com a pandemia?

De acordo com a dentista do Câmpus São José do IFSC, Patrícia Rocha Kawase, a especificidade do atendimento odontológico deixa suscetíveis tanto o paciente quanto o profissional, em função, principalmente, da proximidade física obrigatória entre ambos.

Além disso, o atendimento também envolve o contato com fluidos corporais, em especial a saliva. Na realização dos procedimentos, o uso de equipamentos que geram aerossol – “sprays” com gotículas de saliva e fluidos, em geral imperceptíveis, mas potenciais transmissores do coronavírus – é outro fator de atenção. No vídeo, a profissional explica essas peculiaridades.
 

 

Então o que muda no atendimento odontológico com a Covid-19?

Patrícia Kawase explica que a principal recomendação no momento atual é adiar todos os atendimentos que podem esperar (os chamados procedimentos eletivos), dando prioridade apenas a casos de urgência ou emergência. Segundo ela, embora a nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detalhe o que pode ser enquadrado como urgência e como emergência, a decisão por fazer o atendimento ou não deve ser baseada em casa caso. “O critério e a decisão final são sempre resolvidos na relação entre o paciente e o profissional de saúde”, ressalta.

Além da nota da Anvisa, que serve de base a recomendações específicas feitas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), as orientações para os atendimentos odontológicos no contexto da pandemia também são assunto de uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento recomenda que visitas de rotina ao dentista que visem apenas check-ups, limpeza e cuidados preventivos devem ser adiadas por enquanto, assim como as consultas para procedimentos estéticos. 

O que pode ser considerado urgência ou emergência odontológica?

Pode-se resumir da seguinte forma: as urgências são os atendimentos que devem ser priorizados, mas não representam risco maior para o paciente; já as emergências podem envolver risco à vida. Os casos urgentes são os que envolvem dor, como a fratura de um dente, por exemplo. Os de emergência abrangem sangramentos não controlados, infecções, celulite facial (doença bacteriana) e traumatismos. A Secretaria da Saúde de Santa Catarina emitiu, em abril deste ano, nota técnica que detalha os quadros que podem ser considerados urgência ou emergência odontológica. A dentista Patrícia Rocha Kawase explica no vídeo esses critérios.
 

 

Estou com dor e inchaço na gengiva. Devo ir ao dentista ou esperar?

Tanto a OMS quanto os órgãos de saúde locais recomendam que, neste momento de pandemia, seja adotado um sistema de atendimento remoto para a avaliação prévia dos pacientes a distância. Essa primeira triagem visa garantir que somente os pacientes que se enquadrem em casos de urgência ou de emergência desloquem-se até o espaço de atendimento, seja ele clínica particular ou posto de saúde.

Em Florianópolis, por exemplo, o paciente odontológico pode fazer esse contato prévio por meio do Whatsapp do seu centro de saúde de referência (veja a lista). Na conversa com o profissional de atendimento, ele dá o máximo possível de detalhes sobre o caso e, a depender da gravidade, pode ser apenas orientado sobre cuidados básicos, receber prescrição de medicação ou ser encaminhado para consulta de urgência ou emergência. Nesse atendimento remoto, o paciente também é questionado sobre possíveis sintomas de Covid-19 e, caso necessário, é feito o devido encaminhamento.

Neste momento, portanto, o recomendável é buscar uma avaliação prévia do seu caso antes de ir ao consultório. Informe-se em sua cidade sobre o funcionamento dos serviços odontológicos na rede pública ou, caso prefira atendimento particular, converse com seu dentista.

-> Conheça o protocolo de atendimento remoto dos postos de saúde de Florianópolis.

E no consultório, o que mudou?

Profissionais de odontologia e equipes de suporte que atuam nos ambientes de atendimento devem obedecer a uma série de regras em função da pandemia. A recomendação de que se evitem procedimentos eletivos resulta na diminuição da circulação de pessoas nos ambientes, o que reduz os riscos de transmissão.

Porém, para urgências e emergências o comparecimento presencial é compulsório, assim como a interação do paciente com os profissionais em atendimento. Por isso, novos protocolos de biossegurança foram implementados.

Esses cuidados abrangem basicamente o reforço na higienização dos ambientes e equipamentos, o maior rigor no potencial de proteção da indumentária dos profissionais – tanto dentistas quanto equipe auxiliar – e a diminuição no número de atendimentos, possibilitando maior intervalo de tempo entre um paciente e outro e evitando a presença de muitas pessoas na sala de espera.

Os pacientes, por sua vez, são solicitados a higienizar as mãos na entrada da clínica ou consultório, utilizar proteção nos cabelos (touca), pés (sapatilhas) e rosto (máscara facial) – esta última, claro, enquanto não estiver em atendimento.

Meu dentista parece um astronauta :D

Antes da pandemia, a indumentária dos dentistas já previa uso obrigatório de jaleco, luvas, óculos e máscaras faciais, no intuito de reduzir o potencial de contágio por quaisquer micro-organismos. Com a Covid-19 e seu risco de transmissão por meio da saliva, esses profissionais passaram a adotar, também, avental impermeável por cima do jaleco e protetor facial tipo “face shield”. A especificação das máscaras faciais também ficou mais rigorosa.

“A contaminação por partículas aéreas é uma situação que já é esperada na área de saúde, e especificamente na odontologia. Para esse vírus, o que mudou foi a especificação da máscara, que agora deve ter uma capacidade maior de proteção. O protetor facial, que não fazia parte da nossa indumentária, agora também é necessário, assim como o uso de avental impermeável”, descreve a dentista Patrícia Kawase. Outra recomendação que ela destaca é a troca do sugador convencional por uma bomba de vácuo, que ajuda a diminuir a formação de aerossóis e reduz, também, a necessidade de o paciente cuspir durante o procedimento.

Os protocolos de segurança envolvem também a manutenção de janelas abertas e o não uso de ar-condicionado, para favorecer a troca constante de ar do ambiente.

-> Consulte o documento da OMS sobre atendimentos odontológicos durante a pandemia de Covid-19 (em inglês)

-> Leia as normativas da Anvisa, do CFO e da Secretaria de Estado da Saúde sobre atendimentos odontológicos na pandemia

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Animais de estimação podem contrair o novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 01 set 2020 10:42 Data de Atualização: 01 set 2020 18:18

As incertezas com a pandemia do novo coronavírus atingem também os animais de estimação. Há vários relatos pelo mundo de pets que testaram positivo para o SARS-CoV-2. No entanto, não há nenhuma evidência científica de que eles possam transmitir a doença para humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

As médicas veterinárias do IFSC Carolina de Castro Santos e Aline Mello explicam neste post:

- O que as pesquisas científicas revelam sobre a Covid-19 em animais de estimação. Eles adoecem da mesma forma que humanos?

- Se há alguma evidência de que um animal doente possa transmitir o vírus para humanos.

- Os cuidados que devem ser tomados com os pets durante os passeios ou em casa, caso alguma pessoa esteja infectada pelo novo coronavírus.

- E alertam sobre o risco de pessoas utilizarem medicamentos veterinários.

A médica veterinária Carolina de Castro Santos, professora de Produção Animal do Câmpus Canoinhas do IFSC, afirma que assim que a epidemia começou, acreditava-se que os animais de companhia não corriam risco de contrair Covid-19 dos seus tutores. No entanto, logo nas primeiras semanas surgiram relatos de transmissão de zoonose reversa para animais. "A zoonose é uma doença transmitida do animal para o homem. A zoonose reversa é o processo contrário, transmitida do homem para o animal".

As notificações de animais com a Covid-19 e as pesquisas feitas em laboratórios estão sendo reunidas pela Organização Internacional para a Saúde Animal (OIE) e podem ser acompanhadas na página "Eventos em animais". O objetivo é reunir relatos para tentar entender quais animais são mais suscetíveis ao vírus, como adoecem, quais são mais resistentes e como ocorre a transmissão entre humanos e animais.

O que se sabe até agora é que há resultados positivos para o novo coronavírus em cães, gatos, animais de zoológico e de criação, segundo o levantamento da OIE. Todos os casos estão sendo monitorados. Entre cães domésticos há relatos na China e nos Estados Unidos. Já entre gatos, foram confirmados casos de contaminação em vários países, como China, Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Em um zoológico de Nova York também houve diagnóstico em leões e tigres.

Além disso, segundo Carolina, estudos experimentais recentes demonstraram que gatos e furões podem ser infectados pelo vírus SARS-CoV-2 e transmitir a infecção para outros gatos ou furões. "A pesquisa indica que os animais infectados podem ser assintomáticos ou apresentar febre, sinais respiratórios leves ou sinais gastrointestinais. Mas essa informação deve ser analisada com cautela, visto que o estudo publicado não passou por revisão científica por pares e não apresentou dados de saúde e nem o status imunológico dos gatos para as principais viroses felinas, que poderiam interferir nos resultados do experimento. Não há, portanto, nenhuma comprovação científica que algum animal tenha ficado doente pelo SARS-CoV-2", completa.

Já os cães, suínos, galinhas e patos parecem ser menos suscetíveis à Covid-19, de acordo com os estudos reunidos pela OIE.

Como os pets são infectados?

Os casos de pets com Covid-19 têm em comum o fato de os animais viverem em famílias com casos de humanos suspeitos ou confirmados da doença, segundo os relatos reunidos pela OIE.

A médica veterinária do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC, Aline Mello, lembra que a convivência das pessoas com seus pets muitas vezes é bem próxima. "Eu também tenho gato em casa e sei como é, quando a gente adoece eles querem ficar junto, vêm pra cima da cama. A chance maior é da gente transmitir pra eles. Não há nenhum relato no mundo do animal ter servido de fômite."

O fômite a que ela se refere é qualquer objeto ou substância capaz de absorver e transportar o vírus. Poderia se pensar, por exemplo, que as patas dos cães ou gatos pudessem levar o vírus da rua para casa e contaminar as pessoas. "No entanto não há nenhuma evidência científica de que isso tenha ocorrido", afirma. 

Mas como ainda há muitas incertezas em relação à Covid-19, organizações internacionais como o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (PANAFTOSA-OPAS/OMS) e a Organização Internacional de Proteção Animal Mundial (World Animal Protection) sugerem alguns cuidados com os pets, principalmente na hora de passear na rua. 

Entre esses cuidados, Carolina reforça que o uso de álcool em gel é contraindicado para animais: "Ao retornar do passeio, o tutor deve lavar as patas dos cães com shampoo específico."

Já em relação aos gatos, a orientação é mantê-los dentro das residências, independentemente da pandemia. "Gatos que frequentam a rua têm sua expectativa de vida muito reduzida, por atropelamento, envenenamento e doenças infecciosas adquiridas com o contato com outros gatos de rua", afirma Carolina.

E quem tiver Covid-19, como pode proteger seu animal?

Como os relatos indicam que os animais podem ser afetados pelo novo coronavírus, a OIE recomenda que pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pelo SARS-CoV-2 limitem o contato com seus animais.  Práticas de higiene, como lavar as mãos, são fundamentais e não devem ser esquecidas antes e depois das interações com animais. 

"O ideal é que os cuidados com o pet sejam realizados por pessoas que não estejam com suspeitas da doença. Se a pessoa morar sozinha com o animal, ela deve sempre usar máscara quando estiver lidando com o pet e o compartilhamento de alimentos não deve ser realizado. O tutor também não pode permitir que o animal lhe dê lambidas", orienta Carolina.

A vacina contra coronavírus para cães imuniza para Covid-19? 

Antes de mais nada, vale lembrar que o coronavírus ficou mundialmente falado com a pandemia de Covid-19, mas na verdade é um antigo conhecido.

Os coronavírus fazem parte de uma grande família de vírus, a Coronaviridae, que pode acometer tanto animais quanto seres humanos. A veterinária Carolina explica que existem quatro gêneros pertencentes à família Coronaviridae, os Alphacoronavirus, Betacoronavirus, Gammacoronavirus e os Deltacoronavirus. "Cães e gatos podem ser acometidos pelos coronavírus do gênero Alphacoronavirus. As vacinas múltiplas (V8 ou V10), utilizadas em cães para prevenir diversos tipos de doenças, realmente inclui cepas de coronavírus, que são espécies específicas. No caso dos cães, ela protege contra o coronavírus entérico canino (CCoV), que causa gastroenterite, infectando as células intestinais. Já o coronavírus felino (FCoV) causa nos gatos a peritonite infecciosa felina, para qual não há vacina no Brasil.

A veterinária Aline completa ao afirmar que a vacina para cães, por exemplo, imuniza o animal apenas para o coronavírus canino e não o protege da Covid-19. Ela também faz um alerta para as pessoas que pensam em tomar a vacina para coronavírus canino. Veja no vídeo:

 

Medicamentos veterinários não podem ser usados por humanos

Além da vacina para cães, na ansiedade para se proteger do novo coronavírus tem muita gente que também está apelando a receitas caseiras e uso de medicamentos sem comprovação científica para a Covid-19. É o caso da Ivermectina, um remédio bastante usado para piolho e sarna. 

A procura por este e outros produtos em clínicas veterinárias levou o Conselho Federal de Medicina Veterinária a fazer um alerta sobre os perigos de se utilizar medicamentos veterinários em humanos, "uma vez que não foram desenvolvidos e testados em pessoas, ou seja, não existem dados que atestem a segurança e a eficácia do uso dessas formulações em humanos”:

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É arriscado engravidar na pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 25 ago 2020 15:55 Data de Atualização: 25 ago 2020 16:31

Todos nós tivemos planos afetados por causa da pandemia de Covid-19. Mas, para algumas mulheres, o impacto bateu em cheio com o projeto da maternidade. Quem já estava grávida antes de tudo isso começar, ou engravidou durante esse período, se viu em situação delicada quando o Ministério da Saúde anunciou em abril que grávidas e puérperas (até duas semanas após o parto) fazem parte do grupo de risco, ou seja, têm maior risco de sofrer complicações da Covid-19. 

Neste post, vamos abordar as seguintes questões:

- Quais os riscos de engravidar na pandemia?
- Por que o Brasil teve mais mortes de gestantes com Covid-19?
- É preciso ter algum cuidado especial por estar grávida?
- Há algum tipo de parto mais indicado para quem está com a doença?
- As mulheres com coronavírus podem amamentar?
- Como lidar com o puerpério em plena pandemia?

A gravidez durante a pandemia traz riscos específicos?

Sim. A consideração é da enfermeira obstétrica e professora do Câmpus Florianópolis do IFSC Juliana Monguilhott, atual presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras em Santa Catarina (Abenfo-SC). O risco não é pelo fato de a mulher grávida ter mais chance de se contaminar pelo coronavírus, mas sim porque a gestação acarreta alterações fisiológicas que podem dificultar a resposta do corpo da gestante ao vírus. “A própria gestação já traz algumas consequências fisiológicas para o corpo da mulher e a gente sabe que muitas delas estão relacionadas ao sistema cardiovascular e respiratório, que são justamente dois dos sistemas mais atingidos pelo coronavírus”, explica Juliana. 

 

Existe alguma orientação para evitar gravidez neste momento?

Não, não há nenhuma normativa contraindicando a gestação neste momento. No entanto, em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota técnica recomendando a suspensão temporária de procedimentos de reprodução humana assistida. 

"É uma situação bem complexa, porque o planejamento familiar para cada mulher e para cada família engloba diversos fatores”, afirma Juliana. Segundo a professora, é preciso considerar, por exemplo, a situação de uma mulher com mais de 35 anos, que já tem uma reserva ovariana menor e que tem pressa em engravidar; e a de outra mais jovem que pode se planejar e decidir não engravidar no meio dessa pandemia. “Para essa mulher que pode se planejar, eu diria que sim, é arriscado engravidar. Então se ela pode esperar, é melhor”, diz.

-> OMS esclarece dúvidas sobre planejamento familiar e métodos contraceptivos na pandemia

Estou grávida. E agora?

É importante que as mulheres grávidas tenham rigor nos cuidados para evitar o contágio com o vírus - que são os mesmos para todos, como o uso de máscara, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social. Além disso, devem fazer o acompanhamento pré-natal com bastante atenção.


Tão logo apresente qualquer sintoma, a gestante deve procurar atendimento médico para evitar agravamento do quadro, orienta a professora do IFSC. Também não se deve tomar nenhuma medicação por conta própria: caberá ao médico indicar o tratamento de acordo com cada situação. “A gente vê sendo divulgado o uso de ivermectina, de cloroquina, de várias medicações que não têm evidência científica e que, no caso da gestante, pode ter efeito colateral para ela e para o bebê”, alerta.

-> Cloroquina e hidroxicloroquina: esses medicamentos têm eficácia contra a Covid-19?

“O que tem que se pensar é no isolamento social, na ingestão de líquido, numa alimentação saudável com frutas e minerais para aumentar a imunidade e reduzir as chances da gestante ser infectada com o vírus”, orienta a professora. 

-> Leia o post: É possível prevenir o coronavírus por meio da alimentação?

O que tem que se pensar é no isolamento social, na ingestão de líquido, numa alimentação saudável com frutas e minerais para aumentar a imunidade e reduzir as chances da gestante ser infectada com o vírus

Existe um momento mais crítico durante a gestação?

A professora do IFSC informa que, no final da gestação, contrair o vírus pode levar a um parto prematuro. “Muitas vezes, essa mulher que contraiu o vírus apresenta uma dificuldade respiratória e acaba sendo indicada a indução do trabalho de parto ou a própria cesariana”, diz. 

Segundo Juliana, ainda não há evidências científicas das consequências quando o coronavírus é identificado no primeiro e no segundo trimestre da gestação. “O que a gente tem é que, no fim da gestação e, principalmente, no puerpério, algumas mulheres que estão tendo esse diagnóstico estão ficando mais graves e muitas delas estão indo a óbito por falta de assistência adequada no tempo oportuno”, afirma.  

É mais perigoso ser gestante no Brasil neste momento?

Em julho, um estudo publicado no periódico médico International Journal of Gynecology and Obstetrics chamou a atenção para o risco de ser gestante no Brasil neste momento. A pesquisa apontou que 124 mulheres gestantes ou que estavam no período do puerpério haviam morrido de Covid-19 no Brasil até a conclusão do estudo. Esse número representou 77% das mortes registradas no mundo no período, ou seja, morreram mais mulheres grávidas ou no pós-parto no Brasil do que em todos os outros países somados. O estudo foi feito por um grupo de enfermeiras e obstetras brasileiras ligadas à Unesp, UFSCAR, Fiocruz, IMIP e UFSC.


Um estudo do Grupo Brasileiro para Estudos de Covid-19 e Gestação, publicado no periódico BJOG, uma publicação internacional de Obstetrícia e Ginecologia, em 16 de agosto, apontou que, até agora, os principais fatores de risco para morte materna por Covid-19 foram: ser puérpera no momento da notificação da Covid, obesidade, diabetes e doença cardiovascular. Ser branca mostrou-se fator de proteção.

Segundo Juliana, não existem dados confiáveis do número de gestantes contaminadas por Covid-19 no Brasil e nem de óbitos desse grupo. Nos boletins que o Ministério da Saúde divulga, essa informação não está disponível. 

Para a professora, qualquer número que se apresente hoje em relação a gestantes e Covid-19 deve estar subestimado. Um estudo publicado pela Escola Nacional de Saúde Pública em junho deste ano apontou que o número de gestantes assintomáticas pode variar de 66% até 100%.

-> Entenda a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos

“Além do número de assintomáticas, deve ter um número bem maior de gestantes contaminadas porque nem todas são testadas e, no número que os municípios enviam para o Ministério da Saúde, não tem como informar a fase da gestação e nem se a mulher é puérpera ou está amamentando”, conta. “E a gente sabe que em muitas mortes maternas pelo coronavírus, as mulheres foram diagnosticadas no puerpério”, completa.

No início de agosto, em reunião com deputados da comissão externa que acompanha ações de combate ao coronavírus da Câmara de Deputados, o Ministério da Saúde informou que gestantes serão submetidas a protocolos específicos de atendimento e que todas serão testadas para Covid-19 no final da gestação. O secretário de atenção primária do Ministério da Saúde, Raphael Parente, reconheceu que a mortalidade materna no Brasil ainda é alta e informou que até o dia 1º de agosto tinham sido registrados 199 óbitos de mulheres grávidas no Brasil, 135 por Covid-19. Segundo dados apresentados pela pasta no evento, as gestantes têm risco 1,5 maior de internação em UTI com necessidade de ventilação mecânica em relação ao restante da população.

Diante desse contexto de pandemia, a professora do IFSC destaca a necessidade de se pensar em um modelo de atendimento que exponha menos as gestantes, como é a proposta dos centros de parto normal (CPN). Em Santa Catarina, ainda não há estrutura desse tipo que possa acolher as gestantes de risco obstétrico habitual, evitando colocá-las em risco em uma maternidade de grande porte com vários casos de Covid-19, por exemplo. “A gente precisa sim de uma atenção que priorize a fisiologia do parto e nascimento, como são os centros de parto normal, permitindo que as maternidades e hospitais de grande porte fiquem para as mulheres que realmente precisam, para quem tem gestação de alto risco ou tem alguma interferência”, defende Juliana, que está envolvida no projeto que busca implantar um CPN em Florianópolis - do qual o IFSC é parceiro.

Algum tipo de parto é mais indicado para quem tem Covid-19?

O fato de uma gestante ter Covid-19 não representa uma indicação para determinado tipo de parto. “A gente já sabe dos inúmeros benefícios do parto normal para a mãe e para o bebê, então se ela tem um quadro bom, a ausculta cardíaca fetal se mantém boa durante o trabalho de parto, a gestante pode seguir para um parto normal”, explica a professora. Caberá ao obstetra avaliar cada caso, como já ocorre normalmente.

Já o parto na água está contraindicado para parturientes com Covid-19 - sejam casos suspeitos ou já confirmados - pelo risco de contaminação pela água, conforme nota técnica do Ministério da Saúde.

-> Leia o post sobre a transmissão do coronavírus pela água 

O diagnóstico de Covid-19 também confere à gestação um grau de alto risco, o que inviabiliza, por exemplo, a realização de um parto domiciliar - que hoje é uma opção só feita por equipes particulares em gestações que não sejam de risco. Esse tipo de parto não faz parte da rede de atenção à saúde e não é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, a gestante com Covid-19 deve ser encaminhada a um hospital ou maternidade para ter o bebê.

Por causa da pandemia, as maternidades mudaram seus protocolos de atendimento limitando o número de acompanhantes com a gestante e proibindo as visitas. O indicado é que cada gestante entre em contato com a instituição onde pretende fazer seu parto para conferir as novas regras de cada lugar.

-> Veja nota do Ministério da Saúde com recomendações para o trabalho de parto, parto e puerpério durante a pandemia

A mãe com Covid-19 passa o vírus para o bebê?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda não se sabe se mulheres grávidas com Covid-19 podem passar o vírus para o bebê durante a gravidez ou no trabalho de parto. Mas a professora do IFSC cita um estudo publicado no periódico Women’s Health em julho em que foram relatados, em uma mesma instituição do Brasil, cinco óbitos fetais de mulheres com coronavírus e em que o vírus foi identificado no líquido amniótico de um bebê e na placenta de dois bebês. “Isso traz muita sugestão de que a transmissão vertical é uma possibilidade, de que o vírus pode ser transmitido através da placenta pro bebê”, afirma Juliana. 

Até então, quando um bebê era diagnosticado com Covid-19, a transmissão era associada ao parto ou até ao pós-parto, num momento de amamentação, por exemplo, por uma mãe com a doença. “Mas essa série de casos mostrou pra gente que não, que nos óbitos fetais intra útero já tinha presença do vírus”, explica a professora.

Juliana esclarece que o compilado dos estudos está demonstrando que existe essa possibilidade, mas parece ser rara. “Pelo acúmulo de conhecimento até o momento sobre Covid nas gestantes, parece ser um evento raro, mas seria possível sim”, explica. 

Segundo ela, muitos profissionais têm observado um aumento de óbitos fetais no Brasil após o início da pandemia. “Entretanto, sem um estudo adequado incluindo testagem de todas as gestantes, é difícil avaliar se essa observação é real ou se existe uma relação de causa e efeito entre Covid-19 e óbito fetal”, pondera.

Como tudo ainda é muito novo, ainda não existem estudos que tratem de sequelas para bebês que sejam diagnosticados com coronavírus.

Como fica a amamentação?

A professora do IFSC destaca que não há evidência científica que mostre contaminação por meio do leite materno. “Por enquanto, considerando os benefícios da amamentação, o indicado é que as mulheres - mesmo aquelas positivas para Covid - possam amamentar os bebês”, reforça.

-> Leia a Nota técnica do Ministério da Saúde sobre amamentação

Inclusive, o contato pele a pele é incentivado também para mães testadas positivas para Covid-19, mas não de forma imediata. “Então o bebê nasce, o clampeamento ainda é oportuno do cordão e, enquanto se aguarda para clampear o cordão umbilical, é trocada a camisola da mãe, a mulher é seca, troca-se sua a máscara e aí o bebê vai para o contato pele a pele com ela para amamentação”, explica Juliana. A OMS recomenda o clampeamento tardio do cordão umbilical quando possível, que é quando se interrompe o fluxo sanguíneo entre a mãe e o bebê.

De acordo com a professora, no caso de bebês que desenvolveram a doença depois do parto, o que se acredita é que a transmissão tenha ocorrido durante a amamentação por gotícula ou aerossol, mas não pelo leite materno. “No caso de a mulher estar com Covid, o ideal é que ela use máscara durante a amamentação”, recomenda.   

-> Sociedade Brasileira de Pediatria defende a manutenção da amamentação em mães portadoras da Covid-19

Puerpério em plena pandemia

Se não bastasse toda a preocupação com a gestação durante a pandemia, após ter o bebê, a mulher pode se ver solitária no chamado puerpério, que é o período que se estende de 45 a 60 dias após o nascimento da criança. A enfermeira obstétrica Juliana alerta para a importância de haver uma rede de apoio para a puérpera, ainda que adaptada ao atual contexto de distanciamento social:

-> Assista à live Puerpério em Tempos de Pandemia feita por professoras do curso de Enfermagem do IFSC

Veja também:

-> Orientações do Ministério da Saúde sobre gestantes e lactantes

-> Nota técnica do Ministério da Saúde sobre a atenção à saúde do recém-nascido no contexto da infecção pelo novo coronavírus

-> Organização Mundial de Saúde responde dúvidas sobre amamentação e Covid-19 (em inglês)

-> Fluxo de manejo clínico de gestantes na Atenção Especializada conforme o Ministério da Saúde


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IFSC VERIFICA

A carne pode ser contaminada pelo novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 18 ago 2020 14:23 Data de Atualização: 20 ago 2020 13:16

A notícia vinda da China no último dia 13 de que foram encontrados traços do novo coronavírus em embalagens de frango importado do Brasil, mais especificamente de Santa Catarina, levou rapidamente a Organização Mundial da Saúde, o governo brasileiro e o setor produtivo a garantirem que não há motivos para se ter medo de comida.

Desde o início da pandemia, esse foi um consenso entre as mais diversas áreas que atuam para evitar a proliferação do vírus: não há evidências de que os alimentos têm participação na transmissão da Covid-19 pelo mundo.

Mas essa não é a primeira vez que os frigoríficos são destaque quando o assunto é coronavírus. Eles já foram até apontados pelo Ministério Público do Trabalho como um dos responsáveis pela interiorização da doença no Brasil, pela quantidade de trabalhadores que foram infectados. Mas como ocorreu a proliferação da Covid-19 nessas indústrias? Existe alguma relação entre a contaminação dos funcionários e a produção de carne?

Por conta dessas e de muitas outras perguntas sobre os frigoríficos, o IFSC Verifica convidou professores dos câmpus Canoinhas e São Miguel do Oeste para uma conversa. Nesses dois câmpus existem cursos de Alimentos e Agroindústria. A médica veterinária Carolina de Castro Santos, a zootecnista Sandra Aparecida Tavares, o químico industrial de alimentos Luciano Heusser Malfatti e a farmacêutica bioquímica Roberta Garcia Barbosa respondem:

• A carne é um alimento seguro de ser consumido?

• Como ocorre a produção na indústria de carne e derivados?

• Quais são as normas sanitárias a que esse setor está submetido?

• Por que tantos trabalhadores de frigoríficos foram contaminados pelo novo coronavírus?

• O que determinam as portarias governamentais para evitar a proliferação da Covid-19 nesses ambientes?

Informações da China precisam ser mais precisas

A primeira avaliação dos professores é unânime: a China precisa esclarecer onde os traços do novo coronavírus foram encontrados. A informação é que estavam em uma embalagem com asas de frango congeladas. Para eles, essa informação não é precisa nem suficiente. Roberta Barbosa, doutora em Ciência dos Alimentos e professora do Câmpus São Miguel do Oeste, explica que os pedaços de frango são colocados em uma embalagem primária, como de polietileno (plástico). Isso ocorre num ambiente totalmente controlado. Depois essas embalagens vão para outro setor de de produção, onde são acondicionadas em embalagens secundárias, como caixas de papelão, que vão para caminhões e contêineres. "Será que a contaminação foi nessa embalagem secundária?", questiona.

Ela aponta que muitas pessoas acabam manipulando essas caixas tanto no carregamento no Brasil como no país importador. "Além disso, no caso de países como a China, uma carga dessas demora de 45 até 60 dias para chegar ao destino. Não há qualquer evidência científica de que o vírus permaneça tanto tempo vivo."

O professor Luciano Malfatti alerta ainda que a China anunciou ter encontrado traços de material genético do SARS-CoV-2: "Isso é completamente diferente do vírus ativo. É como se o vírus tivesse se desmanchado, deixando apenas traços do RNA. A cápsula lipoproteica (que o protege) não existe mais."

Carolina completa ao explicar que o vírus é um parasita intracelular obrigatório: "Ele não sobrevive e não consegue se multiplicar, ser ativo, fora de uma célula."

Declaração em destaque de Carolina de Castro Santos, médica veterinária e professora do Câmpus Canoinhas: "Encontrar traços do material genético não significa encontrar vírus com poder infectante. A gente precisa esperar esse posicionamento oficial. E a China não pode se abster da responsabilidade dessa contaminação ter ocorrido lá."

O lote identificado pela China é apontado como sendo da empresa Aurora, que em nota oficial também diz aguardar mais detalhes sobre a possível contaminação.

O processo de produção de carne é seguro?

Antes mesmo da pandemia de Covid-19, as indústrias de carne precisavam seguir uma série de normas para controle sanitário e que segundo os professores passam total segurança. "Por conhecer a realidade das plantas (frigoríficos), não me preocupo com a segurança dos alimentos. Os processos são rigorosamente controlados para minimizar risco de infecção", afirma Carolina. Luciano concorda: "A indústria vem se adaptando ano após ano. Os controles são muito rigorosos."

Entre os itens que garantem a segurança alimentar, a professora Roberta Barbosa destaca os equipamentos de proteção individual (EPIs): "Mesmo antes da pandemia, práticas rigorosas de controle de higiene e de qualidade eram empregadas nos frigoríficos. Podemos citar o uso de botas, macacão (ou calça e blusa), capacete, máscara, luvas e touca de proteção, que além da segurança do manipulador, impedem a presença de contaminantes físicos, químicos ou biológicos na carnes e seus produtos."

Os EPIs são fornecidos e higienizados pelas próprias indústrias. Nenhuma roupa ou material é levado pelo trabalhador para ser higienizado em casa. "Entrou na planta já se coloca o EPI e dependendo do setor em que a pessoa trabalha, ela realiza duas, três trocas de roupas", explica Carolina.

Outra questão abordada pelo professores é em relação à circulação do ar. Os ambientes são refrigerados e, por isso, não pode haver entrada de ar externo. "A maioria dos ambientes é refrigerado, a temperatura de 10 graus, onde o fluxo de ar é direcionado de dentro da indústria para fora", explica Roberta.

Ambientes e utensílios também são rigorosamente limpos com frequência, afirma o professor Luciano Malfatti. Químico industrial de alimentos e com atuação na higienização de ambientes durante a pandemia, ele explica no áudio a seguir como é feita a sanitização dos frigoríficos: a frequência e os produtos utilizados para limpeza:

 

 

As carnes passam por algum processo de higienização?

Ouça e tire essa dúvida!

 

Carolina destaca ainda que o sistema de inspeção para empresas exportadoras exige muito controle na indústrias: "É inclusive referência para outros países. Então acredito que a contaminação dos trabalhadores ocorreu principalmente em locais de aglomeração e convívio."

Por que tantos trabalhadores foram contaminados?

No início da pandemia os frigoríficos já eram apontados como locais propícios para disseminação do novo coronavírus, como consta em nota técnica do MPT: "em razão da elevada concentração de trabalhadores em ambientes fechados, com baixa taxa de renovação de ar, baixas temperaturas, umidade e com diversos postos de trabalho que não observam o distanciamento mínimo apto a viabilizar segurança durante a prestação de serviços, além da presença de diversos pontos que propiciam aglomerações de trabalhadores, tais como: transporte coletivo, refeitórios, salas de descansos, salas de pausas, vestiários, barreiras sanitárias, dentre outros."

Esses pontos também foram motivos de preocupação para os professores dos câmpus que formam profissionais para atuarem no setor. Segundo Roberta, na maioria das vezes os funcionários ficam o dia todo na indústria, se alimentam, fazem as pausas e convívio em ambiente fechados e aglomerados. "São locais em que os funcionários ficam muito próximos uns dos outros. São pontos em que o Ministério da Agricultura e Pecuária teve que atuar e legislar alterações de práticas para evitar o contágio.”

Ela também acredita que o transporte das indústrias tenha contribuído para a proliferação do vírus: "Muitos desses frigoríficos ficam em cidades pequenas, que não possuem mão de obra suficiente para atender a oferta de trabalho. As indústrias precisam trazer trabalhadores de outras cidades. Desta maneira, o transporte também se torna um vilão quando não se tomam as medidas necessárias de distanciamento, uso de máscaras, abertura das janelas e demais precauções para evitar a disseminação do vírus."

Apesar do grande número de trabalhadores contaminados, os professores não perceberam redução na produção em Santa Catarina. No áudio a seguir eles falam sobre o aumento dos turnos de trabalho:

 

 

Governos determinam mais cuidados para funcionamento de frigoríficos

Os casos de Covid-19 entre trabalhadores de frigoríficos levaram o Ministério Público do Trabalho a fechar temporariamente algumas unidades e a propor mais rigor no uso de EPIs.

Em Santa Catarina, o governo publicou portaria estadual em 12 de maio para "estabelecer medidas de prevenção para o funcionamento dos estabelecimentos de abatedouros frigoríficos de carnes em Santa Catarina". Os Ministérios da Economia, da Saúde e da Pecuária, Agricultura e Abastecimento emitiram portaria com medidas para todo o território nacional apenas em junho.

Entre as medidas estão capacitações para os funcionários, para que usem máscara, não compartilhem EPIs e consigam utilizar os equipamentos sem se contaminar ao colocá-los ou retirá-los. A professora Sandra Tavares afirma que em algumas linhas de produção em que o distanciamento mínimo não é possível, as indústrias que não conseguirem atender essa demanda deverão instalar barreiras, como divisórias de acrílico entre os postos de trabalho ou o uso de roupas e EPIs apropriados, como protetores faciais (face shield).

Os professores destacam que a portaria de Santa Catarina é mais rigorosa que a nacional. "Exige, por exemplo, distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os trabalhadores na linha de produção, enquanto que a portaria nacional é de um metro, medida de ombro a ombro na linha de produção", exemplifica Sandra Tavares.

Outras medidas estabelecidas pela portaria da Secretaria da Saúde de Santa Catarina são: realizar a aferição de temperatura dos trabalhadores na entrada e na saída das unidades e programar a utilização dos refeitórios com apenas 1/3 (um terço) da sua capacidade, além de ficar proibida a modalidade de buffet de auto serviço (self service).

Veja as medidas para evitar contaminação pelo novo coronavírus nos frigoríficos nas portarias da Secretaria de Saúde de Santa Catarina e do governo federal.

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IFSC VERIFICA

Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 11 ago 2020 13:49 Data de Atualização: 11 ago 2020 20:12

A cada momento, a imprensa divulga informações sobre lotação de hospitais e Unidades de Terapia Intensiva (UTI). São dados importantes, levados em conta pelas autoridades públicas na decisão pelo relaxamento ou reforço das medidas de distanciamento social, pois como não há um tratamento específico e eficaz contra a Covid-19, manter ações de monitoramento e suporte dos pacientes mais graves se tornou imprescindível para salvar vidas.

A Associação Médica Intensivista Brasileira (Amib) estima que no início da pandemia, o Brasil tinha cerca de 2,2 leitos de UTI a cada 10 mil habitantes, o que estava dentro da média preconizada pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS), de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. No entanto, a distribuição desses leitos é desigual, sendo 1,4 no SUS e 4,9 na rede privada. A diferença também se dá por regiões, sendo o Sudeste e Centro-Oeste a regiões com melhor estatística e as regiões Nordeste e Norte com a pior. O Sul estava dentro da média nacional, com 2,2 leitos por 10 mil, porém, com a diferença de 1,8 leitos no SUS e 3,5 na rede privada.

Desde o início da pandemia no Brasil, em março, o Sistema Único de Saúde (SUS) habilitou 11.777 leitos de UTI (informações do site do Ministério da Saúde). Também se fala na importância dos equipamentos utilizados nessas unidades, principalmente os ventiladores pulmonares (respiradores), que suscitaram uma “corrida” pela compra e importação. 

Assim, o IFSC Verifica consultou especialistas do IFSC para saber:

- Como funciona uma UTI e porque ela é tão importante no tratamento da Covid-19

- O que é um ventilador pulmonar e quem precisa utilizar esse tipo de aparelho

- Quais os riscos para os pacientes que utilizam esses ventiladores

- Qual a diferença entre os diversos tipos de aparelhos que auxiliam na respiração do paciente

Conheça também o projeto em colaboração do IFSC e da UFSC para produzir ventiladores pulmonares e Ambus automatizados de baixo custo.

Por que a UTI é importante no tratamento da Covid-19?

Segundo a coordenadora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis, Marciele Misiak Caldas, apenas cerca de 10% das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus precisam de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ela cita nota da Amib, que esclarece: “a Covid-19 é uma infecção com potencial de causar alterações significativas na capacidade ventilatória, levando a comprometimento pulmonar difuso e piorando as trocas gasosas. A internação em UTI geralmente ocorre com paciente que apresenta alterações pulmonares gravíssimas causadas pela infecção, em que a capacidade de ventilar os pulmões ou realizar a troca gasosa desses pacientes é reduzida, o que pode resultar em um quadro de insuficiência respiratória e a necessidade de uma monitorização contínua e uso dos ventiladores pulmonares”. 

Mas, como funciona uma UTI? A professora do curso de Engenharia Elétrica do Câmpus Itajaí, Fernanda Isabel Marques Argoud, especialista em Engenharia Biomédica, esclarece que uma UTI é composta por vários tipos de equipamentos, sendo alguns fixos e outros móveis, como o ventilador mecânico.

Entre os equipamentos fixos em uma UTI, o principal é o Monitor Cardíaco Multiparâmetros, que tem como função verificar vários sinais vitais, como frequência cardíaca, eletrocardiograma, pressão arterial, quantidade de oxigênio no sangue, entre outros.

Os respiradores (também chamados de ventiladores pulmonares) são utilizados apenas quando a pessoa não consegue respirar sozinha, apresente queda da saturação de oxigênio no sangue, dificuldade de respirar, alterações nos exames de imagens como raio X e tomografia, alterações metabólicas, além da falência de outros órgãos. 

Nesse caso, o equipamento é inserido pela boca ou pela traqueia e faz a função do pulmão da pessoa. Há outros tipos de respiradores mais simples, como o Ambu, utilizado principalmente em situações de emergência, e o cateter nasal, que auxiliam a respirar melhor, porém, não substituem a função pulmonar (veja abaixo a diferença entre esses equipamentos).

A professora Marciele alerta, porém, que ter leitos de UTI ou respiradores disponíveis em determinada região não significa que é possível relaxar as medidas de prevenção à Covid-19. Como não há um tratamento específico e comprovadamente eficaz, as medidas tomadas em UTIs podem melhorar o prognóstico da doença, mas não são sinônimo de cura. “A UTI vai proporcionar uma qualidade melhor, um suporte melhor para o paciente, mas não quer dizer que ele está fora de risco. Então, com certeza as medidas de prevenção são o melhor caminho”.

No vídeo, a professora Marciele explica melhor como funciona uma UTI no caso do tratamento para o coronavírus:

Cuidados extras na segurança de profissionais e pacientes

Além dos equipamentos, o funcionamento de uma UTI exige uma equipe capacitada para este tipo de atendimento, focada nos cuidados do paciente. O enfermeiro é o profissional que faz o monitoramento e ajuste de equipamentos, sob coordenação da equipe médica e em conjunto com outros profissionais, como fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, odontólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

A coordenadora do curso técnico em Enfermagem destaca que, com o coronavírus, reforçaram-se os cuidados com os próprios profissionais da saúde em UTI no que diz respeito aos equipamentos de proteção individuais (EPIs). Além dos usuais, enfermeiros e demais profissionais precisam utilizar equipamentos adicionais, como faceshield, aventais, luvas, entre outros, durante todo o período de trabalho na UTI.

Também há a questão da alta rotatividade dos profissionais e deslocamento de trabalhadores da saúde de outras áreas para a UTI, o que exige capacitação desses profissionais em pouco espaço de tempo.

A pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) sobre a situação das equipes de UTIs no Brasil traz mais detalhes sobre os desafios enfrentados pelos profissionais de saúde na linha de frente da pandemia.

Os riscos de se utilizar um ventilador pulmonar

Segundo as professoras Marciele e Fernanda, o ventilador pulmonar é um equipamento para se usar em última instância e por pouco tempo, pois pode causar vários danos à saúde do paciente. A pneumonia por ventilação mecânica é um dos efeitos mais comuns. 

Fernanda explica que o respirador é basicamente uma bomba em que são misturados gases, que são insuflados por meio de tubos, de difícil esterilização. “Como a tubulação não pode ser metálica, tem que ser flexível e confortável, a probabilidade de ficar uma bactéria dentro é muito alta, pois não é possível esterilizá-la em uma autoclave. Além disso, o ar do respirador precisa ser umidificado, e não tem fonte maior de infecção do que umidade”, completa.

Marciele lembra também que o uso do respirador por muito tempo pode comprometer a musculatura respiratória e dos membros do paciente, ocasionando perda de força, o que pode dificultar a retirada do tubo e exigir tratamento fisioterápico após a internação.

O risco de uso inadequado também é grande. O respirador precisa ser utilizado por profissionais treinados, pois erros de regulagem da saída de ar, por exemplo, podem causar danos graves aos pulmões. O fisioterapeuta é o profissional indicado para auxiliar médicos e enfermeiros na definição dos parâmetros de uso dos ventiladores pulmonares em UTIs.

Assim, a taxa de mortalidade por Covid-19 com o uso de respiradores é alta. Segundo estudo UTIs Brasileiras, em torno de 9% dos pacientes em UTI e que não utilizaram ventilação mecânica foram a óbito, enquanto entre os que receberam ventilação, a média de mortalidade foi de 65%, sendo 62% na rede privada e 70% na pública.

Porém, em casos graves, a chance de óbito é de 100% caso o respirador não seja usado. Por isso cabe à equipe médica avaliar com precisão quem necessita desse cuidado mais intensivo.

A Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nota técnica específica sobre os ventiladores pulmonares, em que aponta riscos e benefícios desses aparelhos e cita normas para sua fabricação de forma segura.

No vídeo, a professora Fernanda explica melhor quais os riscos dos ventiladores pulmonares.

Por que precisamos importar esses equipamentos? É muito caro produzi-los?

Segundo o site do Ministério da Saúde (MS), desde o início da pandemia foram adquiridas 9.672 unidades de ventiladores pulmonares, sendo 4.995 equipamentos de UTI e 4.677 de transporte (Ambus). Além disso, há contratos para a produção de 16.252 ventiladores pulmonares em empresas nacionais.

Fernanda lembra que há muitos anos se alerta para a falta de respiradores em hospitais. “O coronavírus é um vírus que ataca principalmente o pulmão. Então, quando a humanidade ficou sabendo que estávamos em risco de pandemia, isso gerou uma preocupação ainda maior. Se falta respirador hoje, o que vai acontecer em caso de coronavírus?”

Existem várias iniciativas para a produção desses equipamentos por instituições brasileiras. Uma parceria entre a UFSC e o IFSC está desenvolvendo equipamentos médicos para combate à Covid-19, sendo dois Ambus automatizados e um modelo de ventilador pulmonar. O protótipo de ventilador já está em fase de testes clínicos, ou seja, em humanos.

Segundo o professor do Departamento Acadêmico de Metal Mecânica do Câmpus Florianópolis Luiz Fernando Segalin de Andrade, o equipamento está passando por algumas adequações na interface com o usuário, detectadas a partir dos testes pré-clínicos (com animais) realizados no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, e no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A intenção é produzir quatro a cinco protótipos para testes e depois conseguir parceria com empresas para a produção em larga escala, a um custo bem mais baixo que o dos equipamentos oferecidos pelo mercado atualmente. Os equipamentos são produzidos nos laboratórios da UFSC que fazem parte do grupo de Equipamentos Médicos de Emergência (EME), sendo que algumas peças também são produzidas nas instalações do IFSC.

Os Ambus automatizados estão em fase de protótipo. O projeto foi paralisado por um tempo por falta de recursos e por limitações na aquisição de peças e ferramentas. Agora, com recursos do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), a produção foi retomada e em breve devem ser iniciados os testes.

Para saber mais sobre o projeto, veja matéria publicada no Portal do IFSC

Tipos de equipamentos

Conheça os diferentes tipos de equipamentos que dão suporte à respiração do paciente (fotos: Banco de Imagens):

 

Cateter nasal: o paciente recebe oxigênio pelo nariz, mas mantém os movimentos próprios de respiração.

 

 

 

 

 

 

 

Ambu: é utilizado em casos de emergência até chegar ao ventilador mecânico. A ventilação pode ser manual ou automatizada.

 

 

 

 

Ventilador mecânico (respirador): há o respirador com máscara, que não é invasivo, e o ventilador de intubação, que utiliza cânulas (o circuito).

 

 

 

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IFSC VERIFICA

O novo coronavírus pode ser transmitido pela água ou pela rede de esgoto?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 16 jun 2020 15:02 Data de Atualização: 29 jul 2020 14:06

Qual o impacto da falta de condições sanitárias adequadas na pandemia de Covid-19 no Brasil? Há muitos aspectos a serem considerados. O primeiro deles é a falta de água em muitas localidades do país até para lavar as mãos. São quase 35 milhões de brasileiros sem acesso a água tratada, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS 2018). Essa é uma das principais preocupações dos epidemiologistas, já que a forma mais segura de evitar a contaminação é utilizando água e sabão para a higienização.

Além da falta de abastecimento, tem-se questionado muito se o novo coronavírus pode ser transmitido pelo esgoto, já que vivemos num país em que quase metade da população não tem acesso a sistema de esgotamento sanitário adequado e muitas comunidades convivem com esgoto a céu aberto. Para essa pergunta nem a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma resposta conclusiva.

Os estudos ainda são recentes e não há comprovação de que o SARS-CoV-2 mantém sua forma ativa na água ou no esgoto, ou seja, na forma que pode contaminar as pessoas.

Pesquisas indicam presença de SARS-CoV-2 em água, urina e fezes

A questão se o novo coronavírus pode ser transmitido pela água ou pelo esgoto é diferente do fato dele ser identificado nesses ambientes. Quem explica essa diferença é a engenheira sanitarista Andreza Thiesen Laureano, professora do curso técnico em Saneamento do Câmpus Florianópolis do IFSC: "Ao entrar em contato com a água, ele sobrevive e o RNA viral pode ser detectado através de exames específicos. No entanto, não se sabe ainda se, na água, ele se mantém na forma ativa/viável." O RNA pode ser entendido como material genético do vírus.

Em documento publicado em abril com orientações para a gestão da água e do saneamento durante a pandemia, a OMS afirma que, como o vírus da Covid-19 é encapsulado, ele é menos estável no ambiente hídrico em comparação com vírus humanos que têm transmissão conhecida pela água, como os rotavírus e a hepatite A: "Um dos estudos observou que outros coronavírus humanos sobreviveram apenas dois dias em água da torneira sem cloro e nas águas residuais hospitalares a 20°C." Uma das conclusões do documento é a de que métodos de tratamento da água que utilizam a filtração e a desinfecção devem inativar o novo coronavírus.

Já a presença do SARS-CoV-2 em fezes foi confirmada. Pesquisadores da cidade  de Zhuhai, na China, examinaram 98 pacientes com Covid-19 entre janeiro e março deste ano. Os resultados da pesquisa estão publicados na revista científica The Lancet: "Observamos que em mais da metade dos pacientes, suas amostras fecais permaneceram positivas para o RNA da SARS-CoV-2 por uma média de 11,2 dias após as amostras do trato respiratório se tornarem negativas para o RNA da SARS-CoV-2, implicando que o vírus se replica ativamente no trato gastrointestinal do paciente e que a transmissão fecal-oral pode ocorrer após a liberação viral no trato respiratório."

Pesquisa da UFSC identifica novo coronavírus em amostra de agosto de novembro de 2019

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade de Burgos (Espanha) e da startup BiomeHub identificaram partículas do novo coronavírus em duas amostras do esgoto de Florianópolis colhidas em 27 de novembro de 2019, dois meses antes do primeiro caso clínico ser relatado no Brasil. A descoberta, divulgada em 2 de julho de 2020, só foi possível porque havia amostras de esgoto congeladas para outros estudos. Segundo os pesquisadores, é o relato da primeira presença confirmada do vírus nas Américas. (texto atualizado em 29 de julho de 2020).

No decorrer de 2020, outra pesquisa brasileira - coordenada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em ETEs Sustentáveis (INCT ETEs Sustentáveis) - identificou a presença do novo coronavírus no esgoto da região de Belo Horizonte (MG). Realizado desde abril, o estudo analisa a Bacia do Onça, onde há duas estações para tratamento do esgoto coletado em boa parte da capital mineira e da cidade de Contagem. As coletas para análise são feitas semanalmente. Os boletins indicam aumento no número de amostras com SARS-CoV-2: "Para as regiões/bairros localizados na bacia do Onça, houve um aumento expressivo de amostras que testaram positivo (64% nas semanas um e dois, 69% nas semanas três e quatro para 88% na semana cinco)."

Pesquisas como estas têm sido feitas ao redor do mundo. Os relatos mais antigos da presença do novo coronavírus no esgoto são de Wuhan, na China, em outubro de 2019.

A professora Andreza reforça que, mesmo não havendo comprovação científica da transmissão hídrica da Covid-19, esta hipótese não está descartada. Por isso, em locais sem sistemas públicos ou individuais de coleta e tratamento de esgoto adequados, onde as pessoas têm contato físico com o esgoto líquido ou aerossóis do esgoto, a transmissão de doenças de veiculação hídrica é maior. Segundo ela, como ainda não há resultados conclusivos sobre a possibilidade de transmissão de Covid-19 a partir do sistema de esgoto, os especialistas têm utilizado pesquisas de outro tipo de coronavírus, o SARS-CoV-1 - similar ao SARS-CoV-2.

"Para o SARS-CoV-1 houve comprovação de contaminação por aerossóis provenientes de esgoto num prédio em um país asiático. O esgoto produz aerossóis quando é submetido à turbulência. Portanto, para operadores de estações de tratamento de esgoto, o risco é aumentado, a exemplo de outras doenças."

A Organização Mundial de Saúde reforça a importância do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e óculos, pelos trabalhadores dos serviços de saneamento.

Higiene é vital para se enfrentar a pandemia

Como já se detectou o novo coronavírus nas fezes, existe uma preocupação muito grande para outras formas de transmissão feco-oral além da que poderia ocorrer pelas redes de esgoto e de água, como no contato direto de uma pessoa com as fezes de outra, no manuseio do lixo doméstico ou por meio de vetores como baratas, moscas ou superfícies contaminadas. Tudo isso ainda está sendo pesquisado. Lavar as mãos e as superfícies com água e sabão continua sendo o mais recomendado, já que o coronavírus possui um revestimento lipídico, que é facilmente destruído pelos sabões.

Se ele sobrevive no esgoto, pode ser perigoso tomar banho de mar?

Mesmo não havendo comprovação científica da transmissão hídrica da Covid-19 em ambientes aquáticos, tanto em rios, quanto no mar, Andreza afirma que "pelo princípio da precaução, neste momento é importante evitar entrar em contato com essas águas, pois as mesmas são passíveis de estarem contaminadas e a hipótese de transmissão hídrica não está descartada." O mesmo vale para piscinas públicas. O cloro, usado em dosagem correta, provavelmente eliminará o vírus, mas não é recomendável o contato com outras pessoas. Mesmo porque há outros ambientes comuns, como banheiros, mesas e cadeiras. Por isso, valem as mesmas recomendações: fique em casa e lave as mãos com água e sabão.

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Como não desistir de praticar atividades físicas em função da máscara facial?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 28 jul 2020 15:27 Data de Atualização: 28 jul 2020 16:19

Elas entraram para o figurino em todos os contextos, por mais que sejam, por vezes, incômodas. Com a liberação da prática de atividades físicas, seja em ambientes ao ar livre ou em academias, as máscaras faciais também são item essencial nas novas normas de convívio social impostas pela pandemia. O problema é que, na prática de corrida, caminhada, ciclismo ou mesmo em atividades anaeróbicas, como a musculação, o desconforto respiratório que elas causam é inevitável.

Neste post, vamos te mostrar que, mesmo com a certa dificuldade que as máscaras podem provocar na prática de atividades físicas, vale a pena persistir e incorporar esse acessório ao kit esportivo: os benefícios de se exercitar neste momento pandêmico são muito importantes para manter lá em cima a almejada imunidade do organismo. Vamos abordar na sequência algumas questões como:

- Por que é importante manter a atividade física regular no cenário de pandemia;
- Como contornar o incômodo provocado pela máscara durante a atividade física;
- A diferença entre atividade física e exercício físico – e por que é importante saber até onde ir com cada um deles;
- Práticas bem simples a serem adotadas para voltar a malhar e manter regularidade.

Máscara: usar ou não usar durante a malhação?

Desde o início da pandemia, diferentes orientações foram passadas pelos órgãos de saúde sobre o uso da máscara facial. No início da situação de emergência sanitária, recomendava-se que não se adotasse o uso de máscaras descartáveis como forma de prevenção ao contágio, mas a lógica, naquele momento, era garantir o suprimento desse item de segurança aos profissionais de saúde. 

Com o avanço da pandemia, o prolongamento da necessidade de medidas preventivas e o desenvolvimento de novos estudos, o uso de máscaras “caseiras” – ou seja, de uso não profissional – passou a ser recomendado e tornou-se, em muitos casos, obrigatório nos espaços públicos. Essa obrigatoriedade foi estendida aos ambientes coletivos onde as pessoas praticam exercícios, seja ao ar livre ou em academias.

A professora Andresa Silveira Soares, que atua na área de Educação Física no Câmpus Florianópolis, afirma que utilizar a máscara facial durante a prática de exercícios é extremamente importante, já que ela evita a propagação de gotículas que podem transmitir o novo coronavírus (e também outros patógenos). “Mesmo que ela incomode, é extremamente importante que sempre se utilize a máscara”, enfatiza. Andresa sustenta a recomendação mesmo com a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) – que, levando em conta o fato de as máscaras ficarem úmidas mais rápido durante a prática de atividades físicas, em função da respiração intensa e transpiração, orienta que esse uso seja evitado. “Mas exigem normas municipais e estaduais para que o uso seja unificado, portanto isso deve ser observado e as pessoas precisam se acostumar”, pondera. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte também defende a importância do uso das máscaras faciais, neste comunicado.

De fato, a máscara facial, seja ela de tecido ou de outro material, tende a umedecer mas rápido durante a atividade, e isso anula seu potencial de proteção. O recomendado, portanto, é que o esportista sempre tenha à disposição mais uma ou duas máscaras, para garantir o uso correto e seguro durante todo o treino. Além disso, diminuir a intensidade do treino pode favorecer a adaptação à máscara e também prolongar a vida útil do acessório. No vídeo abaixo, a professora Andresa Soares explica melhor essas recomendações e fala, também, sobre como a adaptação aos diferentes tipos de máscaras é algo individual.

 

Por que é importante manter atividade física regular neste momento de pandemia?

Lá em março, quando ainda não se tinha a real noção do que representaria a emergência de saúde pública provocada pelo novo coronavírus, muita gente deixou de lado atividades que exigissem sair de casa. Isso incluiu a prática de atividades físicas ao ar livre ou em estúdios e academias. Só que as pessoas provavelmente não imaginavam que a imposição do distanciamento social se estenderia por tanto tempo. 

Movimentar o corpo é um hábito muito importante para a manutenção da saúde de forma integral, de acordo com a professora Andresa Soares, e isso engloba não apenas a parte física, mas também a saúde mental e o bem estar de forma mais ampla. Ela menciona que a recomendação da OMS é de que se pratique atividades físicas por cerca de 30 minutos diários, que podem ser, inclusive, fracionados nos diversos períodos do dia.

Essa atividade física mínima recomendada não é, necessariamente, exercício físico: enquanto as atividades físicas são, conceitualmente, os movimentos que tiram o corpo do estado de repouso, exercícios físicos são atividades programadas e sistematizadas. “Pode-se dizer que nem toda atividade física é um exercício físico, mas todo exercício físico, ou prática corporal, é uma atividade física”, detalha. Práticas cotidianas como varrer a casa, caminhar até o ponto do ônibus, passear com o cachorro, brincar com as crianças ou estender roupa no varal podem ser consideradas atividades físicas.

Na realidade do trabalho ou estudo remoto em home office, a rotina de muitas pessoas tornou-se mais sedentária. Por isso, Andresa reforça que é importante ter prestar atenção nos sinais que o corpo dá em reação à falta de atividade física. “É importante que as pessoas tenham consciência corporal, conheçam o seu corpo. Estamos num momento especial para as pessoas conhecerem as possibilidades e especialmente os limites do seu corpo, que dá respostas. Se você está há muito tempo sentada numa posição, trabalhando em home office, você vai sentir uma dor nas costas”, exemplifica. A melhor resposta a esse sinal específico seria parar um pouco, levantar-se, alongar, sair do estado de inércia.

Parei de malhar no começo da pandemia e o sedentarismo está me incomodando. Como voltar de forma segura?

A professora Andresa Soares recomenda que o retorno ou início de prática de exercícios físicos, no atual momento, seja feito de forma gradual. Não adianta querer recuperar muito rápido o tempo perdido e igualar a performance de antes da pandemia: a quebra na rotina e o próprio uso da máscara facial vão comprometer o desempenho. Mas é importante não se abalar ou desistir. “Neste momento, você não tem que estar preocupado com seu desempenho, e sim com o condicionamento físico”, recomenda Andresa. No vídeo, ela explica que a queda de performance é natural e salienta que o uso da máscara facial, além de ser importante para a proteção, não prejudica a saúde. Segundo ela, embora tenha havido boatos de que usar a máscara durante a atividade intensa pudesse comprometer a inalação de oxigênio, isso não é verdade. 

Com a atividade física em locais abertos e em academias liberadas em muitos municípios, a tentação de recorrer a esses espaços é grande. Porém, Andresa enfatiza que, no momento pandêmico, o mais seguro é, ainda, recorrer à atividade física em casa. Se for inevitável sair ou ir à academia, é recomendável tomar várias precauções:

- Sempre utilizar a máscara facial, tanto em atividades ao ar livre quanto em ambientes fechados. Escolher aquela que melhor se adaptar ao rosto e, caso a opção sejam as de tecido, que o material não seja muito fino;
- Trocar a máscara facial sempre que ela ficar úmida. Ao sair para treinar, portanto, não se deve esquecer de levar máscaras limpas para reposição;
- Manusear a máscara adequadamente, apenas pelas alças ou tiras. Não se deve tocar com as mãos a parte da frente do acessório;
- Ao ar livre, deve-se seguir as recomendações dos órgãos públicos e manter a distância recomendada das outras pessoas. Caso haja alguma dúvida, a professora Andresa explica que essa distância segura pode variar, dependendo do tipo de prática e da velocidade que o esportista atinge: 4 metros para caminhada, 10 metros para corrida e 20 metros para ciclismo;
- Para manter a hidratação, beber água antes do treino e, se for preciso hidratar-se durante a atividade, retirar a máscara de forma segura, sem mantê-la no queixo ou em contato com outras superfícies;
- Se possível, priorizar as atividades físicas feitas em casa. Quem já é habituado a exercitar-se pode realizar séries por conta própria, tomando os cuidados necessários para evitar lesões. Sempre que possível, também é recomendada a orientação de um profissional de educação física;
- Se for muito importante recorrer a espaços públicos, pode-se intercalar exercícios físicos nesses locais com atividades em casa, reduzindo as saídas à rua;
- Caso opte por academias, observar se todas as medidas de segurança sanitária exigidas pelos órgãos públicos estão sendo praticadas com rigor (lotação máxima, disponibilidade de álcool em gel nos ambientes coletivos, higienização dos aparelhos) e também tomar os cuidados individuais (higienizar os aparelhos, usar máscara facial e trocá-la sempre que ficar úmida, manter-se afastado dos outros frequentadores). Veja a portaria do Governo de Santa Catarina que normatiza o funcionamento desses locais;
- Levar toalha de uso individual em qualquer exercício físico, para enxugar o suor do rosto e prolongar a vida útil da máscara;
- Em qualquer situação, priorizar a prática de atividades físicas em locais com poucas pessoas, de preferência arejados;
- Ter consciência de que o uso da máscara vai dificultar o desempenho, e, por isso, reduzir o ritmo. No caso de atividades aeróbicas, é importante reconhecer o limite do corpo e jamais remover a máscara total ou parcialmente (deixar só o nariz para fora não vale!). Em atividades como a musculação, pode-se aumentar o tempo de descanso entre as séries, garantindo uma melhor recuperação da respiração;
- Por fim, não precisa ter paranoia: o uso da máscara facial durante o treino não compromete a saúde.

-> Veja o comunicado da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte sobre o uso de máscaras faciais.

-> Consulte também as perguntas e respostas da OMS sobre uso geral de máscaras faciais (em inglês).

-> Leia também informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde sobre o uso de máscaras de proteção.

-> Assista ao vídeo do Curso Técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis sobre o manuseio correto das máscaras.

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