Como a informação pode ajudar a conter uma pandemia?

IFSC VERIFICA Data de Publicação: 29 dec 2020 14:01 Data de Atualização: 17 fev 2021 15:20

Informação clara, confiável e fundamentada pode ajudar a conter uma pandemia? Como essa informação pode contribuir para conscientizar e educar? Estas eram as perguntas que fazíamos no final de maio deste ano, quando lançávamos o projeto IFSC Verifica nos canais de comunicação institucionais. Estávamos em situação de pandemia havia apenas dois meses, muitas questões sobre a Covid-19 ainda careciam de respostas sólidas e uma quantidade imensa de desinformação se misturava a informações relevantes que ajudassem as pessoas a entenderem melhor o cenário.

Foi a mescla desses elementos que nos motivou a lançar este projeto, aprovado pela chamada institucional lançada em abril para mobilizar servidores e estudantes do IFSC, em suas mais diversas expertises, em iniciativas que contribuíssem para o combate à pandemia. Àquela altura, a equipe do IFSC Verifica imaginava que, ao final do projeto, em dezembro, estaríamos mais próximos de uma retomada da normalidade social.

Mas não foi bem assim

Hoje, porém, o que se observa é uma situação de extrema gravidade, o pior quadro desde o início da pandemia. O novo coronavírus já infectou mais de 79 milhões de pessoas no mundo, tirando a vida de 1,7 milhão, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em Santa Catarina, a doença já foi diagnosticada em 482.129 pessoas, levando a 5.082 mortes (dados de 28 de dezembro de 2020). Pela primeira vez, todas as regiões do mapa de risco do estado estão pintadas de vermelho, indicativo do risco potencial gravíssimo nos 295 municípios catarinenses. 

Por onde passa, o cenário é semelhante: embora evolua para quadros de internação em apenas 20% dos infectados, a Covid-19 é devastadora o suficiente para levar à beira do colapso os sistemas de saúde em todo o mundo.

Mutação e vacinas

Ao mesmo tempo em que, neste mês de dezembro, o mundo celebrava o início da imunização contra a Covid-19 em alguns países, uma variação do vírus era detectada no Reino Unido, trazendo novas demandas de respostas e ações da comunidade científica. O já familiar Sars-Cov-2 ganhou então um sobrenome, VUI 202012/1 (sigla em inglês para “variação sob investigação”, mês de dezembro de 2020, variação 1).

Para a comunidade científica internacional, a identificação dessa já esperada variação genética – a capacidade de mutação é uma característica comum de todos os vírus, e com o Sars-Cov-2 não seria diferente – implica um novo esforço para entender as consequências que isso pode trazer para a saúde pública em nível global. Principalmente pelo fato já observado de que a nova variação tende a se disseminar de forma mais rápida.

Manutenção dos cuidados

Nesta transmissão ao vivo da OMS (em inglês), que reuniu pesquisadores das características dessa nova variação do Sars-Cov-2, o especialista sênior de laboratórios da entidade, Frank Konings, explicou que o achado não tem implicações sobre as medidas de prevenção recomendadas pelos órgãos de saúde. “É importante ter em mente que, embora o vírus tenha mudado, ainda é o Sars-Cov-2. As medidas e intervenções existentes ainda funcionam e devem ser implementadas. Todas as medidas de prevenção que sabemos que funcionam devem continuar, inclusive as medidas individuais como higiene das mãos, distanciamento físico, ventilação dos ambientes e uso de máscara”, enfatiza. Isso tudo numa articulação com medidas de saúde pública, como testagem, rastreamento de contatos, atendimento aos doentes e monitoramento de casos.

Muito, ainda, por responder

Levando-se em conta o capítulo atual da novela desta nossa primeira pandemia do século XXI, é possível perceber como nós do IFSC Verifica – e, talvez, a humanidade – tenhamos sido precipitados ao imaginar que em dezembro a normalidade social estaria prestes a retornar. Ainda há muitas questões a serem respondidas sobre a doença e todos os seus incontáveis impactos. Por isso, embora estejamos encerrando as atividades do projeto de extensão IFSC Verifica – conforme já estava previsto lá em maio, quando demos início às publicações –, entendemos que ainda temos como contribuir para ajudar no esclarecimento dos nossos públicos em relação à pandemia.

Ao longo do projeto, orientamos as temáticas das nossas publicações em função das questões relevantes que observávamos nos lugares de debate público: boatos surgidos nas mídias sociais, dúvidas pertinentes sobre formas de contágio ou vacinas, avanços na compreensão da ação do vírus e esclarecimentos sobre sintomas e tratamentos, entre muitos outros assuntos, sempre permearam nossos textos. Recebemos questões por nossas mídias sociais e pelo e-mail do projeto que procuramos contemplar nas postagens – estas, sempre focadas na contextualização das problemáticas e na explicação, em linguagem simples, de aspectos técnicos e científicos em torno da doença.

Durante esses sete meses, tivemos a imprescindível contribuição de mais de 50 servidores do IFSC, entre docentes, técnicos-administrativos e colaboradores, na produção dos 30 posts do projeto. Embora os assuntos de natureza técnico-científica possam parecer, muitas vezes, herméticos e de difícil compreensão, procuramos fazer uso de linguagem simples, enriquecida com recursos gráficos, vídeos e áudios, para favorecer a compreensão dos complexos temas por pessoas não especialistas. Nossa expectativa é que, nesse esforço, tenhamos atingido nosso objetivo inicial de contribuir para que a informação correta, embasada, clara e confiável ajude na contenção da pandemia.

Nova etapa

Na próxima fase do IFSC Verifica, agora como canal institucional de comunicação e não mais como projeto de extensão, iremos manter a atenção às questões importantes relacionadas à Covid-19, em publicações que passarão a ser mensais. Nossa metodologia consolidada será mantida: partiremos sempre da formulação de uma pergunta norteadora para buscar respostas a ela e às questões derivadas junto aos pesquisadores do IFSC, recorrendo sempre, também, a organismos de saúde, instituições de pesquisa renomadas e especialistas de outras instituições, quando for o caso. Que venha 2021 com seus novos desafios. Por aqui, continuaremos atentos.

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