Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 11 ago 2020 13:49 Data de Atualização: 18 fev 2021 18:05

A cada momento, a imprensa divulga informações sobre lotação de hospitais e Unidades de Terapia Intensiva (UTI). São dados importantes, levados em conta pelas autoridades públicas na decisão pelo relaxamento ou reforço das medidas de distanciamento social, pois como não há um tratamento específico e eficaz contra a Covid-19, manter ações de monitoramento e suporte dos pacientes mais graves se tornou imprescindível para salvar vidas.

A Associação Médica Intensivista Brasileira (Amib) estima que no início da pandemia, o Brasil tinha cerca de 2,2 leitos de UTI a cada 10 mil habitantes, o que estava dentro da média preconizada pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde (OMS), de um a três leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. No entanto, a distribuição desses leitos é desigual, sendo 1,4 no SUS e 4,9 na rede privada. A diferença também se dá por regiões, sendo o Sudeste e Centro-Oeste a regiões com melhor estatística e as regiões Nordeste e Norte com a pior. O Sul estava dentro da média nacional, com 2,2 leitos por 10 mil, porém, com a diferença de 1,8 leitos no SUS e 3,5 na rede privada.

Desde o início da pandemia no Brasil, em março, o Sistema Único de Saúde (SUS) habilitou 11.777 leitos de UTI (informações do site do Ministério da Saúde). Também se fala na importância dos equipamentos utilizados nessas unidades, principalmente os ventiladores pulmonares (respiradores), que suscitaram uma “corrida” pela compra e importação. 

Assim, o IFSC Verifica consultou especialistas do IFSC para saber:

- Como funciona uma UTI e porque ela é tão importante no tratamento da Covid-19

- O que é um ventilador pulmonar e quem precisa utilizar esse tipo de aparelho

- Quais os riscos para os pacientes que utilizam esses ventiladores

- Qual a diferença entre os diversos tipos de aparelhos que auxiliam na respiração do paciente

Conheça também o projeto em colaboração do IFSC e da UFSC para produzir ventiladores pulmonares e Ambus automatizados de baixo custo.

Por que a UTI é importante no tratamento da Covid-19?

Segundo a coordenadora do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis, Marciele Misiak Caldas, apenas cerca de 10% das pessoas contaminadas pelo novo coronavírus precisam de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Ela cita nota da Amib, que esclarece: “a Covid-19 é uma infecção com potencial de causar alterações significativas na capacidade ventilatória, levando a comprometimento pulmonar difuso e piorando as trocas gasosas. A internação em UTI geralmente ocorre com paciente que apresenta alterações pulmonares gravíssimas causadas pela infecção, em que a capacidade de ventilar os pulmões ou realizar a troca gasosa desses pacientes é reduzida, o que pode resultar em um quadro de insuficiência respiratória e a necessidade de uma monitorização contínua e uso dos ventiladores pulmonares”. 

Mas, como funciona uma UTI? A professora do curso de Engenharia Elétrica do Câmpus Itajaí, Fernanda Isabel Marques Argoud, especialista em Engenharia Biomédica, esclarece que uma UTI é composta por vários tipos de equipamentos, sendo alguns fixos e outros móveis, como o ventilador mecânico.

Entre os equipamentos fixos em uma UTI, o principal é o Monitor Cardíaco Multiparâmetros, que tem como função verificar vários sinais vitais, como frequência cardíaca, eletrocardiograma, pressão arterial, quantidade de oxigênio no sangue, entre outros.

Os respiradores (também chamados de ventiladores pulmonares) são utilizados apenas quando a pessoa não consegue respirar sozinha, apresente queda da saturação de oxigênio no sangue, dificuldade de respirar, alterações nos exames de imagens como raio X e tomografia, alterações metabólicas, além da falência de outros órgãos. 

Nesse caso, o equipamento é inserido pela boca ou pela traqueia e faz a função do pulmão da pessoa. Há outros tipos de respiradores mais simples, como o Ambu, utilizado principalmente em situações de emergência, e o cateter nasal, que auxiliam a respirar melhor, porém, não substituem a função pulmonar (veja abaixo a diferença entre esses equipamentos).

A professora Marciele alerta, porém, que ter leitos de UTI ou respiradores disponíveis em determinada região não significa que é possível relaxar as medidas de prevenção à Covid-19. Como não há um tratamento específico e comprovadamente eficaz, as medidas tomadas em UTIs podem melhorar o prognóstico da doença, mas não são sinônimo de cura. “A UTI vai proporcionar uma qualidade melhor, um suporte melhor para o paciente, mas não quer dizer que ele está fora de risco. Então, com certeza as medidas de prevenção são o melhor caminho”.

No vídeo, a professora Marciele explica melhor como funciona uma UTI no caso do tratamento para o coronavírus:

Cuidados extras na segurança de profissionais e pacientes

Além dos equipamentos, o funcionamento de uma UTI exige uma equipe capacitada para este tipo de atendimento, focada nos cuidados do paciente. O enfermeiro é o profissional que faz o monitoramento e ajuste de equipamentos, sob coordenação da equipe médica e em conjunto com outros profissionais, como fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, odontólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.

A coordenadora do curso técnico em Enfermagem destaca que, com o coronavírus, reforçaram-se os cuidados com os próprios profissionais da saúde em UTI no que diz respeito aos equipamentos de proteção individuais (EPIs). Além dos usuais, enfermeiros e demais profissionais precisam utilizar equipamentos adicionais, como faceshield, aventais, luvas, entre outros, durante todo o período de trabalho na UTI.

Também há a questão da alta rotatividade dos profissionais e deslocamento de trabalhadores da saúde de outras áreas para a UTI, o que exige capacitação desses profissionais em pouco espaço de tempo.

A pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) sobre a situação das equipes de UTIs no Brasil traz mais detalhes sobre os desafios enfrentados pelos profissionais de saúde na linha de frente da pandemia.

Os riscos de se utilizar um ventilador pulmonar

Segundo as professoras Marciele e Fernanda, o ventilador pulmonar é um equipamento para se usar em última instância e por pouco tempo, pois pode causar vários danos à saúde do paciente. A pneumonia por ventilação mecânica é um dos efeitos mais comuns. 

Fernanda explica que o respirador é basicamente uma bomba em que são misturados gases, que são insuflados por meio de tubos, de difícil esterilização. “Como a tubulação não pode ser metálica, tem que ser flexível e confortável, a probabilidade de ficar uma bactéria dentro é muito alta, pois não é possível esterilizá-la em uma autoclave. Além disso, o ar do respirador precisa ser umidificado, e não tem fonte maior de infecção do que umidade”, completa.

Marciele lembra também que o uso do respirador por muito tempo pode comprometer a musculatura respiratória e dos membros do paciente, ocasionando perda de força, o que pode dificultar a retirada do tubo e exigir tratamento fisioterápico após a internação.

O risco de uso inadequado também é grande. O respirador precisa ser utilizado por profissionais treinados, pois erros de regulagem da saída de ar, por exemplo, podem causar danos graves aos pulmões. O fisioterapeuta é o profissional indicado para auxiliar médicos e enfermeiros na definição dos parâmetros de uso dos ventiladores pulmonares em UTIs.

Assim, a taxa de mortalidade por Covid-19 com o uso de respiradores é alta. Segundo estudo UTIs Brasileiras, em torno de 9% dos pacientes em UTI e que não utilizaram ventilação mecânica foram a óbito, enquanto entre os que receberam ventilação, a média de mortalidade foi de 65%, sendo 62% na rede privada e 70% na pública.

Porém, em casos graves, a chance de óbito é de 100% caso o respirador não seja usado. Por isso cabe à equipe médica avaliar com precisão quem necessita desse cuidado mais intensivo.

A Agência Brasileira de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu nota técnica específica sobre os ventiladores pulmonares, em que aponta riscos e benefícios desses aparelhos e cita normas para sua fabricação de forma segura.

No vídeo, a professora Fernanda explica melhor quais os riscos dos ventiladores pulmonares.


Por que precisamos importar esses equipamentos? É muito caro produzi-los?

Segundo o site do Ministério da Saúde (MS), desde o início da pandemia foram adquiridas 9.672 unidades de ventiladores pulmonares, sendo 4.995 equipamentos de UTI e 4.677 de transporte (Ambus). Além disso, há contratos para a produção de 16.252 ventiladores pulmonares em empresas nacionais.

Fernanda lembra que há muitos anos se alerta para a falta de respiradores em hospitais. “O coronavírus é um vírus que ataca principalmente o pulmão. Então, quando a humanidade ficou sabendo que estávamos em risco de pandemia, isso gerou uma preocupação ainda maior. Se falta respirador hoje, o que vai acontecer em caso de coronavírus?”

Existem várias iniciativas para a produção desses equipamentos por instituições brasileiras. Uma parceria entre a UFSC e o IFSC está desenvolvendo equipamentos médicos para combate à Covid-19, sendo dois Ambus automatizados e um modelo de ventilador pulmonar. O protótipo de ventilador já está em fase de testes clínicos, ou seja, em humanos.

Segundo o professor do Departamento Acadêmico de Metal Mecânica do Câmpus Florianópolis Luiz Fernando Segalin de Andrade, o equipamento está passando por algumas adequações na interface com o usuário, detectadas a partir dos testes pré-clínicos (com animais) realizados no Hospital das Clínicas, em Porto Alegre, e no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A intenção é produzir quatro a cinco protótipos para testes e depois conseguir parceria com empresas para a produção em larga escala, a um custo bem mais baixo que o dos equipamentos oferecidos pelo mercado atualmente. Os equipamentos são produzidos nos laboratórios da UFSC que fazem parte do grupo de Equipamentos Médicos de Emergência (EME), sendo que algumas peças também são produzidas nas instalações do IFSC.

Os Ambus automatizados estão em fase de protótipo. O projeto foi paralisado por um tempo por falta de recursos e por limitações na aquisição de peças e ferramentas. Agora, com recursos do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), a produção foi retomada e em breve devem ser iniciados os testes.

Para saber mais sobre o projeto, veja matéria publicada no Portal do IFSC

Tipos de equipamentos

Conheça os diferentes tipos de equipamentos que dão suporte à respiração do paciente (fotos: Banco de Imagens):

 

Cateter nasal: o paciente recebe oxigênio pelo nariz, mas mantém os movimentos próprios de respiração.

 

 

 

 

 

 

 

Ambu: é utilizado em casos de emergência até chegar ao ventilador mecânico. A ventilação pode ser manual ou automatizada.

 

 

 

 

Ventilador mecânico (respirador): há o respirador com máscara, que não é invasivo, e o ventilador de intubação, que utiliza cânulas (o circuito).

 

 

 

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Combustíveis: de que são feitos e por que custam tão caro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 26 abr 2022 08:30 Data de Atualização: 26 abr 2022 18:49

Já faz algum tempo que nos surpreendemos com o aumento do preço da gasolina ao abastecer o carro ou com o valor cobrado pelo gás de cozinha. Mas, afinal, por que será que os combustíveis estão custando tão caro? Para explicar isso, é preciso primeiro entender o que são combustíveis. Esta é a proposta deste post do IFSC Verifica em que entrevistamos o professor de Química do Câmpus Jaraguá do Sul - Centro, Clodoaldo Machado, e o professor da área de gestão e negócios do Câmpus Gaspar, Edmundo Pozes

O que são combustíveis?

Segundo a empresa pública federal de Pesquisa Energética (EPE), combustíveis são substâncias que, ao serem queimadas, produzem calor. Esse calor pode ser utilizado para mover uma turbina nas usinas termelétricas ou para acionar motores de veículos, por exemplo. 

O professor de Química do IFSC, Clodoaldo Machado, explica melhor esta definição:

 

Precisamos de combustível para fazer algo funcionar. E isso vale desde a gasolina para fazer o carro andar até para o alimento que precisamos ingerir para o nosso corpo executar suas funções. 

Tipos de combustíveis

Existem várias classificações para os combustíveis, desde aquelas de acordo com o estado físico até quanto ao calor que é gerado na sua queima. No infográfico abaixo, o professor Clodoaldo destaca as duas classificações mais clássicas quando falamos de combustíveis, que são em relação ao seu estado físico e se é renovável ou não.

Classificação de combustíveis

 

Por que temos diferentes tipos de combustíveis?

A escolha pelo combustível que vai ser utilizado depende da potência, ou seja, da quantidade de calor que é necessária para fazer funcionar adequadamente aquele mecanismo. No caso de veículos automotivos, por exemplo, o mecanismo é o motor do veículo. “Veículos mais pesados, como a frota de ônibus e caminhões, têm motores movidos a óleo diesel porque a queima desse combustível gera quantidade de energia suficiente para fazer locomover esse veículo mais pesado”, explica o professor. “Já veículos mais leves podem usar o gás natural de petróleo, etanol ou gasolina, porque são combustíveis que geram uma quantidade de energia um pouco menor, mas suficiente para sua locomoção”, completa.

Como os combustíveis chegam até nós?

Até os combustíveis serem extraídos e se transformarem nos diversos produtos presentes no nosso dia a dia, são várias etapas. Veja abaixo um exemplo da jornada do petróleo desde a descoberta nos campos de exploração até chegar nas refinarias neste vídeo produzido pela Petrobrás:    

 

Composição dos combustíveis

Cada tipo de combustível tem uma composição química específica, determinada por legislação. No caso do Brasil, quem regulamenta toda a questão é a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O professor Clodoaldo explica que a gasolina comum, ou gasolina do tipo C, por exemplo, é composta de uma mistura de hidrocarbonetos, na qual é adicionada uma quantidade de etanol - álcool - anidro (sem água). Atualmente, a legislação brasileira regulamenta que a gasolina do tipo C deve conter 27% de etanol anidro, sendo que o restante se trata da mistura de hidrocarbonetos. “Portanto, a gasolina comum, assim como a aditivada, é uma mistura de vários compostos químicos, com uma composição específica estabelecida pela legislação”, destaca.

-> Assista aqui ao processo de fabricação da gasolina

Já o etanol combustível é hidratado, ou seja, é uma mistura de etanol e água. De acordo com a legislação atual, o etanol combustível deve possuir um teor de etanol entre 95,1 e 96,0%.  

-> Veja como a cana de açúcar vira etanol e como o etanol chega até você?

É a partir da identificação desses componentes - os compostos químicos - e suas quantidades que é possível verificar se o combustível está sendo vendido com a composição específica correta ou se está adulterado. “Uma adulteração é uma mudança na composição química do combustível”, informa o professor de Química do IFSC. Segundo Clodoaldo, os dois principais tipos de adulteração são quando se adicionam substâncias que não pertencem àquele combustível ou quando a mistura dos combustíveis é usada numa proporção diferente da regulamentada. 

Uma adulteração comum no Brasil, por exemplo, é na gasolina do tipo C que usamos na maioria dos carros. De acordo com a legislação brasileira, a gasolina do tipo C deve ser uma mistura de 75% de gasolina e 25% de etanol. No entanto, uma fraude comum é se misturar etanol numa quantidade maior do que 25% com a gasolina, já que o valor do álcool é mais barato. “Então não se atende a legislação porque está havendo uma adulteração na composição”, reforça o professor.

O controle de qualidade de combustíveis é feito por meio de testes contratados pela ANP.  Infelizmente, é muito difícil para o consumidor detectar a adulteração do combustível ao abastecer seu carro num posto, “Pode ser que você abasteça, comece a andar com o carro e note que ele perde potência”, explica Clodoaldo, destacando que o cliente dificilmente conseguirá ver qualquer alteração. “Obviamente também há uma recomendação expressa de que, quando você tem a venda e comercialização de um combustível com preço muito abaixo do normal, deve ter algum problema”, alerta o professor.

Por que o preço do combustível está tão caro?

E qual seria um preço normal de combustível? Nos últimos meses, foram tantos os aumentos que é preciso entender o que influencia neste valor que chega para a gente.

O professor da área de gestão e negócios do Câmpus Gaspar, Edmundo Pozes, lembra que, em 2016, o Governo Brasileiro inseriu a Petrobrás no mercado internacional. A Petrobrás é a maior empresa petrolífera do Brasil, atuando principalmente na exploração e produção de petróleo e seus derivados e de gás natural. Desde então, as transações com o petróleo seguem as variações do dólar e dos preços do mercado internacional. “A empresa adotou a Política Paritária de Preços, melhorando de sobremaneira a posição dos acionistas, especificamente a distribuição de dividendos. A paridade internacional não é vantajosa para o consumidor quando o dólar está em alta, porque, com a alta do dólar e da inflação, o poder de compra diminui drasticamente”, avalia Edmundo. 

O professor explica que a formação de preços da Petrobrás para os fornecedores é representada pelos seus custos (em reais) mais a parcela de tributos federais e estaduais. A alíquota é cobrada sobre um preço de referência, chamado de Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF), definido pelos governos estaduais a cada 15 dias, com base em pesquisa nos postos. Já os valores pagos pelo consumidor final não estão sob a gestão da Petrobras, mas são compostos pelo preço de importação da gasolina, a carga tributária, o custo do etanol obrigatório e as margens da distribuição e revenda. 

Veja na imagem abaixo como é formado o preço que você paga pelo combustível:

Como é formado o preço que você paga pelo combustível

Os preços dos combustíveis aumentaram nos últimos anos em função da cotação internacional do barril do petróleo. De acordo com Edmundo, a Petrobrás importa petróleo e derivados e repassa os reajustes por conta da política de Preço de Paridade de Importação. É por isso que a alta do petróleo por causa da guerra na Ucrânia, por exemplo, chega ao Brasil. “Realmente os barris de petróleo ficaram mais caros como resultado da guerra e medidas como as sanções dos Estados Unidos e da União Europeia contra o petróleo e o gás exportados pela Rússia, o segundo maior produtor e exportador de petróleo do mundo.  Logo, devido às sanções, entende-se que a redução da quantidade de petróleo no mercado internacional tende a aumentar os preços”, destaca. O professor salienta que o petróleo é uma commodity e seu preço está atrelado às leis de oferta e demanda. “Dessa maneira, ações que prejudiquem a oferta enquanto existe uma forte demanda fazem os preços aumentarem”, reforça.

Existe alguma chance do preço do combustível baixar?

Para o professor do IFSC, isso não deve ocorrer. “Apesar de produzirmos mais petróleo do que se consome e, mesmo sendo autossuficientes, produzimos um tipo de petróleo para o qual não temos refinarias suficientes para processar nosso tipo de óleo, por isso, ainda precisamos importar petróleo cru e seus derivados como a gasolina”. Edmundo explica que a política da Petrobrás é reajustar todos os preços pelo valor do dólar e preços internacionais. “Por isso, sentimos o efeito de qualquer mudança no valor que se paga pelo petróleo no exterior. A cotação do dólar tem impacto imediato”, constata. 

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Que mudanças a tecnologia 5G pode trazer para a sociedade?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 29 mar 2022 14:59 Data de Atualização: 29 mar 2022 19:35

Nós, que passamos boa parte do nosso dia conectados à internet, vamos ouvir falar cada vez mais de um número e uma letra que prometem revolucionar a maneira como nos relacionamos com a rede: 5G. Essa nova tecnologia de redes móveis, que esteve no centro de uma disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, vai ampliar a velocidade das conexões, permitir mais dispositivos conectados em um mesmo espaço e diminuir o tempo de resposta no tráfego de informações

Isso, claro, terá impacto em nossas vidas, mas a mudança deve ser ainda maior no setor industrial. Já existente em aproximadamente 65 países, o 5G está em fase de implantação no Brasil e deve chegar às capitais de estado até o ano que vem. Para entender quais são os avanços que ele vai permitir, conversamos com dois professores e pesquisadores da área de telecomunicações do Câmpus São José do IFSC. Eles explicaram também o que é a tecnologia 5G, como ela surgiu, onde está mais avançada e como ela pode ajudar no avanço da educação no nosso país

O professor Mário de Noronha Neto tem graduação, mestrado e doutorado em Engenharia Elétrica. Tem experiência na área de comunicações e processamento de sinais, atuando em temas como comunicação digital, tecnologias de comunicação sem fio e aprendizagem de máquina aplicada a sistemas de comunicação

Rubem Toledo Bergamo também tem doutorado e graduação em Engenharia Elétrica, além de mestrado em Segurança do Trabalho, e sua área de pesquisa está focada em rede sem fio em geral, comunicações móveis, redes de acesso sem fio e IoT [sigla em inglês para “internet das coisas”]. Tem experiência nas áreas de comunicações móveis, tecnologias sem fio em geral e sistemas de comunicações ópticas

Mário e Rubem integram um grupo de professores do Câmpus São José que participou em 2021 de um programa de capacitação da empresa chinesa Huawei para ministrar cursos sobre o 5G.

O que é o 5G?

O 5G (sigla que vem de “quinta geração”) é uma evolução das gerações anteriores de tecnologias de redes móveis e telefonia celular, como o 3G e o 4G, com as quais estamos mais habituados. Além de funcionar como meio para conectar pessoas, essa nova geração traz a novidade de conectar “coisas”, segundo o professor Mário de Noronha. “As pessoas vão começar a sentir isso quando ele começar a ser implementado de fato aqui no país. O que esperamos com o 5G é ter novas aplicações e experiências, tanto em nível de usuário, de comunicação pessoal, quanto para a indústria”, diz.

 

Essa tecnologia está ainda na sua primeira etapa de implantação nos países em que já existe. Nela, os usuários têm a experiência de utilizar a rede com uma taxa de transmissão ampliada, ou seja, com mais velocidade. No Brasil, essa fase deve começar em 2023.

Quais são os principais avanços que o 5G vai trazer?

O professor Mário de Noronha destaca três pontos como os grandes avanços do 5G em relação às gerações anteriores: aumento da taxa de transmissão, comunicação de baixa latência e comunicação massiva. No vídeo abaixo, ele e Rubem Bergamo resumem como serão essas melhorias.


 

O acesso à internet será aprimorado pelo 5G com taxas de transmissão (a “velocidade de conexão à rede”) bem maiores que as do 4G. “Estamos falando de taxas de transmissão na casa dos gigabits por segundo. Hoje, em termos de acesso à internet, estamos acostumados a megabits por segundo [um gigabit é mil vezes o valor de um megabit]”, explica. Os tempos para download e upload de arquivos serão bem menores, por exemplo, e imagens em alta resolução ficarão mais acessíveis

O segundo ponto, que Noronha chama de “comunicação de baixa latência e ultraconfiável”, tem relação com o tempo necessário para ocorrer uma ação e uma reação dentro da rede. “Você vai acionar algum dispositivo, vai tatear a tela do seu computador, o tempo de resposta tem que ser muito pequeno para que você tenha uma boa experiência de interação com a internet”, exemplifica. No caso do 5G, o tempo de resposta está na casa de um milissegundo (um segundo dividido por mil), cerca de 50 vezes mais rápido que o 4G

A baixa latência (ou seja, um tempo mais rápido de resposta) do 5G vai permitir experiências com realidade aumentada (tecnologia que permite sobrepor elementos virtuais à nossa visão da realidade) e realidade virtual que hoje não são possíveis. Também abre possibilidades como a de avanços na chamada “internet tátil”, que permite a interação de sentidos humanos com máquinas, envolvendo contato audiovisual e tato. Essa tecnologia é usada, por exemplo, em cirurgias remotas. “São cenários mais futurísticos. É uma segunda etapa de implantação do 5G. Não vamos ver isso logo no começo, mas são inovações que estão previstas”, diz Noronha

O terceiro ponto que Noronha destaca, a comunicação massiva, significa que o 5G vai permitir conectar aproximadamente um milhão de dispositivos por quilômetro quadrado sem que haja prejuízo à taxa de transmissão - uma capacidade que é aproximadamente 100 vezes a do 4G. Esses aparelhos não são só telefones celulares, mas qualquer um que tenha conexão à rede, como câmeras, TVs e carros, entre outros

Há previsões de que, até 2024, cada ser humano vai estar conectado a aproximadamente oito dispositivos na sua casa, conforme conta o professor Rubem Bergamo. Somados a esses aparelhos domésticos, os dispositivos de empresas e das cidades podem fazer com que a marca de um milhão de conexões por quilômetro quadrado seja atingida. “O 4G não foi preparado para essa massificação. O 5G é realmente a rede que está preparada para lidar com essas conectividades massivas, principalmente do que a gente chama de ‘machine to machine’ [de máquina para máquina]”, destaca

Os três avanços trazidos pelo 5G devem ampliar a chamada “internet das coisas” (ou IoT, na sigla em inglês para “internet of things”), ou seja, a conexão de objetos à internet. Esse efeito vai ser sentido principalmente pelas corporações, na visão de Rubem. “Na indústria há a necessidade de monitoramento, muitos sensores, questões de segurança… Às vezes você precisa de uma comunicação com tempo de latência muito baixo. Então, eu vejo o 5G com um grande potencial dentro da indústria. Ele permite a capacidade de gerenciar muito mais dispositivos”, avalia. No uso pessoal da rede, a principal mudança observada deve ser mesmo com relação à velocidade da conexão, acredita o professor

 

Os segmentos da indústria que podem ser mais beneficiados no Brasil são o agronegócio, a telemedicina e as inovações para as chamadas “cidades inteligentes” (cidade que usa tipos diferentes de sensores eletrônicos para coletar dados e usá-los para gerenciar recursos e ativos eficientemente), acredita o professor Mário de Noronha.

A China criou o 5G?

A tecnologia 5G esteve no centro de uma disputa comercial entre China e Estados Unidos. O governo americano chegou a vetar a presença de empresas chinesas de telecomunicações em suas redes e pressionou parceiros comerciais a banirem os equipamentos da companhia Huawei, uma das mais avançadas na nova tecnologia. A alegação foi de que os equipamentos dessas corporações representariam um risco à segurança dos Estados Unidos, já que a China, de acordo com o governo americano, poderia utilizá-los para espionagem ou para interferir no funcionamento da infraestrutura de outros países

A China é, de fato, o país mais avançado na implantação do 5G, conforme o professor Rubem Bergamo, sendo o país com mais cidades já conectadas à nova tecnologia. Isso representa uma mudança em relação ao que ocorreu nas gerações anteriores, quando os Estados Unidos estavam mais avançados em termos de conhecimento e de cidades conectadas. “A China inverteu isso. Então, isso gerou um certo temor [nos EUA], pois antecipar significa que você está um passo à frente em termos tecnológicos. Essa questão de quem criou e quem domina [a tecnologia] também implica questões geopolíticas”, comenta Rubem

No entanto, segundo o professor do Câmpus São José, não é possível dizer onde exatamente surgiu o 5G, pois ele é resultado de diversos avanços tecnológicos originados de pesquisas em todo o mundo. “A tecnologia hoje está compartilhada globalmente”, ressalta. Rubem cita os próprios Estados Unidos, a Finlândia e a Coreia do Sul como outros países de destaque na implantação do 5G

Com relação a preocupações como “espionagem” por parte da China ou de qualquer país por causa do 5G, o professor lembra que hoje todas as informações sobre o que fazemos no mundo digital passam por redes e sistemas que têm proprietários. “Estamos cada vez mais vivendo um ‘Big Brother’. Não podemos deixar de imaginar que estamos sendo monitorados”, afirma

O estágio avançado da China com o 5G e o fato de a Covid-19 ter surgido naquele país acabaram criando um terreno fértil para uma das mais absurdas informações falsas que circularam durante a pandemia: a de que o vírus Sars-Cov-2 estaria sendo transmitido pelo sinal do 5G. Em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, houve até depredação de antenas de transmissão do 5G por parte de pessoas assustadas com essa desinformação

No entanto, não há qualquer possibilidade de o vírus, um organismo biológico, ser espalhado por meio de uma tecnologia de comunicação móvel que usa ondas eletromagnéticas. Também não há nenhuma comprovação científica que sustente a alegação de que o 5G poderia prejudicar o sistema imunológico e, com isso, facilitar a infecção pela Covid-19. Trata-se de outra informação falsa

Quando teremos o 5G no Brasil?

O Brasil realizou em novembro de 2021 o leilão das faixas de frequência do 5G - o maior leilão de faixas de frequência de telefonia móvel da história do país, arrecadando quase R$ 47 bilhões. Foram leiloadas quatro faixas, indo de 700 megahertz a 26 gigahertz (sendo a de 3,5 gigahertz a mais usada pelo 5G no mundo). Houve empresas que adquiriram faixas para operação da tecnologia em todo o país e outras apenas para regiões geográficas específicas.

As frequências com que o 5G opera são mais altas que as do 4G, com maior capacidade de transferência de dados, mas alcance mais curto, o que vai exigir maior investimento em estrutura para difusão da nova tecnologia (antenas e outros transmissores) dentro da mesma área geográfica. A previsão é de que até 2023 as capitais de estado tenham acesso à tecnologia

No leilão, foi prevista também a ampliação do 4G, que hoje ainda não atinge cerca de 9% das localidades do território brasileiro, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). “O 4G é uma rede que ainda vai ficar muito tempo no Brasil. Entendo que vai ser a rede que vai ser mais utilizada pelo acesso da população à rede”, afirma Rubem

Uma característica do 5G que pode permitir sua maior penetração no território brasileiro é a de possibilitar a criação de redes privadas dentro de organizações, operadas por elas mesmas. Na visão do professor Mário de Noronha, isso vai permitir levar a tecnologia a locais no Brasil que hoje são de difícil cobertura por redes móveis

“Talvez seja uma saída para que essa tecnologia chegue a todos os cantos do país. Senão, pode acontecer o que hoje temos com o 4G, que está presente só nos grandes centros”, diz. No modelo de rede gerenciada apenas pelas grandes operadoras de telefonia móvel, áreas que são vistas por elas como economicamente inviáveis (demandam muito investimento em estrutura para levar o 5G, mas dão pouco retorno financeiro) podem ficar descobertas, alerta Noronha. Para poder acessar o 5G, o usuário precisará, além de ter a oferta da tecnologia no local onde vive, adquirir dispositivos compatíveis com a tecnologia

Na opinião de Rubem Bergamo, o leilão das faixas de frequência do 5G poderia ter avançado mais em relação a metas de aumento do acesso dos brasileiros à internet. Uma estratégia que poderia ter sido usada, diz, seria o compartilhamento de rede, permitindo que pequenos provedores operassem redes privadas em áreas geográficas específicas, em vez de a operação ficar com apenas grandes empresas.

O 5G vai ajudar a melhorar a educação?

Os professores do Câmpus São José consideram que o 5G pode ajudar a trazer avanços para a educação brasileira. Rubem Bergamo acredita que a melhoria do acesso à internet tem um impacto positivo no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de uma população. “Cada vez mais, a falta de acesso à internet faz com que a educação fique desamparada”, afirma. Ele destaca que esse acesso não pode ser precário, mas de boa qualidade

Para Mário de Noronha, com melhor acesso à internet, pode haver melhoria na educação a distância, com novas possibilidades de repassar o conteúdo para os estudantes. “Você pode dar acesso ao aluno a coisas que ele não tem hoje, como, por meio da realidade aumentada, entender como funciona uma máquina”, exemplifica

A educação foi lembrada no leilão das faixas de frequência. Nele, foi colocada a obrigação para as empresas que arremataram lotes na faixa de 26 megahertz de investir num programa de implantação de conexão à internet nas escolas públicas de educação básica

No entanto, a arrecadação para esse programa por meio do leilão foi inferior ao esperado inicialmente pelo governo federal, pois alguns lotes da faixa de frequência não tiveram interessados. “Isso acaba prejudicando porque, o que era uma meta de acesso às escolas de educação básica por essa faixa de frequência, já fica comprometida”, lamenta Rubem.

Para saber mais

- Live “5G e a conectividade com IoT” (parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Câmpus São José em 2021)
- Live “5G, Cloud e IA: os próximos passos para um mundo mais conectado” (parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Câmpus São José em 2021)
- Página do Ministério das Comunicações sobre o 5G
- Neste post, consultamos fontes do IFSC que atuam no curso técnico em Telecomunicações (integrado e subsequente) e no curso de graduação em Engenharia de Telecomunicações, ambos ofertados pelo Câmpus São José do IFSC. Conheça os projetos pedagógicos desses e de outros cursos no nosso Guia de Cursos.

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Como as mudanças climáticas impactam a nossa vida?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 02 mar 2022 11:09 Data de Atualização: 03 mar 2022 19:39

Estiagem prolongada no Sul do Brasil, chuvas torrenciais no Nordeste e Sudeste, longos períodos de calor extremo, nevascas e incêndios sem precedentes em países do hemisfério Norte. Notícias de fenômenos climáticos extremos têm chamado cada vez mais a atenção nos últimos anos, em todo o mundo, e é meio inevitável ficar com aquela sensação de que a natureza está fora do controle. Mas será que é isso mesmo?

O relatório divulgado nesta segunda-feira (28 de fevereiro) pelo grupo de trabalho 2 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) indica que as mudanças climáticas, cujo processo tem a ação humana como componente decisivo, já estão impactando a vida de bilhões de pessoas ao redor do planeta e provocando prejuízos irreversíveis para o meio ambiente.

Na apresentação do relatório, em Berlim (Alemanha), o presidente do IPCC, Hoesung Lee, afirmou que as mudanças climáticas são uma ameaça crescente para o bem-estar das pessoas e a saúde do planeta. “Nossas ações atuais vão moldar como as pessoas se adaptam e a natureza reage a riscos climáticos crescentes”, disse o economista sul-coreano.

Assinado por 270 autores de 67 países, o documento destaca os impactos socioeconômicos advindos do processo de mudança climática, como aumento da pobreza, agravamento da fome, movimentos migratórios, maior ocorrência de eventos extremos como enchentes, tempestades e estiagens. Para os cientistas, o enfrentamento dessa série de desafios envolve os governos, o setor privado e a sociedade civil, numa união de esforços que inclui, também, iniciativas locais.

Como podemos mitigar esses efeitos com ações locais?

Conversamos com especialistas para saber o que está acontecendo com o nosso clima e também para entender como essas mudanças nos afetam. Além disso, tentamos refletir sobre o nosso papel como cidadãos, das empresas e poder público tanto na mitigação da ação do homem sobre as mudanças climáticas quanto no enfrentamento de desastres ambientais e seus efeitos.

O professor Michel Nobre Muza, doutor em meteorologia, explica o que são mudanças climáticas e aquecimento global. A professora doutora em saúde e doenças ocupacionais e engenheira sanitarista Maurília de Almeida Bastos alerta que eventos extremos, como as chuvas que caíram sobre a cidade de Petrópolis (RJ) em fevereiro deste ano - desastre ambiental mais grave da história da cidade, com mais de 200 mortos -, serão cada vez mais frequentes, e fala sobre as medidas que precisam ser tomadas para que tragédias não aconteçam.

Também conversamos com o coordenador do curso superior em tecnologia em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba, Juliano Gomes, e o egresso André Candian Moreira, sobre o que é desenvolvimento sustentável e o papel dos profissionais da área ambiental na preservação do meio ambiente.

Mudanças climáticas e aquecimento global

As mudanças climáticas são um consenso no meio científico, que há pelo menos 30 anos vem acompanhando com mais atenção os efeitos da aceleração no aumento da temperatura média da Terra – o chamado fenômeno do aquecimento global. Os cientistas do IPCC, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), produzem periodicamente relatórios sobre a situação do planeta. Desde o início dos trabalhos, em 1988, já foram lançados vários alertas sobre os problemas que serão enfrentados caso o aquecimento provocado pelo efeito estufa não seja mitigado.

O professor Michel Nobre Muza, que é doutor em meteorologia e atua no Câmpus Florianópolis, explica que a expressão “mudanças climáticas” é bastante ampla: envolve desde estudos a respeito do clima da Terra em outras eras geológicas, feitos por meio de perfurações nas geleiras, até pesquisas sobre as mudanças naturais sofridas pelo clima do planeta no último século. No vídeo abaixo ele explica essa questão:

Mas se as mudanças climáticas podem ser vistas como um processo natural, por que há tanto alarme em torno desse assunto?

O professor Michel explica que já faz alguns anos que os cientistas identificaram que o aumento da temperatura da Terra vem ocorrendo de forma mais acelerada do que na era pré-industrial. Segundo ele, o relatório divulgado pelo IPCC em 2007 pode ser considerado o marco para o consenso científico em torno da interferência humana na aceleração do aquecimento global.

Isso ocorreu em função da evolução da tecnologia para obtenção de informações climáticas, segundo o professor. Os chamados modelos climáticos consideram variáveis como a vegetação, os oceanos, ciclo da água, entre muitos outros, para desenhar os prognósticos para o clima terrestre. “São ferramentas computacionais que usam os elementos da física, da química, das leis de termodinâmica, equação de movimento, forças, para se modelar, estimar esse clima terrestre”, descreve.

Com a aplicação desses modelos, a comunidade científica concluiu que a inclusão das atividades humanas entre as variáveis – ou seja, os resultados da atividade humana como emissão de gases que provocam o chamado efeito estufa, urbanização, impermeabilização do solo, entre outros elementos – faz com que os prognósticos de aumento de temperatura da Terra cresçam de forma alarmante. “Esses modelos mostraram que com a inserção das atividades humanas, havia uma tendência positiva [de aumento na temperatura do planeta]. Então foi a evidência decisiva para esse consenso científico”, explica o professor Michel Muza.

O que é o efeito estufa?

Quem está acordado nos últimos anos certamente já ouviu falar sobre os efeitos nocivos da emissão de gases poluentes na atmosfera – aqueles provenientes dos automóveis, da pecuária, de atividades industriais. Mas por que a emissão de gases desencadeia esse processo de aquecimento da Terra?

A explicação está no processo de aquecimento “normal” do planeta pela incidência da energia solar, esclarece o professor Michel. A radiação solar passa pela atmosfera e atinge a superfície, onde é absorvida de forma bastante efetiva. “Uma forma dessa energia absorvida pela superfície é fundamental para o aquecimento do solo e até mesmo para o crescimento das plantas”, ressalta Michel. Outra parte dessa energia é refletida e deveria se dissipar na atmosfera, mas é bloqueada pelo acúmulo de gases na atmosfera, tais como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4).

“Ou seja, não é só o Sol que aquece a atmosfera, mas também a própria Terra, quando transforma essa energia, absorve e emite em outro tipo de radiação, que é a infravermelha. O efeito estufa é o aprisionamento dessa radiação, principalmente a infravermelha, entre a atmosfera e a superfície”, descreve. “Isso é bom para o planeta, porque se não fosse essa camada a temperatura da superfície seria extremamente fria, inviabilizando a vida. Mas o que está acontecendo com o aumento dos gases de efeito estufa é a intensificação desse fenômeno. E o aumento é muito grande. Dados históricos mostram que a Terra nunca experimentou esse grau de concentração de gases como se está vivendo agora”, analisa o professor.

Como o aquecimento global se relaciona com eventos extremos?

Os trabalhos científicos mais recentes a respeito das mudanças climáticas – em especial os do IPCC – indicam um prognóstico preocupante, envolvendo a maior ocorrência de eventos extremos, como chuvas intensas, vendavais, ondas de calor e de frio, tempestades e estiagens.

No relatório divulgado em agosto de 2021 pelo grupo de trabalho 1 do IPCC, assinado por cientistas de 65 países, a previsão é que os eventos extremos ocorram cerca de 40 vezes mais do que ocorreriam num hipotético cenário climático sem a influência da atividade humana. Além disso, o prognóstico inclui o aumento do nível dos oceanos – o que poderia impactar áreas de ocupação humana em maior ou menor escala, a depender da relação entre aumento da temperatura da Terra e elevação do nível do mar.

De acordo com o professor Michel Nobre Muza, a relação da temperatura da Terra com os eventos extremos se explica com a energia cinética. “Aumentando o aquecimento do planeta, isso resulta em maior energia cinética, relacionada aos ventos, e isso pode ser sentido principalmente em relação às tempestades. A hipótese desse aumento dos eventos extremos está muito relacionada ao aumento dessa energética, um planeta com maior energia. O planeta tenderia a um novo equilíbrio, mas forçando a esses eventos extremos, de ondas de calor, frio, precipitação e estiagem. Seria uma mudança do padrão climático em relação a essas variáveis”, destaca.

Se os eventos extremos são uma realidade, o que podemos fazer?

Como devemos nos preparar para enfrentar eventos climáticos extremos? São múltiplos fatores que devem ser levados em conta. Pensando somente na concentração de chuvas que ocasionaram os desastres ambientais no Sudeste e Nordeste brasileiro no início do ano, conversamos com a professora doutora e engenheira sanitarista do Câmpus Florianópolis, Maurília de Almeida Bastos.

Analisando as enxurradas que ocorreram no início do ano no Sudeste e Nordeste do país, especialmente Petrópolis (RJ), a professora Maurília explica que há tecnologias básicas de controle de cheias que podem evitar essas tragédias, porém, não houve investimento do poder público para implementá-las. Em primeiro lugar, deveria haver a preocupação com o planejamento urbano, de não se permitir a construção de casas em áreas de risco, como encostas.

Obras estruturais, como canais e reservatórios de água da chuva, saneamento básico com escoamento adequado e controle da impermeabilização do solo (utilização de pavimentos alternativos ao asfalto, por exemplo) são imprescindíveis para evitar danos causados pelas enxurradas. “Olhando aquelas ruas em Petrópolis, elas eram um canal, por onde aquela água passava. Que estrutura deveria ter? Uma estrutura de drenagem urbana”, explica a professora. Outra medida necessária é a coleta seletiva do lixo: resíduos acumulados entopem os bueiros e dificultam o escoamento. Nesse quesito, a população também pode ajudar, descartando corretamente o lixo, não deixando-o ir para as vias públicas.

De acordo com a professora, o que falta é um planejamento e investimentos a longo prazo. A necessidade de se realizar investimentos só é lembrada quando as grandes tragédias acontecem. Ela cita dados da Associação Contas Abertas de que o investimento federal em prevenção de tragédias ambientais foi de R$ 3,5 bilhões em 2013, e em 2021, foi de apenas R$ 1,130 bilhões. Leis como a 10.257/2001, que estabelece diretrizes de política urbana, e a Lei do Saneamento, são importantes, porém, é preciso haver mais investimentos.

Além disso, a tecnologia que temos hoje no Brasil permite que eventos extremos sejam monitorados e previstos. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas e Desastres Naturais (Cemaden), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, é responsável por monitorar e alertar regiões de risco em casos de eventos extremos (chuvas fortes, ventos, estiagens, entre outros). Porém, segundo a professora Maurília, ter apenas um centro de alerta não é suficiente se não houver infraestrutura. Em Santa Catarina, por exemplo, há uma Defesa Civil bem estruturada e atuante, mas muitos pontos de risco devem receber planejamento e investimentos para que tragédias como a de 2008 no Vale do Itajaí não voltem a se repetir.

Combater as mudanças climáticas exige uma nova forma de pensar?

Mitigar as mudanças climáticas envolve questões ambientais, econômicas e sociais, que podem ser resumidas em um conceito muito difundido ultimamente: o desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento que dá conta das necessidades que as pessoas têm no presente sem comprometer as gerações futuras.

E nós, o que podemos fazer para contribuir com o desenvolvimento sustentável? Mudanças de hábitos de consumo e cobrar do poder público ações mais efetivas podem ser algumas das saídas, segundo a professora Maurília. O professor Michel Muza, da Meteorologia, resume o termo “ambientalismo” como a ideia de que a soma de esforços particulares, individuais, pode trazer mudanças globais. Ele destaca que a educação ambiental compreende múltiplos aspectos relacionados a atitudes individuais e comunitárias, como reduzir o uso de transporte individual, economizar água e energia elétrica, reduzir a produção de resíduos sólidos. 

O engenheiro sanitarista e coordenador do curso superior de tecnologia em Gestão Ambiental do Câmpus Garopaba, Juliano Gomes, explica que promover a educação ambiental é uma das atribuições do gestor ambiental. Durante o curso, o tema é tratado em diversas disciplinas e em projetos de pesquisa e extensão.

O tecnólogo em Gestão Ambiental André Candian Moreira, egresso do IFSC, acredita que a questão ambiental deveria estar nos currículos de todos os cursos superiores: “Muitos conceitos que a gente aprende lá, que é sustentabilidade. Esse conceito é baseado em um tripé social, econômico e ambiental, e ele só funciona quando os três estão em equilíbrio”. Candian explica que qualquer atividade humana causa impacto sobre o meio ambiente. O que é importante questionar é se essas atividades são sustentáveis, se estão consumindo recursos que poderão se tornar escassos ou inexistentes para as gerações futuras. “O que estamos sendo obrigados agora é pensar na manutenção da espécie, não somente em manter o nosso conforto”, alerta.

A professora Maurília destaca ainda que o problema ambiental não deve ser dissociado de questões sociais. Um exemplo são os catadores de material reciclável. Eles têm um papel importante em separar esses materiais, mas na maioria das vezes trabalham em condições precárias. “Essas pessoas, por que elas estão na rua? Precisaria de um amparo, de um acompanhamento. Tem que ter um trabalho mais próximo a elas”, completa.

Como os profissionais da área contribuem para o desenvolvimento sustentável?

Ter consciência da necessidade de um desenvolvimento sustentável é algo tratado também nos cursos do IFSC voltados ao meio ambiente. Segundo o professor Juliano Gomes, o gestor ambiental é o profissional responsável por criar, desenvolver e executar programas de educação ambiental nas empresas. Além disso, é o profissional responsável por coordenar equipes de licenciamento ambiental, programas de gestão ambiental e certificações.

Assim, para contribuir no processo de mitigação das mudanças climáticas, o profissional pode, nos seus projetos, prezar pelo uso racional de veículos que utilizem combustíveis fósseis, substituir o uso de derivados de petróleo, preferir fornecedores locais de matéria-prima, reutilização de resíduos, evitar desperdícios, entre outras ações que podem ser incorporadas para diminuir o impacto ambiental das atividades econômicas. “São várias ações que se tomam em um sistema de gestão ambiental para que no final a empresa tenha o selo verde”, explica Juliano.

O professor destaca também que a cobrança por boas práticas ambientais pelas empresas é algo relativamente recente e começou por exigência de leis e certificações, como os certificados ISO (International Organization for Standardization, ou Organização Internacional para Padronização, em português). Ao longo do tempo, muitas empresas perceberam que fazer gestão ambiental também representa economia e competitividade, aumentando assim a demanda por profissionais da área.

A professora Maurília é professora do curso técnico em Saneamento e do curso de Engenharia Civil. Nos dois cursos os alunos têm disciplinas que abordam os impactos ambientais. “Somos uma instituição que oferece no curso de Engenharia Civil disciplinas na área ambiental, como drenagem urbana, saneamento e gestão ambiental. Não que eles estão tirando o mercado de outros profissionais, mas para eles tenham condições de trabalhar nessa linha adequadamente e para que possam trabalhar em conjunto”, explica.

A necessidade de profissionais formados em áreas que atuem com a questão ambiental permeia outros setores, como por exemplo o turismo. Juliano explica que muitos alunos do curso de Gestão Ambiental em Garopaba são formados e trabalham como guias de turismo e fazem um papel importante na educação ambiental.

No setor público, ele acredita que uma maior cobrança da população vai abrir espaço para práticas ambientais corretas e contratação de profissionais. Ele cita o exemplo de Garopaba, onde está sendo criado o Instituto do Meio Ambiente municipal, um órgão fiscalizador e licenciador.

Veja o vídeo com o professor Juliano e o egresso André, que explicam melhor a atuação do profissional de Gestão Ambiental:

Além dos cursos específicos que abordam a questão ambiental, esse é um assunto que permeia disciplinas em outras formações. No Câmpus Florianópolis-Continente, por exemplo, os cursos técnicos em Eventos e Culinária e o curso superior de tecnologia em Gastronomia abordam questões como neutralização de carbono em eventos, impactos das mudanças climáticas na produção de alimentos, entre outros temas que permeiam as questões ambientais.

Dessa maneira, segundo o egresso de Gestão Ambiental André Candian Moreira, a preocupação com o desenvolvimento sustentável e a educação ambiental devem estar presentes em todos os cursos e atividades profissionais para que seja possível mitigar os efeitos da ação do homem sobre o planeta.

Para você saber mais

-> Explore o site do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), com conteúdo original em inglês, russo, francês, espanhol, árabe e chinês. Lá é possível acessar todos os relatórios do órgão e consultar dados e diferentes tipos de materiais.

-> Veja matéria com professores do IFSC sobre a relação entre estiagem e desflorestamento

-> Neste post, consultamos fontes do IFSC que atuam nos cursos de Meteorologia, Saneamento (técnicos), Clima e Ambiente (mestrado), Gestão Ambiental (superior de tecnologia) e Engenharia Civil (bacharelado). Conheça os projetos pedagógicos desses e de outros cursos no nosso Guia de Cursos.

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Como a educação profissional pode contribuir para o combate à desinformação?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 22 dec 2021 17:21 Data de Atualização: 23 dec 2021 16:58

Chegamos ao final do segundo ano de publicações do IFSC Verifica, canal de comunicação científica concebido pela equipe da Diretoria de Comunicação do IFSC para combater a desinformação, no contexto da pandemia de Covid-19.

Desde maio de 2020, quando demos início ao então projeto de extensão, até o final de 2021, publicamos 43 posts com o objetivo de disponibilizar aos nossos leitores informação qualificada, clara e confiável sobre a pandemia. Foi e tem sido um trabalho desafiador, já que os avanços da ciência, as lições e as dúvidas em torno dos muitos aspectos desse tipo de situação se renovam a cada dia.

Olhando em perspectiva, percebemos o quanto aprendemos desde o primeiro semestre de 2020, quando as vacinas ainda estavam sendo desenvolvidas e as características da nova enfermidade iam sendo compreendidas. Neste fim de 2021, já não há como contestar que os cuidados de prevenção, aliados à proteção proporcionada pelas vacinas, levam a um cenário mais otimista em relação à ideia de que, sim, a pandemia pode ser controlada.

Contamos, desde o início, com o apoio essencial do corpo de pesquisadores do IFSC, que foram nossas fontes prioritárias de informação em tudo o que abordamos em torno da pandemia nesses 20 meses. Sem a generosidade desses docentes e técnicos, que compartilharam seus conhecimentos e nos ajudaram a entender melhor o que estávamos vivendo, não teríamos obtido resultados relevantes – expressos, inclusive, na conquista de três troféus no Prêmio Fapesc de Jornalismo em Ciência, Tecnologia e Inovação e a condição de finalistas na etapa estadual do Prêmio Confap. O bom desempenho de nossas publicações nesses concursos importantes é, para nós, sinal de que todo o esforço em busca de informação qualificada cumpriu seus objetivos.

Que venha 2022, com mais combate à desinformação

A partir do próximo ano, o IFSC Verifica mantém seu propósito de contribuir socialmente para o combate à desinformação, valorizando o conhecimento científico, a tecnologia e a inovação. Optamos, porém, por ampliar o leque temático de nossas publicações, passando a abordar assuntos para além da pandemia de Covid-19, que foi o motor de nossas pautas nos meses iniciais.

Percebemos que há muito a contribuir quando se trata da necessidade de educação para a ciência em nossa sociedade. Vale lembrar o cenário atual de questionamentos em relação às finalidades do trabalho científico, como já abordamos neste post do Blog do IFSC. E retomar, também, os impressionantes dados da pesquisa “Percepção pública da ciência e tecnologia no Brasil”, lançada em 2019, que mostrou que, embora a maioria (73%) das pessoas pensem que a ciência e a tecnologia trazem benefícios à sociedade, um percentual ainda maior (90%) não sabe citar o nome de um cientista brasileiro, ou não consegue identificar (88%) uma instituição nacional que faça pesquisa científica.

Em outras palavras, embora o senso comum reconheça a importância da ciência e os benefícios que ela traz à sociedade, as pessoas tendem a apresentar dificuldade para perceber o quanto de ciência existe em seu cotidiano. Para o professor do Câmpus São José Marcelo Girardi Schappo, que atua na área de Física e desenvolve projetos de divulgação científica em diversas frentes, isso é indicativo da grande necessidade que temos hoje de educação para a ciência. “Há um desafio enorme a ser superado, ou seja, se as pessoas não conhecem a ciência, elas não têm como reconhecer os produtos e os benefícios da ciência dentro da vida delas”, observa o professor. No vídeo abaixo, ele fala um pouco mais sobre a importância de que as pessoas percebam a relação entre ciência e cotidiano.

Internet, pseudociências e desordem informacional

Além do aparente sentimento de afastamento nutrido pelas pessoas em relação à ciência, outro desafio a enfrentar é o que os estudiosos da área da comunicação têm chamado de “desordem informacional” – que tem as populares “fake news” como a sua manifestação mais saliente – outro post do Blog do IFSC, em 2020, abordou esse tema.

Impulsionadas pelo maior acesso que as redes digitais disponibilizam, as “fake news” – ou, dizendo de maneira mais apropriada, a desinformação – são criadas com intenção maliciosa, no intuito de confundir, tirar a credibilidade de instituições ou pessoas e disseminar mentiras. A desinformação é o principal veículo para a alimentação de teorias da conspiração e ideias de descrédito ao conhecimento científico. Dois exemplos expoentes, que todos já devem ter ouvido falar, são a ideia da Terra plana e o movimento anti-vacina. Mas há muitos outros: os que questionam as mudanças climáticas, aqueles que justificam preconceitos raciais e de gênero com argumentos supostamente biológicos, os que sustentam a hipótese criacionista e rechaçam a teoria da evolução das espécies, a imensa quantidade de pessoas que acreditam na astrologia – que Schappo define como “a Terra plana socialmente aceita” e os negacionistas do holocausto.

Para o professor Marcelo Schappo – que se dedica intensamente a ações educativas que combatam mitos e pseudociência -, o negacionismo da ciência e as teorias da conspiração não surgiram com a internet. Tanto a “Terra plana” quanto o negacionismo dos benefícios da vacina são ideias bastante anteriores à popularização das redes digitais. “O que a internet trouxe foi a possibilidade desses negacionistas se encontrarem, de formarem grupos e, com isso, ganharem força, voz e visibilidade”, analisa.

Além disso, os algoritmos das mídias sociais também tendem a mostrar para os usuários apenas os conteúdos relacionados ao que eles costumam acessar, o que não favorece o pensamento crítico e a consulta a ideias de contraponto. “Por outro lado, é inegável que a internet permite de forma muito abrangente que o conhecimento científico de qualidade também seja disponibilizado. Então o problema não é a internet, ela não é a vilã da história. Muita gente hoje se informa por redes sociais, mas em canais que têm credenciamento científico e idoneidade”, complementa o pesquisador.

Existe luz no fim do túnel?

Contra a desinformação, a melhor estratégia de combate é a informação qualificada, clara e confiável, democratizada em veículos de acesso livre, produzida a partir de fontes idôneas e apresentada em linguagem acessível. São muitas as iniciativas que têm se apresentado com esse perfil em veículos de comunicação, programas de divulgação científica e mesmo nas redes sociais, onde cientistas, professores e pesquisadores têm cada vez mais disponibilizado conhecimento qualificado em seus perfis.

O IFSC Verifica pretende ser mais uma alternativa de informação científica qualificada em meio à pandemia de desinformação. Enquanto instituição de educação profissional, científica e tecnológica, o potencial do IFSC na produção e compartilhamento desse tipo de conhecimento é imenso: afinal, atuamos num amplo leque de níveis de ensino, numa gama muito grande de eixos tecnológicos e áreas do conhecimento.

“O IFSC faz um trabalho de excelência na questão de geração de conhecimento. Eu acredito que o IFSC, com sua abrangência e capilaridade e, principalmente, com a marca dos institutos federais, que é a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, tem muito a contribuir com a questão do combate à desinformação”, analisa a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFSC, Flávia Maia Moreira – professora da área de Ciências Biológicas no Câmpus São José.

Flávia destaca que a natureza das atividades do IFSC favorece a interdisciplinaridade, e isso representa também grande potencial para a abordagem de assuntos relevantes para a sociedade. “A proximidade entre as diferentes áreas é um diferencial do IFSC e da Rede, com muitas possibilidades de articulações de projetos”, ressalta. O conhecimento produzido dentro da instituição tem na extensão um dos caminhos para impactar a sociedade, além da disponibilização de informações em linguagem acessível, por meio da divulgação de ciência e tecnologia. 

O professor Marcelo Schappo tem percepção semelhante. “O IFSC é um berço de informação, tanto na própria questão da produção de conhecimento, pois temos pesquisadores de ponta nas mais diversas áreas, como também com o corpo de jornalismo bastante capacitado para comunicar o conhecimento com palavras acessíveis ao público que nos acompanha. A simbiose é perfeita”, elogia. Schappo observa também que esse potencial se estende a todas as instituições de ciência e tecnologia, em especial as universidades públicas e institutos federais. “Aqui a gente pode atacar vários mitos, pseudociências e desinformação de forma proativa”, acrescenta.

Continue acompanhando o IFSC Verifica

Faremos uma pausa estratégica durante o mês de janeiro para reorganizar nosso canal, e também para aproveitar um pouco as férias escolares (todos merecemos!). Em fevereiro, o IFSC Verifica retorna às suas publicações mensais, sempre buscando desmistificar questões delicadas e esclarecer assuntos do nosso dia a dia, à luz da ciência e da tecnologia. Continue conosco e vamos em frente!

Saiba mais

A pandemia de Covid-19 e a onda de desinformação nos obrigam a um constante aprendizado. Saiba mais sobre a importância da informação no Blog do IFSC e no IFSC Verifica.

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Variantes podem dificultar o controle da pandemia de Covid-19?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 27 jul 2021 09:11 Data de Atualização: 02 dec 2021 17:12

Quando parte do mundo já vivenciava um certo alívio em relação à pandemia de Covid-19, com sinais de retorno à normalidade principalmente por conta da vacinação, as variantes voltaram a impor barreiras. No meio do ano, a variante Delta levou países como Israel e Austrália, que já haviam relaxado medidas restritivas, a exigir novamente máscaras e até decretar lockdowns. Com a variante Omicron, detectada em novembro, diversos países restringiram voos e reforçaram medidas para conter a proliferação do vírus. No Brasil, festas de fim de ano e de carnaval estão sendo canceladas.

O alerta para o risco das variantes tem sido feito ao longo da pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em julho, a entidade havia declarado que "em breve" a variante Delta seria predominante no mundo, o que se concretizou quatro meses depois. Um dos motivos de preocupação era - e continua sendo - o ritmo lento de vacinação e o alto número de casos diários em muito países. E, enquanto o vírus circular na população, outras variantes podem surgir.

Mas como elas surgem? São necessariamente mais transmissíveis ou letais? As vacinas disponíveis dão conta de proteger a população contra elas? Para responder essas e outras perguntas sobre as mutações do Sars-Cov-2, conversamos com dois especialistas no assunto: o doutor em Bioquímica e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emanuel Maltempi de Souza, e o doutor em Biotecnologia e Biociências, pesquisador do Laboratório de Bioinformática da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Glauber Wagner. O primeiro faz parte de um grupo que está desenvolvendo uma vacina 100% nacional. O segundo participa de um programa para identificar variantes que circulam em Santa Catarina.

Neste post, juntamente com informações da OMS, da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina e da Fiocruz, serão respondidas as seguintes questões:

- O que é uma variante do vírus? 
- Como ocorrem as mutações e quando elas caracterizam uma variante?
- Uma variante é necessariamente mais transmissível ou mais letal? 
- As mutações dificultam o controle da pandemia?
- Como as variantes são detectadas?
- Quais variantes mais preocupam?
- Sintomas das variantes são diferentes? 
- A vacinação pode ajudar a conter essa multiplicação de variantes?
- É possível que essas mutações deem origem a um novo vírus, ou seja, diferente do Sars-Cov-2?
- Como fica a eficácia das vacinas diante das variantes?

Mutações já eram esperadas?

Sim! E não é porque estamos falando de um vírus. Todos os organismos sofrem mutação – alguns mais, outros menos. Isso vale para animais, plantas, bactérias, etc. No caso do Sars-Cov-2, ele precisa invadir uma célula do corpo humano para se replicar e é nesse processo de fazer cópias que ocorrem os erros. São as mutações. E por incrível que possa parecer, o novo coronavírus não tem a maior taxa de mutação conhecida, até entre os vírus. 
 
"A taxa de mutação nem é tão grande. É um erro a cada milhão ou 10 milhões de vírus copiados. Isso significa que tem que produzir muitos desses vírus, mas cada paciente está produzindo milhões deles. Então você pode ter certeza que uma pessoa que teve Covid gerou vírus com mutações", esclarece o bioquímico Emanuel Maltempi de Souza.

Agora imagine a quantidade de mutações geradas nos mais de 190 milhões de pessoas que já contraíram a doença no mundo. Esse é o número oficial de infectados, segundo levantamento da OMS. Vale ressaltar ainda que um grande percentual de casos é de assintomáticos e em muitos países o registro não traduz a realidade da pandemia.

Apesar do grande número de mutações, a maioria delas não é significativa e não altera a forma como o vírus age. Entre aquelas que têm importância, geralmente o erro é prejudicial para o vírus, deixando-o menos competitivo que o original. "Mas, de vez em quando, a mudança pode deixar o vírus melhor para determinada função. Melhor pra ele, pior pra gente", afirma Emanuel. 

O pesquisador Glauber, da UFSC, explica que ao longo do tempo o acúmulo de mutações promove alterações nas proteínas do vírus, o que acaba agregando uma característica diferente ao organismo, como reconhecer e invadir mais facilmente a célula ou se replicar mais rapidamente. Uma ou mais mutações podem dar origem a uma variante, que se caracteriza por apresentar propriedades diferentes do vírus original. Segundo a OMS, entre as características dessas novas cepas - conjuntos de variantes que se comportam de forma diferente do vírus original - estão a facilidade com que ela se espalha, a gravidade da doença ou o desempenho de vacinas, medicamentos, ferramentas de diagnóstico ou outras medidas de saúde pública e sociais. 
 
No vídeo abaixo, os pesquisadores Emanuel e Glauber explicam como ocorre a mutação:

 

-> Diante de tantos termos novos, o IFSC Verifica produziu um post com palavras e expressões comuns na pandemia.

Variantes começaram a surgir em 2020

A evolução do Sars-Cov-2 tem sido acompanhada ao longo da pandemia por especialistas, instituições e grupos de pesquisa do mundo todo. No final do ano passado, começaram a ser identificadas variantes que representavam um risco maior à saúde pública, o que levou a OMS a caracterizá-las em Variantes de Interesse (VOIs, da expressão em inglês “variants of interest”) e Variantes de Preocupação (VOCs, da expressão em inglês “variants of concern”). Veja o que esses termos significam:

Variante de Preocupação: é aquela que apresenta mudanças em relação ao vírus original e que está associada a uma ou mais das seguintes alterações:
- Aumento da transmissibilidade ou alteração prejudicial na epidemiologia da Covid-19;
- Aumento da virulência ou mudança na apresentação clínica da doença; 
- Diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública ou diagnósticos, vacinas e terapias disponíveis.

Variante de Interesse: tem no seu genoma mutações que alteram a forma como o vírus age, além de ter sido identificada como causadora de transmissão comunitária, de múltiplos casos ou detectada em vários países. São variantes que precisam de um estudo mais aprofundado.

Nova nomenclatura para evitar estigmas

Em maio deste ano, a OMS promoveu uma mudança na nomenclatura das variantes, que normalmente recebem a identificação por letras e números. Para facilitar o entendimento pela população de forma uniforme em diferentes partes do mundo e evitar o preconceito em relação a países onde elas foram descobertas, as variantes estão sendo batizadas com letras do alfabeto grego.

Assim, alfa, gama, delta e lambda passaram a ser nomes recorrentes no noticiário sobre a pandemia de Covid-19. A variante de Manaus, por exemplo, agora é chamada em todo o mundo de Gama.

Variantes de preocupação desigandas pela OMS:

O pesquisador Emanuel chama atenção para os locais em que estas variantes - de preocupação e de interesse - surgiram: "Apareceram, ou foram pelo menos descritas na primeira vez, em países ou locais em que a doença estava descontrolada: Manaus, Reino Unido, Estados Unidos, África do Sul, Índia... As principais variantes surgiram nestes lugares porque estatisticamente é onde tinha maior probabilidade de acontecer." Ou seja, em locais em que muitas pessoas estavam infectadas e gerando cópias do vírus. 

Ele explica ainda que "se aparecer um paciente entre 10 mil com um vírus um pouquinho diferente isso não parece ser importante porque essas mutações acontecem. Agora se começa a aparecer 1% dos pacientes com o mesmo tipo de variante, aí se torna uma variante de interesse. Se esse percentual começa a crescer e essa variante passa a prevalecer numa comunidade, então é uma variante de preocupação."

Monitoramento de variantes é fundamental para evitar novos surtos

Pesquisadores e organizações de vigilância epidemiológica de todo o mundo têm reforçado a necessidade de se monitorar o aparecimento de variantes para que políticas públicas de contenção possam ser aplicadas a tempo, antes que as novas cepas se espalhem e causem surtos da doença. Entre as medidas, estão as restrições de voos originários de países em que alguma variante esteja prevalecendo e o reforço nas medidas de prevenção. Uso de máscaras e distanciamento físico continuam sendo as ações mais recomendadas também para evitar a proliferação das variantes.

"É crucial saber onde está circulando uma variante e quais as características dela para redobrar cuidados, estabelecer bloqueios. O correto seria tentar conter essa variante no local, evitando que se espalhe. Agora, por exemplo, muitos países estão restringindo ou bloqueando voos originários da Índia por conta da variante Delta", afirma Emanuel. Segundo ele, as restrições no Brasil ainda são muito insignificantes para evitar que a variante se espalhe pelo país.

Os pesquisadores Emanuel e Glauber explicam no vídeo abaixo como é o processo de sequenciamento genético para identificar variantes. 

Sequenciamento do genoma é feito em amostra mínima

Em Santa Catarina, o último boletim da Vigilância Genômica do Sars-Cov-2, de 8 de julho, indica que foram analisados 658 genomas, de um total de mais de um milhão de casos da doença no estado, e identificadas 22 linhagens diferentes do vírus.

Variante de Manaus domina casos no Brasil em 2021

A variante Gama, que surgiu em Manaus, é um exemplo de como uma nova cepa do vírus pode provocar surtos se não for detectada a tempo, contida e monitorada. Descoberta em janeiro deste ano, em pouco mais de um mês ela já dominava o número de casos em quase todo país.

O doutor em Biotecnologia e Biociências Glauber Wagner explica que essa constatação ficou evidente ao se fazer exames de sequenciamento em Santa Catarina. O Laboratório de Bioinformática da UFSC, do qual faz parte, realizou um projeto em que realizava sequenciamento do vírus de pessoas infectadas no estado, em apoio ao trabalho da Vigilância Epidemiológica, e atualmente faz parte da Rede de Vigilância Genômica do Sars-Cov-2 em Santa Catarina.

"Em pouco tempo a variante de Manaus predominou em todo país. A partir do final de janeiro, começo de fevereiro, ela veio com força. Nós sequenciamos até um caso de transmissão familiar, de pessoas que nunca haviam viajado para Manaus ou outro local próximo e detectamos oito pessoas com a variante. Alguém se infectou, foi para aquela pequena cidade e espalhou o vírus." É o que se chama de transmissão local do vírus.

Em boletins publicados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, a variante Gama carrega 21 mutações. Segundo o relatório, esta variante representava 54,2% das amostras sequenciadas no estado em julho, conforme gráfico abaixo:

O boletim também revela que nos quatro casos de reinfecção registrados no estado - nas cidades de Lages, Itaiópolis, Balneário Piçarras e Herval d’Oeste - a segunda infecção foi causada pela variante Gama.

-> Neste post tratamos sobre os casos de reinfecção de Covid-19.

Variante Delta é a que mais preocupa

Desde maio deste ano, a variante que mais tem causado preocupação é a Delta. Diversos países que já voltavam à normalidade enfrentam surtos de Covid-19 por conta dessa variante e se veem obrigados a retomar medidas restritivas. A Austrália, por exemplo, decretou no mês de julho confinamentos em algumas cidades, entre elas Sydney e Melbourne, para tentar frear a disseminação do vírus.

A OMS tem feito alertas periódicos sobre a variante desde que ela foi descoberta. No dia 12 de junho o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou em uma entrevista coletiva que já foram registrados casos da variante Delta em 104 países, inclusive no Brasil. "Esperamos que em breve seja a estirpe dominante da Covid-19 que circula em todo o mundo”, alertou. 

Um dos fatores preocupantes é que a variante Delta é de 30% a 60% mais transmissível que outras variações do Sars-Cov-2. Em vários países ela já é a cepa dominante, como no Reino Unido, onde 90% dos novos casos de Covid-19 são pela Delta. Por meio da prática do sequenciamento genético, já se identificou que a Delta tem mais de 75% de prevalência dos casos de Covid-19 em países como Austrália, China, Dinamarca, Índia, Indonésia, Israel, Portugal e Singapura, segundo dados da OMS divulgados em 20 de julho.

Um estudo liderado pela Universidade de Oxford publicado no mês de junho e que teve participação da Fiocruz sugere ainda que a variante Delta pode aumentar o risco de reinfecções. Isso porque os anticorpos de pessoas anteriormente infectadas são menos potentes contra esta variante viral. A pesquisa apontou que o problema é observado de forma marcante entre os indivíduos que foram infectados na primeira vez pela variante Gama, identificada em Manaus, assim como pela variante Beta, detectada pela primeira vez na África do Sul. "Nestes casos, a capacidade de neutralizar a cepa Delta é onze vezes menor."

Já em relação à variante Omicron, a OMS informou no fim de novembro que ainda não se sabe se ela é mais transmissível ou se causa uma infecção mais grave e que pesquisadores de todo mundo estão conduzindo estudos para entender melhor suas características.

Sintomas iniciais podem ser diferentes

Além de características como facilidade de transmissão, as variantes podem provocar uma sintomatologia diferente nos pacientes. Segundo Glauber, isso tem sido relatado por médicos e já é descrito na literatura científica. "Percebe-se uma mudança do comportamento da doença. Sintomas que não eram tão frequentes lá no início da pandemia passaram a ser mais frequentes e outros bem característicos deixaram de ser tão percebidos."

A variante Delta, por exemplo, provoca sintomas mais parecidos com uma gripe, como dor de cabeça, dor de garganta, coriza e febre. Já a perda de paladar e olfato não é tão recorrente.

"Mas o padrão da doença continua o mesmo, vai provocar uma síndrome respiratória grave, depois uma síndrome hiper inflamatória. Então esse comportamento que leva ao óbito permanece o mesmo. O que se percebe é que houve mudanças nos sintomas iniciais da doença", conclui.

Vacinas são eficazes contra as variantes?

Até o momento parece que sim. A cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, afirmou em vídeo para a série Science 5 que os estudos feitos até agora indicam que "se uma pessoa recebe um esquema completo de vacinação, há imunidade protetora suficiente no corpo para proteger contra doenças graves, mesmo dessas variantes."

A eficácia das vacinas contra essas variantes pode variar de 70 a 90%, segundo a OMS. "Mas se olharmos apenas para a prevenção de doenças graves e hospitalização, são todos muito bons, com mais de 90% de eficácia", afirma Soumya. Vale lembrar que nenhuma vacina disponível atualmente, inclusive para outras doenças, tem eficácia de 100%.

No relatório da OMS divulgado em 20 de julho, os dados mostram que a vacinação mantém a proteção contra casos graves da doença provocados pelas variantes Delta, Alfa e Beta. Porém, nas infecções pelas variantes Delta e Beta observou-se possível redução na prevenção de infecções. Em relação à Omicron, estudos estão sendo realizados para verificar a eficácia das vacinas existentes.

O pesquisador Glauber esclarece que é natural que cada pessoa tenha uma resposta imune diferente em relação à vacina, pois cada corpo reage de uma maneira, alguns mais fortes, outros menos: "Mas a gente percebe que mesmo em casos em que a pessoa seja infectada, ela ainda consegue não desenvolver a doença de forma grave."

A vacinação pode conter o surgimento de novas variantes?

Glauber Wagner afirma que a vacinação é a forma de evitar que novas variantes surjam, pois se reduz o número de pessoas infectadas e assim o número de cópias geradas, e destaca a importância de se ter diferentes tipos de tecnologias de vacinas para conter o avanço da pandemia. "Quando você tem diferentes tecnologias, você vai ter diferentes células de defesa funcionando de acordo com a vacina. Claro, todas contra o Sars-Cov-2, mas cada uma de uma forma diferente e isso ajuda a combater a pandemia de forma mais rápida."

Não se descarta, no entanto, que as vacinas tenham que passar por atualizações para contemplar as variantes que vão surgindo, como é feito anualmente com a vacina da gripe. Soumya Swaminathan, da OMS, afirma que empresas e laboratórios de todo o mundo estão trabalhando em novas versões da vacina, que acomodam as proteínas do vírus variante. "Então, eu acho que nos próximos meses, começaremos a ver os resultados dos testes clínicos que estão olhando para essas novas vacinas modificadas. E então seremos capazes de decidir se as pessoas vão precisar de reforços ou não."

O reforço na vacinação também é apontado como algo bem provável de acontecer pelo pesquisador Emanuel de Souza, da UFPR. "Talvez nossa imunidade não seja duradoura e talvez as variantes comecem a escapar da proteção vacinal." Segundo ele, a imunização contra a Covid-19 deve seguir o comportamento da vacina contra a Influenza: realizada anualmente. "E não tem população-alvo, tem que vacinar pelo menos 70% da população para proteger o todo. No Brasil isso significa que teremos que vacinar cerca de 150 milhões de pessoas todo o ano."

Diante do custo desse montante de doses, ele aponta que é estratégico ter uma produção nacional, ficando independente de insumos de países como China e Índia. Ele e colegas da UFPR estão desenvolvendo uma vacina contra a Covid-19 a partir de pesquisas realizadas há mais de 10 anos com biopolímeros biodegradáveis e com partes específicas de proteínas virais. "A ideia veio da necessidade de ajudar a combater a pandemia e termos uma preparação vacinal 100% produzida no Brasil."

No áudio a seguir ele explica como a vacina está sendo desenvolvida a partir da pesquisa com bactérias:

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** Este texto foi publicado incialmente em julho de 2021 e atualizado em 02 de dezembro de 2021.

Formas de prevenção continuam as mesmas: higiene, uso de máscara e distanciamento físico

-> Neste post, há informações sobre como higienizar corretamente mãos, objetos e ambientes

-> E neste, saiba porque usar as máscaras PFF2.

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IFSC VERIFICA

Estamos perto do fim da pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 30 nov 2021 08:55 Data de Atualização: 30 nov 2021 10:58

Quando o coronavírus se espalhou e mudou a vida das pessoas em todo o mundo, o que mais nos perguntávamos era: Existe uma previsão para o fim da pandemia? Em 2020, especialistas apontavam que isso dependeria da descoberta de uma vacina para proteger da Covid-19, mas que a doença dificilmente seria eliminada. Vinte meses se passaram desde que a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou que se tratava de uma pandemia causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Há dez meses, a vacinação contra a Covid-19 iniciou no Brasil e o país está próximo de atingir a marca de 77% da população que já pode receber a vacina com ciclo vacinal completo, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Em Santa Catarina,  80% da população vacinável já está com a imunização completa, tendo recebido as duas doses ou dose única. Diante deste cenário, será que já é possível dizer que estamos perto do fim da pandemia?

Para abordar esta questão, entrevistamos a epidemiologista e professora do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC, Vanessa Jardim, e o secretário de estado da Saúde do Governo de Santa Catarina André Motta Ribeiro. Neste post, vamos tratar dos seguintes pontos:

- Já é possível flexibilizar as medidas de cuidado em relação à Covid-19?
- O fim da pandemia está próximo?
- A pandemia está controlada em SC?
- Como não perder o controle da situação e evitar novos surtos da doença?

É possível pensar no fim da pandemia?

Segundo a professora do IFSC Vanessa Jardim, falar em fim da pandemia é pensar no próximo estágio de uma doença infecto-contagiosa que é a endemia, quando a população convive com essa doença dentro de regiões geográficas circunscritas. “Certamente conviveremos com a Covid em nosso meio, mas esse conceito de uma doença fora do controle aprenderemos a dominar com a vacinação, que é a principal arma para o controle das doenças infecto-contagiosas, e outras medidas de controle”, explica. 

Com o avanço dos estudos científicos, hoje já se sabe muito mais sobre a transmissibilidade do coronavírus e os fatores de risco que envolvem o agravamento da doença. De acordo com a epidemiologista, a adoção de medidas específicas conforme os saberes disponíveis atualmente permite um controle da pandemia. “Conhecendo muito mais a dinâmica da doença, o agente infeccioso e o comportamento populacional, a gente pode agregar às campanhas de vacinação e dizer sim, que a pandemia está controlada”, afirma. 

No entanto, Vanessa destaca que é preciso ter cautela com essa noção de controle, uma vez que ainda há muitas variáveis que podem alterar o cenário. Assista abaixo a sua fala sobre a necessidade de se manter a vigilância constante. No vídeo, o secretário de saúde de SC também comenta sobre o fim da pandemia no Estado.


Quais fatores devem ser considerados para analisar o fim da pandemia?

Para analisarmos como está o cenário da pandemia, é preciso olhar para fatores como taxa de transmissão, número de pessoas contaminadas com coronavírus, número de óbitos pela doença, ocupação de leitos nos hospitais e número de pessoas vacinadas. Mas quais índices precisamos alcançar para poder começar a respirar mais aliviados?

Em relação à vacinação, a professora do IFSC destaca que é preciso chegar a um índice de 70% a 80% da população com cobertura vacinal completa, mas pondera que isso precisa ser pensado em relação a toda população - o que ainda não é uma realidade já que, no Brasil, a vacinação está sendo feita, por enquanto, apenas para quem tem mais de 12 anos. “A vacinação de crianças e adolescentes é importante também porque, embora tenha se percebido que o risco de agravamento nesse público é mais baixo, o risco de contaminação é o mesmo e eles podem continuar fazendo o vírus circular”, ressalta.

Quando se fala de taxa de transmissão, é preciso olhar para o Rt, que seria como um ritmo de transmissão ou número reprodutivo efetivo. Vanessa explica que, quando se tem um caso que transmite para uma pessoa, o ritmo de transmissão é considerado estável. O ideal é que o Rt seja abaixo de 1, indicando que a circulação do vírus está diminuindo.

-> Entenda melhor o Rt com a explicação de uma professora de matemática do IFSC

Em países que tiveram poucos casos de Covid-19, o Rt ficou entre 0,3 e 0,4, o que, segundo Vanessa, é o ideal para considerar que a pandemia está sob controle. “Mas se tivermos no Brasil uma taxa abaixo de 1, estamos registrando queda da pandemia e temos que acompanhar fortemente essa transmissibilidade, esse ritmo de transmissão, porque qualquer súbito aumento precisa da ação do sistema de saúde”, afirma. 

Em um levantamento do Imperial College de Londres da semana passada, atualizado em 22 de novembro, o Rt do Brasil estava em 1,06 - maior do que na semana anterior em que o índice estava em 0,99. Este Rt atual significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem a doença para outras 106 pessoas.

De acordo com o Observatório Covid BR, o Rt de SC em 14 de novembro era de 0,95. Dados mais recentes da Defesa Civil do estado mostram que, em 23 de novembro, o Rt foi de 0,96. Veja abaixo como ficou o ritmo de transmissão no estado desde o início da pandemia segundo o Observatório Covid BR:

Gráfico Rt de SC

-> Acompanhe o Rt de SC em plataforma do Governo

Segundo o Boletim nª 81 do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Rt do estado no período entre 31.05 e 23.11.2021 ficou em 0.96, sendo que nas diversas regiões esse indicador variava entre 0.94 a 0.99, significando que o Sars-CoV-2 ainda continua circulando de forma acelerada no território catarinense.

Ao colocar o número de pessoas contaminadas por Covid-19 em Santa Catarina em um gráfico, é possível observar o comportamento da doença no estado e o que especialistas chamam de curva da doença. Até o início da vacinação, o que se via era uma curva em crescimento. A professora Vanessa explica que para considerar uma pandemia dentro do controle, é preciso que os dados não se traduzam em ondas neste gráfico, ou seja, quando não se tem mais novos picos de crescimento da doença mostrando que ela segue se espalhando. 

A epidemiologista chama a atenção para a queda da transmissibilidade da doença com o início da campanha de vacinação. “É impressionante como essa correlação entre cobertura vacinal completa e a transmissibilidade diminui e aí, consequentemente, óbitos e casos graves também diminuem”, ressalta.

Veja abaixo os gráficos elaboradas pelo IFSC Verifica com os dados fornecidos pelo Governo de Santa Catarina, Primeiro, fica nítido como o índice de ocupação de leitos de UTI por Covid-19 foi caindo conforme mais pessoas foram se vacinando e completando seu ciclo vacinal:, 


A vacinação também teve impacto direto na diminuição de pessoas contaminadas pelo coronavírus, como é possível observar neste gráfico:

Gráfico de pessoas contaminadas X vacina em SC

Olhar para o número de óbitos é importante, segundo Vanessa, porque é quando se observa especificamente a doença. “Trabalhar com a letalidade, o quanto a Covid ainda tem levado a óbito as pessoas que se contaminam, ajuda a gente a avaliar a efetividade das vacinas”, explica. A epidemiologista alerta que, embora a taxa de letalidade da Covid-19 seja baixa quando comparada a outras doenças, o impacto dos óbitos na população foi grande, já que se trata de uma patologia que se espalha muito. No Brasil, por exemplo, até o momento, mais de 613 mil pessoas já morreram de Covid-19 - um número maior do que a população de Florianópolis e Biguaçu somadas.. 

Em relação à capacidade do Sistema de Saúde, a professora diz que o ideal é o índice de internação/ocupação por Covid nos hospitais ser menor que 50%. “Mas assim como o índice de transmissão, é importante sempre buscar a tendência a diminuir quanto menor for até que a gente possa eliminar leitos específicos de UTI e trabalhar com o princípio do isolamento respiratório”, diz.

Veja abaixo como a vacinação também impactou no número de óbitos por Covid-19 em Santa Catarina:

Gráfico de óbitos X vacina em SC

 

-> Acompanhe mais dados de SC neste Painel desenvolvido pela UFSC

Matriz de risco de Santa Catarina

Para acompanhar a evolução da doença, diversos países, estados e municípios criaram suas metodologias. A professora do IFSC explica que a base de todas é sempre a mesma: mostrar que quanto mais alto é o número de casos da doença na população, mais perigosa é a situação. “Todas seguem esse princípio de contaminação e gravidade que leva a óbito”, afirma.

Em julho de 2020, o Governo de Santa Catarina criou a matriz de risco para avaliar o risco potencial das 16 regiões de saúde do estado, a fim de orientar a regionalização e descentralização das ações relacionadas à contenção da pandemia em Santa Catarina. A matriz é divulgada semanalmente com cores que indicam a gravidade da doença em cada região. 

“A matriz foi sendo modificada até porque o entendimento desse enfrentamento da pandemia também foi melhor compreendido e evoluiu. Nós sempre fizemos nossa gestão pautada na ciência desde o início e com certeza houve avanço”, destaca o secretário de saúde de Santa Catarina. Diante das mudanças de cenário, a matriz passou por ajustes de indicadores e redesenho das regiões  - sendo o último em julho deste ano -, mas seguiu organizada em quatro dimensões de prioridade, que são:

Dimensões da matriz de risco de SC

Para facilitar o entendimento da população, na matriz, as regiões do estado são apresentadas por cores de acordo com o risco potencial em que se encontram, sendo vermelho (risco potencial gravíssimo), laranja (risco potencial grave), amarelo (risco potencial alto) e azul (risco potencial moderado). Pela oitava semana consecutiva, desde 9 de outubro, nenhuma região do estado foi classificada nos níveis de risco grave ou gravíssimo.

Matriz de risco de SC do dia 27 de novembro de 2021

Inclusive, a Política de Segurança Sanitária do IFSC, documento que sistematiza as medidas a serem adotadas para o retorno gradual das atividades presenciais na instituição, considera a matriz de risco divulgada semanalmente pelo Governo do Estado. 

Fator surpresa: mutação do vírus

Embora os estudos científicos estejam avançando a um ritmo acelerado, além de lidar com os fatores já conhecidos - como taxa de vacinação, taxa de transmissão, quantidade de internação e número de óbitos -, um fator que precisa ser considerado para se pensar no controle da pandemia é a mutação do vírus. Nos últimos dias, o surgimento de uma nova variante chamada ômicron tem gerado preocupação. Em um relatório técnico, a OMS alertou para o alto grau de transmissão dessa variante.

A professora do IFSC explica que os vírus são seres adaptáveis, ou seja, conforme vamos estimulando medidas de controle, eles vão encontrando meios de sobreviver. Isso são as mutações. “Por isso as variantes afetam diretamente esse processo de controle da transmissibilidade”, afirma.

-> Variantes podem dificultar o controle da pandemia de Covid-19?

Segundo Vanessa, felizmente as atuais vacinas contra Covid-19 estão se mostrando eficazes contra as variantes que já foram identificadas. No entanto, pode ocorrer de, no futuro, novas variantes surgirem - como acontece com o vírus da gripe. “E aí é necessária uma resposta rápida que o sistema de saúde vai se adaptando, vai adequando a resposta ao surgimento dessas dessas novas cepas. Vou ter que vacinar todo ano? Vamos analisar. Vou ter que fazer uma dose de reforço em toda a população? Precisamos estudar. Então temos um conjunto de variáveis a se observar no controle da pandemia”, destaca.

Em 16 de novembro, o Ministério da Saúde ampliou a dose de reforço para toda população adulta, ou seja, maiores de 18 anos que já completaram cinco meses de intervalo da segunda dose ou dose única deverão procurar uma unidade de saúde para tomar mais uma dose de reforço da vacina conta a Covid-19.

-> Qual a importância da dose de reforço da vacina?

Já é possível flexibilizar as medidas de cuidado?

Com uma nítida diminuição nos números de pessoas contaminadas por Covid-19 e óbitos pela doença, existe uma expectativa da população e uma indicação do Governo de que já se pode flexibilizar as medidas restritivas de cuidado. Na semana passada, inclusive, o Governo de Santa Catarina assinou um decreto desobrigando o uso das máscaras faciais de proteção em ambientes abertos em que há possibilidade de manter distanciamento entre as pessoas. No vídeo abaixo, a professora do IFSC e o secretário de saúde de Santa Catarina falam sobre isso:

 

Embora o cenário pareça mais favorável, o Núcleo de Estudos de Economia Catarinense da UFSC publicou, em 13 de novembro, a 79ª edição do boletim semanal Covid-19 em SC, em que afirma que as médias semanais de casos e óbitos ainda não permitem a flexibilização das medidas preventivas no estado. Conforme aponta o boletim, o comportamento do conjunto de indicadores analisados, mesmo que bastante favorável, ainda não permite nenhum relaxamento em relação às medidas de prevenção e de controle da doença, especialmente no quesito flexibilização do uso de máscaras. No boletim de nº 81, publicado em 27 de novembro, o Necat informa que Santa Catarina voltou a apresentar o 2º maior coeficiente de incidência da Covid-19 do país.

Durante a gestão da pandemia, em alguns momentos, a população foi condicionada a orientações diferentes dos governos federal, estaduais e municipais em relação às medidas de cuidado em relação à Covid-19. O secretário de saúde de Santa Catarina destaca que a regra é clara. “Nós temos uma gestão tripartite da crise desde que se instalou. Hierarquicamente, o gestor que está logo abaixo pode e deve aumentar a restrição se entender que, naquele seu ambiente - no município ou região -, o impacto é maior. Mas ele jamais pode flexibilizar além da regra do gestor imediatamente superior”, explica. Portanto, o Estado não pode flexibilizar se houver um decreto federal mais restritivo. E os governos municipais também não podem tomar atitudes se o Governo Federal e os governos estaduais não apontarem o caminho. “Claro que os municípios têm as suas autonomias, mas para criar regras novas restritivas ou outras para processos e fluxos. Nunca diminuindo o que está sendo posto nem pelo ente federal e nem pelo ente estadual”, finaliza André Motta Ribeiro.

-> Confira as portarias vigentes em Santa Catarina em relação à pandemia

Embora haja esse entendimento, o governo de Santa Catarina publicou o decreto nº 1578 em 24 de novembro de 2021 desobrigando o uso de máscaras em locais abertos desde que seja possível manter um distanciamento - apesar da Lei Federal nº 14.019/2020 obrigar o uso do acessório em locais públicos e privados.

-> Tire suas dúvidas sobre o decreto do Governo que flexibilizou o uso das máscaras

Como não perder o controle da situação?

A professora do IFSC ressalta que, apesar de estarmos indo bem, comparando o atual momento ao trágico cenário que já tivemos, não é o momento de esquecer que a pandemia existe. No Brasil, com a chegada das festas de final de ano e a temporada de verão, é preciso que gestores públicos e a população mantenham a vigilância para que não se perca o controle da situação e a contaminação por coronavírus volte a subir. 

 

A vigilância e os cuidados precisam ser mantidos ainda mais considerando a avaliação da diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mariângela Simão, de que o mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia do novo coronavírus. A declaração foi dada na abertura do Congresso Brasileiro de Epidemiologia realizada em 22 de novembro. A avaliação da diretora foi feita a partir dos novos picos de Covid-19 na Europa, o que, segundo ela, se devem à abertura e flexibilização das medidas de distanciamento no verão, além do uso inconsistente de medidas de prevenção em países e regiões. 

Na recente conferência de imprensa da OMS de 24 de novembro, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez um alerta para a falsa sensação de segurança causada pelas vacinas. Conforme afirmou, as vacinas salvam vidas, mas não evitam totalmente a transmissão da covid-19”, 

Ele chamou a atenção para os cuidados que precisam ser mantidos mesmo por quem já tenha tomado a vacina. “Se você for vacinado, tem um risco muito menor de desenvolver um quadro grave ou morrer pela doença, mas ainda corre o risco de ser infectado e infectar outra pessoa que pode vir a morrer”, disse em seu discurso. O diretor alertou para a necessidade de se continuar com medidas de cuidados como usar máscara, manter o distanciamento, evitar aglomerações e encontrar outras pessoas em ambientes abertos, se possível, ou em locais bem ventilados.

Embora a Europa seja novamente o epicentro da pandemia, o diretor destacou que nenhum país ou região está fora de perigo. “É importante que todos os países aumentem suas capacidades agora para garantir que as medidas corretas estejam em vigor para evitar as piores consequências de quaisquer ondas futuras”, enfatizou.

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IFSC VERIFICA

Como a pandemia está alterando a nossa linguagem?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 25 mai 2021 11:08 Data de Atualização: 25 nov 2021 17:55

Entre os aspectos mais marcantes das mudanças de rotina provocadas pela pandemia de Covid-19 estão as formas de comunicação possibilitadas pelas tecnologias digitais: são elas o motor da nova realidade que ampliou o número de adeptos do home office, do estudo remoto, das lives promovidas por artistas de todas as áreas, dos eventos virtuais como os “webinários” e das compras on-line – apenas para citar alguns exemplos.

Porém, mais do que mudar as nossas formas de comunicação em termos técnicos, a pandemia também está provocando alterações na nossa linguagem – não apenas no vocabulário propriamente dito, mas na linguagem corporal, visual e nas diversas outras linguagens com as quais as pessoas podem interagir no dia a dia.

“A linguagem é fruto direto das relações humanas. Ela surge efetivamente, constitui-se na relação e na interação. À medida que os sujeitos, que são sociohistoricamente constituídos, vão sendo impactados pelos eventos do dia a dia, em cada esfera específica da atividade humana, eles vão fazendo uso de novos signos para se expressar”, analisa a professora do Câmpus Gaspar Ana Paula Kuczmynda da Silveira, que atua na área de língua portuguesa e língua inglesa e é doutora em Linguística. A própria popularização de palavras como “live”, em inglês, para designar transmissões ao vivo pela internet, e “webinário” – mixagem ou code mixing resultante das palavras em inglês “web” e em português “seminário” – é exemplo dessa necessidade de nomear novas práticas sociais nas especificidades de seu tempo.

Qual a relação entre a realidade e a linguagem?

Antes de apresentar nossa lista, porém, conversamos com estudiosas da língua portuguesa que refletem sobre esse interessante processo pelo qual as mudanças sociais acarretam novas demandas comunicativas e, consequentemente, mudanças nas nossas formas de linguagem.

Para a professora Ana Paula Kuczmynda da Silveira, entender esse processo implica a compreensão das demandas comunicativas que as pessoas têm, já que é pela linguagem que as intenções de comunicação se manifestam. Na medida em que surge a necessidade de comunicar ou nomear novas situações ou contextos, é natural que se criem ou adaptem expressões que os designem.

A linguagem é fruto direto das relações humanas. Ela surge efetivamente, constitui0se na relação e na interação. À medida que os sujeitos, que são sócio-historicamente constituídos, vão sendo impactados pelos eventos do dia a dia, em cada esfera específica da atividade humana, eles vão fazendo uso de novos signos para se expressar. Ana Paula K. da Silveira, professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa no Câmpus Gaspar

Ana Paula cita o exemplo da expressão “distanciamento social”, que antes da pandemia não tinha uso corrente, mas hoje é carregada de significado bastante específico, inclusive dentro da escola. Em recente experiência de formação de professores no Câmpus Gaspar, onde atua como diretora-geral, a professora conta que as sequências didáticas organizadas pelos docentes participantes trouxeram vários elementos típicos do momento da pandemia, como “distanciamento social”, “ensino híbrido” e “atividades não presenciais”, que eram práticas antes impensáveis no cotidiano escolar, mas que hoje fazem parte do dia a dia.

“Por isso, essas práticas precisam ter significação na língua, ser expressas, materializadas na língua”, salienta Ana Paula. “Com certeza se nós pensarmos do ponto de vista mesmo da materialização de uma sequência didática algum tempo atrás, antes da pandemia, a expressão distanciamento social não faria parte. Mas a partir do momento que essa prática é institucionalizada, eu preciso representá-la na linguagem”.

Da mesma forma, na linguagem cotidiana, novas palavras, expressões e códigos vão sendo gradualmente incorporados sem que nos demos conta, num processo que a professora Ana Paula define como “mobilidade da língua”: “A língua muda todos os dias. Se a gente pegar o jornal hoje e o jornal de três anos atrás, é possível notar que o número de novos termos incorporados é muito grande. Possivelmente se há três anos nós lêssemos o jornal de hoje, nós não entenderíamos muitas coisas. E hoje elas fazem todo sentido, porque a demanda para o uso dessas expressões está expressa naquilo que a gente está fazendo”, analisa. Da mesma forma, sugere, as sinalizações afixadas hoje nos câmpus do IFSC em função da pandemia não seriam compreendidas caso estivessem expostas três anos atrás, com mensagens sobre uso de máscaras ou higienização das mãos. “Ninguém entenderia o signo, a mensagem propriamente dita, porque a ideia não seria associada à demanda que se tem hoje”, reflete a professora.

No áudio abaixo, a professora Ana Paula aborda a relação entre os eventos do dia a dia e as mudanças na linguagem dos sujeitos. Ela comenta, também, dois diferentes processos que podem ser observados: a “migração” de palavras de esferas mais técnicas para uma utilização geral e a criação de novas palavras e expressões para designar situações e comportamentos novos. Ouça:

Um novo vocabulário sempre em construção

Assim como as expressões incorporadas ao cotidiano escolar, nosso dia a dia fora do ambiente de trabalho ou da escola também está permeado por muitas novas palavras “pandêmicas” que não estavam no vocabulário corrente há pouco mais de 15 meses. A própria palavra “pandemia” já existia na língua portuguesa – desde 1873, de acordo com o Dicionário Houaiss –, mas passou a ser utilizada com muito mais frequência a partir do momento em que a humanidade viu-se novamente dentro de uma situação caracterizada como tal. Vale lembrar que, antes da atual pandemia de Covid-19, a última pandemia havia sido a de gripe espanhola, em 1918.

Por prestar atenção nesse acervo de termos incorporados ao vocabulário ou tornados mais correntes no cotidiano, a professora Adriana Zavaglia, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) lançou ainda no ano passado o “Glossário de termos ligados à pandemia de Covid-19”, elaborado em coautoria com sua orientanda Renata Tonini Bastianello, aluna do doutorado em Letras Estrangeiras e Tradução.

Na pandemia, a cada semana você tem uma realidade que se transforma. Hoje essa transformação é mais lenta, no início era mais rápida, mas ainda é uma situação que movimenta muito o léxico da língua. Adriana Zavaglia, professora da USP

A professora, que é doutora em Linguística e atua na área de Francês-Tradução, conta que, de início, o interesse pelas expressões ligadas à pandemia foi algo natural, mais relacionado a uma necessidade de manter-se informada. Acompanhando os noticiários brasileiro e francês, ela conta que as especificidades da terminologia relacionada com a Covid-19 começaram a chamar sua atenção e ela percebeu que havia ali a possibilidade da elaboração de um glossário.

Após o levantamento inicial de palavras, relata a professora Adriana, as buscas feitas prioritariamente em sites confiáveis na internet rapidamente confirmaram sua intuição e a conduziram a uma lista robusta de verbetes relacionados à pandemia, reunidos na publicação. E ela reconhece que, hoje, há possibilidade de ampliação para o trabalho.

“Na pandemia, a cada semana você tem uma realidade que se transforma. Hoje essa transformação é mais lenta, no início era mais rápida, mas ainda é uma situação que movimenta muito o léxico da língua. Por exemplo, a reinfecção. Isso não aparece no glossário porque não era uma realidade, e hoje é, a gente já sabe que as pessoas podem ser reinfectadas. Todo o léxico voltado à vacina, vacinação, tudo isso apareceu há pouco tempo também [em uso relacionado com a Covid-19]. Então as palavras, o léxico, elas vão mudando conforme as situações”, analisa.

Mas se a língua muda, o dicionário perde a validade? No áudio abaixo, a professora Adriana Zavaglia comenta que os significados das palavras podem se modificar de acordo com seu uso, e que os dicionários, que sempre devem ser referência, precisam acompanhar isso. A professora fala também sobre características técnicas do “Glossário de termos ligados à Covid-19”, publicação bilíngue português-francês disponível em acesso aberto no repositório da USP. Ouça:

Coleção de palavras e expressões do IFSC Verifica

Em um ano e três meses de pandemia no Brasil, nós do IFSC Verifica já aprendemos – e continuamos aprendendo – muito para trazer aos nossos públicos informação clara e confiável sobre a pandemia. Esse aprendizado constante envolve o esforço de explicar de forma rigorosa os termos técnicos e as palavras novas que estão entrando para o nosso cotidiano nesses tempos de Covid-19.

Neste post, apresentamos uma lista das principais palavras e expressões que se tornaram correntes com a pandemia e que foram abordadas ao longo dos primeiros 12 meses de publicações do IFSC Verifica. Nossa coleção de palavras não é pequena e contém tanto termos técnicos da área médica quanto novos termos que emergiram para designar novas situações, além de palavras que já pertenciam à língua portuguesa, mas que na pandemia ganharam aplicações adaptadas ao novo contexto.

Acrescentamos à lista aquelas palavras e expressões que não necessariamente tiveram seus significados abordados nos nossos posts, mas que têm aparecido nos textos técnicos e jornalísticos sobre o tema, com significados relevantes no atual contexto social. Incluímos também expressões peculiares do nosso cotidiano escolar, como ANP e atividades síncronas e assíncronas. Nossa intenção é que esta coleção de palavras – que não é um glossário, no sentido técnico do termo, mas uma lista de conceitos que procuramos estruturar dentro de nossas possibilidades – ajude nossos leitores a compreender um pouco melhor as complexidades desse mundo em transformação. Boa consulta!

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z

Achatamento da curva

A “curva epidemiológica” refere-se à representação gráfica do número de casos epidêmicos na população, na qual são percebidos o padrão, a magnitude e a tendência da pandemia. Nessa lógica, “achatar a curva” é o resultado esperado quando o número de casos ativos se mantém estável e constante no tempo, ou seja, a taxa de contágio diminui, o que resulta na representação gráfica com uma curva menos acentuada.

Aglomeração

No sentido lato, a palavra designa qualquer grande concentração de pessoas. Dentro do contexto de pandemia, pode-se considerar aglomeração a reunião entre quaisquer pessoas que não tenham convivência no cotidiano. A professora Ângela Kirchner, do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis, explica essa definição neste post (assista também ao vídeo).

Ambu

Acrônimo de Airway Mask Bag Unit​​ (em inglês), é um equipamento utilizado em casos de emergência até o paciente chegar ao ventilador mecânico. Pode ser manual ou automatizado. Veja mais detalhes neste post.

Anosmia

É a ausência de olfato, condição que pode ser ocasionada pela Covid-19. A hiposmia, por sua vez, é a diminuição do olfato. Veja mais detalhes neste post.

Anticorpos

São as moléculas que atuam na defesa do organismo. Também chamados de Imunoglobulinas (ou simplesmente Igs), os anticorpos são proteínas do sistema imune. Veja mais detalhes neste post.

Álcool gel

É o produto químico recomendado para a higienização das mãos (ao lado da lavagem com água e sabão), na concentração de 70 INPM (ou 70%). Essa concentração tem a proporção de água ideal para desestabilizar a conformação das proteínas dos micro-organismos, inativando-os e garantindo a assepsia. A formulação em gel também evita o ressecamento da pele. Álcoois em formulações diferentes de 70% existentes no mercado, como 46 ou 96, não são tão efetivos para a inativação do vírus. Veja mais detalhes neste post.

Assíncrono, assíncrona

Em cursos a distância ou atividades pedagógicas realizadas de forma não presencial, as interações síncronas são aquelas em que estudantes e professores não interagem no mesmo tempo, mas sim em tempos diversos. É o caso das interações realizadas por meio de fóruns de discussão em ambientes virtuais de ensino-aprendizagem (Avea, como o Moodle), o envio de mensagens ou e-mails.

Atividades não presenciais (ANP)

São as estratégias pedagógicas utilizadas quando a presença física do estudante não é possível no espaço escolar, não necessariamente envolvendo tecnologias de informação e comunicação. As ANP foram definidas pelo Conselho Nacional de Educação, que regulamenta o uso desse tipo de atividade para cumprir a carga horária dos cursos em função da pandemia de Covid-19. Neste post do Blog do IFSC, também abordamos as diferenças e semelhanças entre ANP e Educação a Distância.

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Casos ativos

São os casos de Covid-19 confirmados por exame laboratorial que não evoluíram para óbito e que ainda não foram considerados recuperados, de acordo com os critérios da Secretaria da Saúde de Santa Catarina.

Casos confirmados

Os casos confirmados são aqueles identificados por meio de exame laboratorial ou por vínculo epidemiológico. De acordo com a Secretaria da Saúde de Santa Catarina, os gráficos que exibem a evolução desse número de casos ao longo do tempo levam em consideração a data de início dos sintomas, permitindo identificar o momento da infecção pelo vírus da Covid-19. Quando a data de início dos sintomas não está disponível, a referência utilizada é a data de coleta do exame. Os números relativos aos casos confirmados incluem o número de óbitos e os casos recuperados.

Casos suspeitos

São casos em que os pacientes têm sintomas típicos da Covid-19, mas o diagnóstico ainda não foi confirmado por testes laboratoriais, de acordo com os critérios da Secretaria da Saúde de Santa Catarina.

Cateter nasal

Equipamento que permite ao paciente receber oxigênio pelo nariz, mas mantém os movimentos próprios de respiração. Não é tão invasivo quanto o ventilador de intubação. Veja mais detalhes neste post.

Cepa

É um grupo de variantes que se comporta de forma um pouco diferente do vírus original. Ou seja, a mutação sofrida por elas alterou alguma característica do vírus, como a capacidade de transmissão, de multiplicação ou os sintomas nos infectados.

Comorbidade

Sinônimo de fatores de risco. Refere-se a doenças prévias que fazem com que a pessoa tenha maior probabilidade de desenvolver a forma grave da Covid-19 ou ir a óbito. As comorbidades mais importantes são idade superior a 65 anos e doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial e cardiopatias, diabetes, obesidade, asma, entre outras. Veja mais detalhes neste post.

Contact clustering

A expressão em inglês, que pode ser traduzida literalmente para “agrupamento de contatos”, refere-se à convivência de pessoas em pequenos, diminuindo os riscos de contágio. O conceito de cluster ou agrupamento de semelhantes é utilizado para estudo da transmissibilidade e comportamento das doenças infecciosas, porém, dificilmente há de se garantir o convívio único em um cluster. Veja mais detalhes neste post.

Coronavírus

Os coronavírus são uma família de vírus que têm partes de sua proteína externa parecidas com uma coroa – daí o nome. Existem vários coronavírus, que são responsáveis por infecções respiratórias em seres humanas e animais, geralmente leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum. O coronavírus causador da Covid-19 foi nomeado como Sars-Cov-2 por provocar uma síndrome respiratória com características específicas em relação àquela causada pelo vírus Sars-Cov. Leia mais.

Covid-19

Acrônimo de coronavirus disease ou “doença do coronavírus”, acrescido do número 19 em referência ao ano de identificação da doença (2019).

Curva epidemiológica

A “curva epidemiológica” refere-se à representação gráfica do número de casos epidêmicos na população, na qual são percebidos o padrão, a magnitude e a tendência da pandemia. Nessa lógica, “achatar a curva” é o resultado esperado quando o número de casos ativos se mantém estável e constante no tempo, ou seja, a taxa de contágio diminui, o que resulta na representação gráfica com uma curva menos acentuada.

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Desinfecção ou sanitização

É o procedimento que reduz o número de microrganismos causadores de doenças e é realizado com produtos mais fortes, como o álcool 70%, o cloro, o hipoclorito de sódio ou o quaternário de amônia, dependendo do tipo de ambiente ou objeto a ser desinfetado. Veja mais detalhes neste post.

Distanciamento físico

No contexto da pandemia, é uma das medidas de prevenção da Covid-19, ao lado da higienização das mãos e do uso de máscaras faciais. Trata-se da manutenção da distância de pelo menos 1,5 metro entre uma pessoa e outra e da prática de evitar contato físico como aperto de mãos, abraço, beijo e qualquer outro tipo de toque. A expressão já consta no projeto Novas Palavras da Academia Brasileira de Letras. A OMS preconiza o uso preferencial da expressão distanciamento físico quando se abordam as atitudes individuais a serem tomadas na prevenção da Covid-19. A epidemiologista Maria Van Kerkhove, líder técnica de resposta à Covid-19 na OMS, enfatiza neste vídeo que “é preciso manter distância física para ter contato social”, ressaltando que a distância física entre as pessoas é um dos itens do “pacote de prevenção” formado também por máscaras faciais e higiene das mãos.

Distanciamento social

São as medidas tomadas administrativamente para reduzir o contato entre as pessoas e, dessa forma, desacelerar a propagação do vírus. O Ministério da Saúde define diferentes tipos de distanciamento social, que podem ser adotados de acordo com a situação epidemiológica de cada local: distanciamento social seletivo, distanciamento social ampliado e lockdown. Saiba mais sobre cada tipo neste material da Fiocruz.

Disgeusia

É a alteração ou diminuição no paladar. Pode ser ocasionada pela Covid-19. Veja mais detalhes neste post.

Dose de reforço

É uma dose extra administrada em grupos específicos de pessoas que já tenham completado o esquema vacinal (com duas doses das vacinas Coronavac, Astrazeneca e Pfizer, e dose única da Janssen), mas que por condições particulares precisam de um reforço para o sistema imunológico. Essas doses começaram a ser aplicadas no Brasil em outubro de 2021, inicialmente com foco nos idosos com mais de 80 anos e pessoas com imunossupressão. A ação foi depois ampliada para pessoas com mais de 60 anos e profissionais da saúde. Em novembro, o Ministério da Saúde passou a recomendar a dose de reforço para todas as pessoas com mais de 18 anos. Leia mais neste post. (Texto atualizado em 25/11/2021)

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Epidemia

É a propagação de uma doença em um grande número de indivíduos em uma determinada região.

Equipamentos de Proteção Individual (EPI)

São equipamentos destinados a dar proteção à saúde do trabalhador em função de eventuais riscos à sua saúde. São exemplos de EPI as máscaras faciais, face shields, luvas e óculos protetores.

Esquema vacinal

É o ciclo completo de administração de vacinas para que a imunização seja considerada completa e a pessoa tenha a resposta imune esperada. As vacinas da Coronavac, Astrazeneca e Pfizer têm ciclo vacinal de duas doses, ou seja, após a administração das duas doses a pessoa é considerada imunizada. Já a vacina da Janssen é de dose única, então as pessoas que receberam essa dose já são consideradas imunizadas, ou cumpriram o esquema vacinal completo. (Texto atualizado em 25/11/2021)

Etiqueta respiratória

É o conjunto de cuidados individuais que devem ser tomados ao tossir ou espirrar, de modo a evitar que gotículas de saliva se propaguem. Basicamente, trata-se de cobrir a boca e o nariz com lenço de papel ao tossir ou espirrar, descartando imediatamente o lenço numa lixeira apropriada. Caso não seja possível utilizar o lenço, pode-se cobrir a boca e o nariz com o antebraço. A higienização constante das mãos, o uso de máscaras faciais e o distanciamento físico são medidas complementares à etiqueta respiratória. Veja materiais a respeito publicados pela Secretaria de Estado da Saúde e pela OMS.

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Fantosmia

Alteração do olfato que faz com que a pessoa sinta cheiros pútridos onde não existem. Pode ser ocasionada pela Covid-19. Veja mais detalhes neste post.

Fator de risco

Condições e comorbidades, ou seja, doenças prévias que fazem com que a pessoa tenha maior probabilidade de desenvolver a forma grave da doença, de necessitar de hospitalização ou ter mais chances de morrer em comparação a quem não tem nenhum fator. Alguns dos fatores de risco mais importantes são idade superior a 65 anos e doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial e cardiopatias, diabetes, obesidade, asma, entre outras. Veja mais detalhes neste post.

Febre

Geralmente, a febre é a elevação da temperatura do corpo em reação a alguma infecção. A temperatura média corporal costuma variar entre 36 e 37,3 graus Celsius. Acima disso, pode ser considerada febrícola (até 37,8 graus), febre (acima de 37,8 até 39 graus) e febre alta (mais de 39 graus). Como a febre é um dos sintomas de alerta para os casos de infecção por Covid-19, o monitoramento da temperatura corporal em locais públicos tem sido uma das medidas de prevenção e detecção precoce de possíveis casos. Veja mais informações neste post.

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Grupo de risco

O mesmo que fatores de risco e comorbidades. Pessoas que têm doenças prévias e que podem desenvolver a forma grave da doença. São grupos de risco pessoas com idade superior a 65 anos e portadores de doenças crônicas não transmissíveis, como hipertensão arterial e cardiopatias, diabetes, obesidade, asma, entre outras. As pessoas podem pertencer a um ou mais grupos de risco. Veja mais detalhes neste post.

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Higienização das mãos

Termo muito utilizado em campanhas de conscientização para lavagem das mãos, que deve ser mais intensa do que uma simples passada de água e sabão. Segundo a OMS, o processo deve durar no mínimo 20 segundos e utilizar água e sabão nas palmas e dorso das mãos, dedos e pulsos. Em locais públicos em que não há disponibilidade de pias, deve ser utilizado o álcool gel. Veja mais informações neste post.

Higienização de alimentos

Na manipulação de alimentos, a higienização envolve duas etapas: a limpeza, que retira sujidades ou resíduos visíveis a olho nu, e a desinfecção ou sanitização, procedimento que reduz o número de microrganismos causadores de doenças (microrganismos patogênicos). Para a higienização de alimentos in natura, é indicada a diluição de 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária) para cada litro de água. Veja mais informações neste post.

Home office

Em tradução literal, home office significa “escritório em casa”. Antes da pandemia, já era utilizado para definir o modo de trabalho das pessoas que cumprem suas funções fora do escritório da organização, de forma remota ou a distância, ou ainda que trabalham como freelancers em estruturas montadas em casa. Esse tipo de trabalho também pode ser nomeado como teletrabalho ou trabalho remoto, uma vez que o colaborador atua de forma não presencial na empresa ou organização.

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Imunidade

É o estado de resistência de um organismo a um determinado patógeno.

Imunidade coletiva

Popularmente conhecida como “imunidade de rebanho”, representa o processo em que um grande número de pessoas já adquiriu anticorpos contra uma doença. A imunidade coletiva pode ocorrer naturalmente, quando se contrai a doença, ou por meio de vacinação. Veja mais informações neste post.

Incubação

De acordo com a Fiocruz, o período de incubação é o tempo entre a infecção da pessoa pelo vírus e o início dos sintomas da doença. No caso da Covid-19, esse intervalo pode ser de 1 a 14 dias, geralmente ficando em torno de cinco dias.

Isolamento

Consiste na medida que visa separar indivíduos doentes (sintomáticos, casos suspeitos ou confirmados) dos não doentes, para evitar a propagação da doença. O isolamento pode ocorrer em domicílio ou em ambiente hospitalar, dependendo do estado clínico da pessoa. Veja mais informações neste post.

IgA, IgG, IgM

As imunoglobulinas IgG e IgM são as células de defesa do organismo que são procuradas nos exames de detecção da Covid-19. As células IgM costumam aparecer quando a doença está em seu estágio inicial. Já as IgG aparecem no estágio final e mesmo após a doença – por isso, são chamadas de anticorpos de memória, e o corpo recorre a elas caso entre em contato com a doença novamente. Essas imunoglobulinas são detectadas pelos testes de método indireto, que utiliza o soro do sangue, ou seja, sua parte líquida, e fazem pesquisa de anticorpos, não do vírus propriamente dito. Já as imunoglobulinas IgA costumam ser encontradas em mucosas e secreções. Elas podem ser detectadas por meio de testes tipo Elisa, que são menos comuns. Veja mais detalhes neste post.

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Limpeza

É a atividade mais básica de lavar com água e sabão as mãos, objetos e superfícies. Veja mais detalhes neste post.

Linhagem

É um conjunto de variantes que se originaram de um vírus original comum e possuem mutações similares.

Live

A palavra live vem do inglês e pode ser traduzida como “ao vivo”. No contexto atual, é utilizada para identificar uma transmissão ao vivo realizada pelas plataformas de mídias sociais, como o Instagram e o YouTube. Uma live pode ser uma palestra, um show, um bate-papo ou qualquer outra atividade que seja transmitida ao vivo pela internet.

Lockdown

É a estratégia de distanciamento social mais restritiva que pode ser adotada pelos gestores públicos para conter o avanço da epidemia. De acordo com a Fiocruz, corresponde ao bloqueio total das atividades, por um curto período. Embora tenha a desvantagem do alto custo econômico, o lockdown é eficaz para a redução da curva de casos e para permitir que o sistema se reorganize em função de aceleração descontrolada de casos e óbitos. Abordamos as medidas de restrição adotadas em alguns países, entre elas o lockdown, neste post.

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Máscara facial

Trata-se de um item que com a pandemia de Covid-19 passou a ser essencial para a proteção individual. Ela deve cobrir o nariz e a boca para atuar como barreira física contra o vírus. As máscaras mais comuns são as confeccionadas artesanalmente, com tecidos como algodão e tricoline, mas devem ter três camadas e deve-se evitar tecidos elásticos. Após cerca de 30 lavagens elas devem ser descartadas. Já as máscaras cirúrgicas (ou médicas) são indicadas pela OMS para alguns grupos específicos, como trabalhadores de saúde, pessoas com sintomas de Covid-19 ou com comorbidades. Alguns países europeus chegaram a exigir o uso das máscaras PFF2 e N95, que apresentam eficiência mínima de filtração de 94%. Veja mais detalhes sobre as máscaras PFF2 neste post, e sobre o uso de máscaras faciais durante a atividade física, neste post.

Média móvel

É uma ferramenta matemática utilizada para identificar se a pandemia está estável, aumentando ou diminuindo. Primeiro, é preciso fazer o cálculo da média de casos ou mortes da semana corrente; este cálculo é feito pela soma dos casos ou mortes do dia atual com os dos seis dias anteriores divididos por sete. Com esse valor, é possível realizar a comparação com o valor da semana anterior para identificar a tendência da pandemia: se é de queda, estabilidade ou alta. Esse segundo cálculo é feito pela comparação dos dois valores - a média da semana atual e a média da semana anterior: se o valor for 15% maior ou menor do que as semanas anteriores, considera-se que há um quadro estável; se o valor for maior que 15% positivo, há tendência de alta; e se o valor for maior que 15% negativo, a tendência é de queda. Leia a explicação mais detalhada neste link.

Mutação

É uma alteração na sequência de RNA do vírus, ou seja, no seu material genético. É natural que isso ocorra à medida que ele se replica. O processo de mutação faz parte do processo evolutivo dos vírus.

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Novo coronavírus

O “novo coronavírus”, como inicialmente era designado o coronavírus causador da Covid-19, é um tipo de coronavírus identificado pela primeira vez na província de Whuan, na China, no final de 2019.

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Organização Mundial da Saúde

Fundada em 1948, é a agência especializada em saúde vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU). Sua constituição define “saúde” como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. Composta por 193 países membros, atua em programas e pesquisas para o controle e erradicação de doenças, desenvolvimento de vacinas e erradicação da pobreza. Conheça o site da OMS.

Oxímetro

Aparelho que mede a quantidade de oxigênio no sangue da pessoa examinada, ou seja, a oxigenação do sangue, que pode ficar baixa em casos mais graves de Covid-19.

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Paciente assintomático

É o paciente infectado pelo vírus da Covid-19, mas que não apresenta nenhum sintoma. Ainda assim, contudo, essa pessoa pode transmitir a doença. Veja mais detalhes neste post.

Paciente pré-sintomático

Define-se assim a pessoa que foi contaminada com o novo coronavírus, tecnicamente está com Covid-19, mas ainda não apresenta sintomas. Um paciente nessas condições já pode transmitir o vírus para os outros. Isso acontece no período de três a cinco dias depois do contágio. Veja mais detalhes neste post.

Paciente sintomático

É o paciente que, após contrair o novo coronavírus, apresenta um ou mais sintomas da Covid-19. Em média, os sintomas aparecem de três a cinco dias depois que a pessoa foi infectada. Veja mais detalhes neste post.

Pandemia

É um surto global de uma doença, ou seja, a ocorrência simultânea de surtos dessa doença em todo o planeta. A OMS enfatiza que a caracterização de uma pandemia faz referência à distribuição geográfica da doença, e não à sua gravidade. Antes de ser caracterizada a pandemia de Covid-19, a ocorrência do grande número de casos foi, antes, declarada como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Leia mais na página da OMS Brasil.

Parosmia

É a alteração do olfato, em que a pessoa sente cheiros diferentes do real. Pode ser ocasionada pela Covid-19. Veja mais detalhes neste post.

PCR

Quando você ouve que alguém fez o teste PCR para confirmar ou não uma suspeita de Covid-19, o exame em questão é o RT-PCR, ou reverse transcription polymerase chain reaction (“reação da transcriptase reversa seguida pela reação em cadeia da polimerase). Ele é considerado “padrão ouro” ou “padrão de referência” e é capaz de identificar a doença a partir do segundo ou terceiro dia de início dos sintomas, até o final da doença. Por pesquisar a presença do vírus no organismo, é chamado de método direto. A coleta do material para análise é feita pela inserção de uma haste longa de algodão (swab) pelo nariz ou garganta do paciente. Veja mais detalhes neste post.

Plano de contingência

Plano de contingência é um documento previsto pela Política Nacional de Proteção e Defesa Civil com a intenção de prever, controlar e conter riscos possíveis em uma situação de emergência ou calamidade pública. No âmbito da pandemia de Covid-19, este é um documento necessário para as instituições de educação poderem retomar as atividades presenciais de forma segura, sendo uma exigência do Governo Estadual. No caso do IFSC, também há uma orientação do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) para a sua elaboração. O plano deve prever minimamente as diretrizes sanitárias, pedagógicas, de transporte, alimentação, gestão de pessoas, informação e comunicação. Cada câmpus da instituição elaborou e publicou seu Plano de Contingência. Conheça-os neste link.

Política de Segurança Sanitária

A Política de Segurança Sanitária é o documento que sistematiza as medidas a serem adotadas para o retorno gradual e seguro das atividades acadêmicas e administrativas presenciais no IFSC, no contexto da pandemia. Ela prevê as fases para o retorno presencial e é complementada pelos planos de contingência de cada câmpus, que preveem as regras locais para circulação de pessoas.

Protocolos de segurança

São as orientações para que você, uma empresa, um setor ou um Estado evitem a proliferação do Sars-Cov-2. Por exemplo: a medição da temperatura e o uso do álcool gel na entrada de supermercados, a proibição de uso de piscinas em hotéis em alguns momentos críticos da pandemia ou o uso da máscara por todos e o distanciamento social são protocolos, alguns de responsabilidade de estabelecimentos comerciais, outros um compromisso de todos. Os protocolos mudam de acordo com a taxa de transmissão do vírus, as políticas públicas de combate à Covid em cada país e a evolução de pesquisas científicas sobre o assunto. Conheça alguns tipos de protocolos de segurança neste post sobre o setor da hospedagem e neste outro sobre os cuidados que devem ser tomados em casa quando há um morador com Covid-19.

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Quarentena

Tecnicamente, na definição da OMS, quarentena é a restrição de atividades ou separação de pessoas que não estão doentes, mas que possam ter sido expostas a uma doença grave ou agente infeccioso, com o objetivo de monitorar eventuais sintomas e fazer a detecção precoce dos casos. Porém, na pandemia de Covid-19 o sentido da palavra quarentena vem sendo modificado com o uso cotidiano: ela já pode designar, num sentido mais amplo, o distanciamento resultante do afastamento das pessoas de suas atividades regulares. A professora da USP Adriana Zavaglia comenta que, inclusive, da palavra “quarentena” já derivam neologismos como “quarentenar” e “quarenteners” – termos que não necessariamente irão se perpetuar, mas hoje têm sentido específico no contexto da pandemia.

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Rastreamento de contato

Segundo a OMS, é o processo de identificação, avaliação e acompanhamento de pessoas que foram expostas à Covid-19 para prevenir a transmissão subsequente. Quando aplicado de forma sistemática, o rastreamento de contatos interromperá as cadeias de transmissão da doença sendo, portanto, uma ferramenta de saúde pública essencial no controle de surtos de doenças infecciosas. Vários países disponibilizam aplicativos de celular que notificam o usuário em caso de exposição ao vírus. No Brasil, o Ministério da Saúde lançou em julho de 2020, com essa finalidade, o Coronavírus-SUS, disponível nas plataformas Android e iOS.

Recuperados

O número de casos de Covid-19 recuperados é uma estimativa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde com base no tempo decorrido a partir do início dos sintomas e a evolução de cada caso. Entram no cálculo os pacientes que tiveram início de sintomas há pelo menos 14 dias, não evoluíram a óbito e não se encontram em internação hospitalar. Uma limitação a ser considerada nessa estimativa é o fato de ser possível a existência de pacientes que, mesmo se enquadrando nos critérios, ainda estejam em acompanhamento, assim como há a possibilidade de se atingir a recuperação antes do período de 14 dias.

Respirador

É o chamado ventilador mecânico ou respirador artificial. Há o respirador com máscara, que não é invasivo, e o ventilador de intubação, que utiliza cânulas (o circuito). O ventilador de intubação é utilizado quando a pessoa não consegue respirar sozinha e apresenta baixa saturação de oxigênio no sangue. Veja mais detalhes neste post.

Reinfecção

Um caso de Covid-19 é considerado suspeito de reinfecção apenas se o paciente apresentar dois exames positivos de RT-PCR no intervalo de 90 dias. Para confirmação, é preciso saber se o genoma viral das duas infecções é diferente ou se o paciente foi infectado com duas cepas diferentes do vírus. Veja mais detalhes neste post.

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Sars

É a sigla de severe acute respiratory syndrome, em inglês, ou “síndrome respiratória aguda grave”. Trata-se da doença respiratória causada pelo coronavírus Sars-Cov.

Sars-Cov-2

É o nome do coronavírus causador da Covid-19.

Sequelas

Defeito no funcionamento do organismo, ocasionado por uma doença. Por exemplo, a Covid-19 pode ocasionar uma inflamação nos pulmões, que pode resultar em uma fibrose e perda da capacidade pulmonar.

Síncrono, síncrona

Na Educação a Distância (EaD) ou em atividades não presenciais (ANP), é o tipo de interação na qual os estudantes e professores interagem ao mesmo tempo, em tempo real. Isso pode ocorrer por meio de chat, webconferência, aula on-line pelo Google Meet, MConf, Zoom ou outras ferramentas.

Sindemia

Neologismo que combina as palavras “sinergia” e “pandemia”. A pandemia já tem sido apontada por especialistas com o termo sindemia, porque sugere a sinergia de diversos fatores para determinar desfechos e os determinantes sociais - como as desigualdades e os fenômenos culturais - afetam em muito a situação de cada local em relação à infecção pelo coronavírus. Veja mais detalhes neste post.

SIM-P

Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica que tem sido associada temporalmente à Covid-19. Algumas crianças que contraem o coronavírus têm apresentado posteriormente essa doença. Veja mais detalhes neste post.

Sintomas persistentes ou recorrentes

Sintomas de uma doença que podem persistir além de sua da fase aguda, mesmo quando a pessoa não apresenta mais o vírus no organismo, ou tornar-se recorrentes, ou seja, eles reaparecem mesmo sem a pessoa ter sido reinfectada. Veja mais detalhes neste post.

Sistema imunológico

É a proteção natural do corpo contra agentes invasores como vírus, bactérias e fungos. É composto por diferentes células e moléculas. Neste vídeo da Fiocruz, especialistas falam sobre o seu funcionamento.

SRAG

Síndrome Respiratória Aguda Grave. É a nomenclatura adotada pelo Ministério da Saúde para definir a forma grave das síndromes gripais, que podem levar a óbito. É ocasionada por vários tipos de vírus, como o Sars-Cov-2, H1N1, Influenza e outros vírus respiratórios.

SUS

Sistema Único de Saúde é o sistema público de saúde brasileiro criado com a Constituição de 1988.

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Taxa de transmissão

Chamada de R, é calculada usando modelos matemáticos e serve para acompanhar o nível de transmissão do vírus. O chamado R zero (R0) seria a taxa inicial, ou seja, quantas pessoas alguém que está contaminado pode infectar sem qualquer medida de combate. Pesquisadores indicam que o R0 da Covid é de 2,4 a 3,3 - o que significa que uma pessoa passa o vírus a outras duas ou três. Veja mais detalhes neste post.

Termômetro

É o instrumento utilizado para aferir a temperatura corporal e identificar se a pessoa está com febre. Há três tipos de termômetros: o de mercúrio, que vem sendo cada vez menos utilizado em função de seu conteúdo ser potencialmente tóxico; o digital, indicado para uso doméstico e de fácil manuseio; e o digital de infravermelho, que se tornou mais conhecido com a pandemia de Covid-19 em função da facilidade de medição e também pelo fato de não exigir contato físico na operação. É importante ressaltar que o termômetro de infravermelho não provoca dano nenhum à saúde e que, para que a aferição seja precisa, a forma correta de operá-lo é sempre de acordo com a recomendação dos fabricantes, ou seja, apontando o raio para a testa da pessoa que será examinada. Veja mais detalhes neste post.

Testagem em massa

É uma estratégia de saúde pública que realiza uma grande quantidade de exames na população, mesmo em pessoas que não estejam com sintomas, para identificar casos pré-sintomáticos ou assintomáticos e, assim, evitar o contágio de outras pessoas mantendo os doentes em isolamento. A testagem em massa não é suficiente para conter a pandemia sem a adoção de outras medidas, como o uso de máscaras faciais, o distanciamento físico e social e a higienização das mãos, mas demonstrou resultados efetivos nos países em que foi realizada. O Brasil, contudo, não realizou testagem em massa em sua população. Veja mais detalhes neste post.

Teste PCR

Quando você ouve que alguém fez o teste PCR para confirmar ou não uma suspeita de Covid-19, o exame em questão é o RT-PCR, ou reverse transcription polymerase chain reaction (“reação da transcriptase reversa seguida pela reação em cadeia da polimerase). Ele é considerado “padrão ouro” ou “padrão de referência” e é capaz de identificar a doença a partir do segundo ou terceiro dia de início dos sintomas, até o final da doença. Por pesquisar a presença do vírus no organismo, é chamado de método direto. A coleta do material para análise é feita pela inserção de uma haste longa de algodão (swab) pelo nariz ou garganta do paciente. Veja mais detalhes neste post.

Teste rápido

Os exames que utilizam métodos indiretos para a detecção da Covid-19 são chamados testes rápidos, que geralmente permitem verificar o resultado em poucos minutos. Eles fazem a pesquisa de anticorpos IgG e IgM no soro sanguíneo, permitindo identificar o tempo de desenvolvimento da doença. Os testes rápidos tipo Elisa, menos usuais, também identificam anticorpos IgA em amostras de secreções. Veja mais detalhes neste post.

Trabalho remoto

É o termo designado para definir o trabalho realizado fora da sede da organização, de forma remota ou a distância. Também pode ser chamado de teletrabalho, uma vez que o colaborador atua de forma não presencial na empresa, ou de home office, já que por vezes o trabalhador realiza as atividades de sua casa.

Transmissão comunitária

Ocorre quando as autoridades de saúde não conseguem mais rastrear o primeiro paciente que originou as cadeias de infecção da doença, ou quando esta já envolve mais de cinco gerações de pessoas. É diferente de casos importados, quando a pessoa se contamina em viagens no exterior, e da transmissão local, quando alguém é contaminado por alguém que, por sua vez, ficou doente fora do país e veio para o Brasil com a infecção. Na transmissão comunitária, o vírus encontra-se mais disseminado e isso demanda cuidados mais efetivos. No Brasil, o Ministério da Saúde emitiu portaria decretando estado de transmissão comunitária em 20 de março de 2020.

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UTI

Sigla de Unidade de Terapia Intensiva. São as áreas dos hospitais voltadas aos pacientes que necessitam de cuidados intensivos, equipadas com aparelhos específicos e operadas por profissionais especializados. Nas UTIs são atendidos os casos mais graves de Covid-19. Neste post nós explicamos como funcionam as UTIs.

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Vacina

Composto biológico que fornece imunidade para uma doença, no caso a Covid-19. O objetivo é colocar no corpo humano algo que simule um ataque viral e faça o organismo produzir anticorpos. Assim, quando a pessoa for realmente infectada pelo vírus, ela estará protegida, porque o corpo tem uma memória celular provocada pela vacina. As vacinas podem utilizar o próprio vírus (o Sars-Cov-2) inativado ou enfraquecido; vetores virais, que usam um vírus que foi geneticamente modificado; RNA ou DNA geneticamente modificado para gerar uma proteína; ou fragmentos de proteínas. Veja mais detalhes neste post.

Variante

É o vírus que sofreu uma mutação. Isso é comum ocorrer, porque à medida em que ele vai se replicando, suas sequências genéticas sofrem alterações. E quanto mais o vírus circula entre a população, mais mudanças ele sofre. Em pouco mais de um ano de pandemia do Sars-Cov-2 já foram descobertas mais de mil variantes. No entanto, isso não significa que todas são mais fortes ou mais transmissíveis que o vírus original. Veja mais informações no site da Fiocruz.

Ventilador pulmonar

Sinônimo de respirador. É o chamado ventilador mecânico ou respirador artificial. Há o respirador com máscara, que não é invasivo, e o ventilador de intubação, que utiliza cânulas (o circuito). O ventilador de intubação é utilizado quando a pessoa não consegue respirar sozinha e apresenta baixa saturação de oxigênio no sangue. Veja mais detalhes neste post.

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Webinário

Termo adaptado do inglês webinar (“web based seminar”), ou, em português, mixagem das palavras “web”, em inglês, e “seminário”, em português. Designa um seminário realizado com transmissão on-line, geralmente com finalidade educativa ou comercial. O termo webinário consta no projeto Novas Palavras da Academia Brasileira de Letras.

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Qual a importância da dose de reforço da vacina?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 26 out 2021 14:41 Data de Atualização: 25 nov 2021 15:08

O Ministério da Saúde anunciou em meados de agosto uma mudança no plano de imunização contra a Covid-19, com a aplicação de doses de reforço para pessoas idosas (com mais de 70 anos) e pessoas com alto grau de imunossupressão. Posteriormente, o público prioritário para esse reforço foi ampliado para aqueles com mais de 60 anos, além dos profissionais da área da saúde.

Os serviços locais de imunização contra a Covid-19 tiveram então que incluir, nos seus cronogramas, também esses públicos que devem receber a dose de reforço. Mantendo a rotina de vacinação dos grupos anteriores, organizados por idade, que na maior parte do país já atingiu o público adolescente.

Em 16 de novembro, o Ministério da Saúde anunciou a decisão de aplicar a dose de reforço para todas as pessoas com mais de 18 anos, independentemente de fator de risco. Em Santa Catarina, a dose passou a ser ofertada em 20 de novembro para a população maior de 18 anos com esquema vacinal completo. (Texto atualizado em 25/11/2021)

Neste post, explicamos o que é a dose de reforço e os motivos pelos quais ela não deve ser compreendida como uma “terceira dose” da vacina contra a Covid-19. Buscamos entender também quais são as especificidades que justificam a necessidade dessa dose extra, em especial nos grupos de idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde.

Prossiga com a leitura para entender:

- Por que o Ministério da Saúde resolveu recomendar a dose de reforço;
- Quais são os grupos prioritários para receber essa dose;
- Qual a diferença entre dose de reforço e terceira dose;
- Como a adesão dos públicos prioritários à dose de reforço pode contribuir para o controle da pandemia;
- Se há necessidade de cuidados especiais em relação à dose de reforço, ou ocorrência de reações adversas;
- As ponderações da Organização Mundial da Saúde (OMS) em relação à aplicação da dose de reforço neste momento da pandemia;
- A necessidade da manutenção das medidas de prevenção (máscaras, higiene das mãos, distanciamento físico) mesmo com o avanço da vacinação.

Por que a dose de reforço foi recomendada pelo Ministério da Saúde?

A decisão de recomendar a dose de reforço para pessoas idosas e imunossuprimidas foi anunciada pelas autoridades de saúde em meados de agosto. Na prática, isso significou uma nova etapa na campanha nacional de imunização contra a Covid-19, que teve início em janeiro deste ano. O aparecimento de variantes do vírus Sars-Cov-2 e o maior risco de contágio por pessoas dos grupos definidos como prioritários foram os motivos que levaram o Brasil a aderir à estratégia. Outros países também vêm aplicando doses de reforço para grupos específicos nos últimos meses.

Quais são os grupos que devem receber a dose de reforço? E por que motivos?

Idosos com mais de 60 anos, pessoas imunossuprimidas e profissionais da área da saúde são os três grupos que devem procurar os locais de vacinação para receber a dose de reforço. No caso dos idosos e dos profissionais da saúde, eles devem ter recebido a segunda dose da vacina há pelo menos 6 meses. Já os imunossuprimidos devem dar intervalo de 28 dias entre a segunda dose e a dose de reforço.

De acordo com a enfermeira Sandra Regina da Costa, que coordena o programa de vacinação contra a Covid-19 da Prefeitura de Florianópolis, o objetivo da dose de reforço é dar um novo estímulo para a formação de anticorpos em organismos que já passaram por esse processo com a aplicação das duas doses (ou, no caso da vacina da Janssen, da dose única), mas que, com o tempo, têm essa imunidade em queda. No caso dos idosos, observou-se uma diminuição no nível de anticorpos alguns meses após a imunização, o que deixou as pessoas mais suscetíveis a contrair a doença – inclusive com casos agudos que demandavam internação ou, até mesmo, levavam a óbito. Ela menciona que foram registrados surtos de Covid-19 em instituições de longa permanência, o que acendeu o alerta entre as autoridades municipais da saúde.

O sistema imunológico dos imunossuprimidos, por sua vez, se comporta de forma diferente quando recebe vacinas, na comparação com pessoas não imunossuprimidas. Para entender melhor a importância da dose de reforço nesse grupo, é preciso compreender também o que provoca a condição de imunossupressão. Como explica o médico reumatologista Diego Vinícius de Magalhães, a imunossupressão pode se dar em função do uso de medicamentos para tratar doenças autoimunes ou neoplasias. No caso das doenças autoimunes, os anticorpos formados pelo organismo atuam contra estruturas do próprio corpo, não reconhecendo o que é benigno, e isso desencadeia uma cascata de reações inflamatórias. O tratamento dessas doenças é feito com medicamentos imunossupressores, que controlam a resposta “equivocada” dos anticorpos e, em decorrência, a inflamação sistêmica. 

“Quando a gente faz esses medicamentos, eles atuam de várias formas, diminuindo a ação do sistema imunológico e afetando também a resposta desse sistema imunológico a uma vacina que é administrada”, explica Diego. Nos organismos em imunossupressão, a resposta à vacina pode equivaler à metade da resposta observada em pessoas que não têm essa condição. “Em vez de produzir 20x de resposta à vacina, esse paciente produz 10x. Então eles precisam de uma dose de reforço para fazer com que sua resposta vacinal, a sua produção de anticorpos após a administração da vacina, seja efetiva”, acrescenta.

A dose de reforço para os profissionais da saúde se justifica em função da contínua exposição dessas pessoas à Covid-19 em suas atividades de rotina. “O profissional de saúde acaba tendo contato com muitas pessoas, e até mesmo pessoas que às vezes nem sabem que estão com Covid, que são os assintomáticos. E também pelos procedimentos que faz no atendimento, como procedimentos invasivos, intubação, atendimento odontológico”, observa a enfermeira Sandra. 

É dose de reforço ou terceira dose? Tecnicamente, qual a diferença?

Claro que, na prática, alguém que tenha tomado duas doses de vacina e receba uma dose de reforço pode dizer que tomou uma “terceira dose”. Porém, na área da saúde há diferença, e não se trata apenas de enumerar as aplicações. De acordo com a enfermeira Sandra Regina da Costa, que atua na Prefeitura de Florianópolis desde 1992 e tem larga experiência com imunização, a dose de reforço é um “booster”, um impulsionador da imunidade aplicado em quem já completou o ciclo vacinal.

O ciclo vacinal da maior parte das vacinas contra a Covid-19 utilizadas no Brasil compreende duas doses – caso dos imunizantes da Coronavac, Astrazeneca e Pfizer. Já o ciclo vacinal do imunizante da Janssen é considerado completo com apenas uma aplicação. Mesmo assim, quem tomou vacina da Janssen e está nos grupos prioritários deve fazer a dose de reforço. “A dose de reforço é exatamente isso, ela funciona com um efeito booster, para tentar uma elevação de anticorpos nesse público”, ressalta Sandra.

Para incrementar a imunização nesses públicos, a dose de reforço, por regra, é feita com o imunizante da Pfizer, mesmo que o ciclo inicial tenha sido feito com vacinas Coronavac, Astrazeneca ou Janssen. Quem fez o ciclo inicial com duas doses da Pfizer pode receber a dose de reforço da mesma vacina ou de outro fabricante. De a acordo com a coordenadora do programa de vacinação em Florianópolis, a alternância é uma tentativa de provocar uma alta formação de anticorpos em quem recebe a dose de reforço. 

A vacinação dos grupos prioritários com a dose de reforço pode contribuir para o controle da pandemia de Covid-19?

O objetivo primário da vacinação é evitar que as pessoas tenham formas graves da doença, o que geralmente pode levar à hospitalização e, muitas vezes, à morte. Porém, como explica o médico reumatologista Diego Vinícius de Magalhães, a vacinação também tem o objetivo de diminuir a circulação do vírus Sars-Cov-2 e controlar a pandemia. Como foi observada uma tendência no aumento de casos de Covid-19 entre pessoas idosas e imunossuprimidas, a estratégia de administrar uma dose de reforço visa deixar esses grupos menos suscetíveis à doença, ao atingirem uma resposta imunológica adequada à vacinação. E isso, somado às demais estratégias, poderá contribuir para controlar a pandemia.

Porém, além da adesão dos grupos prioritários à dose de reforço, é essencial que a população complete seu esquema vacinal, aplicando as duas doses da vacina – quando o imunizante disponível é Coronavac, Astrazeneca ou Pfizer. “Para ter uma situação epidemiológica satisfatória, é preciso ter uma cobertura vacinal alta e homogênea. Não se pode perder o foco na segunda dose”, afirma a enfermeira Sandra. A vacina da Janssen é de dose única e tem sido recebida em menor quantidade pelos municípios, explica. Por isso, as doses desse fabricante são reservadas para situações específicas, como pessoas em situação de rua ou moradores de locais extremamente isolados. Para a maior parte da população, portanto, o ciclo vacinal só fica completo com a aplicação de duas doses.

-> Saiba mais sobre as vacinas utilizadas no Brasil

A estimativa é que uma população com 75% das pessoas imunizadas seja o quadro favorável para controlar a pandemia. No Brasil, atingiu-se 50% da população com o ciclo vacinal completo (duas doses das fabricantes Coronavac, Astrazeneca e Pfizer ou dose única da Janssen) em 20 de outubro. De acordo com os dados do Ministério da Saúde, na data de publicação deste post (26 de outubro), 115 milhões de pessoas (54% da população) haviam recebido o ciclo vacinal completo no Brasil. “É importante que tenha a dose de reforço, mas é preciso entender que as pessoas precisam tomar a segunda dose”, salienta Sandra.

Estou no grupo prioritário para tomar a dose de reforço. Preciso tomar algum cuidado? Posso ter reações adversas?

Não é incomum que as pessoas tenham medo de injeções e também sintam receio de possíveis reações adversas provocadas pelas vacinas. A imunização em duas doses com as vacinas mais comuns no Brasil provocou poucos efeitos adversos, como relata a enfermeira Sandra Regina da Costa, com raros casos de maior gravidade. Os relatos dão conta de efeitos mais perceptíveis entre as pessoas que tomaram as doses da Astrazeneca, de acordo com ela. Uma leve dor no local de aplicação, principalmente quando a injeção é feita no braço, é queixa recorrente da maior parte dos vacinados, tanto na primeira quanto na segunda dose.

Ao longo do primeiro mês de aplicação da dose de reforço em Florianópolis, segundo Sandra, os relatos de reações ou sintomas foram bastante raros e equivalentes ao ocorrido com quem tomou as duas doses. “Observamos muito pouco, às vezes relatos de dor de cabeça leve, um pouco de fadiga, cansaço, sintomas que chegam a durar duas ou três horas apenas”, diz a enfermeira. Nos raros casos em que a vacina provoca sintomas que, mesmo leves, dificultam as atividades do dia a dia, a recomendação de Sandra é que se faça repouso.

Uma alternativa para quem tem receio da dor no braço que pode ocorrer após a vacinação é que a aplicação da dose seja feita na região ventroglútea, recomenda Sandra. Nessa região o músculo é maior, e isso facilita a absorção das substâncias injetadas, o que tende a provocar menos dor. “No sistema drive thru é mais prático aplicar no braço, e muitas vezes as pessoas não gostam da aplicação na nádega porque é preciso abaixar um pouco a calça, mas o primeiro local de escolha para qualquer injeção intramuscular deve sempre ser a região ventroglútea, onde a absorção é melhor e provoca menos dor”, ressalta a enfermeira.

Os imunossuprimidos que estão nessa condição por conta da utilização de medicamentos imunossupressores também devem ficar atentos ao tempo de intervalo recomendado entre o uso da medicação (que, no caso dos imunobiológicos, geralmente é via intravenosa) e a aplicação da vacina. Isso porque, como explica o reumatologista Diego Vinícius de Magalhães, o medicamento pode interferir na produção de anticorpos esperada com a aplicação da vacina. “Mas isso depende do medicamento que o paciente está utilizando e do grau de imunossupressão”, observa, acrescentando que as pessoas desse grupo devem sempre buscar orientação de seu médico antes de fazer qualquer tipo de vacina. “Pode haver casos em que é possível suspender por algum tempo o medicamento para que a resposta da vacina seja adequada, mas muitas vezes a situação do paciente é tão grave que ficar sem medicação pode representar risco de morte. Então essa é uma decisão compartilhada entre médico e paciente”, explica Diego.

O reumatologista ressalta também que, embora precise haver esse cuidado, a vacina contra a Covid-19 pode ser administrada com segurança em pessoas imunossuprimidas. Isso porque ela é feita com vírus inativado, ou seja, os “pedacinhos” de vírus usados na composição estão mortos, o que não representa risco. Já as vacinas com vírus atenuado, como é o caso do imunizante contra a febre amarela, não devem ser aplicadas em organismos em imunossupressão. “Se administrada num paciente imunossuprimido, a vacina com vírus vivo atenuado pode representar risco de que a pessoa desenvolva a doença ou tenha uma resposta vacinal grave”, detalha o médico.

-> Saiba mais sobre as vacinas contra a Covid-19 neste post
-> Entenda quais são os fatores de risco para a Covid-19

Qual a posição da OMS em relação à dose de reforço?

Perante uma série de países que passaram a administrar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 em grupos específicos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um pronunciamento no dia 10 de agosto, no qual faz várias ponderações em relação a essa estratégia. O órgão das Nações Unidas não faz objeções à iniciativa, desde que haja evidências científicas da necessidade desse reforço nos grupos prioritários. Porém, observa que a medida pode não ser pertinente levando-se em conta que, em muitos países, a vacinação com doses 1 e 2 anda a passos lentos.

“Oferecer doses de reforço para um grande número de pessoas, quando muitos ainda não receberam nem mesmo uma primeira dose, enfraquece o princípio de equidade nacional e global. Priorizar doses de reforço em relação à velocidade e amplitude da cobertura com dose inicial também pode prejudicar as perspectivas de mitigação global da pandemia, com implicações severas para a saúde e o bem-estar social e econômico das pessoas em nível global”, diz o documento da OMS, que pode ser lido na íntegra, em inglês, aqui.

“Essa consideração da OMS é muito importante, porque de fato temos países em que ainda não foi aplicada a primeira dose da vacina, inclusive na América Latina”, observa a enfermeira Sandra, coordenadora do plano de imunização de Florianópolis. “Nós sabemos que a dose de reforço tem justificativa científica, a estratégia foi adotada aqui, mas sempre é bom ter em mente que a vacina deve ser um patrimônio, que deve haver equidade. Enquanto a população mundial não tiver acesso, isso também é um problema nosso”, considera Sandra.

Estou vacinado, sou do grupo prioritário e já fiz a minha dose de reforço. Posso aposentar as máscaras?

Vamos com calma! O consenso entre as autoridades e profissionais da saúde é que, mesmo com a vacinação avançando, ainda não é possível deixar de lado os cuidados preventivos básicos. “Eu acho bastante importante sempre lembrar da importância do uso da máscara, da lavagem das mãos, do uso do álcool em gel, do distanciamento social. Receber a dose de reforço não significa que as medidas de proteção não precisam mais ser observadas”, alerta a enfermeira Sandra Regina da Costa, da Prefeitura de Florianópolis.

-> Leia nosso post sobre os diferentes tipos de máscaras faciais

-> Veja como higienizar corretamente as mãos

-> Cuide da sua saúde mental na pandemia: leia o que publicamos a esse respeito

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Como a telemedicina está nos ajudando na pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 28 set 2021 14:32 Data de Atualização: 28 set 2021 15:59

Desde o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, a Medicina e os serviços de saúde passaram por muitas mudanças. No post de hoje vamos falar sobre a telemedicina, uma modalidade de atendimento médico que vinha sendo estruturada no mundo todo e ganhou impulso durante a pandemia, com a necessidade de isolamento social e o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação.

Quando falamos em telemedicina, estamos nos referindo a uma série de serviços, que vão do diagnóstico ao receituário médico. O ponto que gera mais polêmica, no entanto, é a teleconsulta, a possibilidade de o médico atender o paciente a distância.

O tema envolve aspectos políticos, financeiros e de classe profissional. Empresas operadoras de planos de saúde e healthtechs (tecnologia em saúde) veem na possibilidade da teleconsulta um nicho lucrativo de mercado, oferecendo um serviço ágil, prático, econômico e mais acessível. Em paralelo, entidades médicas buscam coibir abusos por meio da regulamentação, visando a qualidade do atendimento e a segurança de dados do ato médico, protegendo assim pacientes e profissionais.

Em abril de 2020, o Governo Federal promulgou a Lei 13.989/20, autorizando a telemedicina em caráter emergencial durante a pandemia. Paralelo a isso, há projetos de lei no Congresso Nacional sobre a prática, além do trabalho do Conselho Federal de Medicina (CFM), responsável por redigir uma regulamentação para o setor.

No post de hoje, abordamos questões técnicas e políticas com um representante do setor privado de empresas de telemedicina, com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Catarinense de Medicina (ACM) para responder às seguintes dúvidas: 

  • - O que é telemedicina?
  • - Como a telemedicina vem contribuindo para o enfrentamento da pandemia?
  • - Quais as vantagens e desvantagens do uso da telemedicina?
  • - Quais os cuidados com o sigilo dos dados do paciente?
  • - Quais as dicas para o paciente no atendimento de telemedicina?
  • - Como está o processo de regulamentação?
  • - A primeira consulta deve ou não ser presencial?
  • - O médico de um estado pode atender o paciente de outra região via telemedicina?
  • - Qual a diferença do atendimento por telemedicina via Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada de saúde?
  • - Como é o atendimento em Santa Catarina?
  • - Como é a situação em outros países?

O que é telemedicina?

A Lei 13.989/20 define como telemedicina “o exercício da medicina mediado por tecnologias para fins de assistência, pesquisa, prevenção de doenças e lesões e promoção de saúde”. A Saúde Digital Brasil (SDB) – Associação Brasileira de Empresas de Telemedicina e Saúde Digital utiliza a definição da Associação Médica Mundial (AMM) para explicar o que é telemedicina: “é a prática da Medicina a distância, em que os procedimentos, o diagnóstico, as decisões terapêuticas e as recomendações subsequentes de tratamento se baseiam nos dados dos pacientes, documentos  e outras informações transmitidas por sistemas de telecomunicação”.

Para o vice-presidente do CFM e coordenador da Comissão Especial que trata da regulamentação do tema, o médico Donizetti Dimer Giamberardino Filho, a telemedicina não é uma nova Medicina, mas uma forma de exercê-la utilizando-se ferramentas de comunicação. “É mais uma tecnologia entre muitas que nós temos disponíveis. A telemedicina tem muitas modalidades, ela pode ser ao mesmo tempo síncrona e on-line ou assíncrona off-line”. Ele explica também que o médico tem a opção de realizar o atendimento híbrido, ou seja, usar a teleconsulta em apenas uma parte do atendimento, como ver exames, realizar orientações e acompanhamentos.

Como a telemedicina vem contribuindo para o enfrentamento da pandemia?

Segundo dados de uma pesquisa realizada pela SDB com seus associados, que representam 90% do mercado privado de telemedicina, o uso da tecnologia salvou mais de 75 mil vidas entre 2020 e 2021. Mais de 7,5 milhões de atendimentos foram realizados, por mais de 52,2 mil médicos, via telemedicina no Brasil. Desses atendimentos, 87% foram as chamadas “primeiras consultas”, evitando 6,5 milhões de idas desnecessárias ao pronto-socorro e permitindo identificar por meio de exames a necessidade de um atendimento em uma unidade hospitalar. Cerca de 1% dos atendimentos foram de casos de risco de morte para Covid-19, que puderam ser encaminhados ao serviço médico de emergência.

O presidente da entidade, Eduardo Cordioli, acrescenta que o índice de resolutividade dos atendimentos foi de 91%, “ou seja: os pacientes tiveram seu problema resolvido por meio da telemedicina e não precisaram recorrer ao pronto-socorro em segunda instância”. No início da pandemia, segundo a SDB, a maioria dos pacientes que buscavam a telemedicina era por suspeita de Covid-19. Com o tempo, o atendimento foi se estendendo para outras doenças.

Para o vice-presidente da Associação Catarinense de Medicina (ACM), médico André Sobierajski dos Santos, os atendimentos a distância estão sendo fundamentais durante a pandemia, especialmente para pessoas que não podem sair de casa e para quem foi contaminado pelo vírus e precisa de orientações. “Eu como neurologista, por exemplo, vejo muitos pacientes de idade mais avançada, e vários não tinham coragem de sair de casa, mas precisavam entrar em contato com o médico, receber as receitas dos remédios. Nesse aspecto, a teleconsulta, a telemedicina foi fundamental, mas eram pacientes que eu já conhecia, já tinham sido examinados”. O médico destaca ainda a necessidade de usar a teleconsulta com cautela, para que seja realizada de forma segura para o paciente.

O vice-presidente do CFM tem opinião semelhante. Para ele, a liberação do uso da telemedicina durante a pandemia “foi algo feito porque era o que podia ser feito, com uma doença desconhecida, que não existe um tratamento específico para ela, só das complicações, e que o distanciamento social se revelou uma poderosa arma, juntamente com o uso de máscara e higienização das mãos. Então, com o distanciamento social, o acesso da população à saúde através da telemedicina se impôs, houve essa sensibilização”.

Quais as vantagens e desvantagens do uso da telemedicina?

A telemedicina e suas modalidades, especialmente a teleconsulta, é algo que veio para ficar. Evitar deslocamentos desnecessários, economizar recursos e levar atendimento a locais que não teriam acesso ao serviço médico ou a determinadas especialidades médicas são algumas vantagens apontadas por nossos entrevistados. Melhorias na comunicação via internet, computação em nuvem, inteligência artificial e a implantação do 5G são algumas das ferramentas que permitem a expansão do serviço.

Porém, a telemedicina tem suas limitações: em muitos casos, ela não substitui a consulta convencional, na qual o médico precisa examinar o paciente. Giamberardino Filho, do CFM, preocupa-se com a telemedicina sendo utilizada como “substituta” a investimentos em infraestrutura de saúde e contratação de médicos. Ele também chama a atenção para as diferenças regionais, geográficas e culturais: os pacientes têm diversos graus de entendimento e facilidade no uso da tecnologia, o que também pode impactar na qualidade do atendimento.

Quais os cuidados com o sigilo dos dados do paciente?

Recentemente, entraram em vigor no Brasil o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). São normas que impactam a telemedicina, no sentido de garantir a privacidade e segurança de dados do paciente.

Segundo a SDB, ao utilizar qualquer serviço relacionado à telemedicina, o profissional precisa pedir autorização para o paciente antes que ele impute algum dado, explicando que esta informação será usada para manejo de sua saúde e mantendo anônimos os dados sempre que forem usados para análises gerenciais.

Giamberardino Filho lembra que o Código de Ética Médica é bem claro quanto ao sigilo profissional, sendo que a LGPD veio aumentar as exigências. O profissional que optar pela telemedicina deve utilizar plataformas e programas de prontuários eletrônicos que garantam esse sigilo, bem como o arquivamento correto das informações.

Quais as dicas para o paciente no atendimento de telemedicina?

O paciente atendido pelo serviço de telemedicina, seja por planos de saúde ou particular, deve estar ciente que se trata de um ato médico, portanto sujeito a cobrança como qualquer outro procedimento. Assim, o paciente deve estar ciente se o convênio cobre esse tipo de atendimento. A ACM disponibiliza, em seu site, algumas dicas para profissionais de Medicina para realização da teleconsulta. 

Tanto para atendimentos privados quanto pelo SUS,  as orientações mais importantes são avisar o paciente sobre as limitações desse tipo de atendimento, solicitar o consentimento do paciente, arquivar corretamente a gravação da teleconsulta, encaminhar paciente para atendimento de urgência, se necessário, e proceder a entrega da receita médica ou exames, seja por meio eletrônico ou por entrega física, em envelope devidamente lacrado. 

-> Para saber mais, acesse o site da ACM.

Como está o processo de regulamentação da telemedicina?

Apesar de haver uma legislação federal autorizando a utilização da telemedicina no Brasil, em caráter emergencial, ainda se discute a regulamentação da atividade e uma legislação definitiva.

O CFM já tinha uma resolução sobre a telemedicina e que foi revogada no início de 2019, “o que se revelou um grande erro, pois ela estaria pronta para a pandemia”, segundo Giamberardino Filho. Em 2020, o Conselho criou uma Comissão responsável por redigir uma nova resolução. Para isso, estão sendo realizadas consultas públicas com entidades médicas e reunidas contribuições, que serão levadas à assembleia da entidade. O vice-presidente Giamberardino Filho lembra, porém, que “mesmo que a gente aprove a resolução agora, ela só vai valer quando essa lei se extinguir, ao término da emergência sanitária. Assim, mesmo que publicarmos nossa resolução, ela não entraria em vigor, seria como um manual de boas práticas”.

Ao mesmo tempo, há projetos de lei em andamento no Congresso Nacional que visam substituir a legislação em vigor. Alguns projetos ampliam o escopo de atuação da telemedicina para a telessaúde, o que englobaria outras atividades profissionais ligadas à área, não só a Medicina (Fisioterapia, Farmácia, Odontologia, entre outros). “Ao falar em telessaúde estamos falando em todas as profissões, aí fica mais complexo. O CFM foi sempre mais restritivo que outros conselhos. Não estou dizendo que os outros não fiscalizam, mas somos muito mais de vedação do que eles. Aí, seria uma lei única para todos, e isso é motivo de preocupação”, destaca o médico. 

Veja o vídeo do primeiro vice-presidente do CFM, Donizetti Dimer Giamberardino Filho, sobre a telemedicina e sua regulamentação:

O vice-presidente da ACM, André Sobierajski dos Santos, enfatiza que a posição da ACM é “estar aberta a essas novas tecnologias, mas nunca esquecendo que o ato médico é completo quando ele tem a história do paciente, a anamnese e o exame físico”. Dos Santos afirma que as entidades médicas estão participando pouco da nova resolução e defende que o debate deveria ser mais amplo. Ele destaca que a primeira preocupação em qualquer legislação ou regulamentação deve ser a segurança do paciente.

Veja a explicação detalhada no vídeo:

A primeira consulta deve ou não ser presencial?

Um dos pontos polêmicos da regulamentação da telemedicina no Brasil diz respeito à primeira consulta, se esta deve ser obrigatoriamente presencial ou deve ficar a critério do médico e do paciente. O setor empresarial defende que a primeira consulta possa ser realizada a distância, enquanto as entidades médicas têm resistência a essa proposta.

Para a ACM, a primeira consulta deveria ser presencial, assim como a maioria dos atendimentos. “Vou dar um exemplo de um paciente que me procura por dor de cabeça. Se eu não o examino, posso correr o risco de perder o diagnóstico por tumor cerebral. Então, por segurança do paciente, espero que tenha essa obrigatoriedade da primeira consulta, ou consulta presencial de tempos em tempos. Mas não sei te dizer como isso vai ser regulamentado”, explica dos Santos.

No âmbito do CFM, Giamberardino Filho informa que a Comissão que trata a telemedicina definiu previamente, e ainda necessita de avaliação em assembleia, que, salvo exceções de regiões consideradas remotas, se realize a primeira consulta de forma presencial e as demais em complementação em até 180 dias. Eventualmente, pode haver um atendimento híbrido, com uma entrevista inicial e pedido de exames e após uma consulta presencial para análise desses exames. 

Já a SDB, que representa as empresas do setor, acredita que a escolha deve ficar ao encargo do médico e do paciente, podendo a primeira consulta e as demais serem realizadas a distância. “Limitar a utilização da telemedicina, seja determinando quando ou não uma consulta pode acontecer a distância, ou então impedindo que médicos atendam por meio das plataformas tecnológicas pacientes de outros estados diferentes dos seus, não só deixa a saúde ainda mais vulnerável e anula as tentativas de levar cuidados a regiões até então pouco assistidas, como contradiz um dos princípios que norteiam a bioética médica”, ressalta o presidente da SDB, Eduardo Cordioli. “O que precariza a Medicina não é a telemedicina. O que precariza a atuação do médico não é a ferramenta utilizada. O que vulnerabiliza o médico é a existência de um mercado informal, uma regulamentação que não garanta a segurança e a dignidade no exercício da Medicina”, completa.

O médico de um estado pode atender o paciente de outra região via telemedicina?

Outro ponto polêmico em discussão é o atendimento regionalizado da Medicina. A legislação que regulamentou a prática do atendimento a distância durante a pandemia libera o médico para atender pacientes fora do estado onde tem o registro profissional. Atualmente, o CFM permite que um médico atue fora de seu estado de origem por no máximo 90 dias. O Comitê do CFM que prepara a nova regulamentação pretende propor que a primeira consulta seja no local de origem do médico, as demais podendo ser a distância. 

Giamberardino Filho vê resistência por parte das empresas prestadoras de serviço em telemedicina, porém, argumenta que as diferenças regionais devem ser respeitadas e que ainda não há um preparo dos profissionais para atuar com essa nova realidade. “Temos hoje cerca de 340 escolas médicas no Brasil e somente 12 têm conteúdo de informática e telemedicina. Não há um preparo para isso”, ressalta. Dos Santos, da ACM, acredita que possa haver um registro nacional, como o que já acontece com a receita médica, que antigamente valia por estado e hoje já tem validade ampliada. “Acho que vamos levar algum tempo para resolver esse impasse. Não vejo uma solução a curto prazo”, afirma.

A regulamentação da telemedicina deve levar em conta as especificidades de cada especialidade médica. A Psiquiatria, por exemplo, teria mais flexibilidade para realizar atendimentos a distância, enquanto outras especialidades, que dependem de exames físicos, como a Ginecologia, teria regras diferentes. Nesse caso, o CFM defende regulamentações complementares, de acordo com a especialidade. A Teleradiologia e a Telepatologia, por exemplo, já são regulamentadas.

Qual a diferença do atendimento por telemedicina via Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada de saúde?

As realidades das redes privadas e públicas de saúde quanto à implantação de novas tecnologias são bastante diferentes. Enquanto operadoras de saúde suplementar criam estruturas para atender clientes a distância, centralizando serviços e cortando custos, o SUS enfrenta as conhecidas dificuldades em atualização tecnológica e recursos financeiros.

Outra preocupação, segundo Giamberardino Filho, é a falta de atuação em rede no SUS, no qual o atendimento é focado nos municípios. Um sistema nacional, no entanto, necessita o olhar sobre as diferenças regionais: “É uma resolução que tem que atingir um país continental com suas diferenças, de Santa Catarina ao Amapá, tem que atingir do hospital universitário mais tradicional até a operadora mais agressiva comercialmente. Então, não é simples uma questão dessas. E tudo isso tem que ser feito baseado na segurança do paciente, na autonomia do médico e na manutenção da confiança entre médico e paciente. A tecnologia tem que vir para trazer benefícios, e não para substituir as pessoas”, completa.

Em maio de 2020, o Ministério da Saúde lançou o Consultório Virtual, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, via Proadi-SUS. A plataforma funciona como uma geradora de documentos: o profissional faz o atendimento a distância com o paciente nos canais de preferência, como telefone ou WhatsApp, e usa o Consultório Virtual para a emissão de receitas, prescrição de exames, entre outros. Para saber mais sobre a plataforma, acesse o site do Ministério da Saúde.

Como é o atendimento em Santa Catarina?

Em Santa Catarina, os serviços de Telemedicina prestados pelo SUS são distribuídos em quatro linhas de atuação, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (SES): 

  • - Telessaúde: telediagnóstico e teleconsultorias
  • - Telemedicina hospitalar: serviço de informatização de setores de exames de imagens de unidades hospitalares públicas
  • - Fornecimento de tecnologia: fornecimento de pacote tecnológico chamado Telemedicina aos municípios pactuados
  • - Informatização e suporte à regulação: informatização de serviços para integração de sistemas, agilidade e redução de custos

Em 2005, a partir de um projeto em parceria entre Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a SES, foi iniciada a Telemedicina em Santa Catarina. O projeto incluiu a oferta de serviço de Telediagnóstico em Eletrocardiograma (ECG) para os municípios catarinenses, a informatização de alguns setores hospitalares estaduais e a informatização de setores que realizavam exames de imagem, com objetivo de facilitar o acesso do cidadão a exames eletrofisiológicos e de imagem à distância. 

Em 2016, foi aprovada a deliberação 231/CIB/2016 que aprova o Serviço de Telemedicina no Estado de Santa Catarina, por meio do Portal do Sistema de Telemedicina e Telessaúde (STT), como ferramenta tecnológica para acesso a laudos de exames eletrofisiológicos e de imagem a distância e o Modelo Catarinense de Telediagnóstico (MCT), e tendo como setor responsável da Secretaria de Estado da Saúde a Central de Estadual de Telemedicina (CET). 

Outro serviço disponibilizado aos municípios é a tele-dermato, sendo que até hoje foram emitidos 160.156 laudos de dermatologia, além de mais de 2,2 milhões de laudos de ECG.

Como é a situação da telemedicina em outros países?

A Saúde Digital Brasil realizou um benchmarking com o objetivo de entender como outros países ao redor do mundo estão lidando com alguns pontos específicos relacionados a telemedicina.  O presidente Eduardo Cordioli explica que em muitos países quem regulamenta o setor é o Ministério da Saúde, sendo que no Brasil essa responsabilidade é do CFM. Ele cita como exemplos a Colômbia, Portugal, França e Reino Unido, todos países em que a prática da telemedicina já é regulamentada, permitindo o atendimento a distância em qualquer fase do tratamento, mesmo na primeira consulta. 

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IFSC VERIFICA

Como está sua saúde mental durante a pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 31 ago 2021 15:15 Data de Atualização: 01 set 2021 09:50

Há mais de um ano e meio estamos enfrentando a pandemia de Covid-19, que alterou radicalmente a vida da maioria das pessoas. Medo, incertezas, doença, luto, solidão, isolamento, mudança de rotina... como lidar com tantos sentimentos? E quem perdeu alguém por Covid-19? Só no Brasil, estamos falando de quase 580 mil famílias enlutadas - e este número continua crescendo.  E quem teve Covid-19? Estudos indicam que a doença pode afetar o organismo de forma sistêmica, inclusive com danos ao sistema nervoso, causando sintomas como ansiedade ou depressão. 

No mês de setembro é realizada a campanha  Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio. Aproveitamos o momento para conversar com especialistas sobre saúde mental e a pandemia e trazemos algumas reflexões sobre como lidar com sentimentos difíceis. Também trazemos informações para quem está passando pelos sintomas prolongados da Covid-19 e o benefício do exercício físico para estes casos.

Vamos falar sobre as seguintes questões:

- Como a pandemia afeta nossa saúde mental? Quais os principais sintomas?

- Problemas emocionais como ansiedade e depressão e problemas cognitivos, como falta de memória e concentração, podem ser sintomas persistentes da Covid-19?

- O distanciamento social tem algum impacto sobre nossa memória e atenção?

- Qual a importância do exercício físico na recuperação das pessoas que tiveram Covid-19?

- Qual faixa etária está apresentando mais sintomas de ansiedade e depressão durante a pandemia?

- Podemos dizer que o número de suicídios aumentou?

- Como lidar com o luto?

- O que fazer com a percepção de que nem todos enxergam a pandemia da mesma maneira e a raiva decorrente disso?

- Como voltar à normalidade sem medo?

- Quais as lições da pandemia?

Como a pandemia afeta nossa saúde mental? Quais os principais sintomas?

Se você está sentindo angústia, medo, raiva, ansiedade ou sintomas de depressão, você não está sozinho. Segundo o psicólogo Diogo de Oliveira Boccardi, esses sentimentos são comuns e até esperados em momentos difíceis. Dizer que uma pessoa goza ou não saúde mental é algo relacionado às expectativas que se tem sobre ela, sobre como se deve reagir em determinada situação. Para ele, “se as pessoas estivessem apáticas, passassem ilesas por este momento, eu acharia que elas não estão bem. Eu acharia um péssimo sinal que todo mundo estivesse tranquilo”. O profissional também questiona: “saúde mental é estar feliz apesar das circunstâncias, ou é estar reagindo de maneira congruente ao que as circunstâncias nos apresentam? Eu fico com a segunda definição, eu acho que o fato de as pessoas sofrerem nesse momento horroroso que a gente está vivendo é um bom sinal”.

Os sentimentos relacionados à ansiedade (pessimismo, choro fácil, fantasias trágicas, sensação de falta de controle), bem como os sintomas físicos, como taquicardia, insônia, entre outros, têm aumentado muito durante a pandemia, segundo Boccardi. Esse conjunto de sensações pode levar a pessoa a se sentir deprimida, o que é muito diferente da depressão em si, que é uma doença séria e que precisa de um diagnóstico específico.

Veja a explicação mais detalhada no vídeo:

 

-> Blog do IFSC: Como manter a saúde mental nesta pandemia?

Problemas emocionais como ansiedade e depressão e problemas cognitivos, como falta de memória e concentração, podem ser sintomas persistentes em quem teve Covid-19?

Desde o surgimento dos primeiros casos da Covid-19, há a preocupação com os sintomas persistentes (com duração maior que o período de infecção pelo vírus) e possíveis sequelas (danos permanentes). 

-> Acesse aqui o post sobre sintomas e sequelas da Covid-19

Além dos sintomas físicos, muitos pacientes têm relatado sintomas relacionados a problemas cognitivos (perda de memória, concentração, raciocínio) e emocionais, como ansiedade e depressão. Estudo do Instituto do Coração (Incor) realizado com pessoas que tiveram Covid-19 indicou que em 80% dos participantes da pesquisa o coronavírus “ocasionou dificuldade de concentração ou atenção, perda de memória ou dificuldade para lembrar-se das coisas, problemas com a compreensão ou entendimento, dificuldades com o julgamento e raciocínio, habilidades prejudicadas, problemas na execução de várias tarefas, mudanças comportamentais e emocionais, além de confusão”. Estudos internacionais, como o realizado na China, apontam para o mesmo caminho.

Em Santa Catarina, estudantes de Fisioterapia e Medicina da UFSC e Psicologia da Unisul desenvolvem, em Araranguá, projeto de pesquisa que estuda os efeitos do exercício físico em pacientes com sequelas de Covid-19, com foco nas duas principais sequelas, o cansaço e a falta de ar (dispneia). Os alunos também estudam os efeitos da doença nas funções cognitivas, como memória, e funções executivas, como raciocínio lógico. Também são investigados sintomas emocionais, como ansiedade e depressão. 

O professor e pesquisador da UFSC que coordena o Laboratório de Biologia do Exercício Físico (LaBioEx), Aderbal Silva Aguiar Júnior, explica que,  há pouco tempo, descobriu-se que o vírus Sars-Cov-2 infectava neurônios. Em análises post mortem e in vitro, foi constatado que o vírus induz o aumento, nos neurônios, de uma proteína chamada TAU, associada à demência do tipo Alzheimer. De acordo com o professor, o estudo realizado em Araranguá não analisa especificamente essa proteína, mas os sintomas neurológicos em pacientes com teste positivo para o Sars-Cov-2.  “O prejuízo cognitivo que vemos fica muito longe de uma demência, não incapacita as pessoas, mas são sintomas que atrapalham as atividades diárias”, explica.

O distanciamento social tem algum impacto sobre nossa memória e atenção?

Para o psicólogo Diogo Boccardi, há uma crença que as emoções atrapalham o nosso raciocínio lógico. Quando estamos muito emocionados ou tristes perderíamos a capacidade de produzir, trabalhar. Para o profissional, “isso não é 100% verdade”. O problema é “negarmos” as emoções e não entendermos como elas nos afetam. “Não vamos demonizar as emoções, vamos conviver com elas”, resume.

-> Blog do IFSC: As emoções da pandemia e como lidar com elas

Contudo, o maior impacto sobre nossa saúde mental na pandemia está relacionado ao empobrecimento das relações. “A maior parte das pessoas sentiu sua vida encolher nesse momento. Por isso, pode sentir mais cansaço e dificuldade de atenção. Muitas vezes, as dificuldades de memória não são específicas, mas é porque a pessoa não tem atenção, aí a memória não tem o que reter”, explica Boccardi. Porém, é possível ter uma rotina estimulante mesmo estando em casa: jogos eletrônicos, aprender coisas novas como idiomas, cozinhar, brincar com as crianças, interagir mesmo que on-line com os amigos. 

Ficar mais tempo em casa também tem reduzido o tempo de atividade física para muitas pessoas. Segundo o professor Aderbal Aguiar, da UFSC, isso tem um impacto negativo também na saúde mental. “Nós, seres humanos, somos feitos para nos movimentarmos. Somos os animais que melhor correm distância no mundo. A gente já tinha um problema de sedentarismo, que foi turbinado com o confinamento”, alerta. 

Segundo o professor, o exercício físico é antiestresse, antidepressivo e nootrópico (aumenta a concentração). Por isso, ter momentos para realizar atividades físicas, com distanciamento social e segurança, é imprescindível durante a pandemia.

Nós, seres humanos, somos feitos para nos movimentarmos. Somos os animais que melhor correm distância no mundo. A gente já tinha um problema de sedentarismo, que foi turbinado com o confinamento - Aderbal Aguiar, professor e pesquisador da UFSC

-> Veja como utilizar a máscara facial durante a atividade física

Qual a importância do exercício físico na recuperação das pessoas que tiveram Covid-19? 

O estudo desenvolvido pela equipe do professor Aderbal Aguiar em Araranguá tem constatado que o exercício também contribui na recuperação de diversos sintomas, como ansiedade, problemas cognitivos e de memória, dores, diminuição de força muscular, sintomas depressivos, entre outros. “Alguns dados preliminares indicam que conseguimos diminuir em até 90% essas sequelas”, destaca o professor.

Para as pessoas que estiverem com sequelas da Covid-19, ele indica procurar um fisioterapeuta. O tratamento não é tão complicado, envolve exercícios de força, esteira e alongamento. O que é importante é a intensidade do exercício e a avaliação do profissional. “Muitos pacientes desenvolvem sequelas cardíacas, então, o exercício deve ser feito com segurança. Esse talvez seja o principal resultado do nosso projeto, mostrar que o exercício é seguro e eficaz em aproximadamente 90%. Mas essa segurança vem do controle que temos durante o exercício”.

O professor Aderbal Aguiar preocupa-se especificamente com o atendimento de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele e sua equipe estão desenvolvendo um projeto em parceria com a prefeitura em Araranguá, financiado pelo Ministério da Saúde, para desenvolver uma metodologia, barata e eficaz, que possa ser implantada no SUS ou por qualquer profissional que queira utilizá-la, no Brasil ou no exterior. Uma experiência positiva já vem sendo desenvolvida em parceria com a prefeitura de Balneário Arroio do Silva. “Mesmo em uma cidade pequena foi possível implementar esse serviço”, destaca o professor.

Veja a explicação no vídeo:

 

Qual faixa etária está apresentando mais sintomas de ansiedade e depressão durante a pandemia?

No início da pandemia, os idosos foram muito afetados, de acordo com Boccardi. No decorrer da pandemia, ele observa, na própria prática clínica e no relato de colegas, uma maior incidência de problemas com os adolescentes, especialmente aqueles que estão concluindo o Ensino Médio, com preocupações relativas ao vestibular e complexidade dos conteúdos escolares frente ao “ensino remoto improvisado”. 

Ele ressalta, ainda, a preocupação com crianças até 10 anos de idade, pois a avaliação da saúde mental nessa faixa etária é bastante peculiar: “A gente não avalia a saúde mental dessas crianças olhando o presente. Em princípio, as crianças se adaptaram mais rápido que adolescentes e adultos, mas as reais dificuldades não vão aparecer imediatamente. Daqui a dois, três, cinco, ou até 10 anos, a gente vai descobrir que, talvez, as crianças sofreram até muito mais que outras faixas etárias”, alerta. 

Podemos dizer que o número de suicídios aumentou?

O psicólogo Diogo Boccardi diz que não é possível dizer que houve um aumento no número de suicídios durante a pandemia. As estatísticas existentes são escassas e não confiáveis e os estudos existentes são sobre situações específicas e pouco abrangentes. O que se sabe é que nos primeiros meses da pandemia pode ter havido uma redução no número de casos. “O que se imagina é que, por as pessoas estarem muito próximas, isso acabou inibindo muitas tentativas de suicídio, ou pelo menos o socorro está mais próximo”, explica o profissional. Por outro lado, em algumas famílias em que há violência doméstica, questões homofóbicas e outros tipos de conflito, alguns estudos mostraram tendência de aumento de casos de suicídio. 

De qualquer forma, não há um sistema confiável e abrangente de estatística, pois a notificação do óbito muitas vezes não indica o suicídio como causa. Além disso, a sobrecarga do sistema de saúde com a Covid-19 também pode ter contribuído para a subnotificação. “O que eu suspeito é que tenha havido um acréscimo nas tentativas, mas também não temos uma estatística sobre isso”, explica.

Segundo o psicólogo, é complicado perceber os “sinais” se uma pessoa está ou não em risco de suicídio. O importante é perceber se alguém próximo está sofrendo, perguntando e oferecendo ajuda. “Eu não subestimaria os contatos on-line. O on-line não é pior que o presencial, é preciso mostrar que se está disponível e atento, parar para conversar”, destaca.

Como lidar com o luto?

O luto vivenciado pela perda de pessoas com Covid-19 é bastante presente, e tem uma característica que o torna mais difícil: a impossibilidade de realizar despedidas e rituais funerários. “Quando a gente perde alguém muito importante, não é só aquele corpo que vai embora. Todas as possibilidades de futuro que a gente vislumbrava com aquela pessoa também desaparecem. É o presente que se fragmenta, mas também o futuro”, ressalta Boccardi. 

O que resta então para quem fica? O psicólogo orienta buscar as lembranças do passado, rever fotografias, vídeos, lembrar dos momentos bons vividos com a pessoa que se foi. Reunir os amigos e familiares mais próximos, mesmo que por videochamada, pode não substituir, mas oferecer uma oportunidade de despedida, de elaborar o luto, que foi privado pela pandemia. “Quando uma pessoa morre, a gente precisa repetir a mesma história, contar para as pessoas qual foi a última frase, o último encontro. A gente busca no passado, então, fazer isso em conjunto com a família, pode ajudar a atravessar essa perda”. Pode ser difícil em algumas situações, então, essa conversa pode ser “puxada” por quem se sentir mais disponível na família e, se necessário, um terapeuta.

-> Cuidado ao luto: projeto gratuito oferece acolhimento a quem perdeu alguém por Covid-19

O que fazer com a percepção de que nem todos enxergam a pandemia da mesma maneira e a raiva decorrente disso?

Para o psicólogo Diogo Boccardi, as relações interpessoais durante a pandemia estão extremamente violentas, na medida em que há um número de pessoas ignorando os riscos, expondo-se ao vírus e, consequentemente, expondo outras pessoas. Diante desses comportamentos, sentimentos como raiva e frustração são perfeitamente coerentes. 

Ao invés de tornar a raiva algo patológico, colocando a culpa em quem “sente” a raiva, é importante saber o que fazer com esse sentimento. “Engolir” a raiva não é a melhor solução, pois pode gerar ansiedade. Atitudes violentas ou ofensas nas redes sociais também não resolvem, não convencem ninguém. 

De acordo com Boccardi, ações coletivas são mais efetivas nesse momento. “A ideia é que quem tem raiva se reúna com quem tem raiva e pense em saídas coletivas. Nesse momento da pandemia, teríamos menos ansiedade se pudéssemos estar perto de quem sente isso, não só para fazer um grupo de suporte mútuo, mas pensar em alternativas, seja em pressão popular, ações de solidariedade com quem está com fome, doação de alimentos ou roupas. Se eu efetivamente participo de um grupo que organiza ações sociais, essa ‘pertença’ ao grupo vai servir para canalizar a revolta e diminuir a ansiedade”, ressalta. 

Para o profissional, “nem todas as pessoas precisam de terapia ou medicação”, mas se reunir para gerar mudanças na sociedade tem efeitos benéficos nos sintomas de ansiedade, insônia ou depressão. “Nesse momento, as saídas que temos de enfrentamento da pandemia não são exatamente mais atendimento especializado. Isso é uma das possibilidades, mas o que faria mais diferença seria as pessoas se mobilizarem de alguma forma”, finaliza.

Nesse momento, as saídas que temos de enfrentamento da pandemia não são exatamente mais atendimento especializado. Isso é uma das possibilidades, mas o que faria mais diferença seria as pessoas se mobilizarem de alguma forma - Diogo Boccardi, psicólogo

-> IFSC Verifica: Professoras destacam que é preciso pensar no outro

Como voltar à normalidade sem medo? 

Vamos ter dois estágios diferentes: nesse primeiro estágio de retorno às atividades, em que ainda há um grande número de contaminados e mortes, ainda será difícil as pessoas se habituarem, ficarem à vontade no transporte público ou no supermercado lotado, por exemplo. “Esse primeiro momento vai ser um período muito tenso”, prevê Boccardi. Ele observa que a volta ao trabalho presencial está sendo bastante angustiante para alguns pacientes. A saída, novamente, seria buscar soluções coletivas, com apoio mútuo, a solidariedade entre colegas, e a exigência do cumprimento dos protocolos de segurança pelas empresas. 

Em um segundo momento, quando tivermos menos vírus circulando e mais pessoas imunizadas, será mais fácil voltar ao normal. “Não sou pessimista de dizer que nunca mais vai voltar ao que era. Acho que algum momento vai voltar, mas não agora”, destaca.

Quais as lições da pandemia?

O psicólogo Diogo Boccardi elenca algumas lições que aprendemos com a pandemia:

- As coisas que a gente tem como certas na nossa rotina e na nossa organização social não são tão certas assim, precisamos lidar com o imprevisível;

- Precisamos estar atentos à nossa saúde e valorizar quem cuida dela. Aprendemos sobre a importância do SUS e a importância de investimentos no coletivo;

- Nos hábitos, passamos a valorizar mais o espaço doméstico. “Muita gente achava que não precisava cuidar e investir nas relações familiares. Se tinha um problema, podia sair, espairecer. Agora a gente percebeu o quanto a gente precisa cuidar disso, que as relações familiares são difíceis e precisamos investir nelas”;

- Pessoas que nunca passaram por quadros de ansiedade e tristeza perceberam que podem passar por isso, e podem ficar mais atentas ao sofrimento das pessoas próximas;

- Aumento da procura por tratamento psicológico. As pessoas ficaram mais atentas à saúde mental.

Veja o vídeo produzido pelo IFSC sobre as emoções durante a pandemia:

 

Setembro Amarelo

No mês de setembro, o Comitê de Direitos Humanos e os psicólogos do IFSC promovem a campanha “Precisamos falar sobre saúde mental”. Serão publicados a cada semana uma série de posts no Instagram do IFSC (@ifsc) em que serão abordadas questões referentes a estratégias para cuidar da saúde mental e em caso de sofrimento psíquico o que fazer e quem procurar. Além dessas publicações, estão previstas duas lives sobre o tema.

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IFSC VERIFICA

Como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 29 set 2020 07:59 Data de Atualização: 27 ago 2021 14:48

A disponibilização de leitos na rede hospitalar, em especial de unidades de terapia intensiva (UTI), para dar conta do atendimento dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é assunto que mobilizou o sistema de saúde ao longo deste ano, com a disseminação da pandemia.

Porém, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a necessidade de internação hospitalar em decorrência da doença seja restrita a cerca de 20% dos infectados. Isso quer dizer que a maioria dos pacientes de Covid-19 não precisa de internação e, portanto, pode se recuperar da doença em casa.

Neste post, nós vamos explicar que cuidados devem ser tomados pelas famílias, ou quaisquer grupos de pessoas que dividam uma mesma moradia, quando há, em casa, alguém com diagnóstico positivo de Covid-19. Vamos abordar o seguinte:

- Que sinais clínicos são levados em conta para que o paciente seja tratado sem internação hospitalar, e a que sintomas prestar atenção para identificar uma eventual piora no quadro;
- Como proceder quando o paciente está debilitado e precisa de auxílio;
- A importância de organizar e intensificar a rotina de higienização da casa, levando em conta uma eventual propagação do vírus;
- A necessidade de que a família mantenha contato constante com o serviço de saúde.

Quando a pandemia expõe a desigualdade social

A primeira orientação dos serviços e profissionais de saúde quando se trata dos cuidados domiciliares a pacientes com Covid-19 sempre é que essa pessoa fique isolada por no mínimo 14 dias. Isso significa sugerir que, se possível, o doente seja mantido sozinho em um cômodo separado, isolando-o dos demais moradores da casa. De preferência, que também seja destinado um banheiro para uso exclusivo dessa pessoa.

O problema é que essa possibilidade está muito distante de grande quantidade de lares brasileiros, já que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 12,8% da população tem condições inadequadas de moradia. Isso quer dizer que elas moram em domicílios que têm uma ou mais das seguintes inadequações: falta de banheiro exclusivo da casa (ou seja, o banheiro é compartilhado com outras residências); uso de materiais não duráveis nas paredes externas (como sobras de madeiras ou taipa não revestida); adensamento excessivo (mais de três pessoas para cada dormitório) e ônus excessivo com aluguel.

5,6% dos brasileiros vivem em condição de adensamento domiciliar excessivo (domicílios em que há mais de 3 pessoas para cada dormitório).

“A primeira coisa que as pessoas precisam saber é que a gente está tratando de uma doença com transmissão respiratória. É um vírus presente no ar. Então a facilidade de adquirir a doença é muito grande. E se a gente mora com uma pessoa que testou positivo, você tem uma chance muito maior de se contaminar ou de já estar contaminado”, analisa a professora Kristiane de Castro Dias Duque, que é enfermeira, tem doutorado em Saúde e atua na área de Saúde Coletiva no Câmpus Joinville.

Quando se confirma um diagnóstico de Covid-19, a providência mais imediata deve ser avaliar o restante da família. Todos devem manter distanciamento social durante pelo menos 14 dias, independentemente de testarem positivo ou não. Ouça as explicações da professora Kristiane a esse respeito:

 

 

Qual deve ser a condição do paciente para que ele possa ser cuidado em casa, sem necessidade de internação hospitalar?

De acordo com Kristiane Duque, podem ser tratados em casa os pacientes que desenvolvem os sintomas leves: apresentam tosse, febre e dor de garganta, por exemplo, num quadro parecido com o de uma gripe. Uma parte menor dos doentes são os chamados casos moderados, em que há necessidade de acompanhamento no hospital, e um índice ainda menor demanda internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

-> Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?

Quando há presença de fatores de risco, como diabetes, problemas cardíacos ou gravidez, os doentes são avaliados mais atentamente, mas muitas vezes a decisão pode ser de que eles se tratem em casa. E, em todos os casos, é imprescindível que a evolução do quadro seja observada, para que o serviço de saúde possa ser buscado no caso de qualquer agravamento, como enfatiza Kristiane. Ouça abaixo:


-> Entenda o que são os fatores de risco para Covid-19

-> Gravidez na pandemia: leia nosso post sobre os cuidados para gestantes e puérperas

Que sintomas podem indicar um quadro de agravamento da doença?

De acordo com a professora Kristiane Duque, a dificuldade respiratória é o sinal mais importante que pode representar um agravamento do quadro clínico do paciente. Por isso, o próprio doente e também as pessoas que convivem com ele devem ficar atentos a esse aspecto. “Se a pessoa percebeu que começou um incômodo respiratório, esse é o principal fator de alerta”, enfatiza. “Mas qualquer coisa em que ela perceba piora no quadro, vale a pena voltar ao serviço de saúde”, acrescenta.

A percepção relatada pelos pacientes sobre a dificuldade respiratória, em geral, corresponde a uma sensação de que o ar respirado não é suficiente. Também há relatos de aperto no peito e sensação de angústia, de acordo com a professora. No áudio abaixo, ela comenta a importância de se prestar atenção à dificuldade respiratória:

Sabemos que ainda não há remédio que combata diretamente o novo coronavírus. Como é, então, o tratamento do paciente?

O protocolo de atendimento recomenda apenas tratamento dos sintomas, ou seja, o médico prescreve medicamentos específicos para combater a febre, a dor no corpo e os demais sintomas relatados pelo paciente. A professora Kristiane Duque também ressalta que o paciente deve ser orientado a hidratar-se bastante, com ingestão de água, e fazer repouso. 

“Devido à grande possibilidade de complicação da Covid-19, essas pessoas precisam ter um monitoramento muito próximo”, lembra a professora. Pacientes leves, em tratamento domiciliar, que não apresentam fator de risco devem ser monitorados a cada 48 horas. Já aqueles que também têm sintomas amenos, mas que têm algum fator de risco, precisam ser monitorados diariamente. Isso por, pelo menos, 14 dias, até o desaparecimento dos sintomas. Ouça a professora Kristiane Duque sobre esse protocolo:


Tenho um familiar com Covid-19 em casa e ele precisa de auxílio. O que devo fazer?

Mesmo num quadro considerado leve, o paciente pode ficar debilitado e precisar de auxílio para se alimentar e manter higienizado o ambiente em que se encontra, por exemplo. A professora Kristiane Duque recomenda que, numa situação em que haja possibilidade de o doente ficar em um quarto fechado, deve-se definir uma única pessoa da casa para entrar no cômodo sempre que for preciso prestar auxílio. “Esse cuidador não vai ficar direto dentro do quarto, mas vai entrar para fazer o auxílio necessário, levar as refeições, ajudar na higiene, dependendo do que cada quadro específico exigir”, exemplifica.

O uso da máscara facial é imprescindível, tanto para o cuidador quanto para o doente, quando houver essas interações. O quarto deve ficar o mais arejado possível, com janelas abertas, porém com a porta fechada. Kristiane também recomenda que dentro do quarto o paciente tenha uma lixeira, com tampa, de uso exclusivo – na qual ele vai depositar, por exemplo, lenços de papel ou papel higiênico para assoar o nariz, material potencialmente contaminante. Sempre que sair do quarto, o cuidador precisa remover a máscara (lavando-a ou descartando-a, quando for o caso) e higienizar muito bem as mãos. Caso tenha tido proximidade física com o paciente, o ideal é que o cuidador troque de roupas e tome um banho.

Nas moradias em que há apenas uma peça usada como quarto, o recomendado é que esse cômodo seja ocupado exclusivamente pelo paciente, com o restante da família ficando na sala, por exemplo. “E existem também aquelas situações em que não vai ter nem isso, com todos os moradores no mesmo cômodo. Então é preciso manter um distanciamento de dois metros entre o paciente positivo e o resto das pessoas da casa. O que torna a contaminação mais fácil de acontecer, porque vai estar todo mundo no mesmo ambiente”, pondera Kristiane.

Em qualquer caso, tanto em quarto individual quanto em ambiente compartilhado, é imprescindível que a pessoa doente faça uso exclusivo de itens como pratos, talheres, copos, travesseiro, roupas de cama, toalhas e produtos de higiene (como escova e creme dental, sabonete, xampu). Quando não for possível que o paciente fique em um cômodo exclusivo, o cuidado deve ser redobrado para que os familiares ou coabitantes não compartilhem cadeiras, lugar no sofá, almofadas ou outros itens que envolvam contato físico.


2,8% da população brasileira não dispõe de banheiros dentro das residências

Como fazer uso compartilhado do banheiro de forma segura?

Higienizar rigorosamente o banheiro após cada uso é a atitude chave. De acordo com Kristiane Duque, quando o paciente estiver num quadro que lhe permita condições, ele deve assumir essa responsabilidade sozinho após cada uso: passar água sanitária ou desinfetante no vaso sanitário, na pia e em todos os pontos que tiver tocado, como torneira, interruptor, maçaneta da porta. Sua escova de dentes deve ser separada das do restante dos moradores, assim como o tubo de pasta de dentes. “O ideal é que a outra pessoa, quando for entrar, também faça essa higiene completa com o mesmo cuidado. Daí tem uma dupla via de segurança”, observa a professora.

Na convivência em casa, para todos os moradores, a regra de manter as mãos sempre limpas, lavando-as frequentemente com água e sabão ou utilizando o álcool em gel, deve ser seguida à risca. As máscaras faciais também precisam ser usadas corretamente, em especial no contato com o paciente, e higienizadas com água sanitária, água e sabão.


O monitoramento das condições do paciente é responsabilidade dele mesmo, e dos familiares também. A qualquer sinal de piora, o serviço de saúde deve ser procurado sem demora. Kristiane Duque, professora da área de Saúde Coletiva no Câmpus Joinville


O que muda na rotina doméstica quando há alguém com Covid-19 em casa?

A professora Kristiane Duque diz que, em linhas gerais, a manutenção da casa merece alguns cuidados extras, como a preferência por limpezas a úmido ao invés de simplesmente varrer ou espanar – o que pode provocar uma movimentação do vírus com o ar e a poeira. 

Nos casos em que a pessoa doente é também a responsável pela alimentação da família – em geral, a mãe – e não há possibilidade de que outro morador assuma essa tarefa, é preciso que haja o máximo de cuidado para que as mãos de quem manipular a comida estejam sempre higienizadas. “Ela vai ter que tomar muito mais cuidado, usar máscara, muita higiene das mãos, cabelos presos”, ressalta a professora. 

A embalagem e destinação correta do lixo é outro ponto a observar com atenção. Todo o lixo que tenha sido descartado pelo paciente deve ser muito bem ensacado e encaminhado para coleta comum. De preferência, diz Kristiane, o próprio doente deve tomar o cuidado de trocar o saco plástico da lixeira mantida para seu uso, higienizando o recipiente com álcool ou desinfetante. O lixo reciclável da casa pode ser encaminhado para a coleta específica, desde que ele não tenha sido manuseado pela pessoa doente.

Dicas importantes: cuidado domiciliar para pacientes com Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou em agosto um documento com orientações para o tratamento domiciliar de pessoas diagnosticadas ou suspeitas de Covid-19. Veja algumas delas:

- Limitar a circulação do paciente pela casa e evitar compartilhamento de espaços. Quando houver esse compartilhamento, os ambientes devem estar bem ventilados.

- Os demais moradores devem evitar entrar no ambiente onde o paciente está em repouso. Caso precisem entrar, devem manter distância de 2 metros e usar máscara facial.

- Máscaras e luvas descartáveis jamais devem ser reutilizadas. Elas devem ser descartadas no lixo comum.

- O número de cuidadores deve ser limitado – preferencialmente, uma única pessoa da família deve ser escolhida para assumir o cuidado do doente. O cuidador deve estar saudável e não apresentar fator de risco para a Covid-19. Nos casos em que a pessoa doente morar sozinha, é importante ter alguém de referência que faça contato constante e ofereça suporte.

- Não receber visitas enquanto o doente estiver em tratamento.

- Todos os moradores da casa onde há um paciente de Covid-19 devem ter rigor na higiene das mãos, lavando-as muito bem antes e depois de preparar alimentos, antes de comer, após o uso do banheiro e sempre que as mãos aparentarem estar sujas. Quando há sujeira aparente nas mãos, a OMS recomenda a lavação intensiva com água e sabão. Quando as mãos não necessariamente parecem sujas, elas podem ser higienizadas com álcool em gel. 

- O paciente deve sempre usar máscara facial. 

- Roupas de cama, toalhas, louças, talheres e itens de higiene devem ser separados para uso exclusivo do paciente. A louça usada pelo doente deve ser lavada com esponja exclusiva para esse fim.

- O lixo doméstico deve ser embalado em sacos resistentes, totalmente fechados. Isso é importante para garantir a segurança dos profissionais do serviço de coleta.

Depois que a pessoa se recuperou da Covid-19, todos já podem relaxar? 

Já abordamos em posts anteriores que mesmo quem já teve Covid-19 precisa continuar se cuidando. Leia aqui o que os estudos apontam sobre a resposta imunológica de quem já teve a doença.

Além disso, mesmo considerando uma imunidade temporária de quem já teve a Covid-19, a pessoa pode transmitir o vírus por meio de contato com superfície contaminada - como a professora Ângela Kirchner, do curso de Enfermagem do Câmpus Florianópolis, explicou neste vídeo no post que já fizemos sobre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos.

No vídeo abaixo, veja os cuidados que devem ser tomados quanto ao tempo de isolamento das pessoas da família, quando uma delas é diagnosticada com Covid-19.

Quer saber mais sobre o que abordamos neste post?

-> Conheça o guia da OMS para cuidados domiciliares de pessoas diagnosticadas ou com suspeita de Covid-19 (em inglês)

-> Consulte o relatório “Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira – 2019”, do IBGE

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IFSC VERIFICA

Um ano de IFSC Verifica: um guia de temas que já abordamos

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 29 jun 2021 09:51 Data de Atualização: 29 jun 2021 10:23

Em 11 de março do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2). Na mesma época, a OMS utilizou o termo infodemia para se referir à propagação em massa de informações, muitas delas falsas, sobre a pandemia. Como forma de combater esta desinformação por meio da divulgação de informação científica confiável e de qualidade, o IFSC lançou há um ano o projeto IFSC Verifica. Desde junho de 2020, foram produzidas 36 reportagens relacionadas a essa doença que, em todo mundo, já matou até o momento quase 4 milhões de pessoas.

Muitos dos assuntos abordados continuam atuais. Alguns textos foram atualizados conforme os estudos avançaram seguindo a dinâmica da Ciência. No post de hoje vamos abordar:

- a forma de se fazer Ciência
- a velocidade da Ciência
- a relação entre Ciência e Política
- o perigo da desinformação
- todos os posts já publicados no projeto IFSC Verifica

Jornalismo, Ciência e Tecnologia no combate à desinformação

O IFSC Verifica foi um dos projetos aprovados na chamada interna do IFSC de apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão para o enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do novo coronavírus. Desde o primeiro post “Como a informação pode ajudar a conter uma pandemia?”, o projeto já abordou diversas dúvidas relacionadas à Covid-19 envolvendo sintomas, tratamentos, medicações, vacinas, máscaras, testes e protocolos de segurança.

“Foi preciso, e é preciso, bastante esforço para acompanhar as questões factuais da pandemia, perceber o que é mais relevante em cada momento, e saber identificar as problemáticas para daí estruturar os temas a trabalhar”, explica a jornalista e coordenadora do projeto IFSC Verifica Ana Paula Lückman, destacando que não teria como ser diferente. “O conhecimento nunca estará totalmente pronto, ele está sempre em movimento”, complementa.

Essa busca pelo conhecimento é a própria Ciência, segundo o professor de História do Câmpus Xanxerê do IFSC Guilherme Babo Sedlacek. “A Ciência é a busca por um tipo de conhecimento que nos permite entender o mundo e atuar neste mundo em que vivemos”, afirma. De acordo com o professor, o conhecimento científico é um conhecimento crítico, o que quer dizer que ele tanto busca uma crítica como sofre crítica e, justamente por ser crítico é que esse conhecimento vive em aprimoramento constante - o que chamamos de progresso da Ciência.

No ano passado, acompanhamos de perto um progresso científico na prática com a busca por uma vacina para nos proteger do coronavírus. Mas, enquanto cientistas do mundo inteiro se concentravam em seus estudos, muitas opiniões circulavam confundindo a população. O professor Guilherme ressalta que a Ciência não é uma questão de opinião:


A população está mais informada?

O IFSC Verifica foi apenas uma das iniciativas criadas para combater a desinformação neste momento de pandemia. Será que as pessoas estão mais informadas hoje do que há um ano? A coordenadora do projeto acredita que sim, mas destaca que ter informação não significa ter consciência sobre determinado assunto.


A forma como uma informação é passada faz muita diferença para não gerarmos uma infodemia. Veja, por exemplo, o efeito que ocorre numa rede de transmissão quando existe uma busca por informação de qualidade:
 

Arte mostrando como a informação pode ajudar na infodemia

-> Blog do IFSC: veja como você pode evitar passar desinformação e fake news para frente

Na ilustração acima, é possível ver como ler notícias de fontes confiáveis bloqueia a propagação de conteúdo falso. Uma dessas fontes, quando falamos de pandemia, pode ser o IFSC Verifica. A jornalista Ana Paula destaca o papel do IFSC Verifica no combate à desinformação:


-> Como fake news são criadas e ferramentas simples para identificá-las

A velocidade da Ciência

Se por um lado um conteúdo falso pode ser rapidamente disseminado, por outro, podemos ter a impressão de que a Ciência não caminha de uma forma rápida como gostaríamos.

-> Blog do IFSC: A ciência e seu tempo: por que as descobertas novas parecem demorar?

A pandemia colocou a Ciência ainda mais em voga, já que a esperança para o fim da pandemia estava na descoberta de uma vacina. Embora essa espera seja maior do que queremos - ainda mais quando estamos lidando com vidas -, o professor de História do IFSC ressalta que nunca tivemos uma velocidade de descoberta científica tão boa:

-> Blog do IFSC: A ciência anda na defensiva. E o que todos nós temos a ver com isso?

Mas a Ciência não funciona sozinha. Por exemplo: não basta ter uma vacina contra a Covid-19, é necessário que a maioria da população possa ser vacinada o quanto antes e isso exige um planejamento e uma execução que entram num campo político. Temos visto atritos entre essas áreas, mas a verdade é que não existe Ciência sem Política como destaca o professor Sedlacek:


Faça a sua parte!

Enquanto os cientistas seguem fazendo seu papel e esperamos que os gestores políticos também cumpram as suas atribuições, você também pode contribuir. Em relação à pandemia, é preciso continuar usando máscaras (mesmo quem já foi vacinado e/ou teve Covid-19), respeitar o distanciamento físico e não fazer aglomerações.

E o combate à infodemia também depende de você se informar em fontes confiáveis e não espalhar conteúdos suspeitos ou falsos. Para te ajudar nisso, vamos relembrar todos os posts que já produzimos no IFSC Verifica para que você possa acessá-los de forma fácil por temas:

Informação:

-> Como a informação pode ajudar a conter uma pandemia? - 1
-> Como a informação pode ajudar a conter uma pandemia? - 2
-> O que já aprendemos sobre a Covid-19?
-> Como a pandemia está alterando a nossa linguagem?

Riscos:

-> Preciso andar de ônibus, e agora?
-> É arriscado engravidar na pandemia?
-> Preciso ir ao dentista. É seguro?
-> Você tem um ou mais fatores de risco para a Covid-19?
-> Viajar e se hospedar em um hotel pode ser seguro?
-> Câncer de mama e outras doenças: como manter a prevenção e tratamento durante a pandemia?
-> É seguro comparecer às urnas no dia das eleições?

Transmissão:

-> O novo coronavírus pode ser transmitido pela água ou pela rede de esgoto?
-> Animais de estimação podem contrair o novo coronavírus?
-> A carne pode ser contaminada pelo novo coronavírus?
-> É possível aproveitar o verão de forma segura na pandemia?
-> Como higienizar corretamente mãos, objetos e ambientes para prevenir o novo coronavírus?
-> Já podemos relaxar as medidas de cuidado em relação ao novo coronavírus?

Prevenção e diagnóstico:

-> Como não desistir de praticar atividades físicas em função da máscara facial?
-> Como funcionam os testes que identificam o coronavírus no organismo?
-> É possível prevenir o coronavírus por meio da alimentação?
-> Por que usar máscaras PFF2 agora?

Sintomas e doença:

-> Qual a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos?
-> Qual a melhor forma de medir a temperatura do corpo?
-> Testar ou observar sintomas? Como saber se estou com o coronavírus?
-> Como a Covid-19 afeta crianças e adolescentes?
-> Quem teve Covid-19 pode ficar com sequelas?
Já tive Covid-19. Posso me reinfectar?

Tratamentos:

-> Cloroquina e hidroxicloroquina: esses medicamentos têm eficácia contra a Covid-19?
-> Como funciona uma Unidade de Terapia Intensiva?
-> Como cuidar de um paciente com Covid-19 em casa e evitar o contágio da família?
-> Ivermectina pode prevenir ou tratar Covid-19?

Vacinas:

-> Por que é tão demorado produzir uma nova vacina?
-> Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia?
-> Tire suas dúvidas sobre a vacinação contra a Covid-19

Evolução da pandemia:

-> Existe uma previsão para o fim da pandemia?
-> A imunidade coletiva pode acabar com a pandemia?
-> Como está a segunda onda de Covid-19 pelo mundo

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Tem alguma outra dúvida sobre a Covid-19 que gostaria que fosse esclarecida aqui no IFSC Verifica? Escreva pra gente: verifica@ifsc.edu.br

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IFSC VERIFICA

Qual a melhor forma de medir a temperatura do corpo?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 04 ago 2020 14:33 Data de Atualização: 21 mai 2021 19:10

A medição da temperatura corporal das pessoas que circulam em espaços públicos, como estabelecimentos comerciais, clínicas, transporte coletivo ou mesmo em barreiras sanitárias, é uma das medidas preventivas adotadas em todo o mundo para evitar a propagação do novo coronavírus. Em Santa Catarina, cada município detalha as regras para esse procedimento. No caso de Florianópolis, por exemplo, as pessoas que estejam com temperatura acima de 37,8 graus devem ser impedidas de entrar nos estabelecimentos e encaminhadas ao serviço Alô Saúde (conheça essa e outras normas no Decreto Municipal 21.459).

O equipamento mais utilizado nesses contextos é o termômetro digital de infravermelho, que permite a aferição da temperatura sem que haja contato físico entre a pessoa examinada e quem opera o aparelho. Há, contudo, diferentes tipos de termômetros. Além do infravermelho, em evidência neste momento de pandemia, há também os termômetros digitais e os de mercúrio – estes últimos, em processo de obsolescência. Independentemente do tipo de termômetro que se utiliza para aferir a temperatura do corpo e identificar se há ou não um processo febril, é importante saber a forma correta de utilizar o equipamento e também os contextos em que é necessário verificar a febre.

Nós conversamos com dois pesquisadores do IFSC para este post e vamos abordar as seguintes questões:

- Entender o que é febre, o que ela pode indicar e como proceder para baixá-la;
- Identificar os diferentes tipos de termômetros e como utilizá-los corretamente para fazer a aferição da temperatura corporal.

O que é a febre? O que ela indica?

O professor Inácio Alberto Pereira Costa, que atua na área de Saúde no Câmpus Florianópolis, explica que a febre geralmente indica uma reação do organismo a algum tipo de infecção. A temperatura média corporal costuma variar entre 36 e 37,3 graus Celsius. Mais do que isso caracteriza a febrícola (até 37,8 graus), a febre (acima de 37,8 até 39 graus) e a febre alta (mais de 39 graus). 

Ao se constatar a ocorrência de febre com uso de um termômetro, deve-se observar se há outros sintomas associados a ela – no caso da Covid-19, os mais comuns são tosse, falta de ar, falta de paladar e cansaço, de acordo com o professor, que é doutor em Enfermagem. Ele enfatiza também que é importante sempre procurar orientação médica em caso de febre, evitando, principalmente, a automedicação. “Muitas vezes a febre é um dos sintomas de alguma condição clínica que demanda um tipo específico de medicamento, e não outro. Por isso o recomendado é só tomar medicamentos para baixar a febre com orientação médica, respeitando a dose e a frequência”, explica.

Outro alerta que o professor faz é que nem sempre um aumento da temperatura do corpo significa febre. Há alterações de temperatura que são aceitáveis em condições normais. Após a prática de atividades físicas, por exemplo, é comum que haja uma oscilação. Mulheres em período fértil também costumam ter a temperatura corporal elevada. 

Como medir corretamente a temperatura corporal?

Identificar se há febre apenas pelo contato da mão ou do pulso com o rosto da pessoa examinada pode ser válido apenas como uma primeira “impressão empírica” do problema, mas não é recomendável, de acordo com o professor Inácio Costa. “Numa primeira impressão empírica, você pode sentir alguma alteração na temperatura da pessoa. Mas é preciso fazer a aferição com uso de um termômetro para mensurar a temperatura, identificar se há febre, se é alta ou não, e proceder dependendo do caso”, recomenda.

O indicado para situações em que há suspeita de febre é fazer a aferição com uso de um termômetro digital, que é encontrado facilmente nas farmácias e tem preço acessível. Basta seguir as instruções do fabricante, “zerando” o termômetro e colocando o aparelho sob a axila da pessoa examinada. Após o tempo necessário para a aferição, o termômetro emite um sinal sonoro e mostra, no visor digital, a temperatura do paciente. O professor Inácio Costa salienta que, antes e após o uso, é importante higienizar o aparelho com álcool.

Outro ponto a observar é que a medição será mais precisa com o paciente examinado em repouso há pelo menos cinco minutos, num ambiente confortável. A oscilação da temperatura do ambiente pode causar imprecisões nas leituras – inclusive indicando temperatura menor que 36 graus.

Sempre é preciso fazer algo para baixar a febre?

A febre indica que o organismo está reagindo a algum agente infeccioso, mas tomar providências para baixá-la não implica que isso force o organismo a deixar de reagir. “Pelo contrário, baixar a febre ajuda o organismo a atuar nesse processo de defesa, a trabalhar para combater a infecção”, esclarece. Além de medicamentos específicos com função antitérmica, com orientação médica, é possível também adotar procedimentos como banho morno ou compressas de água fria no corpo para baixar a temperatura.

Controlar a febre é essencial principalmente nos casos de temperaturas acima de 39 graus, que caracterizam a febre alta. Nesse tipo de situação é preciso necessariamente de acompanhamento médico numa unidade de saúde. 

Quais os tipos de termômetros existentes no mercado, hoje? Existe algum mais recomendado?

São três tipos de termômetros utilizados para medir a temperatura do corpo. Os digitais de infravermelho, que se popularizaram com a pandemia do novo coronavírus, são o modelo mais caro, mas têm algumas vantagens. “Uma delas é que o termômetro infravermelho permite que se faça a aferição da temperatura sem contato físico. Além disso, a medição leva apenas alguns segundos”, esclarece Inácio Costa. Os termômetros digitais são os mais recomendados para uso doméstico: são acessíveis e de simples operação, além de serem também precisos. “O termômetro digital exige contato. Ele é posicionado na axila do paciente e manuseado por quem vai fazer a leitura, então é preciso mantê-lo higienizado após cada uso”, observa o professor. Os termômetros líquidos, que geralmente têm mercúrio na sua estrutura, estão cada vez mais em desuso. “Eles têm a vantagem de não precisar de bateria, mas como têm mercúrio, que é um metal tóxico que pode causar danos à saúde e ao ambiente, isso pode ser perigoso caso ele venha a se quebrar”, ressalta Inácio Costa. Outro aspecto negativo do termômetro de mercúrio é seu manuseio pouco prático, pois para que o filete de mercúrio se posicione no lugar correto antes da medição, é preciso “sacudir” o aparelho, e isso pode provocar quedas ou acidentes.

O mais recomendado para uso doméstico, portanto, é o termômetro digital, que tem manuseio fácil e permite uma leitura precisa e objetiva. O infravermelho, por conta de sua relação custo-benefício, pode ser um investimento desnecessário para quem só faz uso ocasional do aparelho. Já o de mercúrio é o menos recomendado.

Termômetros de infravermelho não causam danos à saúde: cuidado com a desinformação!

Têm circulado nas redes sociais boatos sobre possíveis riscos do uso de termômetros infravermelhos. Porém, como o professor Inácio Costa enfatiza, esse é o modelo de equipamento mais recomendado, no momento pandêmico, para fazer a aferição de temperatura em locais públicos. Várias agências de checagem já desmentiram o conteúdo malicioso divulgado pelas redes de que esses termômetros trariam danos à saúde (como a AFP Checamos, a Lupa e a Aos Fatos). O recomendado é que os termômetros sejam utilizados de acordo com a indicação dos fabricantes, que orientam que a medição seja feita direcionando o equipamento para a testa, com a pessoa examinada em repouso. (texto atualizado em 10/09/2020)

E como os termômetros funcionam? Qual a ciência por trás desses aparelhos?

Cada tipo de termômetro tem uma especificidade técnica que permite a aferição da temperatura de um sistema ou objeto, como explica o professor Marcelo Schappo, que atua no Câmpus São José e é doutor em Física. “Eles medem o que chamamos de ‘grandezas termométricas’, ou seja, eles medem algo que varia com a temperatura de uma forma controlada, através de diferentes fenômenos físicos, a depender do tipo de termômetro”, detalha.

No caso dos termômetros líquidos – que em geral usam mercúrio –, o fenômeno que permite seu funcionamento é a dilatação térmica: quando a temperatura de um corpo varia, isso altera a agitação das partículas que o formam, modificando a dimensão desse corpo. Se a temperatura aumenta, as partículas se agitam mais, e, no geral, o corpo se expande; e se a temperatura diminui, ocorre o contrário. Isso explica por que o mercúrio existente dentro do termômetro ganha volume conforme a temperatura que ele está medindo. Já os termômetros digitais eletrônicos funcionam com o princípio da resistência elétrica. “Os metais são bons condutores de corrente elétrica, mas essa facilidade de condução elétrica depende da temperatura do metal: quanto maior a temperatura, mais difícil ocorrer a condução de corrente através dele. Dizemos, assim, que sua resistência elétrica aumenta com a temperatura. Colocando a ponteira metálica em contato com o corpo, o sensor terá sua resistência elétrica modificada, o que pode ser medido pelo termômetro para identificar a temperatura do sujeito”, explica o professor.

Por fim, os termômetros infravermelhos funcionam com o princípio chamado “radiação de corpo negro”. O professor Marcelo Schappo explica que todos os objetos emitem ondas eletromagnéticas de uma forma relacionada à sua temperatura. O corpo humano emite radiação na faixa conhecida por “infravermelho”, que é menos energética que a luz visível. Os termômetros captam as ondas emitidas pelo corpo através de um sensor que, por sua vez, converte isso para um sinal de corrente elétrica. A partir desse sinal elétrico gerado, o termômetro identifica a temperatura.

Schappo também enfatiza que os boatos em torno de possíveis males provocados pelos termômetros infravermelhos são pura bobagem. "A ideia de que o termômetro infravermelho causa danos ao cérebro é absurda por vários motivos. O primeiro é que, para determinar a temperatura, ele recebe radiação emitida pelo nosso corpo, e não o contrário. E o segundo é que o laser que o aparelho emite serve apenas para auxiliar na mira do operador, fazendo com que ele aponte o sensor para o local correto do nosso corpo. Esse laser vermelho não tem energia suficiente para causar danos à pele e muito menos para atravessar todos os tecidos e atingir o cérebro", esclarece. (texto atualizado em 18/09/2020)

Como o termômetro identifica a temperatura que está sendo medida?

Isso ocorre por meio de um processo de calibração feito pelo fabricante, explica o professor Marcelo Schappo. Isso quer dizer que o aparelho é submetido a pelo menos dois sistemas controlados onde a temperatura é conhecida, para que, no processo de medida, o termômetro use esses números como referência. A partir daí, ele pode medir outras temperaturas através de comparação.

Estamos atravessando uma pandemia. Devo aferir minha temperatura diariamente, por precaução?

O professor Inácio Costa diz que essa não é uma prática recomendável. “É preciso tomar cuidado com o excesso de preocupação porque isso pode levar ao stress. O recomendado é medir a temperatura quando você percebe alguma alteração, já que a febre sempre desencadeia, com ela, algum tipo de mal estar, como calafrios”, orienta. Preocupar-se em registrar a temperatura corporal todos os dias pode causar uma ansiedade indesejável.

Tenho um termômetro em casa, mas uso-o pouco. Como fazer para garantir o bom funcionamento desse aparelho, quando eu precisar?

É importante, em primeiro lugar, guardar o termômetro adequadamente, conforme as instruções do fabricante. Isso vale em especial para os eletrônicos e os de infravermelho, que podem oxidar, pegar umidade ou “vazar” as baterias. No caso dos termômetros de mercúrio, devem ficar bem guardados, dentro da embalagem apropriada, em lugar não suscetível a batidas. E longe das crianças!

O professor Marcelo Schappo recomenda também que se sigam as instruções do fabricante ao utilizar o termômetro. “Medidas incorretas levarão a dados incorretos obtidos”, alerta. No caso do eletrônico, é preciso verificar se a ponteira está desobstruída e em contato adequado com a pele da pessoa examinada. Já com o infravermelho é preciso identificar a distância recomendada e manter o aparelho posicionado pelo tempo adequado de captação de sinal. Conheça o guia elaborado pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para orientar o uso correto dos termômetros de infravermelho.

Caso você faça uma medição e desconfie do resultado, é melhor procurar outro aparelho para fazer a comparação.

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Já tive Covid-19. Posso me reinfectar?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 27 abr 2021 15:16 Data de Atualização: 28 abr 2021 13:08

Quem já teve Covid-19, mesmo que com sintomas leves, não deve relaxar as medidas de prevenção e nem deixar de se vacinar. Casos de reinfecção estão aparecendo em várias partes do mundo. O primeiro caso foi registrado em Hong Kong, em agosto do ano passado. No Brasil, já são 11 casos confirmados pelo Ministério da Saúde, sendo que o primeiro foi registrado no Rio Grande do Norte em dezembro de 2020. Em Santa Catarina, o primeiro caso confirmado foi em Lages, em um paciente que testou positivo em setembro de 2020 e novamente em fevereiro de 2021.

No mês em que o Brasil registra o primeiro caso confirmado de morte de uma pessoa reinfectada por Covid-19, um homem de 39 anos do Rio Grande do Sul, conversamos com o biólogo, pesquisador e professor de Imunologia do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia (MIP) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Daniel Santos Mansur sobre a relação entre o vírus Sars-Cov-2 e a imunidade. 

Segundo o pesquisador, já foram realizadas várias descobertas sobre esse coronavírus, porém, um ano de pesquisas ainda é pouco para a ciência ter certezas sobre o comportamento do vírus, como a duração da imunidade ou mesmo alcance das vacinas. O que já se sabe é que, neste momento, pessoas que já tiveram a doença devem manter as medidas protetivas, como uso de máscara e distanciamento social, e se vacinar quando chegar a vez.

Veja o post de hoje para saber:

- Quais as chances de uma pessoa se reinfectar com o vírus Sars-Cov-2, causador da Covid-19?
- Qual a diferença entre a reinfecção e os sintomas persistentes da Covid-19?
- Qual a relação entre reinfecção e as novas variantes de Covid-19?
- Como a reinfecção é detectada?
- A reinfecção pode ser mais grave que a primeira infecção?
- Qual a diferença entre a imunidade adquirida após a vacina e a imunidade por infecção pelo Sars-Cov-2?
- Quem já teve Covid-19 precisa continuar com as medidas de prevenção?
- Quem já teve Covid-19 precisa se vacinar?
- Qual a importância de mantermos a vacinação para outras doenças?

Quais as chances de uma pessoa se reinfectar com o vírus Sars-Cov-2, causador da Covid-19?

Casos de reinfecção por Covid-19 estão sendo registrados em várias partes do mundo, inclusive no Brasil. No dia 20 de abril, foi registrado o primeiro óbito de um paciente comprovadamente reinfectado pelo vírus, no Rio Grande do Sul. O caso foi relatado em artigo pré-print publicado na revista Research Square (em inglês), e aponta que o paciente, um homem de 39 anos, foi infectado por duas variantes diferentes (P1 e P2) no período de cerca de quatro meses.

Segundo o pesquisador Daniel Santos Mansur, a possibilidade de uma pessoa se reinfectar por Sars-Cov-2 é real. Porém, ainda não se sabe em qual proporção isso acontece. Ele explica que há alguns tipos de coronavírus, conhecidos há mais tempo, que têm um tempo de imunidade de cerca de três meses, sendo que o Sars-Cov-2 parece ter um tempo um pouco maior. Há indícios de que o indivíduo pode ficar até um ano com uma boa imunidade, depois ela vai decaindo, mas como a descoberta do vírus tem pouco mais de um ano, é difícil falar em algo além disso. 

Veja a explicação completa do pesquisador no vídeo:

Qual a diferença entre a reinfecção e os sintomas persistentes da Covid-19?

Daniel Mansur explica que os vírus de RNA, como o Sars-Cov-2, podem apresentar infecções persistentes (saiba mais sobre sintomas persistentes e sequelas). Esses vírus podem ficar de forma inativa em algum órgão, como olho, testículo ou cérebro, e em algum momento podem voltar a replicar e a circular no corpo. Por exemplo, há comprovação de reaparecimento do vírus ebola em um paciente até três anos após a contaminação. “A gente não sabe ainda para o Sars-Cov-2, se ele fica persistente nesse sentido. Tem gente que fica até quatro meses com o vírus no trato respiratório superior. A pessoa está com vírus, não necessariamente doente, e ele está potencialmente transmitindo esse vírus”, alerta.

Ainda de acordo com o pesquisador, há pouco tempo de estudos e poucos casos confirmados para se saber se a reinfecção é uma característica do vírus ou algum problema no organismo da pessoa que faça com que os sintomas reapareçam, como alguma doença que cause imunossupressão, interferência de medicamentos, entre outros. Ele explica que, no caso do ebola, já há evidências de que se trata de uma característica do vírus. Também cita o exemplo do herpes simples, um vírus que acomete a maioria da população e fica alojado no nervo trigêmeo da face. Quando o portador tem um episódio de diminuição da imunidade, o vírus reaparece, causando lesões nos lábios.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu documento em que explica mais detalhadamente por que, com base em outros tipos de coronavírus, a reinfecção pelo Sars-Cov-2 não deve ser descartada.

Qual a relação entre reinfecção e as novas variantes de Covid-19?

O pesquisador Daniel Mansur explica que quanto mais distante uma variante está do vírus inicial, mais fácil seria ela reinfectar uma pessoa. Ou seja, quanto mais o vírus evolui e se modifica, aumentam as chances de o sistema imune “enxergar” o vírus de forma diferente que na primeira infecção e não conseguir se proteger da nova variante. “No entanto, parece que, no caso das vacinas, que foram desenvolvidas para o vírus inicial, ainda se tem uma proteção adequada quanto às novas variantes, ou pelo menos que evite a doença grave”.

Diante disso, o pesquisador acredita que possa haver uma certa imunidade em quem já se infectou inicialmente frente às novas variantes. “Até o momento eu não saberia dizer se essas variantes que temos circulando seriam suficientes para justificar reinfecções, até porque eu esperaria ver muito mais reinfecções atualmente, porque temos praticamente a P1, a variante da Amazônia, circulando em todo o Brasil”, afirma. 

Segundo o Boletim Epidemiológico 59 do Ministério da Saúde, dos 11 casos de reinfecção confirmados no Brasil, cinco são de Variantes de Atenção (Variants to Concern – VOC, em inglês). A principal VOC identificada no Brasil é a P.1.

Veja na tabela abaixo onde estão localizados os casos brasileiros registrados até 14 de abril. O caso registrado no Rio Grande do Sul em 20 de abril não consta nessa tabela:

Tabela com o número de casos de reinfecção por Covid-19 no Brasil por estado
 

Como a reinfecção é detectada?

Detectar uma reinfecção é algo que precisa seguir vários passos. O Ministério da Saúde (MS) emitiu uma Nota Técnica em novembro de 2020 com orientações aos serviços de saúde sobre como identificar casos de reinfecção. Segundo o documento, devem ser consideradas algumas situações antes da confirmação de casos:

  • Erros na coleta do material para testagem diagnóstica;
  • Uso de testes com baixa sensibilidade e especificidade;
  • Diferenças na resposta imunológica dos indivíduos ao vírus e uso de medicamentos que podem debilitar o sistema imunológico dos pacientes, fazendo com que uma infecção que aparentemente estivesse curada corresponda à persistência de uma mesma infecção.

São considerados pelo MS como casos suspeitos indivíduos com dois exames RT-PCR positivos em um intervalo igual ou maior a 90 dias. A partir disso, as amostras desses exames são enviadas a laboratórios de referência - Fiocruz (RJ), Instituto Adolfo Lutz (IAL/SP), Instituto Evandro Chagas (IEC/PA) ou Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) dos estados credenciados onde são realizados os testes genômicos.

“Para confirmar uma reinfecção, é preciso mostrar que o genoma que infectou a pessoa a primeira vez é diferente do genoma que a infectou a segunda vez. A chance de a gente demonstrar isso formalmente é muito difícil”, afirma Mansur. Outra forma de provar uma reinfecção é descobrir a variante da primeira infecção e, no caso de uma segunda infecção confirmada, verificar que foi de uma nova variante, ainda não existente na região em que a pessoa vive no momento da primeira infecção.

A reinfecção pode ser mais grave que a primeira infecção?

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indica que uma segunda reinfecção pelo Sars-Cov-2 pode ser mais grave que a primeira. Segundo os pesquisadores, uma primeira exposição à Covid-19 em casos brandos ou assintomáticos pode não produzir resposta imunológica e que a pessoa pode se reinfectar, inclusive, com a mesma variante, de forma mais grave.

De acordo com Mansur, essa possibilidade de doença mais grave ainda necessita de estudos maiores, porém, verificando o comportamento de outros tipos de vírus, tem probabilidade de acontecer. “Não seria algo improvável do ponto de vista da virologia e da imunologia, mas precisamos de mais dados para confirmar essa gravidade”, completa.

Qual a diferença entre a imunidade adquirida após a vacina e a imunidade por infecção pelo Sars-Cov-2?

A imunidade contra a Covid-19 de uma pessoa vacinada e de outra que já teve a doença é completamente diferente. Segundo Mansur, a infecção pelo vírus pode trazer diversos danos ao organismo e sua influência sobre o sistema imune é imprevisível. Já a vacina é produzida e testada para ter um efeito específico e controlado, estimulando o sistema imune sem causar danos. 

-> Saiba mais sobre imunidade natural X imunidade por vacina

Para explicar melhor, ele cita o exemplo do vírus do sarampo, para o qual existe vacina há mais de 30 anos. Descobriu-se em 2018 que o vírus do sarampo é capaz de destruir as células B, que produzem anticorpos. Ou seja, ele destrói não só as células que poderiam produzir anticorpos contra ele mesmo, como também células “fabricantes” de anticorpos para outras doenças. Assim, a pessoa acaba adquirindo uma imunodeficiência e fica vulnerável a vários tipos de infecção. “Não estou falando que isso vai acontecer com a Covid-19, mas é um exemplo de como um vírus pode manipular seu sistema imune ao ponto de a resposta a ele e a resposta à vacina serem completamente diferentes”, alerta. “A vacina não faz isso, ela só estimula o sistema imune. O vírus é um organismo replicante, que evolui, e evolui rápido, como a gente está vendo no aparecimento das variantes. Não dá para considerar ele uma coisa estática igual à vacina”, completa.

O pesquisador lembra ainda que nenhuma das vacinas disponíveis contra a Covid-19 são do tipo atenuadas, todas são ou inativadas, ou de subunidades, ou de vírus recombinantes, ou seja, elas não interagem com o organismo humano da mesma forma que o vírus. Devido à imprevisibilidade dos efeitos do vírus no organismo, é difícil afirmar precisamente quanto tempo dura a imunidade gerada por ele, pois isso depende de vários fatores, como carga viral recebida pelo indivíduo e o sistema imunológico do paciente. 

-> Saiba mais sobre o funcionamento das vacinas.

"A infecção pelo vírus pode trazer diversos danos ao organismo e sua influência sobre o sistema imune é imprevisível. Já a vacina é produzida e testada para ter um efeito específico e controlado, estimulando o sistema imune sem causar danos" Daniel Santos Mansur, biólogo, professor de Imunologia e pesquisador da UFSC

Quem já teve Covid-19 precisa continuar com as medidas de prevenção?

Sim, como ainda não há consenso sobre quanto tempo a pessoa fica imune após a doença, é preciso manter as medidas de prevenção, como o uso de máscaras, higiene das mãos e o distanciamento social. Além disso, essa é uma forma de evitar a contaminação de outras pessoas, pois, potencialmente, a pessoa pode continuar transmitindo o vírus mesmo após o fim dos sintomas.

-> Saiba a diferença entre pacientes sintomáticos, assintomáticos e pré-sintomáticos.

Aliás, é sempre bom lembrar que ainda não é hora de ninguém relaxar em relação às medidas de prevenção.

-> Já podemos relaxar as medidas de cuidado em relação ao novo coronavírus?

Quem já teve Covid-19 precisa se vacinar?

Sim, quem já teve a Covid-19 deve se vacinar. De acordo com o pesquisador Daniel Mansur, os níveis de anticorpos em quem teve Covid-19 são muito variáveis. “A gente não sabe todo o contexto em que esses anticorpos foram produzidos, a eficácia deles em neutralizar, varia muito de pessoa para pessoa, cada uma pode ser infectada de um jeito”, explica. 

Ao contrário, as vacinas são produzidas para gerar uma resposta imune específica, com o objetivo de bloquear a doença e/ou evitar a sua forma mais grave. Por isso recomenda-se que as pessoas se vacinem quando chegar a sua vez.

Veja no vídeo a explicação mais detalhada do pesquisador:

Qual a importância de mantermos a vacinação para outras doenças?

Mansur destaca a importância de se manter a vacinação em dia para outras doenças. Para ele, “movimentos antivacina são um desserviço à humanidade”. Ele fala da preocupação em haver um surto de sarampo, poliomielite ou outras doenças já controladas, e tudo isso em meio à pandemia de Covid-19, com hospitais lotados. “Para o pessoal refletir, o que é um mundo sem uma vacina para uma doença desse tipo. E essa é uma doença com 1% de letalidade, tem algumas que têm bem mais”, alerta.

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Por que usar máscaras PFF2 agora?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 30 mar 2021 17:27 Data de Atualização: 30 mar 2021 18:21

Após tanto tempo de pandemia, os cientistas cada vez mais enfatizam que o uso de máscaras pela população em geral tem, sim, capacidade de reduzir a transmissão do coronavírus. Em 5 de março de 2021, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, publicou uma pesquisa indicando que o uso de máscaras e a proibição de comer em restaurantes diminuiu a taxa de transmissão do vírus. Um mês antes, um outro estudo apontava que usar duas máscaras (cirúrgica por baixo, de pano por cima) bloquearia até 95% dos aerossóis do ambiente – micropartículas no ar que podem conter o vírus. Mas, por que só agora o modelo N95/PFF2 passou a figurar como o mais recomendado também para a população, não apenas para profissionais da saúde? É devido às mutações do vírus?
 


N95/PFF2 são a mesma coisa?

Antes de começar a falar sobre as indicações de uso da N95/PFF2, é preciso esclarecer a questão na nomenclatura.  A sigla PFF significa peça facial filtrante. No Brasil, o Programa de Proteção Respiratória da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro) classifica as PFFs em 1, 2 ou 3 conforme o tipo de contaminante contra o qual ela protege o usuário: PFF1 para poeiras e/ou névoas; PFF2 para fumos e/ou agentes biológicos e PFF3 para partículas altamente tóxicos ou de toxicidade desconhecida. 

Segundo a cartilha de saúde ocupacional da fabricante 3M, respiradores com classificação PFF2 seguem a norma brasileira (ABNT/NBR 13698:1996) e a europeia e apresentam eficiência mínima de filtração de 94%, enquanto os respiradores com a classificação N95 seguem a norma americana e apresentam eficiência mínima de filtração de 95%. Portanto, respiradores PFF2 e N95 apresentam níveis de proteção equivalente. 

Por que passar a usar a PFF2 agora?

As dúvidas sobre o tema para a população brasileira começaram a surgir em janeiro deste ano, quando países da Europa passaram a exigir o uso desse tipo de máscara no transporte público e comércio. Na França, por exemplo, o argumento seria de que as máscaras de tecido comum não protegeriam contra as novas variantes do coronavírus. Mas seria somente esse o motivo? “A máscara PFF2 sempre foi a mais segura.  Eu acho que a principal mudança, entre outras hipóteses, é a disponibilidade dessas máscaras. O vírus continua funcionando da mesma forma, apesar de mais transmissível. Agora,  a gente defende o uso da PFF2 de maneira muito mais ampla porque a gente sabe, com representantes da indústria, que não vai faltar para profissionais da saúde e para quem está na linha de frente”, explica Beatriz Klimeck, antropóloga, mestre e doutoranda em Saúde Coletiva, mestranda em Divulgação Científica e criadora do site Qual Máscara?

O projeto nasceu em dezembro de 2020 e ganhou fama ao traduzir, de forma clara e visual, as informações disponíveis sobre os diversos tipos de máscara. Beatriz percebeu, entre amigos e familiares, que as dúvidas eram muitas e aproveitou o mestrado em Divulgação Científica para pensar e iniciar o projeto.

A indicação de uso da PFF2 para evitar a Covid-19, no entanto, não é uma unanimidade entre os especialistas. Em entrevista à revista Veja em fevereiro deste ano, o consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) Leonardo Weissmann disse não haver indícios científicos para que a população em geral utilizasse a PFF2. 

Já para o UOL, a infectologista Raquel Stucchi, também consultora da SBI, disse acreditar que o estudo sobre o uso de duas máscaras realizado pela CDC não foi muito conclusivo e defende que uma máscara cirúrgica descartável seria mais eficiente que a sobreposição, uma vez que ficaria muito mais difícil de respirar e as pessoas acabariam mexendo muito mais nas máscaras, elevando a chance de contaminação. “As máscaras cirúrgicas são uma boa opção, comparadas com as de pano, sem dúvida. O problema delas é a vedação. Elas dificilmente fazem uma boa vedação no rosto.  Se você for usar uma máscara cirúrgica e puder, use uma máscara de pano por cima. Sempre a cirúrgica por baixo. Porque daí você resolve o problema da vedação, como se fosse uma outra máscara abraçando a cirúrgica, mas, ao mesmo tempo, melhora o aspecto da filtração que é o problema da máscara de pano”, diz Beatriz, do Qual Máscara?.

Mas teria que usar PFF2 em todos os lugares?

De acordo com a professora Gerusa Ribeiro,  professora e coordenadora de estágios do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis do IFSC, a recomendação do CDC, considerada referência para o Ministério da Saúde, é usar máscara sempre que se estiver em um espaço público e  não for possível manter uma distância de no mínimo seis passos de outra pessoa. “E o CDC não especifica espaço aberto, fala em espaço público. Além disso, como cada município faz sua legislação, é preciso estar atento às normas de cada cidade”, alerta a professora. Ainda assim, raramente as leis discriminam o tipo de máscara a ser usado. 

A exceção recente foi a alteração na resolução 456/2020 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que trata de regras em aeroportos e aviões durante a pandemia. Publicado em 11 de março, o novo texto deixa claro que estão proibidas máscaras de acrílico ou de plástico; máscaras dotadas de válvulas de expiração, incluindo as N95 e PFF2; lenços, bandanas de pano ou qualquer outro material que não seja caracterizado como máscara de proteção de uso profissional ou de uso não profissional; protetor facial (face shield) isoladamente; máscaras de proteção de uso não profissional confeccionadas com apenas uma camada ou que não observem os requisitos mínimos previstos na ABNT PR 1002.

“Recomendamos a PFF2 com veemência no transporte público, que é um dos lugares com maior risco, especialmente aqui no Brasil. De forma geral, é bom, ao sair de casa, parar e pensar exatamente onde você vai. Todo ambiente fechado ou mal ventilado é um bom indicativo de que você deveria priorizar o uso da PFF2”, orienta Beatriz.

A PFF2 é cara?

A PFF2 ganhou a fama de inacessível por conta do preço: as marcas mais famosas custavam cerca de R$ 20 antes da mudança de regras na Europa. Com o aumento na procura, há peças sendo vendidas a R$ 50 a unidade – e elas são consideradas descartáveis. Mas Beatriz defende que isso é um mito. De acordo com o material divulgado no Qual Máscara, por se tratar de um produto que também é vendido em lojas de materiais de construção, além das lojas de produtos hospitalares, é possível encontrar PFF2 com valores entre R$ 2 e R$ 5. E também é possível reutilizá-las.

O maior cuidado na reutilização das máscaras é evitar a contaminação na hora de tirar a máscara. Depois disso, o ideal é deixar o equipamento arejando em um local ventilado por, no mínimo, três dias. “Ela não pode ser higienizada. Tudo o que a gente entende no sentido de higienização – pode ser desinfetante, álcool, sabão, nenhuma dessas coisas é recomendada para uso da PFF2. Isso tem a ver não só com as fibras desse não tecido com o qual ela é feita, mas sim com um tratamento eletrostático que esse material recebe, que atrai as partículas para a trama. Por isso, qualquer produto desses destrói essa manta e aí você fica com uma máscara que não te protege tanto”, alerta a antropóloga. 

Também é preciso verificar os sinais de deterioração, afrouxamento dos elásticos e vedação. “E estamos falando de um uso comum, sem contato com doentes. Caso a pessoa tenha tido contato com alguém infectado ou com suspeita, se for possível, o ideal é descartar a máscara em seguida”, explica Beatriz.

Para reunir lojas e divulgar o uso da PFF2, também foi criado o site PFF para todos, alimentado por voluntários que procuram ofertas e atualizam uma lista de lojas por regiões e estados do país (tanto físicas quanto online) onde é possível encontrar máscaras de qualidade e com bons preços.

Cuidado com falsificações e máscaras irregulares

Um dos principais cuidados ao procurar por máscaras, tanto PFF2 quanto cirúrgicas, é ter certeza da procedência e da eficiência. Há modelos importados, como o KN95, que não possuem certificação nem autorização para a venda no Brasil. 

O site PFF para todos fez um resumo dos principais pontos a se observar: identificação na embalagem (PFF2 ou PFF3. Como N95 é um nome usado só nos EUA, não vai aparecer nas máscaras autorizadas no Brasil), selo do Inmetro ou Anvisa; não pode ter junções costuradas; os elásticos sempre passam pela cabeça, nunca somente até a orelha; têm clipe nasal e a identificação impressa também no respirador , bem com o número do Certificado de Aprovação (C.A.). É possível consultar o CA no site consultaca.com

Pode ser PFF2 com válvula?

As máscaras valvuladas protegem quem a está usando, mas não filtram a saída do ar, ou seja: se você estiver doente, pode contaminar outros. Ainda assim, de acordo com o PFF para todos, uma máscara valvulada ainda vai proteger mais os outros da sua respiração do que uma máscara de pano comum. O site também afirma que PFFs valvuladas podem fazer parte de uma estratégia de transição de máscaras cirúrgicas ou de pano para PFFs não-valvuladas, especialmente para idosos ou pessoas com dificuldades respiratórias (quando autorizadas por um médico).

E as máscaras de pano? Jogo todas fora?

Uma máscara de pano vai ser mais ou menos segura de acordo com os tecidos usados e seu local de uso. Nem todo lugar fechado é igual e nem todo tecido é igual. Aliás, a falta de padronização dos tecidos é o principal problema das máscaras artesanais. “Existes máscaras de três camadas altamente elásticas que não são recomendadas. Ao mesmo tempo, tem máscaras de duas camadas que são de tecido mais firme, que se molda melhor no rosto. A recomendação são três camadas. Mas também tem que pensar se o tecido é muito elástico, que isso também não é recomendado – e a esmagadora maioria das máscaras vendidas hoje é feita de tecido elástico”, pondera Beatriz.

Ela reforça também que é preciso desenvolver o senso de análise para saber qual máscara usar em qual espaço. “Se eu moro num prédio que tem 30 apartamentos por andar e aquele corredor não tem ventilação, ele não é um espaço seguro para você pensar em usar uma máscara de pano. Se você tem um elevador movimentado, aquele elevador não é o melhor espaço para você usar uma máscara de pano. Mas se você mora num prédio, no segundo andar, desce de escada e vai ali andar com o seu cachorro, a máscara de tecido pode ser adequada.  Mais do que colocar uma regra, tipo aqui pode, aqui não pode, é pensar nesse bom senso”. 

E, assim como a PFF2, a máscara de tecido também tem vida útil. A recomendação da Anvisa é de, no máximo, 30 usos. “Ela tem que manter a estrutura dela. A trama do algodão é muito mais aberta, se eu considerar a trama do TNT,  já que a maioria das máscaras domésticas são confeccionadas com esses materiais”, lembra a professora Gerusa.

Tecidos antivirais ajudam?

Apesar de movimentar o comércio, Beatriz não é favorável ao uso de tecidos antivirais. “Não importa muito se ele inativa o vírus em cinco minutos ou em uma hora. A importância da máscara é conseguir filtrar o ar que você respira. Então se ela filtra o ar mal, se o tecido dela não é tão bom e a filtração não é tão boa, você vai respirar todo aquele ar possivelmente contaminado. Se for um ar contaminado, você vai se infectar. A partícula que ficar presa no tecido é que vai ser inativada. Na prática, não é o que você procura na máscara”.

A antropóloga também lembra que é preciso pensar nos efeitos que a adição dos íons e nanopartículas de prata podem causar à saúde das pessoas e do planeta. Estudo feito pelo  pesquisador Nelson Durána e colaboradores do Instituto de Biologia, Unicamp, e do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC, indicam a possibilidade de contaminação do solo e reações que podem levar à morte celular no corpo humano. 

Como respirar melhor de máscara PFF2?

Por ter uma maior vedação, a PFF2 pode causar, inicialmente, uma sensação de sufocamento. Muita gente fica nervosa ao usar pela primeira vez. Mas Beatriz garante que a sensação passa. “É hábito. Recebo muitos relatos de pessoas que inicialmente tinham bastante dificuldade de respirar com máscaras PFF2 e, depois de um mês usando, estavam fazendo atividade de alto impacto, correndo, fazendo crossfit. Também tem o fator psicológico, de achar que você vai ficar sem ar porque a máscara é bem vedada. Tem que superar esse primeiro desconforto, esse incômodo inicial e a maioria das pessoas, depois de um tempo, se sente bem melhor”.

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Tire suas dúvidas sobre a vacinação contra a Covid-19

INSTITUCIONAL Data de Publicação: 23 fev 2021 14:58 Data de Atualização: 25 fev 2021 14:08

A vacina contra a Covid-19 finalmente chegou, mas, por enquanto, apenas para uma minoria. A prioridade é para os trabalhadores da Saúde e para os grupos de risco, como idosos. A ampliação do plano de imunização depende da aquisição de doses. Duas vacinas têm autorização para uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e estão sendo aplicadas na população: a da Oxford/AstraZeneca e a CoronaVac. Uma terceira vacina, da Pfizer/BioNTec, obteve registro definitivo nesta terça-feira (23), mas ainda não há um acordo de compra firmado pelo governo brasileiro.

No último dia 17 de fevereiro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou que até julho serão distribuídas aos estados mais de 230,7 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19. Na previsão, no entanto, estão duas vacinas - produzidas na Índia e na Rússia - cujos pedidos de registros ainda não estão na Anvisa. Governos estaduais e municipais também buscam fechar acordos comerciais para ampliar a imunização.
Enquanto os governos tentam fechar os acordos, dúvidas e fake news se espalham pela população. Quem pode tomar a vacina? Ela é segura? A vacina altera meu DNA? Vou poder finalmente andar sem máscara? 

Para responder estas e muitas outras perguntas, buscamos informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Ministério da Saúde, da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, em diversas entidades médicas e com três professores do IFSC: Vanessa Tuono Jardim, do curso técnico em Enfermagem do Câmpus Florianópolis; Rosane Schenkel de Aquino do Tecnólogo em Processos Químicos do Câmpus Lages, e Jesué Graciliano da Silva, do curso de Refrigeração e Climatização do Câmpus São José.

Na relação abaixo, você terá respostas sobre a produção das vacinas, a logística da vacinação no Brasil e orientações para grupos específicos, além de esclarecimentos para que todos possam contribuir com a diminuição da circulação do vírus:

Por que a vacina é importante para conter a pandemia?
As vacinas são seguras?
O que é a eficácia da vacina?
Como são feitas as vacinas?
Faz diferença quem produz a vacina?
Quantas vacinas contra Covid-19 existem no mundo e no Brasil?
Quais vacinas serão produzidas no Brasil?
Por que algumas vacinas precisam de duas doses e outras apenas uma?
As vacinas existentes protegem contra as novas variantes do Sars-Cov-2?
Como é a vacinação no Brasil?
As vacinas contra a Covid-19 precisam de uma refrigeração ou um armazenamento especiais?
Como são definidos os grupos prioritários para a vacina?
Quando será minha vez de ser vacinado?
Quais documentos preciso apresentar na vacinação?
Como uma pessoa que faz parte de um grupo de risco vai confirmar sua prioridade na vacinação?
Quantas doses e qual intervalo das vacinas aplicadas no Brasil?
A vacinação é obrigatória?
Quem já teve Covid-19 pode se vacinar?
Uma pessoa com histórico de alergias pode ser vacinada?
Crianças e adolescentes podem ser vacinados?
Gestantes e lactantes podem ser vacinados?
Pessoas com doenças autoimunes podem ser vacinadas?
Pessoas em tratamento oncológico podem ser vacinadas?
A vacina pode tornar o vírus mais resistente?
Mesmo tomando vacina, eu ainda posso pegar o novo coronavírus e até transmiti-lo para outra pessoa?
Quanto tempo depois de tomar a vacina fico imunizado?
Poderei receber as vacinas da gripe e da Covid-19 simultaneamente?
Estou com sintomas de Covid-19, posso me vacinar?
Estou com febre, posso tomar a vacina?
A bebida alcoólica corta o efeito da vacina?
Tomar mais de uma vacina aumenta a imunidade?
Se tomar a primeira dose e não tomar a segunda, o que acontece?
E se tomar uma dose de uma marca e a segunda de outra?
Posso desenvolver HIV ou H1N1 se tomar a vacina?
A vacina pode alterar meu DNA?
Quais são os efeitos colaterais que podem ocorrer após a vacina?
Posso comprar a vacina?
Vou ter que tomar a vacina todo ano para ficar imunizado?
Depois de vacinado posso relaxar as medidas de prevenção?
Há previsão de quanto tempo depois da vacinação essas medidas poderão ser relaxadas?
Quando se pode falar em imunidade de rebanho?
É possível erradicar a Covid-19?

Por que a vacina é importante para conter a pandemia?

A vacina é uma forma de desenvolver a proteção que o organismo precisa para "atacar o vírus" e evitar que a pessoa fique doente. Isso porque quando alguém é infectado pelo Sars-Cov-2, o organismo reage e produz anticorpos, que se ligam ao vírus e impedem que eles ataquem as células. A vacina coloca no organismo algo para simular o ataque viral. Isso varia entre as vacinas, pode ser o vírus inativado ou partes do novo coronavírus em outras moléculas. E assim cria uma memória imunológica no corpo. Se depois de ser vacinada a pessoa for infectada pelo vírus, o organismo reage de forma mais rápida porque já "conhece" o inimigo e assim o elimina antes que ele provoque a doença. Veja na animação abaixo:

Mas, além da proteção individual, a vacinação é a esperança de uma proteção coletiva: com menos pessoas infectadas, a transmissão do vírus diminui e a tendência é que o vírus circule menos nas populações. No entanto, a professora Vanessa Jardim lembra que tomar a vacina não significa relaxar com as medidas de prevenção. "Uma parcela mínima da população está sendo vacinada. Precisamos manter o distanciamento, uso de máscara e higiene das mãos", destaca a enfermeira epidemiologista.

As vacinas são seguras?

A segurança das vacinas é sempre uma prioridade máxima e isso não é diferente para as vacinas contra a Covid-19, reforça a Organização Mundial da Saúde (OMS). Todas as vacinas passam por várias fases de ensaios clínicos antes de serem aprovadas para uso na população. Vanessa Jardim explica por que as vacinas ficaram prontas em tão pouco tempo: "A programação da vacina vem de laboratório, mas a gente só sabe a real eficácia quando é testada em seres humanos e as amostras populacionais para isso precisam ser muito grandes. Como estamos vivendo uma pandemia, então se pode testar a vacina em qualquer lugar do mundo.

Todas as vacinas foram testadas em muitos centros em todo o mundo. Diferente do ebola, por exemplo, que ficou restrito ao continente africano, em que para conseguir um número de pessoas coerente com o estudo clínico era difícil. No caso da Covid-19 foram feitos testes simultâneos em muitos países, garantindo a realização da fase 3, que é de avaliação de segurança e eficácia."

O que é a eficácia da vacina?

A farmacêutica e bioquímica Rosane de Aquino explica que a eficácia da vacina está ligada à capacidade de indução de imunidade, isto é, a capacidade de induzir o sistema imune a produzir anticorpos e imunidade celular.  Por conta da pandemia, a OMS defende que uma vacina com 50% de eficácia já seja aprovada para ser aplicada na população. Mas o que esse percentual significa?

Ele é calculado com base nos estudos da fase 3, com voluntários que ainda não contraíram o vírus e que são divididos em dois grupos - um deles recebe a vacina e o outro um placebo (um composto sem efeito). Esses grupos são então observados para verificar quantos destes voluntários se infectaram pela Covid-19 e quantos desenvolveram sintomas muito leves (em que não é preciso ser medicado), leves (em que precisam de alguma assistência médica) e moderados e graves (em que necessitam de hospitalização). 

Por exemplo, no caso da CoronaVac, o Instituto Butantan divulgou uma eficácia global de 50,38%. Isso porque dos 9,2 mil participantes da pesquisa, 85 dos casos muito leves foram de pessoas que receberam a vacina e 167 foram de voluntários que tomaram placebo. Ou seja, a chance de apresentar algum sintoma da doença é duas vezes maior em quem não tomou a vacina. Já o resultado de eficácia dos casos leves foi de 77,96%, sendo que sete pessoas haviam recebido a vacina, e outras 31, placebo.

Mas a enfermeira epidemiologista Vanessa Jardim afirma que a atenção deve ser voltada principalmente para a eficácia em casos moderados e graves, que fica em torno dos 90% entre as vacinas aprovadas. "A imunização tem esse objetivo primordial, de evitar que as pessoas adoeçam, precisem ser internadas e venham a morrer."

Vale destacar ainda que as farmacêuticas divulgaram diferentes índices de eficácia, mas que isso não deve ser motivo para inviabilizar alguma vacina. Segundo a Sociedade Brasileira de Imunologia (SBI) comparar os graus de eficácia global entre as vacinas pode levar a equívocos, porque cada estudo adotou critérios diferentes para categorizar o que foi considerado “caso de Covid-19”: "Por exemplo, no estudo da Moderna, foi considerado caso “dois sintomas de um grupo formado por febre, arrepios, dor no corpo, dor de cabeça, dor de garganta, perda de olfato ou paladar” com diagnóstico viral confirmado; ou um sintoma grave como falta de ar, tosse, diagnóstico radiológico. Ou seja, dois sintomas leves ou um sintoma grave. No estudo da Oxford/AstraZeneca foi considerado caso que apresentava um sintoma do grupo formado por febre, tosse, falta de ar, perda de olfato ou paladar; ou seja, a maioria sintomas leves, mas um grave (falta de ar)."

A SBI e as professoras do IFSC reforçam ainda que para se obter imunidade de rebanho é necessário vacinar o maior número de pessoas o mais rapidamente possível. E por isso a atenção não deve ser para a vacina com 50% ou 90% de eficácia geral, mas para quantas doses é possível fabricar.

Vale lembrar ainda que nenhuma vacina é 100% eficaz. A da poliomielite é uma das que têm o maior índice: 99% depois das três doses da gotinha. A eficácia das vacinas da gripe fica em torno de 65%.

Como são feitas as vacinas?

A professora Rosane de Aquino explica que as vacinas precisam ter componentes do próprio Sars-Cov-2 ou similares a ele que sejam capazes de estimular o sistema imunológico na formação de células específicas do organismo, os linfócitos T e B, e de proteínas específicas, conhecidas como imunoglobulinas - os anticorpos.

As vacinas em testes com humanos supervisionadas pela OMS utilizam quatro diferentes tecnologias:

Vacinas que usam o vírus inativado ou enfraquecido, de forma que não causa doenças, mas ainda gera uma resposta imune. É a tecnologia utilizada em vacinas como da polio inativada e da difteria e tétano. Também é a tecnologia utilizada na CoronaVac.

Vacinas de vetores virais, que usam um vírus que foi geneticamente modificado para não causar doenças, mas produz proteínas do coronavírus para gerar uma resposta imunológica com segurança. O vetor viral mais comumente usado é o adenovírus, pois consegue induzir forte imunidade celular e produção de anticorpos. Esta tecnologia é utilizada na vacina da Oxford/AstraZeneca e na da Janssen-Cilag.

Vacinas de RNA e DNA, uma abordagem de ponta que usa RNA ou DNA geneticamente modificado para gerar uma proteína que, por si só, promete uma resposta imunológica com segurança. A utilização de RNA é a base da vacina da Pfizer.

Vacinas baseadas em proteínas, que usam fragmentos inofensivos de proteínas ou cascas de proteínas que imitam o vírus da Covid-19 para gerar com segurança uma resposta imune.

Faz diferença quem produz a vacina?

Sim, por conta das diferenças de tecnologia. Mas a razão para usar uma vacina ou outra está no resultado da eficácia e não no país de origem. Rosane explica que a importância maior é se a vacina passou por testes populacionais no país em que será aplicada, pois como se trata de ação imunológica individual, podem haver variações por características genéticas do grupo populacional. "As exposições a que uma população foi exposta ao longo da vida também podem induzir variações da resposta imunológica." 

Quantas vacinas contra Covid-19 existem no mundo e no Brasil?

Segundo a Organização Mundial da Saúde há mais de 200 pesquisas no mundo todo para desenvolvimento de vacina contra a Covid-19, sendo que 60 estão em desenvolvimento clínico, ou seja, estão sendo testadas em humanos. 

-> Acompanhe o panorama de vacinas contra a Covid-19 atualizado regularmente pela OMS

No Brasil, quatro laboratórios foram autorizados pela Anvisa a fazer testes com brasileiros: Oxford/AstraZeneca, Sinovac/Instituto Butantan, Janssen e BioNTech/Pfizer.

Confira na tabela abaixo os locais de testes no país:

Destas vacinas, a da Oxford/AstraZeneca e a CoronaVac têm o registro para uso emergencial aprovado pela Anvisa, para ser aplicada em grupos prioritários. A vacina da Pfizer/BioNTec tem registro definitivo mas ainda não há um acordo de compra firmado pelo governo brasileiro.

O governo federal também está em negociação com outros dois laboratórios para importar as vacinas Sputnik V, da Rússia, e a Covaxin, da Índia. Em ambos os casos, a Anvisa informa que até agora não tramita no órgão a análise para uso emergencial ou registro destas vacinas.

Quais vacinas serão produzidas no Brasil?

Para o Brasil produzir a vacina, no acordo comercial de compra precisa estar prevista a transferência de tecnologia. Assim, o país não compra apenas o produto, mas o procedimento para produzi-lo aqui. Foi o que aconteceu com duas vacinas: a CoronaVac, desenvolvida em parceria entre a chinesa Sinovac e o Instituto Butantã de São Paulo, e a  ChAdOx1 nCoV-19, mais conhecida como Vetor Viral ou pelos nomes dos laboratórios Oxford/AstraZeneca. Esta última será preparada, envasada e rotulada pela Fiocruz a partir do princípio ativo importado do parceiro da AstraZeneca na China.

Por que algumas vacinas precisam de duas doses e outras apenas uma?

Porque depende da tecnologia utilizada e consequentemente da capacidade da vacina estimular o sistema imunológico em produzir células e anticorpos de memória, explica a professora Rosane de Aquino. O grau de eficácia com uma ou mais doses é avaliado ainda nas fases clínicas de estudo da vacina e aí se decide quantas doses são necessárias para a imunização e qual o intervalo entre elas.

Das vacinas que solicitaram registro à Anvisa, apenas a da Janssen-Cilag é de uma dose.

As vacinas existentes protegem contra as novas variantes do Sars-Cov-2?

A eficácia das vacinas disponíveis atualmente em relação a novas variantes do vírus ainda está sendo analisada. Segundo Rosane, o que as informações disponíveis têm trazido é que as vacinas produzidas até o momento não respondem da mesma forma em relação a algumas variantes. Ela lembra que a existência de uma vacina não garante eficácia absoluta: "Pode ou não haver variação no resultado de eficácia. Depende do que “mudou” no vírus e o que nele estimula o sistema imune. Se a partícula, antígeno que estimula o sistema imune mudar, a vacina poderá perder eficiência."

No início do mês de fevereiro, a OMS demonstrou preocupação com o assunto depois que a África do Sul anunciou que estava suspendendo temporariamente o uso da vacina Oxford/AstraZeneca depois que um estudo mostrou que ela era pouco eficaz na prevenção de doenças leves a moderadas causadas por uma variante identificada pela primeira vez no país africano. 

Segundo Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, "isso é claramente uma notícia preocupante. No entanto, existem algumas advertências importantes. Dado o tamanho limitado da amostra do ensaio e o perfil mais jovem e saudável dos participantes, é importante determinar se a vacina continua ou não eficaz na prevenção de doenças mais graves. Esses resultados são um lembrete de que precisamos fazer tudo o que pudermos para reduzir a circulação do vírus com medidas comprovadas de saúde pública. Também parece cada vez mais claro que os fabricantes terão que se ajustar à evolução do vírus, levando em consideração as variantes mais recentes para doses futuras. Sabemos que os vírus sofrem mutações e temos que estar prontos para adaptar as vacinas para que permaneçam eficazes."

Tedros comparou as adaptações necessárias para as vacinas contra a Covid com as da H1N1: "É o que acontece com as vacinas da gripe, que são atualizadas duas vezes por ano para corresponder às cepas dominantes. A OMS tem um mecanismo existente para rastrear e avaliar variantes do vírus que causa Covid-19.

É vital que os países continuem a relatar essas variantes à OMS para que possamos coordenar os esforços globais para monitorar seu impacto e aconselhar os países em conformidade."

As fabricantes já declaram que estão sendo realizados estudos para adaptar as vacinas às novas variantes do Sars-Cov-2. Vanessa Jardim reforça a importância de os países investirem em diferentes vacinas, com diferentes tecnologias. "Quanto mais tipos de vacina eficazes, melhores são as chances contra as variantes."

Como é a vacinação no Brasil?

Para vacinar os brasileiros, o Ministério da Saúde elaborou o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19, que integra o Programa Nacional de Imunizações (PNI) e detalha os grupos prioritários para a imunização, as intenções de acordos com laboratórios que fabricam as vacinas e a logística de distribuição. As vacinas adquiridas pelo governo federal são distribuídas aos estados, que definem como será feita a entrega aos municípios. São os gestores municipais que organizam a vacinação nas cidades.

Saiba mais sobre o Programa Nacional de Imunização (PNI) e sobre a gestão principalmente no caso da aplicação das duas doses no vídeo abaixo:

As vacinas contra a Covid-19 precisam de uma refrigeração ou um armazenamento especiais?

O Brasil é referência mundial em campanhas de imunização e, apesar das dimensões continentais que acabam dificultando a distribuição das vacinas, tem know-how nesse tipo de logística. Segundo o governo federal, a distribuição das vacinas contra a Covid-19 "conta com uma frota de 100 caminhões com áreas de carga refrigeradas e tem o apoio da Associação Brasileira de Empresas Aéreas por meio das companhias aéreas Azul, Gol, Latam e Voepass, para transporte gratuito da vacina às unidades federadas do país que necessitam do transporte aéreo".

Em relação ao armazenamento das duas vacinas que estão sendo aplicadas nos trabalhadores de Saúde e grupos de risco - a CoronaVac e a de Oxford/AstraZeneca - não há diferença em relação a outras vacinas do Plano Nacional de Imunização. O professor de Refrigeração e Climatização do Câmpus São José, Jesué Graciliano da Silva, explica que para estas duas vacinas é necessário armazenamento a temperaturas entre 2°C a 8°C, ou seja, em um refrigerador convencional. 

Já a vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a empresa de biotecnologia alemã BioNtech, a Cominarty, e que tem o registro definitivo concedido pela Anvisa, precisa ser armazenada a uma temperatura de -70°C a -80°C. "Para se ter uma ideia, os freezers que temos em casa chegam a uma temperatura de -20°C", compara Jesué. Ele explica que a farmacêutica está investindo também em embalagens para armazenar as vacinas e assim poder vender a países que não possuem estrutura para manter as vacinas em temperaturas tão baixas. 

"Dentro dos contêineres as vacinas são acondicionadas em gelo seco, que mantém temperaturas de -30°C, o que permite o transporte até centros de distribuição." Segundo ele, apesar de não ser a temperatura ideal, não inviabiliza a vacina, apenas reduz seu prazo de validade. Segundo a Pfizer, "nesta embalagem, os frascos de vacina podem ser mantidos por até 30 dias, desde que a correta manutenção do gelo seco seja realizada. A vacina pode ainda ser mantida no refrigerador comum por até 5 dias".

-> Entenda mais sobre a "cadeia de frio" e o impacto para  a logística de vacinação

Como são definidos os grupos prioritários para a vacinação?

As populações prioritárias são definidas de acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, aqui no Brasil, o Ministério da Saúde informa que os grupos foram definidos em conjunto com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). A orientação é que os gestores de saúde sigam essa ordem na vacinação:

  • Pessoas com 60 anos ou mais institucionalizadas;
  • Pessoas com deficiência institucionalizadas;
  • Povos indígenas vivendo em terras indígenas;
  • Trabalhadores de saúde;
  • Pessoas de 80 anos ou mais;
  • Pessoas de 75 a 79 anos;
  • Povos e comunidades tradicionais ribeirinhas;
  • Povos e comunidades tradicionais quilombolas;
  • Pessoas de 70 a 74 anos;
  • Pessoas de 65 a 69 anos;
  • Pessoas de 60 a 64 anos;
  • Comorbidades;
  • Pessoas com deficiência permanente grave;
  • Pessoas em situação de rua;
  • População privada de liberdade;
  • Funcionários do sistema de privação de liberdade;
  • Trabalhadores da educação do Ensino Básico (creche, pré-escolas, ensino fundamental, ensino médio, profissionalizantes e EJA);
  • Trabalhadores da educação do Ensino Superior;
  • Forças de segurança e salvamento;
  • Forças Armadas;
  • Trabalhadores de transporte coletivo rodoviário de passageiros;
  • Trabalhadores de transporte metroviário e ferroviário;
  • Trabalhadores de transporte aéreo;
  • Trabalhadores de transporte aquaviário;
  • Caminhoneiros;
  • Trabalhadores portuários;
  • Trabalhadores industriais.

A professora Vanessa explica que são dois os critérios principais para definir os grupos prioritários: os que estão mais expostos à contaminação e os que têm mais fatores de risco para piora da doença caso sejam contaminados, por isso os profissionais de saúde e os idosos fazem parte dessa primeira etapa de imunização. Nestes grupos ainda há prioridades, por exemplo, os profissionais que trabalham diretamente com pacientes de Covid-19 são os primeiros a receberem a vacina, como forma de garantir a força de trabalho para enfrentar a pandemia.

-> Acesse o plano de vacinação de Santa Catarina

Quando será minha vez de ser vacinado?

Isso vai depender, além dos critérios de prioridade na vacinação, da disponibilidade de vacinas. Em algumas cidades brasileiras, a primeira fase mal começou e já teve que ser suspensa por falta de doses. 
Em Santa Catarina, o governo esclarece que, à medida em que os novos lotes chegarem, o governo e os municípios divulgarão novas estratégias de vacinação. No momento, os vacinadores estão indo até os profissionais da saúde, idosos e indígenas para realizarem a imunização.
Ainda não há datas estabelecidas para as próximas fases de vacinação. Os municípios farão ampla divulgação em meios de comunicação e alguns disponibilizam sites ou aplicativos para você ser avisado. Procure se informar como será a estratégia no seu município.

Quais documentos preciso apresentar na vacinação?

A Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina informa que, na hora da vacinação, será necessário portar os documentos de rotina para o cadastro das doses, como: carteirinha de vacinação ou RG ou CPF ou Cartão Nacional do SUS. Mas os municípios podem ter suas especificidades. Em Florianópolis, por exemplo, a recomendação é que a pessoa atualize o cadastro diretamente com as equipes de saúde.

Como uma pessoa que faz parte de um grupo de risco vai confirmar sua prioridade na vacinação?

Geralmente quando se organiza os locais de vacinação, o município define essas regras, por exemplo, exigindo um laudo médico que identifique que a pessoa tem a doença. "Com H1N1 funciona assim e agora não deve ser diferente", explica Vanessa Jardim.

Quantas doses e qual intervalo das vacinas aplicadas no Brasil?

As duas vacinas que estão sendo aplicadas precisam de duas doses. Para a CoronaVac o intervalo entre as doses é de duas a quatro semanas. Já para a vacina da Oxford/AstraZeneca este intervalo é maior, de quatro a 12 semanas, sendo que os estudos indicam que quando a segunda dose é administrada em um período mais longo a resposta imunológica parece ser melhor. 

A vacinação é obrigatória?

Sim, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu ainda que governos locais podem estabelecer sanções para quem se recusar a tomar vacina. Isso não significa, porém, que o cidadão pode ser levado à força até uma unidade de saúde. Na prática, não foram definidas medidas caso alguém se recuse a tomar a vacina.

Quem já teve Covid-19 pode se vacinar?

Pode e deve! Vanessa Jardim explica que a resposta imunológica de quem já pegou Covid-19 depende muito da carga viral e da gravidade da doença. "A vacina é uma resposta imunológica controlada, até porque quando se faz essa ação de vacinação, não me vacino apenas para garantir a minha imunidade, eu me vacino para que o coletivo ao meu redor esteja protegido, para minimizar a circulação e o adoecimento da população."

Ela esclarece que mesmo quem já produziu anticorpos contra a doença deve se vacinar porque os "caminhos de proteção contra a doença são diferentes no contato direto com o vírus e com a vacina".
"Já se tem estudos apontando que os anticorpos, as imunoglobulinas que a gente detecta no exame de sorologia, são temporárias. O que também tem se dito é que mesmo que as imunoglobulinas zerem, se a pessoa tiver contato de novo com o vírus depois de quatro, cinco meses, ela pode desenvolver novamente a doença, só que de forma mais leve. Então sim, o corpo está desenvolvendo uma resposta imunológica. Só que o nosso sistema imunológico não é restrito a imunoglobulinas. Esse é um dos mecanismos de resposta a um vetor infeccioso. Por isso as vacinas usam diferentes tecnologias, elas vão induzir diferentes tipos de respostas. Quando a gente ouve as diferenças de eficácia de cada uma das vacinas, isso se dá pelas diferentes tecnologias e pela resposta celular que ela vai desenvolver. É muito mais que imunoglobulina."

Uma pessoa com histórico de alergias pode ser vacinada?

Pessoas alérgicas podem e devem tomar a vacina. A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai) reforça neste documento que qualquer vacina contra o Sars-Cov-2 somente é licenciada e liberada para uso na população quando se mostra segura de acordo com os protocolos internacionais de produção e pesquisa clínica, ou seja, nenhuma vacina será utilizada sem estudos que avaliem a sua segurança. E completa: "A grande maioria dos pacientes alérgicos a medicamentos ou a alimentos não são alérgicos a algum componente específico da vacina."   

A Asbai esclarece ainda que as unidades de imunização devem estar preparadas para o atendimento de possíveis reações imediatas, que podem ocorrer com qualquer vacina. Por isso, a enfermeira Vanessa Jardim orienta que pessoas com histórico de alergias procurem tomar a vacina em locais que possam dar suporte médico caso a pessoa apresente alguma reação, ou seja, "a pessoa não é liberada imediatamente após a vacina, ela fica um tempo em observação na unidade de saúde se precisar de algum cuidado". Por isso, esse público deve evitar tomar a vacina em postos volantes ou em esquemas de drive-thru. 

Vanessa orienta ainda que pessoas com histórico de reações alérgicas informem a equipe de vacinação assim que chegarem ao local para se vacinar. "Todas as capacitações que estão sendo feitas agora também reforçam a importância do vacinador questionar se a pessoa tem alergia a algum medicamento ou se costuma ter reações alérgicas, no caso dela esquecer de informar, assim como deve orientar sobre reações tardias à vacina." 

Crianças e adolescentes podem ser vacinados?

Por enquanto, não. Nenhuma das vacinas contra a Covid-19 foi testada em crianças e adolescentes e por isso a imunização não é indicada. Essa orientação é da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que lembra: a Covid-19 raramente leva a casos graves em crianças. Apenas a vacina da Pfizer pode ser aplicada para maiores de 16 anos. Alguns fabricantes já anunciaram que iniciaram estudos para verificar a segurança e a eficácia dessas vacinas em crianças e adolescentes.

Gestantes e lactantes podem ser vacinadas?

Nenhuma das vacinas contra a Covid-19 teve ensaios clínicos em gestantes, ou seja, não há dados científicos para embasar a vacinação dessas mulheres. Porém, elas são um dos grupos de risco para o desenvolvimento da doença. Por isso a orientação da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) é que a gestante converse com seu médico e, em conjunto, avaliem o risco de exposição e contágio, como o local de trabalho e o nível de contaminação na cidade em que a gestante mora: "A decisão de vacinar ou não deve ser compartilhada entre o médico e a própria gestante com base no risco apurado."

Vanessa Jardim completa com mais uma sugestão: caso decida ser vacinada, que a gestante opte por uma vacina com tecnologia mais comum, como a CoronaVac, que é do vírus inativado, muito semelhante à H1N1 e que já tem resultados para esse público.

-> Para mais informações sobre vacinação em gestantes, acesse o documento técnico elaborado em conjunto pela Sociedade Brasileira de Pediatria, Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia e Sociedade Brasileira de Imunizações. 

Sobre as puérperas e lactantes, as entidades médicas recomendam a vacinação. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, "embora não haja estudos nessa população, é improvável que haja algum problema na utilização de vacinas inativadas da Covid-19 em mulheres que estejam amamentando". A Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia esclarece que para as vacinas disponíveis, "nos estudos realizados em animais não foram observados eventos teratogênicos (tudo aquilo capaz de produzir dano ao embrião ou feto durante a gravidez)".

Vanessa lembra ainda que mulheres que estão amamentando e tiveram Covid-19 podem continuar amamentando. "Então não há porque não fazer uso do imunizante."

-> Veja aqui cuidados que devem ser tomados por gestantes e puérperas em relação à Covid-19 

Pessoas com doença autoimune podem ser vacinadas?

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) indica que pacientes que fazem uso de imunossupressores por conta de doenças como lúpus, artrite reumatoide e psoríase devem conversar com seu médico para avaliar, em conjunto, se devem tomar a vacina ou não. Segundo a entidade, o mais recomendável é que a vacinação ocorra quando a doença está estável ou em remissão e o paciente está sem ou com baixo grau de imunossupressão, além da avaliação sobre a situação da pandemia na cidade no paciente.

Pessoas em tratamento oncológico podem ser vacinadas?

Sim, tanto que a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) solicitou no início do mês de fevereiro ao Ministério da Saúde que pacientes oncológicos em todo o território nacional sejam incluídos nos grupos com prioridade na vacinação por serem mais vulneráveis aos riscos de complicações ocasionadas pelo Sars-CoV-2.

A entidade esclarece que o Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19 excluiu o câncer do grupo de comorbidades prioritárias, restringindo-se a incluir na descrição do grupo de imunossuprimidos os pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses e aqueles com neoplasias hematológicas.

A vacina pode tornar o vírus mais resistente?

Não. O objetivo da vacina é diferente do de um antibiótico, por exemplo. Ela atua estimulando o organismo a produzir anticorpos e eles é que matarão o vírus, ao contrário de um medicamento que atua diretamente em uma bactéria.

A enfermeira epidemiologista Vanessa Jardim explica essa diferença no vídeo abaixo:

Mesmo tomando a vacina, eu ainda posso pegar o novo coronavírus e até transmiti-lo para outra pessoa?

Sim. As vacinas indicam que a pessoa imunizada tem menos chance de desenvolver um caso grave da doença, ou seja, precisar de tratamento médico, ser hospitalizada ou morrer. Mas mesmo tomando a vacina, a pessoa pode sim ser infectada pelo Covid-19 e, desta forma, agir como um vetor, transmitindo o vírus. Vale lembrar que a maioria das pessoas são assintomáticas quando estão com o vírus no organismo e isso acontece também para as pessoas vacinadas.

Quanto tempo depois de tomar a vacina fico imunizado?

Essa resposta só teremos depois da fase 4 de desenvolvimento da vacina, que é a fase da farmacovigilância, quando ela começa a ser aplicada amplamente na população.

Poderei receber as vacinas da gripe e da Covid-19 simultaneamente?

A orientação do Ministério da Saúde é que seja respeitado um intervalo de no mínimo 14 dias entre a vacina contra Covid-19 e qualquer outra vacina, não apenas da Influenza. Até o momento não há dados que demonstrem a não interferência da resposta imunológica do organismo quando as duas vacinas são administradas simultaneamente. 

Estou com sintomas de Covid, posso me vacinar?

Se há febre e sintomas ativos da doença, a indicação é aguardar os sintomas passarem para se vacinar. "Pelo menos três dias sem sintomas para fazer uso do imunizante", orienta Vanessa Jardim.

Estou com febre, posso tomar a vacina?

Não. A vacinação deve ser adiada mesmo que a febre não tenha relação com a Covid-19. 

A bebida alcoólica corta o efeito da vacina?

A interação com álcool não foi avaliada em estudos para nenhuma das vacinas disponíveis, mas para outras vacinas do Plano Nacional de Imunização não há restrição nesse sentido.

Tomar mais de uma vacina aumenta a imunidade?

Ainda não há pesquisas nesse sentido, mas diante da escassez de vacinas, esta não é uma opção viável nem coerente com as milhares de pessoas que estão aguardando a vez para se vacinar.

Se tomar a primeira dose e não tomar a segunda, o que acontece?

Se não respeitar o intervalo entre uma dose e outra ou não tomar a segunda dose, os estudos indicam que a eficácia da vacina é reduzida, porque eles são conduzidos para garantir o máximo de eficácia possível. Neste episódio do Science in 5 da OMS, a médica Katherine O'Brien explica que cerca de duas semanas após a primeira dose a resposta imunológica do organismo entra em ação, "mas a imunidade fica ainda mais forte após a segunda dose e não sabemos ainda quanto tempo dura a imunidade das vacinas".

E se tomar uma dose de uma marca e a segunda de outra?

Isso não pode acontecer. A imunização só tem efeito se ambas as doses forem da mesma vacina, pois elas utilizam tecnologias diferentes, explica Vanessa Jardim. "O que a gente tem comprovado é que duas doses de cada uma dessas vacinas vão ter efeito de proteção, na gravidade da doença." Este controle é feito pelas unidades de vacinação, em que é registrado no sistema qual a vacina que a pessoa tomou e quando. A anotação também é feita no cartão de vacinação que é entregue ao cidadão.

Posso desenvolver HIV ou H1N1 se tomar a vacina?

Não há risco. As vacinas são seguras.

A vacina pode alterar meu DNA?

Jamais! Para causar algum dano ao nosso DNA, que está em todas as nossas células, seria preciso haver uma exposição intensa e contínua, afirma Vanessa: "Não há a menor lógica dentro da resposta do corpo humano, química e biologicamente, uma alteração do nosso padrão celular por meio de uma vacina."

Quais são os efeitos colaterais que podem ocorrer após a vacina?

As reações mais comuns relatadas até o momento são muito parecidas a de outras vacinas, como da H1N1: vermelhidão no local da aplicação, febre baixa, dor de cabeça e sensação de cansaço. Vanessa Jardim explica que são reações muito leves e evidenciam que o organismo está reagindo: "É o corpo trabalhando para criar a memória imunológica." A OMS adverte que "efeitos colaterais mais graves são possíveis, mas extremamente raros".

Posso comprar a vacina?

A vacina não está disponível em clínicas particulares e ainda está em discussão quando o setor privado poderá comprar lotes das vacinas contra a Covid-19 no Brasil.

Vou ter que tomar a vacina todo ano para ficar imunizado?

Ainda não se sabe. A fase 4, de acompanhamento da população vacinada, é que vai indicar o tempo de imunização e de quanto em quanto tempo será necessário tomar a vacina, como ocorre com a da H1N1. 
"A gente precisa lembrar que doenças infecto-contagiosas demoram décadas para serem erradicadas. Com a vacinação, será necessário avaliar a taxa de resposta e permanência dos anticorpos na população. E tem ainda a questão da mutação viral que precisa ser analisada para ter certeza que controlamos a transmissão do vírus", pondera Vanessa.

Depois de vacinado, posso relaxar as medidas de prevenção?

Não. Com a vacina você está mais protegido para não desenvolver a doença, principalmente para uma situação grave, mas você pode agir como um vetor, ou seja, pode continuar transmitindo o vírus.
"É um pacto coletivo. Enquanto tiver vírus circulante na população não é possível afrouxar as medidas de segurança, mesmo com o processo de vacinação da população", explica Vanessa. Além disso, uma parcela mínima da população está sendo vacinada. Até atingir a imunização coletiva e conseguir derrubar a circulação do vírus é necessário usar máscara, manter o distanciamento físico e evitar permanência em locais fechados, mesmo já tendo sido vacinado.

Aqui no IFSC Verifica já tivemos um post só pra responder esta pergunta: 
-> Quando tivermos vacina, não teremos mais pandemia? 

Há previsão de quanto tempo depois da vacinação essas medidas poderão ser relaxadas?

Ainda não é possível prever quando a circulação do vírus será contida.

Quando se pode falar em imunidade de rebanho?

A imunidade coletiva (ou de rebanho) é a proteção indireta de uma doença infecciosa que ocorre quando uma população é imune por vacinação ou imunidade desenvolvida por infecção anterior. Segundo Rosane, isso significa que mesmo as pessoas que não foram infectadas ou nas quais uma infecção não desencadeou uma resposta imune, elas estão protegidas porque as pessoas ao seu redor que são imunes podem atuar como amortecedores entre elas e uma pessoa infectada. O limiar para estabelecer imunidade de rebanho para a Covid-19 não está claro no momento, segundo a Organização Mundial da Saúde.

-> Neste post tratamos sobre o assunto: A imunidade coletiva pode acabar com a pandemia?

É possível erradicar a Covid-19?

Ainda é cedo para sabermos. Rosane explica que, quanto maior a capacidade de mutação do vírus, mais difícil será erradicá-lo. "O grande segredo é a vacinação em massa, pois mesmo sem erradicar o vírus, poderemos controlar a disseminação, como já acontece com outras doenças infecciosas que dizimavam populações e hoje estão controladas."

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INSTITUCIONAL IFSC VERIFICA

Você tem um ou mais fatores de risco para a Covid-19?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 15 set 2020 14:10 Data de Atualização: 18 fev 2021 18:32

Para algumas pessoas, o vírus Sars-Cov-2 causa apenas sintomas leves e semelhantes aos da gripe. Porém, para outras, pode ocasionar a forma grave da Covid-19. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 40% dos casos parecem ter doença leve; 40%, doença moderada; 15% parecem progredir para doença grave; e 5% ficam em estado crítico. Pessoas idosas e com condições de saúde preexistentes (como pressão alta, doenças cardíacas, doenças pulmonares, câncer ou diabetes) parecem desenvolver doenças graves com mais frequência do que as outras. 

O IFSC Verifica foi pesquisar o que são fatores de risco para o desenvolvimento da forma grave da Covid-19. Veja no post de hoje:

- O que são fatores de risco

- Estatísticas sobre os fatores de risco em relação aos óbitos

- Hábitos que minimizam os fatores de risco

- Cuidados que todos devemos tomar

- Por que é tão difícil controlar os fatores de risco no Brasil

O que são fatores de risco?

Segundo a professora de Enfermagem Juliana Fernandes da Nóbrega, do Câmpus Florianópolis, a expressão “fatores de risco” é mais correta que “grupos de risco”. Ela explica que fatores de risco são uma série de condições e comorbidades, ou seja, doenças prévias que fazem com que a pessoa tenha maior probabilidade de desenvolver a forma grave da doença, de necessitar de hospitalização ou ter mais chances de morrer em comparação a quem não tem nenhum fator. 

Porém, a professora alerta que isso não quer dizer que a pessoa que não tenha fatores de risco não possa desenvolver a forma grave da doença, pois há muitos casos de pessoas jovens e saudáveis com sintomas graves ou mesmo indo a óbito.

Além disso, ter um fator de risco não significa que a pessoa tem mais chances de se contaminar pelo Sars-Cov-2, apenas que, se contaminada, tem maior possibilidade de desenvolver a forma grave de Covid-19, que em termos técnicos também pode ser chamada de Síndrome Aguda Respiratória Grave (SRAG).

Quais os principais fatores de risco?

O Boletim Epidemiológico 30, do Ministério da Saúde, aponta que de 16 de fevereiro a 5 de setembro de 2020, o Brasil registrou 122.772 mortes por SRAG ocasionada pela Covid-19. Destes, 78.037 (63,6%) apresentavam pelo menos uma comorbidade ou fator de risco para a doença.  

Segundo a professora de Enfermagem, os principais fatores de risco são a idade avançada (acima de 65 anos) e doenças crônicas não transmissíveis, como cardiopatias (entre elas a hipertensão arterial sistêmica, a “pressão alta”), diabetes tipo 2 e obesidade/sobrepeso. Quanto mais fatores de risco a pessoa tiver, mais risco ela corre de desenvolver sintomas graves.

São doenças muito relacionadas à idade, pois quanto mais velha for a pessoa, mais chance ela tem de desenvolver doenças crônicas. Porém, este não é o único fator: “por exemplo, no Brasil e nas Américas, há uma grande incidência de crianças obesas, que é um fator de risco”, alerta a professora Juliana, lembrando ainda que muitas crianças com comorbidades também desenvolveram os sintomas graves da Covid-19.

Veja a explicação mais detalhada no vídeo:

 

Quais outros fatores de risco para desenvolver a forma grave da Covid-19?

Além dos já citados, há vários outros fatores de risco e comorbidades que podem agravar quadros de Covid-19. O gráfico abaixo, do Ministério da Saúde, demonstra quais os mais prevalentes entre as pessoas que morreram da doença no Brasil no período de 16 de fevereiro a 7 de setembro de 2020:

Gráfico mostra comorbidades e fatores de risco dos óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19

Para pessoas com 60 anos ou mais, cardiopatias, diabetes, doenças neurológicas e renais foram os principais fatores apresentados. Já entre as pessoas com menos idade, a obesidade está em terceiro lugar em número de óbitos. 

Outros fatores também podem ser destacados, como doenças relacionadas ao pulmão (pneumopatias como Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, asma, entre outras), visto que a Covid-19 compromete significativamente as vias respiratórias. É importante lembrar que o hábito de fumar é fator de risco para doenças respiratórias, o que torna o fumante ainda mais vulnerável às complicações da Covid-19. Veja no site Saúde Brasil, do Ministério da Saúde, quais os bons motivos para deixar de fumar durante a pandemia e dicas de como fazê-lo.

Pessoas imunodeprimidas também estão entre as que apresentam fatores de risco, como portadores de HIV, doenças autoimunes (artrite reumatoide, lúpus, entre outras), ou qualquer situação que necessite do uso de imunossupressores, como transplante de órgãos. Porém, segundo a professora, nem todos os medicamentos imunossupressores tornam a pessoa mais vulnerável para desenvolver a forma grave da Covid-19. Nesse caso, o importante é o paciente conversar com seu médico.

O gráfico acima destaca ainda outras doenças, como neurológicas, hepáticas, renais e hematológicas como fatores de risco. Em todos os casos, segundo a professora Juliana, o alerta maior é para os pacientes que não estão realizando o tratamento adequado, pois o desequilíbrio das doenças preexistentes torna esses pacientes mais vulneráveis à forma grave da Covid-19.

Sobre pacientes com câncer, um estudo do Instituto Nacional do Câncer (Inca) detectou que esses indivíduos têm mais chances de desenvolver a forma grave da Covid-19. Entre os principais fatores do agravamento estão a idade, o câncer em estado avançado, a metástase, o paciente em cuidado paliativo e a Proteína C Reativa (que é detectada no sangue). Veja mais detalhes sobre o estudo na página do movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC), que também traz dicas para esses pacientes.

- Veja mais sobre os riscos durante a gravidez e puerpério.

- Saiba mais sobre a relação entre obesidade e Covid-19.

- Veja no estudo do CDC (em inglês) informações mais detalhadas sobre riscos e tratamentos para doenças crônicas específicas.

Manter o fator de risco sob controle

Para quem tem um fator de risco, é importante manter a doença de base estabilizada. De acordo com a professora Juliana, se a pessoa já sabe que tem uma doença de base, o que ela deve fazer nesse momento é manter o tratamento e adotar hábitos de vida saudáveis. “O CDC, que é o Centro de Prevenção e Controle de Doenças, trouxe um documento sobre a pandemia ressaltando a importância do controle adequado dessas doenças crônicas. Uma pessoa que tenha uma doença crônica que esteja muito controlada, ela zera o fator de risco, fica no mesmo patamar que aquela que não tem”, destaca Juliana. 

Por exemplo, caso um diabético que está com a glicemia controlada e praticando exercício físico contraia a Covid-19, o organismo dele vai responder melhor à doença do que um diabético sem esses cuidados. O mesmo vale para pessoas com imunossupressão, doenças autoimunes, pacientes renais, entre outras.

Como aumentar os fatores de proteção contra a forma mais grave da Covid-19

- Manter o uso de medicamentos prescritos pelo médico e a agenda de consultas de rotina;

- Manter uma alimentação saudável (veja dicas sobre como se alimentar com qualidade durante a pandemia);

- Evitar o sedentarismo (veja dicas para realizar exercícios físicos com segurança durante a pandemia);

- Manter uma rede de contatos, com familiares e amigos, evitando o isolamento e cuidando da saúde mental (veja dicas sobre como cuidar da saúde mental durante o distanciamento social);

- Filtrar o tipo de informação recebida, evitando orientações erradas sobre tomar ou não medicações. Em caso de dúvida, consultar o médico de confiança.

No vídeo, a professora Juliana explica como a saúde em equilíbrio é fator de proteção contra a Covid-19 e outras doenças:


Evitar a contaminação é para todos

Pessoas com ou sem fatores de risco têm a mesma chance de se contaminar com o novo coronavírus. Por isso, as recomendações de prevenção valem para todos.  “Os cuidados, a prevenção, precisam ser para todos nós, mesmo para quem não tem fatores de risco. Até porque ao me cuidar, eu cuido do outro. Então a gente reforça essa fala, que é uma ação comunitária, muito para além do individual”, destaca a professora Juliana.

Para as pessoas com fatores de risco, o importante é minimizar a exposição ao vírus segundo Juliana, adotando medidas como distanciamento social, uso de máscaras, lavagem das mãos, entre outros. Como estamos há seis meses de distanciamento social, é difícil se manter em casa. Assim, quando for necessário sair, tomar todos os cuidados possíveis, como manter distanciamento, usar máscara e preferir locais abertos.

Por que é tão difícil controlar os fatores de risco no Brasil

As doenças crônicas não transmissíveis (cardiopatias, diabetes e obesidade) são as responsáveis pelas principais causas de morte no mundo e no Brasil. “Podemos citar o infarto agudo do miocárdio e as doenças cérebro-vasculares, o acidente vascular cerebral, o famoso derrame, que são resultado dessas doenças crônicas, quando não bem acompanhadas e tratadas”, aponta a professora Juliana. 

Segundo ela, o quadro dessas doenças é mais preocupante no Brasil devido a uma particularidade: muitas pessoas descobrem que têm doenças crônicas apenas quando têm um problema grave, como um infarto ou derrame. Além disso, a pandemia do novo coronavírus agravou esse cenário: muitas pessoas descobrem que têm uma doença crônica apenas quando estão sendo internadas nas UTIs com Covid-19. “Quando a gente pensa nas mazelas socioeconômicas, que o serviço de saúde não chega a todos, ou chega de forma insuficiente, sabemos que essas pessoas estão muito mais vulneráveis a desenvolver a forma grave da doença”, alerta Juliana. 

Para a professora, “a pandemia escancara o retrato de saúde do Brasil. É também característica de países que não investem com força em ações de promoção da saúde, eles têm alta prevalência e incidência de doenças crônicas não transmissíveis, e por consequência uma alta incidência de crianças, jovens, adultos e idosos que estão desamparados e mais expostos aos agravos desta pandemia”. Dessa forma, “mudar o foco” da atenção da saúde para a prevenção é a melhor maneira de evitar complicações pela Covid-19 e outras doenças.

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Preciso ir ao dentista. É seguro?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 08 set 2020 15:55 Data de Atualização: 18 fev 2021 18:30

Gostar, ninguém gosta. Mas as visitas regulares ao dentista são um cuidado que deve integrar a rotina de todas as pessoas desde a infância, com foco na saúde bucal e também no bem-estar integral.

Porém, com a pandemia do novo coronavírus – um patógeno transmitido pela saliva – vários cuidados devem ser tomados quando é hora de consultar um profissional da área. Além do reforço nas medidas de biossegurança dos consultórios, normas dos órgãos de saúde preveem também critérios para definir que tipos de atendimentos devem ser priorizados e quais podem esperar.

Neste post, você vai entender:

-Por que os atendimentos odontológicos são motivo de atenção dos órgãos de saúde durante a pandemia;
-Que atendimentos devem ser priorizados e quais podem ser deixados para depois;
-A diferença entre urgência e emergência odontológica;
-Como proceder caso você precise de atendimento odontológico.

Quais os riscos do atendimento odontológico com a pandemia?

De acordo com a dentista do Câmpus São José do IFSC, Patrícia Rocha Kawase, a especificidade do atendimento odontológico deixa suscetíveis tanto o paciente quanto o profissional, em função, principalmente, da proximidade física obrigatória entre ambos.

Além disso, o atendimento também envolve o contato com fluidos corporais, em especial a saliva. Na realização dos procedimentos, o uso de equipamentos que geram aerossol – “sprays” com gotículas de saliva e fluidos, em geral imperceptíveis, mas potenciais transmissores do coronavírus – é outro fator de atenção. No vídeo, a profissional explica essas peculiaridades.
 

 

Então o que muda no atendimento odontológico com a Covid-19?

Patrícia Kawase explica que a principal recomendação no momento atual é adiar todos os atendimentos que podem esperar (os chamados procedimentos eletivos), dando prioridade apenas a casos de urgência ou emergência. Segundo ela, embora a nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detalhe o que pode ser enquadrado como urgência e como emergência, a decisão por fazer o atendimento ou não deve ser baseada em casa caso. “O critério e a decisão final são sempre resolvidos na relação entre o paciente e o profissional de saúde”, ressalta.

Além da nota da Anvisa, que serve de base a recomendações específicas feitas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), as orientações para os atendimentos odontológicos no contexto da pandemia também são assunto de uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento recomenda que visitas de rotina ao dentista que visem apenas check-ups, limpeza e cuidados preventivos devem ser adiadas por enquanto, assim como as consultas para procedimentos estéticos. 

O que pode ser considerado urgência ou emergência odontológica?

Pode-se resumir da seguinte forma: as urgências são os atendimentos que devem ser priorizados, mas não representam risco maior para o paciente; já as emergências podem envolver risco à vida. Os casos urgentes são os que envolvem dor, como a fratura de um dente, por exemplo. Os de emergência abrangem sangramentos não controlados, infecções, celulite facial (doença bacteriana) e traumatismos. A Secretaria da Saúde de Santa Catarina emitiu, em abril deste ano, nota técnica que detalha os quadros que podem ser considerados urgência ou emergência odontológica. A dentista Patrícia Rocha Kawase explica no vídeo esses critérios.
 

 

Estou com dor e inchaço na gengiva. Devo ir ao dentista ou esperar?

Tanto a OMS quanto os órgãos de saúde locais recomendam que, neste momento de pandemia, seja adotado um sistema de atendimento remoto para a avaliação prévia dos pacientes a distância. Essa primeira triagem visa garantir que somente os pacientes que se enquadrem em casos de urgência ou de emergência desloquem-se até o espaço de atendimento, seja ele clínica particular ou posto de saúde.

Em Florianópolis, por exemplo, o paciente odontológico pode fazer esse contato prévio por meio do Whatsapp do seu centro de saúde de referência (veja a lista). Na conversa com o profissional de atendimento, ele dá o máximo possível de detalhes sobre o caso e, a depender da gravidade, pode ser apenas orientado sobre cuidados básicos, receber prescrição de medicação ou ser encaminhado para consulta de urgência ou emergência. Nesse atendimento remoto, o paciente também é questionado sobre possíveis sintomas de Covid-19 e, caso necessário, é feito o devido encaminhamento.

Neste momento, portanto, o recomendável é buscar uma avaliação prévia do seu caso antes de ir ao consultório. Informe-se em sua cidade sobre o funcionamento dos serviços odontológicos na rede pública ou, caso prefira atendimento particular, converse com seu dentista.

-> Conheça o protocolo de atendimento remoto dos postos de saúde de Florianópolis.

E no consultório, o que mudou?

Profissionais de odontologia e equipes de suporte que atuam nos ambientes de atendimento devem obedecer a uma série de regras em função da pandemia. A recomendação de que se evitem procedimentos eletivos resulta na diminuição da circulação de pessoas nos ambientes, o que reduz os riscos de transmissão.

Porém, para urgências e emergências o comparecimento presencial é compulsório, assim como a interação do paciente com os profissionais em atendimento. Por isso, novos protocolos de biossegurança foram implementados.

Esses cuidados abrangem basicamente o reforço na higienização dos ambientes e equipamentos, o maior rigor no potencial de proteção da indumentária dos profissionais – tanto dentistas quanto equipe auxiliar – e a diminuição no número de atendimentos, possibilitando maior intervalo de tempo entre um paciente e outro e evitando a presença de muitas pessoas na sala de espera.

Os pacientes, por sua vez, são solicitados a higienizar as mãos na entrada da clínica ou consultório, utilizar proteção nos cabelos (touca), pés (sapatilhas) e rosto (máscara facial) – esta última, claro, enquanto não estiver em atendimento.

Meu dentista parece um astronauta :D

Antes da pandemia, a indumentária dos dentistas já previa uso obrigatório de jaleco, luvas, óculos e máscaras faciais, no intuito de reduzir o potencial de contágio por quaisquer micro-organismos. Com a Covid-19 e seu risco de transmissão por meio da saliva, esses profissionais passaram a adotar, também, avental impermeável por cima do jaleco e protetor facial tipo “face shield”. A especificação das máscaras faciais também ficou mais rigorosa.

“A contaminação por partículas aéreas é uma situação que já é esperada na área de saúde, e especificamente na odontologia. Para esse vírus, o que mudou foi a especificação da máscara, que agora deve ter uma capacidade maior de proteção. O protetor facial, que não fazia parte da nossa indumentária, agora também é necessário, assim como o uso de avental impermeável”, descreve a dentista Patrícia Kawase. Outra recomendação que ela destaca é a troca do sugador convencional por uma bomba de vácuo, que ajuda a diminuir a formação de aerossóis e reduz, também, a necessidade de o paciente cuspir durante o procedimento.

Os protocolos de segurança envolvem também a manutenção de janelas abertas e o não uso de ar-condicionado, para favorecer a troca constante de ar do ambiente.

-> Consulte o documento da OMS sobre atendimentos odontológicos durante a pandemia de Covid-19 (em inglês)

-> Leia as normativas da Anvisa, do CFO e da Secretaria de Estado da Saúde sobre atendimentos odontológicos na pandemia

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Animais de estimação podem contrair o novo coronavírus?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 01 set 2020 10:42 Data de Atualização: 18 fev 2021 18:29

As incertezas com a pandemia do novo coronavírus atingem também os animais de estimação. Há vários relatos pelo mundo de pets que testaram positivo para o SARS-CoV-2. No entanto, não há nenhuma evidência científica de que eles possam transmitir a doença para humanos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). 

As médicas veterinárias do IFSC Carolina de Castro Santos e Aline Mello explicam neste post:

- O que as pesquisas científicas revelam sobre a Covid-19 em animais de estimação. Eles adoecem da mesma forma que humanos?

- Se há alguma evidência de que um animal doente possa transmitir o vírus para humanos.

- Os cuidados que devem ser tomados com os pets durante os passeios ou em casa, caso alguma pessoa esteja infectada pelo novo coronavírus.

- E alertam sobre o risco de pessoas utilizarem medicamentos veterinários.

A médica veterinária Carolina de Castro Santos, professora de Produção Animal do Câmpus Canoinhas do IFSC, afirma que assim que a epidemia começou, acreditava-se que os animais de companhia não corriam risco de contrair Covid-19 dos seus tutores. No entanto, logo nas primeiras semanas surgiram relatos de transmissão de zoonose reversa para animais. "A zoonose é uma doença transmitida do animal para o homem. A zoonose reversa é o processo contrário, transmitida do homem para o animal".

As notificações de animais com a Covid-19 e as pesquisas feitas em laboratórios estão sendo reunidas pela Organização Internacional para a Saúde Animal (OIE) e podem ser acompanhadas na página "Eventos em animais". O objetivo é reunir relatos para tentar entender quais animais são mais suscetíveis ao vírus, como adoecem, quais são mais resistentes e como ocorre a transmissão entre humanos e animais.

O que se sabe até agora é que há resultados positivos para o novo coronavírus em cães, gatos, animais de zoológico e de criação, segundo o levantamento da OIE. Todos os casos estão sendo monitorados. Entre cães domésticos há relatos na China e nos Estados Unidos. Já entre gatos, foram confirmados casos de contaminação em vários países, como China, Bélgica, França, Espanha, Alemanha, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Em um zoológico de Nova York também houve diagnóstico em leões e tigres.

Além disso, segundo Carolina, estudos experimentais recentes demonstraram que gatos e furões podem ser infectados pelo vírus SARS-CoV-2 e transmitir a infecção para outros gatos ou furões. "A pesquisa indica que os animais infectados podem ser assintomáticos ou apresentar febre, sinais respiratórios leves ou sinais gastrointestinais. Mas essa informação deve ser analisada com cautela, visto que o estudo publicado não passou por revisão científica por pares e não apresentou dados de saúde e nem o status imunológico dos gatos para as principais viroses felinas, que poderiam interferir nos resultados do experimento. Não há, portanto, nenhuma comprovação científica que algum animal tenha ficado doente pelo SARS-CoV-2", completa.

Já os cães, suínos, galinhas e patos parecem ser menos suscetíveis à Covid-19, de acordo com os estudos reunidos pela OIE.

Como os pets são infectados?

Os casos de pets com Covid-19 têm em comum o fato de os animais viverem em famílias com casos de humanos suspeitos ou confirmados da doença, segundo os relatos reunidos pela OIE.

A médica veterinária do Câmpus Florianópolis-Continente do IFSC, Aline Mello, lembra que a convivência das pessoas com seus pets muitas vezes é bem próxima. "Eu também tenho gato em casa e sei como é, quando a gente adoece eles querem ficar junto, vêm pra cima da cama. A chance maior é da gente transmitir pra eles. Não há nenhum relato no mundo do animal ter servido de fômite."

O fômite a que ela se refere é qualquer objeto ou substância capaz de absorver e transportar o vírus. Poderia se pensar, por exemplo, que as patas dos cães ou gatos pudessem levar o vírus da rua para casa e contaminar as pessoas. "No entanto não há nenhuma evidência científica de que isso tenha ocorrido", afirma. 

Mas como ainda há muitas incertezas em relação à Covid-19, organizações internacionais como o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa e Saúde Pública Veterinária da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (PANAFTOSA-OPAS/OMS) e a Organização Internacional de Proteção Animal Mundial (World Animal Protection) sugerem alguns cuidados com os pets, principalmente na hora de passear na rua. 

Entre esses cuidados, Carolina reforça que o uso de álcool em gel é contraindicado para animais: "Ao retornar do passeio, o tutor deve lavar as patas dos cães com shampoo específico."

Já em relação aos gatos, a orientação é mantê-los dentro das residências, independentemente da pandemia. "Gatos que frequentam a rua têm sua expectativa de vida muito reduzida, por atropelamento, envenenamento e doenças infecciosas adquiridas com o contato com outros gatos de rua", afirma Carolina.

E quem tiver Covid-19, como pode proteger seu animal?

Como os relatos indicam que os animais podem ser afetados pelo novo coronavírus, a OIE recomenda que pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pelo SARS-CoV-2 limitem o contato com seus animais.  Práticas de higiene, como lavar as mãos, são fundamentais e não devem ser esquecidas antes e depois das interações com animais. 

"O ideal é que os cuidados com o pet sejam realizados por pessoas que não estejam com suspeitas da doença. Se a pessoa morar sozinha com o animal, ela deve sempre usar máscara quando estiver lidando com o pet e o compartilhamento de alimentos não deve ser realizado. O tutor também não pode permitir que o animal lhe dê lambidas", orienta Carolina.

A vacina contra coronavírus para cães imuniza para Covid-19? 

Antes de mais nada, vale lembrar que o coronavírus ficou mundialmente falado com a pandemia de Covid-19, mas na verdade é um antigo conhecido.

Os coronavírus fazem parte de uma grande família de vírus, a Coronaviridae, que pode acometer tanto animais quanto seres humanos. A veterinária Carolina explica que existem quatro gêneros pertencentes à família Coronaviridae, os Alphacoronavirus, Betacoronavirus, Gammacoronavirus e os Deltacoronavirus. "Cães e gatos podem ser acometidos pelos coronavírus do gênero Alphacoronavirus. As vacinas múltiplas (V8 ou V10), utilizadas em cães para prevenir diversos tipos de doenças, realmente inclui cepas de coronavírus, que são espécies específicas. No caso dos cães, ela protege contra o coronavírus entérico canino (CCoV), que causa gastroenterite, infectando as células intestinais. Já o coronavírus felino (FCoV) causa nos gatos a peritonite infecciosa felina, para qual não há vacina no Brasil.

A veterinária Aline completa ao afirmar que a vacina para cães, por exemplo, imuniza o animal apenas para o coronavírus canino e não o protege da Covid-19. Ela também faz um alerta para as pessoas que pensam em tomar a vacina para coronavírus canino. Veja no vídeo:

 

Medicamentos veterinários não podem ser usados por humanos

Além da vacina para cães, na ansiedade para se proteger do novo coronavírus tem muita gente que também está apelando a receitas caseiras e uso de medicamentos sem comprovação científica para a Covid-19. É o caso da Ivermectina, um remédio bastante usado para piolho e sarna. 

A procura por este e outros produtos em clínicas veterinárias levou o Conselho Federal de Medicina Veterinária a fazer um alerta sobre os perigos de se utilizar medicamentos veterinários em humanos, "uma vez que não foram desenvolvidos e testados em pessoas, ou seja, não existem dados que atestem a segurança e a eficácia do uso dessas formulações em humanos”:

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É arriscado engravidar na pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 25 ago 2020 15:55 Data de Atualização: 18 fev 2021 18:20

Todos nós tivemos planos afetados por causa da pandemia de Covid-19. Mas, para algumas mulheres, o impacto bateu em cheio com o projeto da maternidade. Quem já estava grávida antes de tudo isso começar, ou engravidou durante esse período, se viu em situação delicada quando o Ministério da Saúde anunciou em abril que grávidas e puérperas (até duas semanas após o parto) fazem parte do grupo de risco, ou seja, têm maior risco de sofrer complicações da Covid-19. 

Neste post, vamos abordar as seguintes questões:

- Quais os riscos de engravidar na pandemia?
- Por que o Brasil teve mais mortes de gestantes com Covid-19?
- É preciso ter algum cuidado especial por estar grávida?
- Há algum tipo de parto mais indicado para quem está com a doença?
- As mulheres com coronavírus podem amamentar?
- Como lidar com o puerpério em plena pandemia?

A gravidez durante a pandemia traz riscos específicos?

Sim. A consideração é da enfermeira obstétrica e professora do Câmpus Florianópolis do IFSC Juliana Monguilhott, atual presidente da Associação Brasileira de Obstetrizes e Enfermeiras Obstetras em Santa Catarina (Abenfo-SC). O risco não é pelo fato de a mulher grávida ter mais chance de se contaminar pelo coronavírus, mas sim porque a gestação acarreta alterações fisiológicas que podem dificultar a resposta do corpo da gestante ao vírus. “A própria gestação já traz algumas consequências fisiológicas para o corpo da mulher e a gente sabe que muitas delas estão relacionadas ao sistema cardiovascular e respiratório, que são justamente dois dos sistemas mais atingidos pelo coronavírus”, explica Juliana. 

 

Existe alguma orientação para evitar gravidez neste momento?

Não, não há nenhuma normativa contraindicando a gestação neste momento. No entanto, em abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu uma nota técnica recomendando a suspensão temporária de procedimentos de reprodução humana assistida. 

"É uma situação bem complexa, porque o planejamento familiar para cada mulher e para cada família engloba diversos fatores”, afirma Juliana. Segundo a professora, é preciso considerar, por exemplo, a situação de uma mulher com mais de 35 anos, que já tem uma reserva ovariana menor e que tem pressa em engravidar; e a de outra mais jovem que pode se planejar e decidir não engravidar no meio dessa pandemia. “Para essa mulher que pode se planejar, eu diria que sim, é arriscado engravidar. Então se ela pode esperar, é melhor”, diz.

-> OMS esclarece dúvidas sobre planejamento familiar e métodos contraceptivos na pandemia

Estou grávida. E agora?

É importante que as mulheres grávidas tenham rigor nos cuidados para evitar o contágio com o vírus - que são os mesmos para todos, como o uso de máscara, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social. Além disso, devem fazer o acompanhamento pré-natal com bastante atenção.


Tão logo apresente qualquer sintoma, a gestante deve procurar atendimento médico para evitar agravamento do quadro, orienta a professora do IFSC. Também não se deve tomar nenhuma medicação por conta própria: caberá ao médico indicar o tratamento de acordo com cada situação. “A gente vê sendo divulgado o uso de ivermectina, de cloroquina, de várias medicações que não têm evidência científica e que, no caso da gestante, pode ter efeito colateral para ela e para o bebê”, alerta.

-> Cloroquina e hidroxicloroquina: esses medicamentos têm eficácia contra a Covid-19?

“O que tem que se pensar é no isolamento social, na ingestão de líquido, numa alimentação saudável com frutas e minerais para aumentar a imunidade e reduzir as chances da gestante ser infectada com o vírus”, orienta a professora. 

-> Leia o post: É possível prevenir o coronavírus por meio da alimentação?

O que tem que se pensar é no isolamento social, na ingestão de líquido, numa alimentação saudável com frutas e minerais para aumentar a imunidade e reduzir as chances da gestante ser infectada com o vírus

Existe um momento mais crítico durante a gestação?

A professora do IFSC informa que, no final da gestação, contrair o vírus pode levar a um parto prematuro. “Muitas vezes, essa mulher que contraiu o vírus apresenta uma dificuldade respiratória e acaba sendo indicada a indução do trabalho de parto ou a própria cesariana”, diz. 

Segundo Juliana, ainda não há evidências científicas das consequências quando o coronavírus é identificado no primeiro e no segundo trimestre da gestação. “O que a gente tem é que, no fim da gestação e, principalmente, no puerpério, algumas mulheres que estão tendo esse diagnóstico estão ficando mais graves e muitas delas estão indo a óbito por falta de assistência adequada no tempo oportuno”, afirma.  

É mais perigoso ser gestante no Brasil neste momento?

Em julho, um estudo publicado no periódico médico International Journal of Gynecology and Obstetrics chamou a atenção para o risco de ser gestante no Brasil neste momento. A pesquisa apontou que 124 mulheres gestantes ou que estavam no período do puerpério haviam morrido de Covid-19 no Brasil até a conclusão do estudo. Esse número representou 77% das mortes registradas no mundo no período, ou seja, morreram mais mulheres grávidas ou no pós-parto no Brasil do que em todos os outros países somados. O estudo foi feito por um grupo de enfermeiras e obstetras brasileiras ligadas à Unesp, UFSCAR, Fiocruz, IMIP e UFSC.


Um estudo do Grupo Brasileiro para Estudos de Covid-19 e Gestação, publicado no periódico BJOG, uma publicação internacional de Obstetrícia e Ginecologia, em 16 de agosto, apontou que, até agora, os principais fatores de risco para morte materna por Covid-19 foram: ser puérpera no momento da notificação da Covid, obesidade, diabetes e doença cardiovascular. Ser branca mostrou-se fator de proteção.

Segundo Juliana, não existem dados confiáveis do número de gestantes contaminadas por Covid-19 no Brasil e nem de óbitos desse grupo. Nos boletins que o Ministério da Saúde divulga, essa informação não está disponível. 

Para a professora, qualquer número que se apresente hoje em relação a gestantes e Covid-19 deve estar subestimado. Um estudo publicado pela Escola Nacional de Saúde Pública em junho deste ano apontou que o número de gestantes assintomáticas pode variar de 66% até 100%.

-> Entenda a diferença entre doentes assintomáticos, pré-sintomáticos e sintomáticos

“Além do número de assintomáticas, deve ter um número bem maior de gestantes contaminadas porque nem todas são testadas e, no número que os municípios enviam para o Ministério da Saúde, não tem como informar a fase da gestação e nem se a mulher é puérpera ou está amamentando”, conta. “E a gente sabe que em muitas mortes maternas pelo coronavírus, as mulheres foram diagnosticadas no puerpério”, completa.

No início de agosto, em reunião com deputados da comissão externa que acompanha ações de combate ao coronavírus da Câmara de Deputados, o Ministério da Saúde informou que gestantes serão submetidas a protocolos específicos de atendimento e que todas serão testadas para Covid-19 no final da gestação. O secretário de atenção primária do Ministério da Saúde, Raphael Parente, reconheceu que a mortalidade materna no Brasil ainda é alta e informou que até o dia 1º de agosto tinham sido registrados 199 óbitos de mulheres grávidas no Brasil, 135 por Covid-19. Segundo dados apresentados pela pasta no evento, as gestantes têm risco 1,5 maior de internação em UTI com necessidade de ventilação mecânica em relação ao restante da população.

Diante desse contexto de pandemia, a professora do IFSC destaca a necessidade de se pensar em um modelo de atendimento que exponha menos as gestantes, como é a proposta dos centros de parto normal (CPN). Em Santa Catarina, ainda não há estrutura desse tipo que possa acolher as gestantes de risco obstétrico habitual, evitando colocá-las em risco em uma maternidade de grande porte com vários casos de Covid-19, por exemplo. “A gente precisa sim de uma atenção que priorize a fisiologia do parto e nascimento, como são os centros de parto normal, permitindo que as maternidades e hospitais de grande porte fiquem para as mulheres que realmente precisam, para quem tem gestação de alto risco ou tem alguma interferência”, defende Juliana, que está envolvida no projeto que busca implantar um CPN em Florianópolis - do qual o IFSC é parceiro.

Algum tipo de parto é mais indicado para quem tem Covid-19?

O fato de uma gestante ter Covid-19 não representa uma indicação para determinado tipo de parto. “A gente já sabe dos inúmeros benefícios do parto normal para a mãe e para o bebê, então se ela tem um quadro bom, a ausculta cardíaca fetal se mantém boa durante o trabalho de parto, a gestante pode seguir para um parto normal”, explica a professora. Caberá ao obstetra avaliar cada caso, como já ocorre normalmente.

Já o parto na água está contraindicado para parturientes com Covid-19 - sejam casos suspeitos ou já confirmados - pelo risco de contaminação pela água, conforme nota técnica do Ministério da Saúde.

-> Leia o post sobre a transmissão do coronavírus pela água 

O diagnóstico de Covid-19 também confere à gestação um grau de alto risco, o que inviabiliza, por exemplo, a realização de um parto domiciliar - que hoje é uma opção só feita por equipes particulares em gestações que não sejam de risco. Esse tipo de parto não faz parte da rede de atenção à saúde e não é feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Portanto, a gestante com Covid-19 deve ser encaminhada a um hospital ou maternidade para ter o bebê.

Por causa da pandemia, as maternidades mudaram seus protocolos de atendimento limitando o número de acompanhantes com a gestante e proibindo as visitas. O indicado é que cada gestante entre em contato com a instituição onde pretende fazer seu parto para conferir as novas regras de cada lugar.

-> Veja nota do Ministério da Saúde com recomendações para o trabalho de parto, parto e puerpério durante a pandemia

A mãe com Covid-19 passa o vírus para o bebê?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, ainda não se sabe se mulheres grávidas com Covid-19 podem passar o vírus para o bebê durante a gravidez ou no trabalho de parto. Mas a professora do IFSC cita um estudo publicado no periódico Women’s Health em julho em que foram relatados, em uma mesma instituição do Brasil, cinco óbitos fetais de mulheres com coronavírus e em que o vírus foi identificado no líquido amniótico de um bebê e na placenta de dois bebês. “Isso traz muita sugestão de que a transmissão vertical é uma possibilidade, de que o vírus pode ser transmitido através da placenta pro bebê”, afirma Juliana. 

Até então, quando um bebê era diagnosticado com Covid-19, a transmissão era associada ao parto ou até ao pós-parto, num momento de amamentação, por exemplo, por uma mãe com a doença. “Mas essa série de casos mostrou pra gente que não, que nos óbitos fetais intra útero já tinha presença do vírus”, explica a professora.

Juliana esclarece que o compilado dos estudos está demonstrando que existe essa possibilidade, mas parece ser rara. “Pelo acúmulo de conhecimento até o momento sobre Covid nas gestantes, parece ser um evento raro, mas seria possível sim”, explica. 

Segundo ela, muitos profissionais têm observado um aumento de óbitos fetais no Brasil após o início da pandemia. “Entretanto, sem um estudo adequado incluindo testagem de todas as gestantes, é difícil avaliar se essa observação é real ou se existe uma relação de causa e efeito entre Covid-19 e óbito fetal”, pondera.

Como tudo ainda é muito novo, ainda não existem estudos que tratem de sequelas para bebês que sejam diagnosticados com coronavírus.

Como fica a amamentação?

A professora do IFSC destaca que não há evidência científica que mostre contaminação por meio do leite materno. “Por enquanto, considerando os benefícios da amamentação, o indicado é que as mulheres - mesmo aquelas positivas para Covid - possam amamentar os bebês”, reforça.

-> Leia a Nota técnica do Ministério da Saúde sobre amamentação

Inclusive, o contato pele a pele é incentivado também para mães testadas positivas para Covid-19, mas não de forma imediata. “Então o bebê nasce, o clampeamento ainda é oportuno do cordão e, enquanto se aguarda para clampear o cordão umbilical, é trocada a camisola da mãe, a mulher é seca, troca-se sua a máscara e aí o bebê vai para o contato pele a pele com ela para amamentação”, explica Juliana. A OMS recomenda o clampeamento tardio do cordão umbilical quando possível, que é quando se interrompe o fluxo sanguíneo entre a mãe e o bebê.

De acordo com a professora, no caso de bebês que desenvolveram a doença depois do parto, o que se acredita é que a transmissão tenha ocorrido durante a amamentação por gotícula ou aerossol, mas não pelo leite materno. “No caso de a mulher estar com Covid, o ideal é que ela use máscara durante a amamentação”, recomenda.   

-> Sociedade Brasileira de Pediatria defende a manutenção da amamentação em mães portadoras da Covid-19

Puerpério em plena pandemia

Se não bastasse toda a preocupação com a gestação durante a pandemia, após ter o bebê, a mulher pode se ver solitária no chamado puerpério, que é o período que se estende de 45 a 60 dias após o nascimento da criança. A enfermeira obstétrica Juliana alerta para a importância de haver uma rede de apoio para a puérpera, ainda que adaptada ao atual contexto de distanciamento social:

-> Assista à live Puerpério em Tempos de Pandemia feita por professoras do curso de Enfermagem do IFSC

Veja também:

-> Orientações do Ministério da Saúde sobre gestantes e lactantes

-> Nota técnica do Ministério da Saúde sobre a atenção à saúde do recém-nascido no contexto da infecção pelo novo coronavírus

-> Organização Mundial de Saúde responde dúvidas sobre amamentação e Covid-19 (em inglês)

-> Fluxo de manejo clínico de gestantes na Atenção Especializada conforme o Ministério da Saúde


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