Capítulo 5 - Comunicação inclusiva

Comunicação inclusiva é uma comunicação que pode ser compreendida e partilhada por todos e todas - de diferentes escolaridades, identidades e experiências - e que contempla e promove a diversidade. Não se refere exclusivamente à acessibilidade de pessoas com deficiência, mas a uma prática diária de diálogo com os diferentes públicos, em condições de igualdade.

A comunicação inclusiva considera aspectos relacionados à linguagem, como ser simples e direta, para entendimento de pessoas com diferentes níveis de escolaridade; à diversidade das linguagens dos públicos e à acessibilidade de pessoas com deficiência, garantindo o acesso à informação e encorajando-as a participar do processo de comunicação.

Uma comunicação inclusiva também é comunicação não discriminatória, que respeita e busca promover a igualdade entre todas as pessoas, contemplando inclusive as diversas identidades de gênero. Desta forma, espera-se promover uma cultura de inclusão na instituição, valorizando cada sujeito, com suas particularidades e demandas.

Estas premissas devem orientar a comunicação da instituição em todos os setores e ser fruto de uma ampla discussão institucional, não limitada à comunicação. Recomendações para a prática da comunicação inclusiva serão abordadas no Manual de Redação.

Linguagem simples

A comunicação inclusiva utiliza uma linguagem simples, objetiva e acessível, com o uso de palavras conhecidas e usuais, frases curtas e na ordem direta, para que pessoas com baixo letramento e de diferentes gerações possam compreender a informação. Também recomenda-se evitar o uso de termos técnicos e jargões de áreas específicas, assim como deve-se ter cuidado com o uso de siglas que não são amplamente compreendidas.

No setor público, isso significa uma mudança de cultura. A inovação na linguagem, sem o uso de termos técnicos e rebuscados, tem como objetivo promover uma comunicação mais eficaz, buscando assim contemplar o direito fundamental de acesso à informação. É um meio de reduzir as desigualdades de acesso, promover o uso dos serviços públicos e ampliar a participação dos cidadãos e cidadãs.

O uso de termos simples e amplamente conhecidos também contribui para o melhor resultado de softwares que leem a tela do computador e são utilizados por pessoas com deficiência.

Comunidades linguísticas

A linguagem simples também facilita a compreensão por pessoas de outras comunidades linguísticas, que não têm o português como língua principal, como indígenas, imigrantes ou surdos.

A maior parte dos surdos têm a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua principal e são considerados integrantes de uma comunidade linguística. Como forma de garantir o acesso às informações da instituição deste público, recomenda-se, sempre que possível, utilizar a tradução e interpretação de Libras em eventos, reuniões, editais e demais processos de amplo interesse.

Em produções audiovisuais, sugere-se ainda a transcrição das falas em legendas, como forma de auxiliar o entendimento da língua portuguesa por pessoas das mais diversas comunidades linguísticas.

Acessibilidade a pessoas com deficiência

Há ainda surdos que não utilizam a Língua Brasileira de Sinais e são considerados com deficiência auditiva. Para eles e para pessoas com deficiência visual ou cognitiva recomenda-se, sempre que possível, utilizar recursos tecnológicos que permitam o acesso destes públicos à informação.

O uso de legendas em vídeos e de descrições das imagens em plataformas digitais são alguns dos recursos recomendados para promover a acessibilidade, que está prevista em lei e é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). O Manual de Boas Práticas de Acessibilidade Digital (em desenvolvimento) traz as orientações sobre como melhorar a acessibilidade na publicação e divulgação de conteúdos em meios digitais.

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